Nova queixa torna mais difícil regresso político de Strauss-Kahn

06-07-2011
marcar artigo

Jornalista que denunciara ex-chefe do FMI por tentativa de violação apresenta queixa. Uma reviravolta que alimenta a teoria da conspiração

O caso Strauss-Kahn ameaça tornar-se um folhetim. Quando, em França, a discussão estava já no campo do cálculo político, e nas especulações sobre a influência que Dominique Strauss-Kahn poderia ter nas presidenciais do próximo ano, uma jornalista e escritora francesa anunciou ontem que vai apresentar queixa por tentativa de violação contra o ex-director do FMI.

Tristane Banon, que em 2007 contou num programa de televisão que um dirigente político, que na altura não identificou, a tentara assediar sexualmente, comportando-se como um "chimpanzé com o cio", vai apresentar queixa hoje, anunciou o seu advogado, David Koubbi.

Só depois da detenção de DSK em Nova Iorque, a 14 de Maio, a jornalista, hoje com 31 anos, identificou o protagonista desse episódio de 2002 como sendo Strauss-Kahn, então ministro das Finanças. A decisão de apresentar a queixa foi conhecida dias depois de o político ter sido libertado sem caução, após ter sido posta em causa a credibilidade da empregada de hotel, alegada vítima de violação. O ex-director do FMI, pela voz dos seus advogados, não tardou a reagir. Classificou os factos descritos por Tristane Banon como "imaginários" e anunciou uma "queixa por denúncia caluniosa".

O advogado da jornalista disse que a decisão de apresentar a queixa foi tomada em meados de Junho, bem antes dos desenvolvimentos da semana passada. E lembrou o que a própria Banon dissera em Maio - que há nove anos foi convencida pela mãe, uma eleita socialista no Oeste da França, a não apresentar queixa.

Depois de conhecido o caso de Nova Iorque, a jornalista tinha "reservado para mais tarde" uma decisão. E ontem David Koubbi disse, segundo a imprensa francesa, que nem ele nem a cliente desejavam ser "instrumentalizados pela justiça americana" ou contribuir para que "os dois dossiers fossem ligados de uma maneira ou de outra". O prazo de prescrição de queixa é de dez anos.

O anúncio da queixa num momento em que se discute um possível regresso daquele que era tido como o candidato socialista mais bem colocado para tentar evitar uma reeleição de Nicolas Sarkozy, não deixará de alimentar a teoria da conspiração defendida por alguns próximos de DSK logo após a detenção, em Maio.

A ajudar a esse tipo de raciocínio, uma sondagem Harris Interactive publicada ontem indicava que 42 por cento dos franceses consideram Dominique Strauss-Kahn daria um "bom Presidente da República", valor idêntico ao de François Hollande e superior ao da líder do partido, Martine Aubry.

O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever ×

Apesar do entusiasmo de alguns dos seus fiéis, a hipótese de uma candidatura de DSK parece ser pouco provável. Benoît Hamon, porta-voz do PS e próximo de Aubry, vista como uma solução alternativa depois do que aconteceu em Maio com o favorito socialista, considerou-a pouco provável. E Jean-Christophe Cambadélis, um próximo de Strauss-Kahn, sublinhou que a prioridade do antigo líder do FMI é que a sua honra "seja lavada".

Atentado político?

No domingo, a ideia de que o caso tem zonas de sombra tinha já voltado. Foi depois de a AFP ter noticiado que, segundo "fontes próximas do caso", a direcção do hotel Sofitel de Nova Iorque, palco da situação que levou Strauss-Khan à cadeia, e propriedade da cadeia francesa Accor, tinha informado a casa-mãe do sucedido, o deputado socialista François Loncle disse que "nem tudo é claro no comportamento dos dirigentes do grupo Accor" e acrescentou que "qualquer coisa se passou entre Paris e Nova Iorque". Outra aliada do ex-director do FMI , Michèle Sabban, falou em "atentado político".

O ministro do Interior, Claude Guéant, insurgiu-se contra "insinuações" e "acusações odiosas". "A justiça americana, toda a gente o sabe, é totalmente independente", referiu, afastando qualquer ideia de manipulação feita a partir de França.

Jornalista que denunciara ex-chefe do FMI por tentativa de violação apresenta queixa. Uma reviravolta que alimenta a teoria da conspiração

O caso Strauss-Kahn ameaça tornar-se um folhetim. Quando, em França, a discussão estava já no campo do cálculo político, e nas especulações sobre a influência que Dominique Strauss-Kahn poderia ter nas presidenciais do próximo ano, uma jornalista e escritora francesa anunciou ontem que vai apresentar queixa por tentativa de violação contra o ex-director do FMI.

Tristane Banon, que em 2007 contou num programa de televisão que um dirigente político, que na altura não identificou, a tentara assediar sexualmente, comportando-se como um "chimpanzé com o cio", vai apresentar queixa hoje, anunciou o seu advogado, David Koubbi.

Só depois da detenção de DSK em Nova Iorque, a 14 de Maio, a jornalista, hoje com 31 anos, identificou o protagonista desse episódio de 2002 como sendo Strauss-Kahn, então ministro das Finanças. A decisão de apresentar a queixa foi conhecida dias depois de o político ter sido libertado sem caução, após ter sido posta em causa a credibilidade da empregada de hotel, alegada vítima de violação. O ex-director do FMI, pela voz dos seus advogados, não tardou a reagir. Classificou os factos descritos por Tristane Banon como "imaginários" e anunciou uma "queixa por denúncia caluniosa".

O advogado da jornalista disse que a decisão de apresentar a queixa foi tomada em meados de Junho, bem antes dos desenvolvimentos da semana passada. E lembrou o que a própria Banon dissera em Maio - que há nove anos foi convencida pela mãe, uma eleita socialista no Oeste da França, a não apresentar queixa.

Depois de conhecido o caso de Nova Iorque, a jornalista tinha "reservado para mais tarde" uma decisão. E ontem David Koubbi disse, segundo a imprensa francesa, que nem ele nem a cliente desejavam ser "instrumentalizados pela justiça americana" ou contribuir para que "os dois dossiers fossem ligados de uma maneira ou de outra". O prazo de prescrição de queixa é de dez anos.

O anúncio da queixa num momento em que se discute um possível regresso daquele que era tido como o candidato socialista mais bem colocado para tentar evitar uma reeleição de Nicolas Sarkozy, não deixará de alimentar a teoria da conspiração defendida por alguns próximos de DSK logo após a detenção, em Maio.

A ajudar a esse tipo de raciocínio, uma sondagem Harris Interactive publicada ontem indicava que 42 por cento dos franceses consideram Dominique Strauss-Kahn daria um "bom Presidente da República", valor idêntico ao de François Hollande e superior ao da líder do partido, Martine Aubry.

O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever ×

Apesar do entusiasmo de alguns dos seus fiéis, a hipótese de uma candidatura de DSK parece ser pouco provável. Benoît Hamon, porta-voz do PS e próximo de Aubry, vista como uma solução alternativa depois do que aconteceu em Maio com o favorito socialista, considerou-a pouco provável. E Jean-Christophe Cambadélis, um próximo de Strauss-Kahn, sublinhou que a prioridade do antigo líder do FMI é que a sua honra "seja lavada".

Atentado político?

No domingo, a ideia de que o caso tem zonas de sombra tinha já voltado. Foi depois de a AFP ter noticiado que, segundo "fontes próximas do caso", a direcção do hotel Sofitel de Nova Iorque, palco da situação que levou Strauss-Khan à cadeia, e propriedade da cadeia francesa Accor, tinha informado a casa-mãe do sucedido, o deputado socialista François Loncle disse que "nem tudo é claro no comportamento dos dirigentes do grupo Accor" e acrescentou que "qualquer coisa se passou entre Paris e Nova Iorque". Outra aliada do ex-director do FMI , Michèle Sabban, falou em "atentado político".

O ministro do Interior, Claude Guéant, insurgiu-se contra "insinuações" e "acusações odiosas". "A justiça americana, toda a gente o sabe, é totalmente independente", referiu, afastando qualquer ideia de manipulação feita a partir de França.

marcar artigo