Seguro fala em "traição", Costa diz que PS não era "alternativa"
Márcia Galrão
marcia.galrao@economico.pt
Ontem 21:26
Em tom pessoal e olhos nos olhos, António José Seguro acusou António Costa de "deslealdade" e "traição" e disse-lhe que a sua "obrigação" era ter-se candidatado à liderança do PS "há 3 anos", porque era ele o "número dois de Sócrates" e não agora, porque isso mostra que Costa não foi "solidário" como era tradição no PS.
No primeiro frente-a-frente entre os dois candidatos às primárias do PS, o arranque do debate na TVI centrou-se na atitude de Costa com esta disputa de liderança. Seguro deu o pontapé de saída e foi duro nas acusações, obrigando o autarca de Lisboa a jogar à defesa.
Costa procurou sempre não responder directamente, garantindo que se candidatou por "imperativo de consciência" e por considerar que o PS não "conseguiu afirmar um discurso alternativo", mas Seguro trazia o discurso bem estudado e logo lhe lembrou que quando António Vitorino ganhou por pouco ao PSD nas europeias, ninguém tentou impedir António Guterres de se candidatar a primeiro-ministro um ano depois. "Sabes porquê António? Porque havia solidariedade no PS e tu não foste solidário", acusou Seguro.
O autarca de Lisboa acabou por voltar a lembrar vários episódios destes três anos de oposição socialista, considerando que Seguro nunca foi forte o suficiente para se apresentar como alternativa. Por exemplo, o momento em que alguns deputados do PS tiveram que se juntar ao BE e PCP para pedir a fiscalização do Orçamento do Estado para 2012, porque António José Seguro não deu a sua assinatura em nome do PS.
O secretário-geral do PS lembrou que teve que "respeitar a herança" que herdou de José Sócrates, em especial, o memorando de assistência. "Eras o número dois da direcção do PS, nunca te ouvi nada contra o memorando. Mas eu tive que o cumprir", disse o secretário-geral.
A abstenção do PS no Orçamento para 2012 foi usado por Costa para atacar a atitude de Seguro, considerando que o secretário-geral devia "ter percebido que aquele orçamento não espelhava o memorando. Devia ter sido uma fronteira". Mas Seguro defendeu-se, citando Costa na Quadratura do Círculo, quando este defendeu que o PS devia dar "condições de governabilidade". Costa ripostou: "O que defendi na Quadratura do Círculo era um acordo não sobre aquele OE mas sobre mais do que isso".
Sobre a estratégia para as eleições legislativas, Seguro levava já um trabalho feito e propostas concretas. Costa protelou: candidata-se para as primárias e depois para as legislativas "deve aguardar-se com serenidade" para apresentar um programa de Governo.
O autarca de Lisboa acha que há "um conjunto de variáveis" que aconselham "prudência". E considerou "imprudente" falar em baixar impostos. Seguro foi mais claro: "Posso prometer não aumentar carga fiscal: IRS, IRC, o IVA, baixarei o IVA da restauração, para a taxa intermédia dos 13%".
Sobre as presidenciais, o primeiro ponto de consenso entre os dois: António Guterres deve ser o candidato em 2016 do PS, seja Seguro ou Costa o próximo líder do partido. Qualquer um dos Antónios ambiciona também uma maioria absoluta nas próximas legislativas.
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Seguro fala em "traição", Costa diz que PS não era "alternativa"
Márcia Galrão
marcia.galrao@economico.pt
Ontem 21:26
Em tom pessoal e olhos nos olhos, António José Seguro acusou António Costa de "deslealdade" e "traição" e disse-lhe que a sua "obrigação" era ter-se candidatado à liderança do PS "há 3 anos", porque era ele o "número dois de Sócrates" e não agora, porque isso mostra que Costa não foi "solidário" como era tradição no PS.
No primeiro frente-a-frente entre os dois candidatos às primárias do PS, o arranque do debate na TVI centrou-se na atitude de Costa com esta disputa de liderança. Seguro deu o pontapé de saída e foi duro nas acusações, obrigando o autarca de Lisboa a jogar à defesa.
Costa procurou sempre não responder directamente, garantindo que se candidatou por "imperativo de consciência" e por considerar que o PS não "conseguiu afirmar um discurso alternativo", mas Seguro trazia o discurso bem estudado e logo lhe lembrou que quando António Vitorino ganhou por pouco ao PSD nas europeias, ninguém tentou impedir António Guterres de se candidatar a primeiro-ministro um ano depois. "Sabes porquê António? Porque havia solidariedade no PS e tu não foste solidário", acusou Seguro.
O autarca de Lisboa acabou por voltar a lembrar vários episódios destes três anos de oposição socialista, considerando que Seguro nunca foi forte o suficiente para se apresentar como alternativa. Por exemplo, o momento em que alguns deputados do PS tiveram que se juntar ao BE e PCP para pedir a fiscalização do Orçamento do Estado para 2012, porque António José Seguro não deu a sua assinatura em nome do PS.
O secretário-geral do PS lembrou que teve que "respeitar a herança" que herdou de José Sócrates, em especial, o memorando de assistência. "Eras o número dois da direcção do PS, nunca te ouvi nada contra o memorando. Mas eu tive que o cumprir", disse o secretário-geral.
A abstenção do PS no Orçamento para 2012 foi usado por Costa para atacar a atitude de Seguro, considerando que o secretário-geral devia "ter percebido que aquele orçamento não espelhava o memorando. Devia ter sido uma fronteira". Mas Seguro defendeu-se, citando Costa na Quadratura do Círculo, quando este defendeu que o PS devia dar "condições de governabilidade". Costa ripostou: "O que defendi na Quadratura do Círculo era um acordo não sobre aquele OE mas sobre mais do que isso".
Sobre a estratégia para as eleições legislativas, Seguro levava já um trabalho feito e propostas concretas. Costa protelou: candidata-se para as primárias e depois para as legislativas "deve aguardar-se com serenidade" para apresentar um programa de Governo.
O autarca de Lisboa acha que há "um conjunto de variáveis" que aconselham "prudência". E considerou "imprudente" falar em baixar impostos. Seguro foi mais claro: "Posso prometer não aumentar carga fiscal: IRS, IRC, o IVA, baixarei o IVA da restauração, para a taxa intermédia dos 13%".
Sobre as presidenciais, o primeiro ponto de consenso entre os dois: António Guterres deve ser o candidato em 2016 do PS, seja Seguro ou Costa o próximo líder do partido. Qualquer um dos Antónios ambiciona também uma maioria absoluta nas próximas legislativas.