Como o André já aqui referiu, a comunicação social faz hoje eco da divulgação pela PT no seu R&C de 2009 da remuneração (fixa e variável) dos seus administradores relativamente ao ano passado.
E de uma forma relativamente uniforme, o destaque é dado ao facto de ganharem consideravelmente menos que os administradores de operadoras europeias de telecomunicações. O Jornal de Negócios realça ainda que “o CEO de telecomunicações mais bem pago na Europa é Vittorio Colao, presidente executivo da Vodafone, que auferiu em 2008 (últimos dados disponíveis) uma remuneração total de 14 milhões de euros, um valor sete vezes e meia superior ao de Zeinal Bava”.
Bem sei que comparando com o caso do Dr. Constâncio (que, pelo menos até há pouco tempo, ganhava mais do que o presidente dessa instituição obscura e desconhecida que dá pelo nome de Federal Reserve) parece que Zeinal Bava trabalha quase de graça. No entanto, se fizermos um pequeno exercício de colocar em perspectiva a remunerações auferida face a dois indicadores (capitalização bolsista e resultado líquido), verificamos que a Vodafone pagou ao seu CEO €163 por cada milhão de euros de capitalização bolsista e €1.585 por cada milhão de euros de resultados. Para a Telecom Italia estes valores são €101 e €881 e no caso da France Telecom €35 e €551. Por incrível que possa parecer no caso da PT chegamos a €252 e €2.697 relativamente a market cap e RL. Ou seja, pelo menos face a estas empresas, o CEO da PT é o mais caro.
Pessoalmente não me chateia que os administradores da PT sejam bem pagos (até porque if you pay peanuts, you’ll get monkeys). E se o Estado não tivesse a golden share (que lhe permite ter um peso significativo na empresa), este tema só deveria preocupar os accionistas da empresa. Mas fico com uma dúvida: se não fosse a PT ou se esta não estivesse envolvida nas histórias que se sabe, será que a tónica dada à notícia seria a mesma?
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Como o André já aqui referiu, a comunicação social faz hoje eco da divulgação pela PT no seu R&C de 2009 da remuneração (fixa e variável) dos seus administradores relativamente ao ano passado.
E de uma forma relativamente uniforme, o destaque é dado ao facto de ganharem consideravelmente menos que os administradores de operadoras europeias de telecomunicações. O Jornal de Negócios realça ainda que “o CEO de telecomunicações mais bem pago na Europa é Vittorio Colao, presidente executivo da Vodafone, que auferiu em 2008 (últimos dados disponíveis) uma remuneração total de 14 milhões de euros, um valor sete vezes e meia superior ao de Zeinal Bava”.
Bem sei que comparando com o caso do Dr. Constâncio (que, pelo menos até há pouco tempo, ganhava mais do que o presidente dessa instituição obscura e desconhecida que dá pelo nome de Federal Reserve) parece que Zeinal Bava trabalha quase de graça. No entanto, se fizermos um pequeno exercício de colocar em perspectiva a remunerações auferida face a dois indicadores (capitalização bolsista e resultado líquido), verificamos que a Vodafone pagou ao seu CEO €163 por cada milhão de euros de capitalização bolsista e €1.585 por cada milhão de euros de resultados. Para a Telecom Italia estes valores são €101 e €881 e no caso da France Telecom €35 e €551. Por incrível que possa parecer no caso da PT chegamos a €252 e €2.697 relativamente a market cap e RL. Ou seja, pelo menos face a estas empresas, o CEO da PT é o mais caro.
Pessoalmente não me chateia que os administradores da PT sejam bem pagos (até porque if you pay peanuts, you’ll get monkeys). E se o Estado não tivesse a golden share (que lhe permite ter um peso significativo na empresa), este tema só deveria preocupar os accionistas da empresa. Mas fico com uma dúvida: se não fosse a PT ou se esta não estivesse envolvida nas histórias que se sabe, será que a tónica dada à notícia seria a mesma?