O poetaEle é a alta voltagem de um nome,o selo que reverbera de dentroquando as cavilhas fecham as córneas.Jorge MelíciasApenas vi mais um condenado, simplesmenteinvadindo paisagens como demência de pássaroso poeta com mais sangue que água - festimmais ingénuo que agonia - corpo vasto despidocomo se encobrisse cada golpe o mênstruo novo.Na cilada guinchos sagrados triturando chagasforma robusta de lume rasgada pelos dentessulco álgido da alucinação sedenta de banquetesfarejando o eclipse materno porque desígnio,poeira, onde bichos se devoram extasiados entre si.E ele, que se via atravessado pelas garras prenhesflores virgens nas entranhas agonizantes de sol,da carne à terra a matéria extraída do doce crime.Ao seu lado as suas próprias vísceras nuas abertaslágrimas cosidas numa tábua aplainada de desejos.A seiva do mundo espetada na pele como esporasvozes órfãs reunindo-se oferenda contra a morte.Aí nasce pela primeira vez o clamor do relâmpagosangue sem nome gerando a pupila do besouro.Ninguém já sabe o que busca entre a ávida língua.João Rasteiro
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O poetaEle é a alta voltagem de um nome,o selo que reverbera de dentroquando as cavilhas fecham as córneas.Jorge MelíciasApenas vi mais um condenado, simplesmenteinvadindo paisagens como demência de pássaroso poeta com mais sangue que água - festimmais ingénuo que agonia - corpo vasto despidocomo se encobrisse cada golpe o mênstruo novo.Na cilada guinchos sagrados triturando chagasforma robusta de lume rasgada pelos dentessulco álgido da alucinação sedenta de banquetesfarejando o eclipse materno porque desígnio,poeira, onde bichos se devoram extasiados entre si.E ele, que se via atravessado pelas garras prenhesflores virgens nas entranhas agonizantes de sol,da carne à terra a matéria extraída do doce crime.Ao seu lado as suas próprias vísceras nuas abertaslágrimas cosidas numa tábua aplainada de desejos.A seiva do mundo espetada na pele como esporasvozes órfãs reunindo-se oferenda contra a morte.Aí nasce pela primeira vez o clamor do relâmpagosangue sem nome gerando a pupila do besouro.Ninguém já sabe o que busca entre a ávida língua.João Rasteiro