Aquela noite a trêsfoi como desenhar a maçariconuma chapa de ferroum vento fóssil, um vítreo monograma,o rasto ao exceder o voo de uma carriçacativo flutua no vidro de uma jarra.Suspensos percorriam na polpa da vertigemléguas sobre o abismo.Pendentes do zinco da manhãà espera do iníciodo seguinte espectáculodispersaram o sémennas chaminés da noite leprosa.Nos terraços da luta percorreramas danças mais funestas da ternura.Num combinar astuto de referênciasabriram-se os portaise despediram galopes penitentesos animais libertosdas tecidas mansões.O unicórnio branco depôs sua cabeçanos braços da senhora,compadecida dama,e lhe tocou fiando suas lãsentre as unhas crivadas por metralha.Sinto-lhes o assédio,em cada joelho poisamum queixo armadilhado,a barba já cresceu desde o jantar.«É a adoração dos magos» - murmuras tu –fincando na ravina os dedos imanadosenquanto o tronco investea pele percorrida por venosas nascentes.Olho por sobre um ombroe surpreendo a trevaofendida esgueirar-seentre os dedos da porta.O noctívago galgodevora a escuridão às cegas no recinto.Em breve a luz envolvede opalinas unções as cabeleiras.Iminentes desenham-se as saídas,o croissant no prato, o garoto no copo,o revestir a pele doutros fatosa tragédia jazente nos horários.Aquela noite a três foi sem remédio.Fátima MaldonadoOs PresságiosEditorial Presença, 1983
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Aquela noite a trêsfoi como desenhar a maçariconuma chapa de ferroum vento fóssil, um vítreo monograma,o rasto ao exceder o voo de uma carriçacativo flutua no vidro de uma jarra.Suspensos percorriam na polpa da vertigemléguas sobre o abismo.Pendentes do zinco da manhãà espera do iníciodo seguinte espectáculodispersaram o sémennas chaminés da noite leprosa.Nos terraços da luta percorreramas danças mais funestas da ternura.Num combinar astuto de referênciasabriram-se os portaise despediram galopes penitentesos animais libertosdas tecidas mansões.O unicórnio branco depôs sua cabeçanos braços da senhora,compadecida dama,e lhe tocou fiando suas lãsentre as unhas crivadas por metralha.Sinto-lhes o assédio,em cada joelho poisamum queixo armadilhado,a barba já cresceu desde o jantar.«É a adoração dos magos» - murmuras tu –fincando na ravina os dedos imanadosenquanto o tronco investea pele percorrida por venosas nascentes.Olho por sobre um ombroe surpreendo a trevaofendida esgueirar-seentre os dedos da porta.O noctívago galgodevora a escuridão às cegas no recinto.Em breve a luz envolvede opalinas unções as cabeleiras.Iminentes desenham-se as saídas,o croissant no prato, o garoto no copo,o revestir a pele doutros fatosa tragédia jazente nos horários.Aquela noite a três foi sem remédio.Fátima MaldonadoOs PresságiosEditorial Presença, 1983