Polémica sem fim à vista
Nem Hermínio Loureiro parece ter poderes suficientes para resolver o imbróglio do andebol
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Nuno Garuti/O Jogo O secretário de Estado da Juventude e Desportos foi ouvido na Assembleia por causa do andebol
HERMÍNIO Loureiro foi ouvido, na quarta-feira, na comissão parlamentar de Educação, e Desporto e pouco adiantou sobre as soluções que porventura tenha em mente, para romper o impasse actual no andebol português. Esse impasse deve-se, especificamente, às divergências entre a Liga de Clubes e a Federação.
O secretário de Estado limitou-se a fazer um relato do processo e a confirmar a sua intenção de suspender a utilidade pública desportiva da Federação de Andebol de Portugal (FAP), caso esta insista em não integrar a Liga no seu seio. Mas se tal acontecer, os problemas não ficam resolvidos. Pelo contrário.
Ao que apurou o EXPRESSO, Hermínio Loureiro até apelou à Comissão para o ajudar a resolver o imbróglio, uma vez que terá esgotado todos os mecanismos ao seu dispor.
Entre a espada e a parede
Recorde-se que o diferendo dura há cerca de dois anos, tendo como questão central o não cumprimento do protocolo assinado entre FAP e a Liga. Enquanto esta acusa a federação de recusar integrá-la na Assembleia-Geral, a FAP alega que a Liga ainda não cumpriu os requisitos de filiação previstos nos estatutos e no regulamento geral.
O presidente da Liga, João Nogueira, já em Julho defendeu que «a Liga é um organismo autónomo, com personalidade jurídica e autonomia administrativa, financeira e técnica», admitindo em consequência que os seus estatutos «não têm de se subjugar aos da Federação».
Acusado de ter uma atitude passiva, Hermínio Loureiro resolveu intervir agora de forma mais directa e enviou um ofício à FAP dando-lhe dez dias para alegar em sua defesa. Só depois decidiria a eventual suspensão do estatuto de utilidade pública, sofrendo a FAP as consequências de não viabilizar o profissionalismo na modalidade.
Luís Santos, presidente da FAP continua a insistir na ideia de que «quem não cumpre é a Liga», ao não fazer as alterações estatutárias necessárias à sua integração. Ele acentua que a Liga se deve «submeter aos estatutos da FAP, nomeadamente porque até já foram aprovados pela própria Procuradoria-Geral da República».
Treinadores contra Hermínio Loureiro
A intervenção de Hermínio Loureiro nesta matéria do foro associativo não é, contudo, pacífica para todos os protagonistas da modalidade. A Associação de Treinadores de Andebol acaba mesmo de lhe manifestar, em comunicado, a sua discordância. Se a FAP viesse a perder o estatuto de utilidade pública, sublinha a Associação de Treinadores, tal poderia «vir a ter repercussões ainda mais gravosas no futuro do andebol português».
Como é que vai acabar este braço-de-ferro, ninguém sabe. Até porque, mesmo que a FAP perca a utilidade pública, Luís Santos já fez saber que recorre aos tribunais. A Liga, por sua vez, diz ter um plano para iniciar o campeonato profissional, mesmo que a Federação não integre o organismo autónomo no seu seio.
Caso a FAP perca o estatuto de utilidade pública, a Liga poderia contratar os árbitros, visto se ter caído no vazio institucional.
Entretanto, na próxima semana uma subcomissão parlamentar deverá ouvir os outros protagonistas do processo: as associações de jogadores e treinadores, a Liga e a Federação.
A audiência da FAP estava agendada para o dia 10, mas Luís Santos solicitou o adiamento por dois dias. E explicou porquê: ele só quer ir à Assembleia da República depois de responder por escrito, presume-se que com toda a dureza, ao secretário de Estado. Isso acontecerá, o mais tardar, na próxima quarta-feira.
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Nuno Garuti/O Jogo O secretário de Estado da Juventude e Desportos foi ouvido na Assembleia por causa do andebol
HERMÍNIO Loureiro foi ouvido, na quarta-feira, na comissão parlamentar de Educação, e Desporto e pouco adiantou sobre as soluções que porventura tenha em mente, para romper o impasse actual no andebol português. Esse impasse deve-se, especificamente, às divergências entre a Liga de Clubes e a Federação.
O secretário de Estado limitou-se a fazer um relato do processo e a confirmar a sua intenção de suspender a utilidade pública desportiva da Federação de Andebol de Portugal (FAP), caso esta insista em não integrar a Liga no seu seio. Mas se tal acontecer, os problemas não ficam resolvidos. Pelo contrário.
Ao que apurou o EXPRESSO, Hermínio Loureiro até apelou à Comissão para o ajudar a resolver o imbróglio, uma vez que terá esgotado todos os mecanismos ao seu dispor.
Entre a espada e a parede
Recorde-se que o diferendo dura há cerca de dois anos, tendo como questão central o não cumprimento do protocolo assinado entre FAP e a Liga. Enquanto esta acusa a federação de recusar integrá-la na Assembleia-Geral, a FAP alega que a Liga ainda não cumpriu os requisitos de filiação previstos nos estatutos e no regulamento geral.
O presidente da Liga, João Nogueira, já em Julho defendeu que «a Liga é um organismo autónomo, com personalidade jurídica e autonomia administrativa, financeira e técnica», admitindo em consequência que os seus estatutos «não têm de se subjugar aos da Federação».
Acusado de ter uma atitude passiva, Hermínio Loureiro resolveu intervir agora de forma mais directa e enviou um ofício à FAP dando-lhe dez dias para alegar em sua defesa. Só depois decidiria a eventual suspensão do estatuto de utilidade pública, sofrendo a FAP as consequências de não viabilizar o profissionalismo na modalidade.
Luís Santos, presidente da FAP continua a insistir na ideia de que «quem não cumpre é a Liga», ao não fazer as alterações estatutárias necessárias à sua integração. Ele acentua que a Liga se deve «submeter aos estatutos da FAP, nomeadamente porque até já foram aprovados pela própria Procuradoria-Geral da República».
Treinadores contra Hermínio Loureiro
A intervenção de Hermínio Loureiro nesta matéria do foro associativo não é, contudo, pacífica para todos os protagonistas da modalidade. A Associação de Treinadores de Andebol acaba mesmo de lhe manifestar, em comunicado, a sua discordância. Se a FAP viesse a perder o estatuto de utilidade pública, sublinha a Associação de Treinadores, tal poderia «vir a ter repercussões ainda mais gravosas no futuro do andebol português».
Como é que vai acabar este braço-de-ferro, ninguém sabe. Até porque, mesmo que a FAP perca a utilidade pública, Luís Santos já fez saber que recorre aos tribunais. A Liga, por sua vez, diz ter um plano para iniciar o campeonato profissional, mesmo que a Federação não integre o organismo autónomo no seu seio.
Caso a FAP perca o estatuto de utilidade pública, a Liga poderia contratar os árbitros, visto se ter caído no vazio institucional.
Entretanto, na próxima semana uma subcomissão parlamentar deverá ouvir os outros protagonistas do processo: as associações de jogadores e treinadores, a Liga e a Federação.
A audiência da FAP estava agendada para o dia 10, mas Luís Santos solicitou o adiamento por dois dias. E explicou porquê: ele só quer ir à Assembleia da República depois de responder por escrito, presume-se que com toda a dureza, ao secretário de Estado. Isso acontecerá, o mais tardar, na próxima quarta-feira.