XXVIII Congresso, em Pombal PSD à procura de um novo líder
Política "laranja" no feminino SERVIÇOS Imprimir esta página Contactar Anterior Voltar Seguinte
GUILHERME SOARES E PAULO ALEXANDRE NEVES
No PSD são poucas as mulheres que ocupam lugares cimeiros nas diversas estruturas. Na ainda Comissão Política Nacional, liderada por Santana Lopes, apenas sobressaía ram Helena Lopes da Costa (a quem deverá estar destinada a secretaria geral do partido caso Luís Filipe Menezes vença o congresso) numa vice-presidência e Guilhermina Rego, a mulher do Porto, como vogal.
Num dos piores resultados de sempre do PSD em legislativas sobrou também consequências para as mulheres: foram eleitas apenas seis deputadas num universo de 75, o que se traduz numa confrangedora percentagem, isto se considerarmos por exemplo as mais de 30 deputadas do grupo parlamentar do Partido Socialista. As actuais seis deputadas do PSD são Zita Seabra, Rosário Águas, Ana Manso, Helena Lopes da Costa, Regina Bastos e Ofélia Moleiro.
O historiador e deputado do PSD eleito pelo círculo do Porto, Freire Antunes vai levar uma moção ao congresso onde, precisamente, defende a necessidade do partido instaurar cotas que determinem um mínimo obrigatório de mulheres a incluir nas listas de candidatos a deputados.
Nesse âmbito, o COMÉRCIO falou com duas mulheres social-democratas. Adriana Aguiar-Branco, deputada da anterior legislatura, que se mostra, precisamente, contra as cotas dentro do partido, e Ana Zita Gomes, anterior secretária-geral da JSD e actual presidente do Congresso da "jota".
Ana Zita Gomes - Presidente do Congresso da JSD
"Concordo com as cotas como alavanca para maior participação"
Ana Zita Gomes, 27 anos, foi secretária-geral da JSD, com Jorge Nuno Sá, e é a actual presidente da Mesa do Congresso da "jota", com Daniel Fangueiro. Fala-se nela para secretária-geral adjunta do PSD se Menezes vencer e para, depois das autárquicas, vir a ser a deputada que a JSD hoje não tem na Assembleia da República.
- Com que expectativas parte para este congresso?
- Que tenhamos um momento muito importante para o PSD, de reflexão e debate interno, o que inclui, naturalmente, a análise do último resultado eleitoral. Espero que essa avaliação seja feita sem pessimismo excessivo, porque é preciso tirar partido das experiências passadas para melhorar a acção do PSD, de forma a reconquistarmos a confiança dos portugueses. Falo numa reflexão, quer ao nível da acção do partido quer a nível ideológico. Ao nível das candidaturas espero e desejo que seja um debate sério, aprofundado e, fundamentalmente, com muita elevação democrática. Que no fim do congresso tenhamos um PSD mais forte, motivado, mas também mais unido em torno do líder eleito, seja ele quem for. Espero também que este congresso tenha em conta duas questões que são consensuais, mas que não passam desse consenso: a renovação do partido e um crescimento da participação das mulheres. Gostaria de ver sair deste congresso mais mulheres nos órgãos nacionais do partido.
- Fala-se, aliás, nos nomes de Helena Lopes da Costa e no seu próprio para a secretaria geral do partido, caso Luís Filpe Menezes vença o congresso...
- Vejo o nome de Helena Lopes da Costa para secretária-geral do partido com muito agrado, assim como a participação de qualquer mulher num lugar de destaque.
- Algumas moções vão defender a ideia de estabelecer a ideia das cotas obrigatórias no PSD, à semelhança do que acontece no PS. Concorda?
- Ao longo dos últimos tempos tenho vindo a modificar a minha opinião. Inicialmente era contra as cotas, assim como acho que todas as mulheres da minha idade, porque acham que atenta contra a dignidade da participação das mulheres. Hoje, penso que temos de ser realistas e devemos devender as que não conseguem aqui chegar. O que temos hoje, sem cotas, é uma fraca participação das mulheres, pelo que, olhando para outros países, onde as cotas são obrigatórias, e se isso for uma alavanca para o início de um processo de maior igualdade de participação, concordo com as cotas. Identifico-me com a forma de pensar de Leonor Beleza nesta matéria.
- Qual é o seu candidato?
- Ainda não decidi. Se as decisões fossem tomadas à partida não havia a necessidade de um congresso. Quero esperar para conhecer as moções que ainda não conheço e as respectivas equipas.
- O que é que acha da moção que a "terceira via", protagonizada por António Borges, vai apresentar?
- Essa moção poderá ser um contributo bastante válido, os seus subscritores são pessoas muito respeitadas e válidas da nossa sociedade. Tornar essa moção numa candidatura? Isso só depende da vontade dos próprios...
- Acha que o próximo líder do PSD será o próximo candidato do partido a primeiro-ministro?
- Pois, não sei... A seguir a este congresso, teremos outro daqui a dois anos para avaliar a acção do líder e da sua equipa. Se então acharmos que este é o melhor líder, ele será reconduzido com certeza e partirá para as legislativas.
- As presidenciais devem ser discutidas neste congresso?
- Essa é outra questão que depende de uma vontade e motivação pessoal. Pode ser aflorada com abertura, mas sem que se torne o assunto essencial do congresso.
- Eleição directa do líder do PSD?
- Tenho alguma reserva em relação às eleições directas, sempre tive.
Adriana Aguiar Branco - Ex-deputada e apoiante de Marques Mendes
"Não sou claramente uma mulher do aparelho"
Adriana Aguiar Branco apoia Marques Mendes, "desde a primeira hora", como gosta de frisar. A ex-deputada social-democrata é contrária à instalação de cotas no partido, garantindo que as mulheres devem "ir à luta".
-Porque apoia Marques Mendes para a liderança do PSD?
- É bom que se diga que sou seu apoiante desde a primeira hora. Reconheço-lhe grande capacidade e inteligência para liderar o partido, para além do seu passaddo de grande coerência. É incomparavelmente o melhor. Neste momento, não haveria melhor para liderar o PSD.
- Está disposta, eventualmente, a aceitar algum cargo nos órgãos nacionais que saírem do congresso de Pombal?
- Não sou uma político-dependente. Não sou claramente uma mulher do aparelho. Tive sempre a frontalidade de o criticar, nomeadamente a Distrital do Porto. Se não pensasse que Marques Mendes vai aproveitar este congresso para fazer uma limpeza não o teria apoiado. Sei que chama sempre os melhores para as suas equipas sem perseguir quem esteja, eventual e pontualmente, contra si. Os cargos devem ser sempre distribuídos pela competência das pessoas. Sou frontalmente contra um certo tipo de caciquismo existente dentro do meu partido. Por isso, não sou incondicional de ninguém. Também por esse aspecto apoio a candidatura de Marques Mendes, sabendo, de antemão, que ele vai ganhar o congresso deste fim-de-semana.
- Há quem preconize em moções a apresentar ao congresso o estabelecimento de cotas dentro do partido, tal como já acontece no PS?
- Sou contra as cotas. É verdade que o partido se portou muito mal para com as mulheres nas últimas eleições legislativas de 20 de Fevereiro. Houve claríssimas injustiças. É bom lembrar que, na anterior legislatura, houve deputas de excelência. Há, claramente, mulheres que por se dedicarem à política fazem sombra a alguns homens. Temos de ir à luta.
- Como é trabalhar pelo partido fora da Assembleia da República?
- Repito: não pedincho, não aceito lugares por simples oferta. Por isso, mesmo não estando agora no Parlamento, quero ajudar o PSD a fazer uma oposição séria e credível ao actual governo socialista.
- Está sentida por não ter feito parte das listas de deputados do PSD nas últimas eleições?
- Sou sempre afirmativa. Não estou sentida por não ser deputada. Este não é, mesmo, um modo de vida. Não pedi a ninguém para ir para lá. Aliás, não é estimulante ser-se deputada. Era mais uma função. Agora, sim, a minha vida continua e vai ser estimulante. Como se costuma dizer, ´nem tudo o que parece é´, por isso, não troco nada pela liberdade. Sabia, de antemão, que essa postura iria custar a minha permanência na Assembleia da República. tanto melhor. Sou uma mulher livre.
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GUILHERME SOARES E PAULO ALEXANDRE NEVES
No PSD são poucas as mulheres que ocupam lugares cimeiros nas diversas estruturas. Na ainda Comissão Política Nacional, liderada por Santana Lopes, apenas sobressaía ram Helena Lopes da Costa (a quem deverá estar destinada a secretaria geral do partido caso Luís Filipe Menezes vença o congresso) numa vice-presidência e Guilhermina Rego, a mulher do Porto, como vogal.
Num dos piores resultados de sempre do PSD em legislativas sobrou também consequências para as mulheres: foram eleitas apenas seis deputadas num universo de 75, o que se traduz numa confrangedora percentagem, isto se considerarmos por exemplo as mais de 30 deputadas do grupo parlamentar do Partido Socialista. As actuais seis deputadas do PSD são Zita Seabra, Rosário Águas, Ana Manso, Helena Lopes da Costa, Regina Bastos e Ofélia Moleiro.
O historiador e deputado do PSD eleito pelo círculo do Porto, Freire Antunes vai levar uma moção ao congresso onde, precisamente, defende a necessidade do partido instaurar cotas que determinem um mínimo obrigatório de mulheres a incluir nas listas de candidatos a deputados.
Nesse âmbito, o COMÉRCIO falou com duas mulheres social-democratas. Adriana Aguiar-Branco, deputada da anterior legislatura, que se mostra, precisamente, contra as cotas dentro do partido, e Ana Zita Gomes, anterior secretária-geral da JSD e actual presidente do Congresso da "jota".
Ana Zita Gomes - Presidente do Congresso da JSD
"Concordo com as cotas como alavanca para maior participação"
Ana Zita Gomes, 27 anos, foi secretária-geral da JSD, com Jorge Nuno Sá, e é a actual presidente da Mesa do Congresso da "jota", com Daniel Fangueiro. Fala-se nela para secretária-geral adjunta do PSD se Menezes vencer e para, depois das autárquicas, vir a ser a deputada que a JSD hoje não tem na Assembleia da República.
- Com que expectativas parte para este congresso?
- Que tenhamos um momento muito importante para o PSD, de reflexão e debate interno, o que inclui, naturalmente, a análise do último resultado eleitoral. Espero que essa avaliação seja feita sem pessimismo excessivo, porque é preciso tirar partido das experiências passadas para melhorar a acção do PSD, de forma a reconquistarmos a confiança dos portugueses. Falo numa reflexão, quer ao nível da acção do partido quer a nível ideológico. Ao nível das candidaturas espero e desejo que seja um debate sério, aprofundado e, fundamentalmente, com muita elevação democrática. Que no fim do congresso tenhamos um PSD mais forte, motivado, mas também mais unido em torno do líder eleito, seja ele quem for. Espero também que este congresso tenha em conta duas questões que são consensuais, mas que não passam desse consenso: a renovação do partido e um crescimento da participação das mulheres. Gostaria de ver sair deste congresso mais mulheres nos órgãos nacionais do partido.
- Fala-se, aliás, nos nomes de Helena Lopes da Costa e no seu próprio para a secretaria geral do partido, caso Luís Filpe Menezes vença o congresso...
- Vejo o nome de Helena Lopes da Costa para secretária-geral do partido com muito agrado, assim como a participação de qualquer mulher num lugar de destaque.
- Algumas moções vão defender a ideia de estabelecer a ideia das cotas obrigatórias no PSD, à semelhança do que acontece no PS. Concorda?
- Ao longo dos últimos tempos tenho vindo a modificar a minha opinião. Inicialmente era contra as cotas, assim como acho que todas as mulheres da minha idade, porque acham que atenta contra a dignidade da participação das mulheres. Hoje, penso que temos de ser realistas e devemos devender as que não conseguem aqui chegar. O que temos hoje, sem cotas, é uma fraca participação das mulheres, pelo que, olhando para outros países, onde as cotas são obrigatórias, e se isso for uma alavanca para o início de um processo de maior igualdade de participação, concordo com as cotas. Identifico-me com a forma de pensar de Leonor Beleza nesta matéria.
- Qual é o seu candidato?
- Ainda não decidi. Se as decisões fossem tomadas à partida não havia a necessidade de um congresso. Quero esperar para conhecer as moções que ainda não conheço e as respectivas equipas.
- O que é que acha da moção que a "terceira via", protagonizada por António Borges, vai apresentar?
- Essa moção poderá ser um contributo bastante válido, os seus subscritores são pessoas muito respeitadas e válidas da nossa sociedade. Tornar essa moção numa candidatura? Isso só depende da vontade dos próprios...
- Acha que o próximo líder do PSD será o próximo candidato do partido a primeiro-ministro?
- Pois, não sei... A seguir a este congresso, teremos outro daqui a dois anos para avaliar a acção do líder e da sua equipa. Se então acharmos que este é o melhor líder, ele será reconduzido com certeza e partirá para as legislativas.
- As presidenciais devem ser discutidas neste congresso?
- Essa é outra questão que depende de uma vontade e motivação pessoal. Pode ser aflorada com abertura, mas sem que se torne o assunto essencial do congresso.
- Eleição directa do líder do PSD?
- Tenho alguma reserva em relação às eleições directas, sempre tive.
Adriana Aguiar Branco - Ex-deputada e apoiante de Marques Mendes
"Não sou claramente uma mulher do aparelho"
Adriana Aguiar Branco apoia Marques Mendes, "desde a primeira hora", como gosta de frisar. A ex-deputada social-democrata é contrária à instalação de cotas no partido, garantindo que as mulheres devem "ir à luta".
-Porque apoia Marques Mendes para a liderança do PSD?
- É bom que se diga que sou seu apoiante desde a primeira hora. Reconheço-lhe grande capacidade e inteligência para liderar o partido, para além do seu passaddo de grande coerência. É incomparavelmente o melhor. Neste momento, não haveria melhor para liderar o PSD.
- Está disposta, eventualmente, a aceitar algum cargo nos órgãos nacionais que saírem do congresso de Pombal?
- Não sou uma político-dependente. Não sou claramente uma mulher do aparelho. Tive sempre a frontalidade de o criticar, nomeadamente a Distrital do Porto. Se não pensasse que Marques Mendes vai aproveitar este congresso para fazer uma limpeza não o teria apoiado. Sei que chama sempre os melhores para as suas equipas sem perseguir quem esteja, eventual e pontualmente, contra si. Os cargos devem ser sempre distribuídos pela competência das pessoas. Sou frontalmente contra um certo tipo de caciquismo existente dentro do meu partido. Por isso, não sou incondicional de ninguém. Também por esse aspecto apoio a candidatura de Marques Mendes, sabendo, de antemão, que ele vai ganhar o congresso deste fim-de-semana.
- Há quem preconize em moções a apresentar ao congresso o estabelecimento de cotas dentro do partido, tal como já acontece no PS?
- Sou contra as cotas. É verdade que o partido se portou muito mal para com as mulheres nas últimas eleições legislativas de 20 de Fevereiro. Houve claríssimas injustiças. É bom lembrar que, na anterior legislatura, houve deputas de excelência. Há, claramente, mulheres que por se dedicarem à política fazem sombra a alguns homens. Temos de ir à luta.
- Como é trabalhar pelo partido fora da Assembleia da República?
- Repito: não pedincho, não aceito lugares por simples oferta. Por isso, mesmo não estando agora no Parlamento, quero ajudar o PSD a fazer uma oposição séria e credível ao actual governo socialista.
- Está sentida por não ter feito parte das listas de deputados do PSD nas últimas eleições?
- Sou sempre afirmativa. Não estou sentida por não ser deputada. Este não é, mesmo, um modo de vida. Não pedi a ninguém para ir para lá. Aliás, não é estimulante ser-se deputada. Era mais uma função. Agora, sim, a minha vida continua e vai ser estimulante. Como se costuma dizer, ´nem tudo o que parece é´, por isso, não troco nada pela liberdade. Sabia, de antemão, que essa postura iria custar a minha permanência na Assembleia da República. tanto melhor. Sou uma mulher livre.
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