.: Esquina . do . Mundo :.: Walesa e a mediocridade

19-07-2005
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Ontem, no Funchal, Lech Walesa defendeu o óbvio. A construção europeia deve ter como pilares valores éticos e morais, e nunca imperativos económicos.Mais importante que fazer aprovar uma constituição é promover uma transformação de mentalidades. Mudar governos, parlamentos e leis é fácil mas insuficiente. É necessário apelar a uma matriz comum de valores entre os quais se destaca a solidariedade.Em resumo, a construção europeia não pode ser imposta. Nunca será incorporada pelos cidadãos se não houver uma efectiva mudança de mentalidades, que propicie uma alteração de comportamentos. Para isso é necessário tempo. Apressar o aprofundamento da integração poderá ser um erro fatal.A Europa deve procurar o equilíbrio. E não deve ser vista como propriedade francesa, ou alemã. E é isso que ainda acontece.Curiosa foi a posição de Walesa sobre a importância do cristianismo na construção europeia. O prémio Nobel da Paz não acredita numa Europa laica. Embora refira que a religião deve unir e não separar, assume que a matriz de valores cristã é património comum de todos os europeus, pelo que nunca deve ser desprezada ou menosprezada.É fácil perceber a posição de Walesa, um homem para quem a eficácia das suas acções ficou a dever-se à crença em si próprio e a Fé que deposita em Deus. Enquanto sindicalista, Walesa foi apoiado pela Igreja Católica polaca, bastião de resistência contra a estupidez comunista. A visita de João Paulo II à Polónia, um ano após ter sido eleito Papa, significou o princípio do fim do regime totalitário. Ontem, o prémio Nobel da paz referiu-se assim ao facto:“Quando comecei a luta, não consegui reunir mais de dez apoiantes. No dia que se seguiu à visita do Papa, tinha 10 milhões de apoiantes”. A conferência de ontem, e a visita de Walesa à Madeira, serviu para relevar algumas coisas. Em primeiro lugar, a mediocridade do jornalismo que por cá se faz. A presença entre nós de uma das figuras incontornáveis da História Universal do século XX não motivou nenhum dos nossos “jornais” – mesmo aquele que se diz de referência – para tentar uma entrevista, por curta que fosse. Aposto que sábado e domingo a revistas sairão com temas interessantes como “a importância da água do mar nos tratamentos de pele” e outros que tais...Ontem, os jornalistas presentes para cobrir a conferência dedicaram cinco minutos ao trabalhito. Antes de Walesa começar a falar colocaram-lhe os gravadores na boca, ouviram o que o homem tinha a dizer e “ala que se faz tarde”. A culpa, creio, não foi da maioria deles. Deve ser atribuída às chefias de redacção, que resolveram colocar a cobertura da conferência entre uma acção do “sindicato das putas na rua dos paneleiros” – a expressão é do Bento – e uma importante visita de sua excelência o senhor secretário de não sei o quê a uma exploração de gafanhotos para consumo doméstico.Relevou, ainda, a mediocridade das nossas elites políticas e culturais. Ontem, João Carlos Abreu, em representação do Governo, foi o único secretário presente. Quanto a deputados – da maioria e da oposição – nem vê-los. A agenda da Assembleia deve ser bastante preenchida!Os pseudo “opinion makers” que pululam por cá como as moscas no Verão também não se dignaram a aparecer.Na DRAC, também havia mais que fazer, pelos vistos!Já agora, Walesa passou quatro dias na Madeira sem que o Governo Regional tenha dado por isso. Se ainda tivesse entrado no Big Brother...Gonçalo Nuno Santos

Ontem, no Funchal, Lech Walesa defendeu o óbvio. A construção europeia deve ter como pilares valores éticos e morais, e nunca imperativos económicos.Mais importante que fazer aprovar uma constituição é promover uma transformação de mentalidades. Mudar governos, parlamentos e leis é fácil mas insuficiente. É necessário apelar a uma matriz comum de valores entre os quais se destaca a solidariedade.Em resumo, a construção europeia não pode ser imposta. Nunca será incorporada pelos cidadãos se não houver uma efectiva mudança de mentalidades, que propicie uma alteração de comportamentos. Para isso é necessário tempo. Apressar o aprofundamento da integração poderá ser um erro fatal.A Europa deve procurar o equilíbrio. E não deve ser vista como propriedade francesa, ou alemã. E é isso que ainda acontece.Curiosa foi a posição de Walesa sobre a importância do cristianismo na construção europeia. O prémio Nobel da Paz não acredita numa Europa laica. Embora refira que a religião deve unir e não separar, assume que a matriz de valores cristã é património comum de todos os europeus, pelo que nunca deve ser desprezada ou menosprezada.É fácil perceber a posição de Walesa, um homem para quem a eficácia das suas acções ficou a dever-se à crença em si próprio e a Fé que deposita em Deus. Enquanto sindicalista, Walesa foi apoiado pela Igreja Católica polaca, bastião de resistência contra a estupidez comunista. A visita de João Paulo II à Polónia, um ano após ter sido eleito Papa, significou o princípio do fim do regime totalitário. Ontem, o prémio Nobel da paz referiu-se assim ao facto:“Quando comecei a luta, não consegui reunir mais de dez apoiantes. No dia que se seguiu à visita do Papa, tinha 10 milhões de apoiantes”. A conferência de ontem, e a visita de Walesa à Madeira, serviu para relevar algumas coisas. Em primeiro lugar, a mediocridade do jornalismo que por cá se faz. A presença entre nós de uma das figuras incontornáveis da História Universal do século XX não motivou nenhum dos nossos “jornais” – mesmo aquele que se diz de referência – para tentar uma entrevista, por curta que fosse. Aposto que sábado e domingo a revistas sairão com temas interessantes como “a importância da água do mar nos tratamentos de pele” e outros que tais...Ontem, os jornalistas presentes para cobrir a conferência dedicaram cinco minutos ao trabalhito. Antes de Walesa começar a falar colocaram-lhe os gravadores na boca, ouviram o que o homem tinha a dizer e “ala que se faz tarde”. A culpa, creio, não foi da maioria deles. Deve ser atribuída às chefias de redacção, que resolveram colocar a cobertura da conferência entre uma acção do “sindicato das putas na rua dos paneleiros” – a expressão é do Bento – e uma importante visita de sua excelência o senhor secretário de não sei o quê a uma exploração de gafanhotos para consumo doméstico.Relevou, ainda, a mediocridade das nossas elites políticas e culturais. Ontem, João Carlos Abreu, em representação do Governo, foi o único secretário presente. Quanto a deputados – da maioria e da oposição – nem vê-los. A agenda da Assembleia deve ser bastante preenchida!Os pseudo “opinion makers” que pululam por cá como as moscas no Verão também não se dignaram a aparecer.Na DRAC, também havia mais que fazer, pelos vistos!Já agora, Walesa passou quatro dias na Madeira sem que o Governo Regional tenha dado por isso. Se ainda tivesse entrado no Big Brother...Gonçalo Nuno Santos

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