Os jornalistas (e eu falo por experiência própria) não são imunes aos erros. O ritmo da informação leva a que muitas vezes falte tempo para investigar, da forma que seria mais desejável, os assuntos que são abordados nos textos publicados nos jornais, ou nas peças emitidas nas televisões.Há que haver, contudo, humildade para admitir as "bacoradas", os erros, ou as asneiras, corrigindo-as.Ontem, no Jornal das Nove, a RTP-Madeira emitiu uma peça a propósito da inauguração do Centro Cultural John dos Passos, na Ponta do Sol. Pois bem, o trabalho continha erros crassos - "bacoradas" ou "alarvidades" seriam termos mais próprios, mas como sou um gajo porreiro... - os quais ou não foram detectados por ninguém, e por isso não foram corrigidos no bloco informativo seguinte - situação grave -, ou foram detectados por alguém que se limitou a encolher os ombros - situação ainda mais grave.Os telespectadores da Televisão da Madeira que viram a peça ficaram com informações como:- John dos Passos nasceu na Madeira.(Chamava-se João?!!! Se não fosse a sério até tinha graça!) ;- John dos Passos emigrou para os Estados Unidos com 18 anos;(de avião, talvez!)- John dos Passos regressou com grande frequência à Madeira;(e até discursou no Chão da Lagoa, presumo eu!)- A escrita de Dos Passos ficou marcada pela vivência na ilha;(ou foi pela ilha ou foi pelo consumo de vinho Madeira, bastante popular nos Estados Unidos do príncipio do século XX!)Todas estas informações, essênciais na peça jornalistica em questão, estão completamente erradas. Assim:- John dos Passos nasceu a 14 de Janeiro de 1896, em Chicago, Estados Unidos da América.- Com 18 anos seria aluno da Universidade de Harvard, ou então estaria a conduzir uma ambulância em França, em plena Primeira Guerra Mundial, experiência, aliás, que o influenciou na escrita do seu primeiro livro "One Men's Initiation", publicado em 1917, e da sua segunda novela, "Three Soldiers", publicada em 1921, e que lhe valeu os aplausos do público e da crítica.- Dos Passos esteve, ao que se sabe, uma vez na Madeira, pelo que seria manifestamente dificil detectar as vivências da ilha na sua vasta obra.- Já agora, o escritor norte-americano morreu a 28 de Setembro de 1970, em Baltimore.Pois bem, sem querer acreditar estar perante a "invenção" de um herói madeirense, ou seja, perante uma tentativa de reescrever a História, aceito como provável a hipótese de erro. Mas gostaria que a "televisão da gente" o corrigisse.A "Esquina" deu o seu contributo. E já agora, para não dizerem que somos maus, deixamos outra pista: uma simples pesquisa no google leva o interessado (ou interessada) a um mundo de informação sobre o escritor.Para quem tiver dificuldades com o inglês, existem também sítios em espanhol. Vá lá, não custa nada...Gonçalo Nuno Santos
Categorias
Entidades
Os jornalistas (e eu falo por experiência própria) não são imunes aos erros. O ritmo da informação leva a que muitas vezes falte tempo para investigar, da forma que seria mais desejável, os assuntos que são abordados nos textos publicados nos jornais, ou nas peças emitidas nas televisões.Há que haver, contudo, humildade para admitir as "bacoradas", os erros, ou as asneiras, corrigindo-as.Ontem, no Jornal das Nove, a RTP-Madeira emitiu uma peça a propósito da inauguração do Centro Cultural John dos Passos, na Ponta do Sol. Pois bem, o trabalho continha erros crassos - "bacoradas" ou "alarvidades" seriam termos mais próprios, mas como sou um gajo porreiro... - os quais ou não foram detectados por ninguém, e por isso não foram corrigidos no bloco informativo seguinte - situação grave -, ou foram detectados por alguém que se limitou a encolher os ombros - situação ainda mais grave.Os telespectadores da Televisão da Madeira que viram a peça ficaram com informações como:- John dos Passos nasceu na Madeira.(Chamava-se João?!!! Se não fosse a sério até tinha graça!) ;- John dos Passos emigrou para os Estados Unidos com 18 anos;(de avião, talvez!)- John dos Passos regressou com grande frequência à Madeira;(e até discursou no Chão da Lagoa, presumo eu!)- A escrita de Dos Passos ficou marcada pela vivência na ilha;(ou foi pela ilha ou foi pelo consumo de vinho Madeira, bastante popular nos Estados Unidos do príncipio do século XX!)Todas estas informações, essênciais na peça jornalistica em questão, estão completamente erradas. Assim:- John dos Passos nasceu a 14 de Janeiro de 1896, em Chicago, Estados Unidos da América.- Com 18 anos seria aluno da Universidade de Harvard, ou então estaria a conduzir uma ambulância em França, em plena Primeira Guerra Mundial, experiência, aliás, que o influenciou na escrita do seu primeiro livro "One Men's Initiation", publicado em 1917, e da sua segunda novela, "Three Soldiers", publicada em 1921, e que lhe valeu os aplausos do público e da crítica.- Dos Passos esteve, ao que se sabe, uma vez na Madeira, pelo que seria manifestamente dificil detectar as vivências da ilha na sua vasta obra.- Já agora, o escritor norte-americano morreu a 28 de Setembro de 1970, em Baltimore.Pois bem, sem querer acreditar estar perante a "invenção" de um herói madeirense, ou seja, perante uma tentativa de reescrever a História, aceito como provável a hipótese de erro. Mas gostaria que a "televisão da gente" o corrigisse.A "Esquina" deu o seu contributo. E já agora, para não dizerem que somos maus, deixamos outra pista: uma simples pesquisa no google leva o interessado (ou interessada) a um mundo de informação sobre o escritor.Para quem tiver dificuldades com o inglês, existem também sítios em espanhol. Vá lá, não custa nada...Gonçalo Nuno Santos