Há um erro de base na argumentação a favor de magistrados nas estruturas disciplinares do futebol. Se os dirigentes do futebol precisam de Juízes para dirimir os conflitos que existem na Federação e na Liga dos Clubes, o mais natural é que usem o seu fortíssimo poder de influência no sentido de a Assembleia da República criar Tribunais de competência especializada para o efeito, para onde poderão concorrer todos os Juízes em condições normais e iguais a todos os outros concursos. Mas, pelo contrário, parece que há muita gente que prefere o convite ao "Juiz conhecido" para integrar este ou aquele organismo disciplinar; o "Juiz conhecido " não fica desclassificado por ser amigo deste ou daquele dirigente desportivo, mas a sua acção enquanto julgador fica afectada por essa proximidade e a imagem da magistratura não sai dignificada no quadro geral assim criado. Não passa pela cabeça de ninguém que as confederações patronais tenham uma palavra a dizer sobre a colocação de Juízes nos Tribunais de Comércio ou nos Tribunais Cíveis, da mesma forma que não devia passar pela cabeça de ninguém que os clubes e os dirigentes desportivos tivessem influência na escolha dos Juízes que vão julgar os conflitos desportivos. A promiscuidade chegou a um ponto que já incomoda. Incomoda-me seriamente a mim e creio que incomoda muitos outros Juízes. Por isso defendemos a pura e simples eliminação de os "Juízes conhecidos" nas estruturas desportivas. Se são necessários Juízes, então que se ponham Juízes "normais" a julgar os casos, em Tribunais Desportivos regularmente constituídos e com todas as garantias inerentes.
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Há um erro de base na argumentação a favor de magistrados nas estruturas disciplinares do futebol. Se os dirigentes do futebol precisam de Juízes para dirimir os conflitos que existem na Federação e na Liga dos Clubes, o mais natural é que usem o seu fortíssimo poder de influência no sentido de a Assembleia da República criar Tribunais de competência especializada para o efeito, para onde poderão concorrer todos os Juízes em condições normais e iguais a todos os outros concursos. Mas, pelo contrário, parece que há muita gente que prefere o convite ao "Juiz conhecido" para integrar este ou aquele organismo disciplinar; o "Juiz conhecido " não fica desclassificado por ser amigo deste ou daquele dirigente desportivo, mas a sua acção enquanto julgador fica afectada por essa proximidade e a imagem da magistratura não sai dignificada no quadro geral assim criado. Não passa pela cabeça de ninguém que as confederações patronais tenham uma palavra a dizer sobre a colocação de Juízes nos Tribunais de Comércio ou nos Tribunais Cíveis, da mesma forma que não devia passar pela cabeça de ninguém que os clubes e os dirigentes desportivos tivessem influência na escolha dos Juízes que vão julgar os conflitos desportivos. A promiscuidade chegou a um ponto que já incomoda. Incomoda-me seriamente a mim e creio que incomoda muitos outros Juízes. Por isso defendemos a pura e simples eliminação de os "Juízes conhecidos" nas estruturas desportivas. Se são necessários Juízes, então que se ponham Juízes "normais" a julgar os casos, em Tribunais Desportivos regularmente constituídos e com todas as garantias inerentes.