A utopia perdeu-seAlgures numa fila de trânsitoFeita de gente cansada apressadaQue regressa ao casulo a que chama casa.A utopia perdeu-se num carro de comprasDe uma fila de um hipermercadoEntre as ofertas nas prateleirasAs reduções de preço e as promoções.A utopia perdeu-seEntre os papéis e as contas por pagarEntre somas e subtracções.A utopia perdeu-seNum ecrã de televisão que hipnotiza, escravizaE vende a nova utopia:Um T4 num condomínio privadoUm telemóvel novoUm carro mais potente.Ter.Comprar.Ter.A utopia perdeu-seNo silêncio ensurdecedor das paredes da cidadeQuando a noite se instala.Nas luzes que se apagam uma a umaNas janelas dos casulos da cidade.A utopia perdeu-seEntre as letras dos jornais que cobrem os sem abrigoQue são o chão no chão das ruas da cidadeE sonham o tempo em que tinham casulo e vida.A utopia dorme...Quem gritaE acorda no homem a utopia?(31 anos depois, Onde está a utopia?)Foto:Catedral
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A utopia perdeu-seAlgures numa fila de trânsitoFeita de gente cansada apressadaQue regressa ao casulo a que chama casa.A utopia perdeu-se num carro de comprasDe uma fila de um hipermercadoEntre as ofertas nas prateleirasAs reduções de preço e as promoções.A utopia perdeu-seEntre os papéis e as contas por pagarEntre somas e subtracções.A utopia perdeu-seNum ecrã de televisão que hipnotiza, escravizaE vende a nova utopia:Um T4 num condomínio privadoUm telemóvel novoUm carro mais potente.Ter.Comprar.Ter.A utopia perdeu-seNo silêncio ensurdecedor das paredes da cidadeQuando a noite se instala.Nas luzes que se apagam uma a umaNas janelas dos casulos da cidade.A utopia perdeu-seEntre as letras dos jornais que cobrem os sem abrigoQue são o chão no chão das ruas da cidadeE sonham o tempo em que tinham casulo e vida.A utopia dorme...Quem gritaE acorda no homem a utopia?(31 anos depois, Onde está a utopia?)Foto:Catedral