Funes, el memorioso: Afinal sempre se pode dizer bem de alguém com gosto

18-07-2005
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Afinal sempre se pode dizer bem de alguém com gosto

Estávamos em 1994 ou 95. Na Católica (do Porto) tinha sido criado, não há muito, um pomposo DSTI (Departamento de Sistemas e Tecnologias da Informação), a funcionar, menos pomposamente, na cave do edifício novo. Eu andava sempre por lá a chatear, tentando descobrir a forma de meter o mundo numa disquete. Com paciência de Job, TAF e AA lá me iam aturando como podiam, sem nunca me chamarem alto aquilo que, por certo, pensavam baixo. Um dia, encontrei no departamento o Eng.º Pinto dos Santos a discursar, pedante, sobre as potencialidades dessa coisa nova chamada internet, que tinha acabado de ser instalada no campus. Com o incómodo que sinto sempre quando, contrariado, tenho que reconhecer que um tipo que desprezo tem qualidades e inteligência, fui ouvindo. Pelo meio, a despropósito, Pinto dos Santos sustentou a tese peregrina que só tipos altos (como ele) davam verdadeiros líderes.

Deixei-o partir e corri junto de TAF, a indagar por essa tal internet. TAF iniciou-me no mundo do NETSCAPE e do EUDORA. Foi o começo de uma relação feliz. Nesse mesmo dia, encomendei na Amazon o livro Introduction to Logic de Irving Copi, que durante tantos anos tentara em vão adquirir nas livrarias portuguesas. Ao outro, já cheio de experiência e arrogância, criei no hotmail uma conta em nome de maria_das_dores. Sob esta capa, enviei a Pinto dos Santos um artigo do "Público" sobre o cancro dos testículos que, de acordo com um estudo qualquer, atingia predominantemente os tipos altos. Foi o meu primeiro e-mail.

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Afinal sempre se pode dizer bem de alguém com gosto

Estávamos em 1994 ou 95. Na Católica (do Porto) tinha sido criado, não há muito, um pomposo DSTI (Departamento de Sistemas e Tecnologias da Informação), a funcionar, menos pomposamente, na cave do edifício novo. Eu andava sempre por lá a chatear, tentando descobrir a forma de meter o mundo numa disquete. Com paciência de Job, TAF e AA lá me iam aturando como podiam, sem nunca me chamarem alto aquilo que, por certo, pensavam baixo. Um dia, encontrei no departamento o Eng.º Pinto dos Santos a discursar, pedante, sobre as potencialidades dessa coisa nova chamada internet, que tinha acabado de ser instalada no campus. Com o incómodo que sinto sempre quando, contrariado, tenho que reconhecer que um tipo que desprezo tem qualidades e inteligência, fui ouvindo. Pelo meio, a despropósito, Pinto dos Santos sustentou a tese peregrina que só tipos altos (como ele) davam verdadeiros líderes.

Deixei-o partir e corri junto de TAF, a indagar por essa tal internet. TAF iniciou-me no mundo do NETSCAPE e do EUDORA. Foi o começo de uma relação feliz. Nesse mesmo dia, encomendei na Amazon o livro Introduction to Logic de Irving Copi, que durante tantos anos tentara em vão adquirir nas livrarias portuguesas. Ao outro, já cheio de experiência e arrogância, criei no hotmail uma conta em nome de maria_das_dores. Sob esta capa, enviei a Pinto dos Santos um artigo do "Público" sobre o cancro dos testículos que, de acordo com um estudo qualquer, atingia predominantemente os tipos altos. Foi o meu primeiro e-mail.

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