O CASTENDO

15-02-2008
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06.02.08

Em meados dos anos 50 (1954) dois brasileiros, Piratini (Antônio Amábile) e Caco Velho (Matheus Nunes) criaram uma notável canção cujo texto e música dispensam comentários (é ouvir e ler): "Mãe preta".

O texto foi proibido em Portugal. David Mourão-Ferreira escreveu outro texto, também bom, que nada tinha que ver com o brasileiro – "Barco negro". Amália Rodrigues tornou a música mundialmente famosa. No texto português a tragédia do pescador tinha substituído a tragédia da exploração e do racismo.

Em 1978 Amália Rodrigues gravou " Mãe preta " .

Mais recentemente, "Barco negro" foi gravado por Mariza e Ney Matogrosso (este para uma telenovela brasileira – "O Quinto dos Infernos") e "Mãe preta" por Dulce Pontes num dos seus mais notáveis discos .

Mãe preta

( Piratini e Caco Velho )

velha encarquilhada

carapinha branca

gandola de renda

caindo na anca

embalando o berço

do filho do sinhô

que há pouco tempo

a sinhá ganhou

era assim que mãe preta fazia

criava todo branco

com muita alegria

enquanto na senzala

seu bem apanhava

mãe preta mais uma lágrima enxugava

mãe preta, mãe preta,

mãe preta, mãe preta

enquanto a chibata

batia em seu amor

mãe preta embalava

o filho branco do sinhô

Barco Negro

(David Mourão-Ferreira)

De manhã, que medo, que me achasses feia!

Acordei, tremendo, deitada n'areia

Mas logo os teus olhos disseram que não,

E o sol penetrou no meu coração.[Bis]

Vi depois, numa rocha, uma cruz,

E o teu barco negro dançava na luz

Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas

Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,

Que nem chegaste a partir,

Pois tudo, em meu redor,

Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]

No vento que lança areia nos vidros;

Na água que canta, no fogo mortiço;

No calor do leito, nos bancos vazios;

Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

Ver e ouvir AQUI Amália Rodrigues

Ver e ouvir AQUI Mariza

Adenda 17h33m:

Para ouvir em RealPlayer «Mãe Preta» AQUI cantada por Virgínia Rosa

sinto-me:

publicado às 12:28

06.02.08

Em meados dos anos 50 (1954) dois brasileiros, Piratini (Antônio Amábile) e Caco Velho (Matheus Nunes) criaram uma notável canção cujo texto e música dispensam comentários (é ouvir e ler): "Mãe preta".

O texto foi proibido em Portugal. David Mourão-Ferreira escreveu outro texto, também bom, que nada tinha que ver com o brasileiro – "Barco negro". Amália Rodrigues tornou a música mundialmente famosa. No texto português a tragédia do pescador tinha substituído a tragédia da exploração e do racismo.

Em 1978 Amália Rodrigues gravou " Mãe preta " .

Mais recentemente, "Barco negro" foi gravado por Mariza e Ney Matogrosso (este para uma telenovela brasileira – "O Quinto dos Infernos") e "Mãe preta" por Dulce Pontes num dos seus mais notáveis discos .

Mãe preta

( Piratini e Caco Velho )

velha encarquilhada

carapinha branca

gandola de renda

caindo na anca

embalando o berço

do filho do sinhô

que há pouco tempo

a sinhá ganhou

era assim que mãe preta fazia

criava todo branco

com muita alegria

enquanto na senzala

seu bem apanhava

mãe preta mais uma lágrima enxugava

mãe preta, mãe preta,

mãe preta, mãe preta

enquanto a chibata

batia em seu amor

mãe preta embalava

o filho branco do sinhô

Barco Negro

(David Mourão-Ferreira)

De manhã, que medo, que me achasses feia!

Acordei, tremendo, deitada n'areia

Mas logo os teus olhos disseram que não,

E o sol penetrou no meu coração.[Bis]

Vi depois, numa rocha, uma cruz,

E o teu barco negro dançava na luz

Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas

Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,

Que nem chegaste a partir,

Pois tudo, em meu redor,

Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]

No vento que lança areia nos vidros;

Na água que canta, no fogo mortiço;

No calor do leito, nos bancos vazios;

Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

Ver e ouvir AQUI Amália Rodrigues

Ver e ouvir AQUI Mariza

Adenda 17h33m:

Para ouvir em RealPlayer «Mãe Preta» AQUI cantada por Virgínia Rosa

sinto-me:

publicado às 12:28

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