António Ribeiro Ferreira
in DIÁRIO DE NOTÍCIAS
Quinta das Celebridades
A história mete traições, mentiras, deslealdades, choro e ranger de dentes. A história mete bebés em incubadoras, vítimas da violência familiar. A história mete avós que querem correr com os netos incompetentes da vida política. Não, a história não se passa na Ucrânia, onde os laranjas de Viktor Iuchtchenko travam uma guerra de morte com os azuis de Viktor Ianukovich. Não, a história não se passa na Herdade da Baracha, entre condes, a sério e a brincar, tias, modelos, actores pornográficos, cães, porcos e vacas. Não, a história passa-se no Governo deste sítio cada vez mais mal frequentado chamado Portugal. Um Executivo formado de laranjas e azuis, é verdade. Mas em que a guerra, ao contrário do que acontece na Ucrânia, se trava entre laranjas, novas, velhas, do Norte e do Sul, do Este e do Oeste. Uma guerra suja, feia e muito má para os cidadãos que votam e pagam para que uns senhores e senhoras os governem com seriedade e competência.
O último episódio é conhecido. Um santanista de longa data bateu com a porta furioso com o ex-amigo, tão furioso que lava em público a roupa suja de um Executivo que só mesmo o calendário político poderá salvar de um despedimento por indecente e má figura. Mas há verdades que não se podem esquecer nesta história triste de um Governo com cinco meses de vida. E para que os espíritos dos inquisidores do politicamente correcto de esquerda não se ponham a insinuar suspeições dignas das suas mentes pervertidas e desonestas, nada melhor do que dar a palavra a Duarte Lima, um santanista conhecido, crítico feroz de Paulo Portas por histórias de quintas de outras eras. Num rebate de consciência, que só lhe fica bem neste universo de analistas e comentadores que raramente dão a mão a torcer dos erros e das asneiras que debitam sobre tudo e mais alguma coisa, Duarte Lima reconhece, na sua crónica habitual no Expresso, que se enganou quando escreveu há dois anos que Paulo Portas ia desestabilizar o Executivo de Durão Barroso e ser desleal com o então primeiro-ministro. Os factos aí estão para desmentir não só o arrependido Duarte Lima como os outros que preferem, aos costumes, ficar em silêncio. Se o Governo cair, como merece, o ónus ficará, para todo o sempre, no reino da laranja. Podre de celebridades.
Estado do Sítio
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António Ribeiro Ferreira
in DIÁRIO DE NOTÍCIAS
Quinta das Celebridades
A história mete traições, mentiras, deslealdades, choro e ranger de dentes. A história mete bebés em incubadoras, vítimas da violência familiar. A história mete avós que querem correr com os netos incompetentes da vida política. Não, a história não se passa na Ucrânia, onde os laranjas de Viktor Iuchtchenko travam uma guerra de morte com os azuis de Viktor Ianukovich. Não, a história não se passa na Herdade da Baracha, entre condes, a sério e a brincar, tias, modelos, actores pornográficos, cães, porcos e vacas. Não, a história passa-se no Governo deste sítio cada vez mais mal frequentado chamado Portugal. Um Executivo formado de laranjas e azuis, é verdade. Mas em que a guerra, ao contrário do que acontece na Ucrânia, se trava entre laranjas, novas, velhas, do Norte e do Sul, do Este e do Oeste. Uma guerra suja, feia e muito má para os cidadãos que votam e pagam para que uns senhores e senhoras os governem com seriedade e competência.
O último episódio é conhecido. Um santanista de longa data bateu com a porta furioso com o ex-amigo, tão furioso que lava em público a roupa suja de um Executivo que só mesmo o calendário político poderá salvar de um despedimento por indecente e má figura. Mas há verdades que não se podem esquecer nesta história triste de um Governo com cinco meses de vida. E para que os espíritos dos inquisidores do politicamente correcto de esquerda não se ponham a insinuar suspeições dignas das suas mentes pervertidas e desonestas, nada melhor do que dar a palavra a Duarte Lima, um santanista conhecido, crítico feroz de Paulo Portas por histórias de quintas de outras eras. Num rebate de consciência, que só lhe fica bem neste universo de analistas e comentadores que raramente dão a mão a torcer dos erros e das asneiras que debitam sobre tudo e mais alguma coisa, Duarte Lima reconhece, na sua crónica habitual no Expresso, que se enganou quando escreveu há dois anos que Paulo Portas ia desestabilizar o Executivo de Durão Barroso e ser desleal com o então primeiro-ministro. Os factos aí estão para desmentir não só o arrependido Duarte Lima como os outros que preferem, aos costumes, ficar em silêncio. Se o Governo cair, como merece, o ónus ficará, para todo o sempre, no reino da laranja. Podre de celebridades.
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