ABRUPTO

23-06-2009
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de h� dois dias, de Robert Filliou, � um fragmento de "S�mantique gen�rale" e data de 1962. Est� no museu de M�nchengladbach. de h� dois dias, de Robert Filliou, � um fragmento de "S�mantique gen�rale" e data de 1962. Est� no museu de M�nchengladbach.

HORA DUODECIMA

RAVEL RECORDADO POR MANUEL ROSENTHAL

Um canal franc�s passa, a altas horas da noite, uma longa entrevista com Manuel Rosenthal, m�sico, maestro e compositor franc�s, que morreu h� pouco tempo, quase com 99 anos. A entrevista foi realizada quando Rosenthal estava na casa dos oitenta e era uma conversa fascinante, sem um segundo de aborrecimento, hist�ria sobre hist�ria, com recorda��es viv�ssimas de Ravel, dos m�sicos franceses do s�culo passado, da Resist�ncia aos nazis, das mem�rias de gente como Rubinstein, ou o muito jovem Baremboim, ou da experi�ncia que Rosenthal tivera, pouco antes da entrevista, de, com 82 anos, dirigir a Tetralogia em Seattle.

Rosenthal contou que Ravel quis que, no seu funeral, se tocasse L' Apr�s Midi d'un Faune, que considerava a "m�sica perfeita" , n�o uma m�sica perfeita, mas a m�sica perfeita. E Rosenthal explicou (mais do que explicar, numa forma suprema de explicar), porqu�.

Um canal franc�s passa, a altas horas da noite, uma longa entrevista com Manuel Rosenthal, m�sico, maestro e compositor franc�s, que morreu h� pouco tempo, quase com 99 anos. A entrevista foi realizada quando Rosenthal estava na casa dos oitenta e era uma conversa fascinante, sem um segundo de aborrecimento, hist�ria sobre hist�ria, com recorda��es viv�ssimas de Ravel, dos m�sicos franceses do s�culo passado, da Resist�ncia aos nazis, das mem�rias de gente como Rubinstein, ou o muito jovem Baremboim, ou da experi�ncia que Rosenthal tivera, pouco antes da entrevista, de, com 82 anos, dirigir a Tetralogia em Seattle.Rosenthal contou que Ravel quis que, no seu funeral, se tocasse, que considerava a "m�sica perfeita" , n�o uma m�sica perfeita, mas a m�sica perfeita. E Rosenthal explicou (mais do que explicar, numa forma suprema de explicar), porqu�.

JUDEU ERRANTE

Por raz�es que (me) entram pelos olhos dentro, interessam-me as maldi��es de err�ncia, quando algu�m � condenado a andar permanentemente � procura de um lugar que n�o existe e por isso n�o pode nunca parar. Eis uma verdadeira maldi��o.

Uma das mais conhecidas � a do "judeu errante" , o judeu que se teria negado a ajudar Cristo no sua passagem com a cruz por Jerusal�m, e a quem este teria condenado a perpetuamente viajar pelo mundo , sem casa, nem abrigo, de terra em terra, numa procura sem sentido nem fim. O que eu n�o sabia � que v�rios homens se convenceram de que eram o "judeu errante", e que apari��es do maldito pontuam a Europa desde a Idade M�dia, de Toledo � Ucr�nia. Um mapa muito interessante da err�ncia do judeu vem em Martin Gilbert, The Routledge Atlas of Jewish History, Routledge, 2003.

Entretanto, parece que o judeu errante foi para Nova Iorque, o que � natural porque � a cidade onde mais judeus h� no mundo. Uma das �ltimas apari��es ter-se-ia dado a�, em 1940, quando um agente de seguros se convenceu de que incarnava o judeu pouco hospitaleiro, que negou um lugar de descanso a Cristo. Visitava com frequ�ncia a Biblioteca, onde lia biografias de si pr�prio, e mandou imprimir um cart�o de visita onde se lia "The Wandering Jew".

Talvez um dia o encontre num aeroporto, voando sem descanso, e troquemos cart�es de visita, de errante a errante.

Por raz�es que (me) entram pelos olhos dentro, interessam-me as maldi��es de err�ncia, quando algu�m � condenado a andar permanentemente � procura de um lugar que n�o existe e por isso n�o pode nunca parar. Eis uma verdadeira maldi��o.Uma das mais conhecidas � a do "judeu errante" , o judeu que se teria negado a ajudar Cristo no sua passagem com a cruz por Jerusal�m, e a quem este teria condenado a perpetuamente viajar pelo mundo , sem casa, nem abrigo, de terra em terra, numa procura sem sentido nem fim. O que eu n�o sabia � que v�rios homens se convenceram de que eram o "judeu errante", e que apari��es do maldito pontuam a Europa desde a Idade M�dia, de Toledo � Ucr�nia. Um mapa muito interessante da err�ncia do judeu vem em Martin Gilbert,, Routledge, 2003.Entretanto, parece que o judeu errante foi para Nova Iorque, o que � natural porque � a cidade onde mais judeus h� no mundo. Uma das �ltimas apari��es ter-se-ia dado a�, em 1940, quando um agente de seguros se convenceu de que incarnava o judeu pouco hospitaleiro, que negou um lugar de descanso a Cristo. Visitava com frequ�ncia a Biblioteca, onde lia biografias de si pr�prio, e mandou imprimir um cart�o de visita onde se lia "The Wandering Jew".Talvez um dia o encontre num aeroporto, voando sem descanso, e troquemos cart�es de visita, de errante a errante.

UM IMENSO E AMB�GUO CONSENSO

No momento em que as quest�es europeias s�o mais complexas e delicadas (Constitui��o, implementa��o do Tratado de Nice, reforma da PAC, alargamento, direct�rio, etc.), no momento em que Portugal tem mais a perder na sua posi��o relativa no contexto europeu (menos votos, menos deputados, menos poder nos esquemas de vota��o maiorit�ria, acabado que est� o direito impl�cito de veto, fim dos prazos especiais que protegiam o nosso atraso, amea�as sobre a pol�tica de coes�o, competitividade acrescida dos pa�ses do alargamento, etc.), no momento em tudo est� a mudar qualitativamente n�o se sabe bem para onde, est�o criadas todas as condi��es para que n�o haja qualquer debate s�rio sobre a Europa, abafado por um imenso e amb�guo consenso.

PS, PSD e PP est�o presos nesse consenso; o PCP estar� fora, como sempre esteve, e n�o � nos seus termos que a discuss�o tem sentido. Vai estar tudo de acordo, v�o ficar apenas meia d�zia de nuances. � por isso tamb�m que j� se percebeu que o referendo, prometido pelo Primeiro Ministro, prometido j� h� v�rios anos pelo PSD e pelo PS, que juraram que nunca mais haveria mudan�as significativas na posi��o europeia de Portugal sem consulta popular, vai ser metido na gaveta. O PS n�o o quer porque teria que estar ao lado do PSD, o PP n�o o quer de todo, porque lhe seria muito inc�modo, dadas as suas posi��es ainda recentes, e o PSD hesita para n�o p�r o PP em dificuldades.

Isto significa que as pr�ximas elei��es europeias pouco ter�o de europeu e muito de portugu�s: ser�o sobre o governo e a oposi��o, ou se calhar nem isso, se o PS continuar como est�. A ser assim, a absten��o crescer� e a anomia pol�tica tamb�m.

No momento em que as quest�es europeias s�o mais complexas e delicadas (Constitui��o, implementa��o do Tratado de Nice, reforma da PAC, alargamento, direct�rio, etc.), no momento em que Portugal tem mais a perder na sua posi��o relativa no contexto europeu (menos votos, menos deputados, menos poder nos esquemas de vota��o maiorit�ria, acabado que est� o direito impl�cito de veto, fim dos prazos especiais que protegiam o nosso atraso, amea�as sobre a pol�tica de coes�o, competitividade acrescida dos pa�ses do alargamento, etc.), no momento em tudo est� a mudar qualitativamente n�o se sabe bem para onde, est�o criadas todas as condi��es para que n�o haja qualquer debate s�rio sobre a Europa, abafado por um imenso e amb�guo consenso.PS, PSD e PP est�o presos nesse consenso; o PCP estar� fora, como sempre esteve, e n�o � nos seus termos que a discuss�o tem sentido. Vai estar tudo de acordo, v�o ficar apenas meia d�zia de nuances. � por isso tamb�m que j� se percebeu que o referendo, prometido pelo Primeiro Ministro, prometido j� h� v�rios anos pelo PSD e pelo PS, que juraram que nunca mais haveria mudan�as significativas na posi��o europeia de Portugal sem consulta popular, vai ser metido na gaveta. O PS n�o o quer porque teria que estar ao lado do PSD, o PP n�o o quer de todo, porque lhe seria muito inc�modo, dadas as suas posi��es ainda recentes, e o PSD hesita para n�o p�r o PP em dificuldades.Isto significa que as pr�ximas elei��es europeias pouco ter�o de europeu e muito de portugu�s: ser�o sobre o governo e a oposi��o, ou se calhar nem isso, se o PS continuar como est�. A ser assim, a absten��o crescer� e a anomia pol�tica tamb�m.

O QUE � ABSOLUTAMENTE OBRIGAT�RIO SABER

sobre armas de destrui��o massiva, vem num livro, acabado de publicar, de Frank Barnaby, How to Build a Nuclear Bomb and Other Weapons of Mass Destruction , Londres, Granta Books, 2003. Barnaby � um f�sico nuclear, que trabalhou na ind�stria de armamento e que foi director de um prestigiado think tank sobre a paz, sediado em Estocolmo. Devia ser leitura obrigat�ria para todas as pessoas, para l� de ideologias e pol�ticas, que devem saber o futuro que se prepara, o futuro que � poss�vel temer. A quest�o, verdadeiramente, n�o � apenas pol�tica, porque o acesso a determinadas tecnologias est� j� ao alcance de um terrorista individual, obcecado com qualquer causa ex�tica, do tipo do Unabomber.

sobre armas de destrui��o massiva, vem num livro, acabado de publicar, de Frank Barnaby,, Londres, Granta Books, 2003. Barnaby � um f�sico nuclear, que trabalhou na ind�stria de armamento e que foi director de um prestigiado think tank sobre a paz, sediado em Estocolmo. Devia ser leitura obrigat�ria para todas as pessoas, para l� de ideologias e pol�ticas, que devem saber o futuro que se prepara, o futuro que � poss�vel temer. A quest�o, verdadeiramente, n�o � apenas pol�tica, porque o acesso a determinadas tecnologias est� j� ao alcance de um terrorista individual, obcecado com qualquer causa ex�tica, do tipo do Unabomber.

PROZAC

Voando da "euro-acalmia" para a "euro-excita��o", ou ser� o contr�rio?

L� em baixo, os europeus, invis�veis. Est�o muitas nuvens, mas s�o euro-nuvens. Voando da "euro-acalmia" para a "euro-excita��o", ou ser� o contr�rio?L� em baixo, os europeus, invis�veis. Est�o muitas nuvens, mas s�o euro-nuvens.

CHOQUE DE CIVILIZA��ES

Um texto fabuloso Ensaios de Montaigne, sobre os "canibais" , sobre eles e sobre n�s.

Um texto fabuloso aqui , o cap�tulo XXX do livro I dosde Montaigne, sobre os "canibais" , sobre eles e sobre n�s.

HORA QUARTA

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de ontem era de Katharina Fritsch, data de 1988, e est� no Museu de Arte Moderna de Frankfurt.

de ontem era de Katharina Fritsch, data de 1988, e est� no Museu de Arte Moderna de Frankfurt.

ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES

CASA DA M�SICA :

�Sei que e do Porto e que gosta do Porto. E quer se goste da Casa da Musica, quer n�o, quer se gostasse mais da velha Central de El�ctricos quer n�o, construir um edif�cio de 7 andares atras dela e uma aberra��o. Se Ginestal Machado (arquitecto responsavel pelo projecto do edif�cio o BPI) efectivamente respondeu a Koolhaas como noticiou o Publico, recusa a discuss�o do seu projecto com o arquitecto da Casa da Musica. Com "janel�o" ou sem "janel�o" (ideia que so de nos!), o edificio vai ser um desastre.

A quest�o e, basicamente, pode-se fazer alguma coisa contra a constru��o do edif�cio? Ou vai-se construir mais uma coisa que se acha uma aberra��o, mas "j� n�o se pode parar" (como tantas aberra��es pelo pais fora)? Como n�o sei a quem perguntar...

(Ana Aguiar)

ENCERRAMENTO DOS CHATS DA MICROSOFT:

"Acho que este � um assunto importante e interessante. Estou indignado como a not�cia foi debitada nos telejornais e nos jornais sem qualquer reflex�o. Fechar chat rooms n�o � a solu��o para a criminalidade online. As empresas t�m que ser respons�veis e investir em formas de proteger os seus utilizadores. "

(Nuno Figueiredo)

FALARES GALEGOS:

Artigo de Carlos Dur�o no

�Acostuma dizer-se que, a norte da raia, �fala-se galego�. De facto, �o galego� (�el gallego�) � hoje reconhecido pelas autoridades espanholas, que o consideram l�ngua �pr�pria� da Galiza (para elas �Galicia�), ao mesmo tempo que �lengua tambi�n espa�ola�, como p.ex. na Constitui��o espanhola ou no Estatuto de Autonomia da Galiza. E as �autoridades� lingu�sticas espanholas t�m feito os m�ximos esfor�os por �provar� que essa l�ngua falada a Norte da raia, que � cooficial com o castelhano, n�o tem nada a ver com a que se fala a Sul da raia, que � oficial no Estado portugu�s. Ora, a realidade � que a verdadeira l�ngua oficial da Galiza � a espanhola, que � a l�ngua que abrange todo o Reino de Espanha. E �o galego� s�o de facto �os galegos�, os falares, falas ou dialetos galegos da Galiza oficial (as quatro prov�ncias da Corunha, Lugo, Ourense e Ponte Vedra) e mais da Galiza chamada �exterior� (N�via, Berzo e Seabra, comarcas ocidentais das Ast�rias e de Le�o), ou seja os dialetos portugueses do Norte da raia, em geral tanto mais castelhanizados quanto mais distantes dela. Para esses dialetos, as autoridades espanholas inventaram uma �ortografia� espanhola, que reflite uma �ortofonia� tamb�m quase espanhola (quer dizer adatada � fon�tica dos hispan�fonos galegos), e tornaram-na obrigat�ria nos centros de ensino e nas edi��es subsidiadas, banindo a ortografia e ortofonia realmente pr�prias da l�ngua, ou seja portuguesas: esta � a posi��o dita isolacionista, obediente �s diretrizes dum partido pol�tico de �mbito estatal.

Existem, claro, dissid�ncias, grupos minorit�rios e independentes do oficialismo, que n�o est�o dispostos a aceitar este �facto consumado� e que procuram falar e escrever bem o portugu�s, considerando que une e d� coes�o a todos esses falares, e nos relaciona cabalmente com o resto da Lusofonia, quer dizer que � a norma culta da nossa l�ngua. Naturalmente esses grupos s�o sanhudamente perseguidos e banidos do ensino e dos subs�dios oficiais (como, ali�s, nos melhores tempos da ditadura franquista). Mesmo assim, conseguem manter uma presen�a social muito superior ao seu n�mero, publicando livros e revistas, celebrando congressos, semin�rios, etc., que nos derradeiros vinte anos t�m alertado a sociedade galega para o perigo da espanholiza��o e exercido certa press�o nas op��es filol�gicas at� dos pr�prios isolacionistas. H� ainda uma posi��o interm�dia, digamos quase lus�grafa mas n�o lus�fona, ainda muito dependente do espanhol na grafia, na fon�tica e na morfologia e sintaxe, que parece ter certas esperan�as de ser aceite ou pelo menos tolerada pelo oficialismo. Os seus utentes, embora digam que a sua posi��o � tempor�ria e que est� a caminho do alvo final portugu�s, de facto cada vez mais ficam estacados num imobilismo c�modo ou docilmente submetidos � pol�tica lingu�stica dum partido, e ainda pretendem �exportar� os seus produtos ao mundo lus�fono, sem reparar que est�o a criar confus�o entre as pessoas lus�fonas de boa vontade que realmente querem ajudar a Galiza na recupera��o da sua l�ngua.

O que fazer? Certamente n�s, a Norte da raia, temos muito que fazer para ampliar essas minorias cr�ticas e continuar consciencializando as pessoas. Mas a Sul da raia tamb�m os nossos irm�os transmontanos e minhotos muito poderiam fazer para alentar a l�ngua portuguesa na Galiza e recusar tanto o isolacionismo oficial como essas meias-tintas gr�ficas e fon�ticas, que afinal s�o mau portugu�s, e insistir num padr�o correto para a nossa l�ngua, seja ele o que se continua a empregar em Portugal ou o do ainda n�o ratificado Acordo da Ortografia Unificada de 1990, no que est� explicitamente reconhecida a participa��o da Galiza.�

MEM�RIA DA ESCOLA:

�A primeira tem uma liga��o com a escassa produ��o de materiais de arquivo que permitam fazer a arqueologia dos processos de decis�o dos partidos pol�ticos. Falo dos processos de decis�o em muitas escolas. Quem for consultar e ler as actas de muitas reuni�es (sobretudo nos conselhos de turma) encontrar� uma outra realidade. Aqui temos documentos, materiais de arquivo. No entanto, muitas vezes n�o nos dizem o que realmente se passou. Tudo porque a legisla��o obriga a que se fa�am coisas imposs�veis. Eis dois bons exemplos:

- planos curriculares de turma que "articulem" os conte�dos de todas as disciplinas e sejam adequados � especificidade de cada turma;

- planos individuais de recupera��o dos alunos, com estrat�gias que n�o se colocar�o em pr�tica porque todos sabem que o aluno s� se recupera se estudar e isso ele dificilmente come�ar� a fazer.

Unicamente, a realidade das escolas, das turmas, dos professores, torna estas ac��es imposs�veis. E como n�o � poss�vel fazer, n�o se faz, mas como a lei manda que se fa�a, ent�o que se registe em acta. N�o se fez, mas se est� na acta, est� bem.�

(Paulo Agostinho)

ESTADO PROVID�NCIA VISTO PELOS DE BAIXO:

�Volto de novo � escola. Dei aulas nos �ltimos seis anos (este ano est� mais complicado obter coloca��o, infelizmente) e foi sempre elevada a percentagem de alunos subsidiados, com excep��o da turma do ano de est�gio, que era de um centro urbano (Coimbra). Assim, estes alunos recebem livros, refei��es gr�tis ou a pre�os mais reduzidos e materiais escolares.

Muitos materiais s�o fornecidos de forma arbitr�ria, pois a meio de um ano lectivo vi serem entregues cadernos novos e meia d�zia de canetas de v�rias cores que rapidamente davam origem a um estranho mercado paralelo de venda desse material escolar entre os alunos, pelo que se depreende que n�o lhes fazia falta. E vi alunos deitarem fora o caderno que usaram at� a� (com as li��es nele registadas) porque receberam um novo. Mas h� duas coisas que mais chocam. A primeira � a impunidade com que alguns alunos destroem material e desperdi�am a comida que lhes � dada. Partir as r�guas, vender as canetas, rasgar as folhas dos cadernos, perder os livros, utilizar o p�o para batalhas nas cantinas e ma��s e laranjas para jogos de futebol s�o alguns exemplos. Creio que s� na Madeira estas atitudes d�o origem ao corte do subs�dio. Por c� o acto fica, geralmente, impune. E assim n�o se transmitem os valores que as escolas tanto apregoam. A segunda situa��o chocante � o n�mero esmagador de alunos subsidiados que t�m telem�vel. E falo de alunos de 12 a 14 anos (os �ltimos anos da escolaridade obrigat�ria), n�o de adolescentes quase na maioridade. Ser� uma necessidade? Se mesmo nos adultos muitas vezes n�o o �, muitos menos ser� no caso das crian�as. Mas eles l� est�o, em cima das secret�rias, a tocar nos corredores e nas salas, a anunciar mensagens ou "toques".

Estes exemplos s�o sintomas de erros e injusti�as na atribui��o dos subs�dios escolares. E uma m� li��o de vida para as crian�as. "

(Paulo Agostinho)

SOBRE PEDREIRAS:

Uma cr�tica bastante fundamentada � minha nota no Abrupto em

CASA DA M�SICA :�Sei que e do Porto e que gosta do Porto. E quer se goste da Casa da Musica, quer n�o, quer se gostasse mais da velha Central de El�ctricos quer n�o, construir um edif�cio de 7 andares atras dela e uma aberra��o. Se Ginestal Machado (arquitecto responsavel pelo projecto do edif�cio o BPI) efectivamente respondeu a Koolhaas como noticiou o Publico, recusa a discuss�o do seu projecto com o arquitecto da Casa da Musica. Com "janel�o" ou sem "janel�o" (ideia que so de nos!), o edificio vai ser um desastre.A quest�o e, basicamente, pode-se fazer alguma coisa contra a constru��o do edif�cio? Ou vai-se construir mais uma coisa que se acha uma aberra��o, mas "j� n�o se pode parar" (como tantas aberra��es pelo pais fora)? Como n�o sei a quem perguntar...(Ana Aguiar)ENCERRAMENTO DOS CHATS DA MICROSOFT:"Acho que este � um assunto importante e interessante. Estou indignado como a not�cia foi debitada nos telejornais e nos jornais sem qualquer reflex�o. Fechar chat rooms n�o � a solu��o para a criminalidade online. As empresas t�m que ser respons�veis e investir em formas de proteger os seus utilizadores. "(Nuno Figueiredo)FALARES GALEGOS:Artigo de Carlos Dur�o no Seman�rio Transmontano , 23/09/2003�Acostuma dizer-se que, a norte da raia, �fala-se galego�. De facto, �o galego� (�el gallego�) � hoje reconhecido pelas autoridades espanholas, que o consideram l�ngua �pr�pria� da Galiza (para elas �Galicia�), ao mesmo tempo que �lengua tambi�n espa�ola�, como p.ex. na Constitui��o espanhola ou no Estatuto de Autonomia da Galiza. E as �autoridades� lingu�sticas espanholas t�m feito os m�ximos esfor�os por �provar� que essa l�ngua falada a Norte da raia, que � cooficial com o castelhano, n�o tem nada a ver com a que se fala a Sul da raia, que � oficial no Estado portugu�s. Ora, a realidade � que a verdadeira l�ngua oficial da Galiza � a espanhola, que � a l�ngua que abrange todo o Reino de Espanha. E �o galego� s�o de facto �os galegos�, os falares, falas ou dialetos galegos da Galiza oficial (as quatro prov�ncias da Corunha, Lugo, Ourense e Ponte Vedra) e mais da Galiza chamada �exterior� (N�via, Berzo e Seabra, comarcas ocidentais das Ast�rias e de Le�o), ou seja os dialetos portugueses do Norte da raia, em geral tanto mais castelhanizados quanto mais distantes dela. Para esses dialetos, as autoridades espanholas inventaram uma �ortografia� espanhola, que reflite uma �ortofonia� tamb�m quase espanhola (quer dizer adatada � fon�tica dos hispan�fonos galegos), e tornaram-na obrigat�ria nos centros de ensino e nas edi��es subsidiadas, banindo a ortografia e ortofonia realmente pr�prias da l�ngua, ou seja portuguesas: esta � a posi��o dita isolacionista, obediente �s diretrizes dum partido pol�tico de �mbito estatal.Existem, claro, dissid�ncias, grupos minorit�rios e independentes do oficialismo, que n�o est�o dispostos a aceitar este �facto consumado� e que procuram falar e escrever bem o portugu�s, considerando que une e d� coes�o a todos esses falares, e nos relaciona cabalmente com o resto da Lusofonia, quer dizer que � a norma culta da nossa l�ngua. Naturalmente esses grupos s�o sanhudamente perseguidos e banidos do ensino e dos subs�dios oficiais (como, ali�s, nos melhores tempos da ditadura franquista). Mesmo assim, conseguem manter uma presen�a social muito superior ao seu n�mero, publicando livros e revistas, celebrando congressos, semin�rios, etc., que nos derradeiros vinte anos t�m alertado a sociedade galega para o perigo da espanholiza��o e exercido certa press�o nas op��es filol�gicas at� dos pr�prios isolacionistas. H� ainda uma posi��o interm�dia, digamos quase lus�grafa mas n�o lus�fona, ainda muito dependente do espanhol na grafia, na fon�tica e na morfologia e sintaxe, que parece ter certas esperan�as de ser aceite ou pelo menos tolerada pelo oficialismo. Os seus utentes, embora digam que a sua posi��o � tempor�ria e que est� a caminho do alvo final portugu�s, de facto cada vez mais ficam estacados num imobilismo c�modo ou docilmente submetidos � pol�tica lingu�stica dum partido, e ainda pretendem �exportar� os seus produtos ao mundo lus�fono, sem reparar que est�o a criar confus�o entre as pessoas lus�fonas de boa vontade que realmente querem ajudar a Galiza na recupera��o da sua l�ngua.O que fazer? Certamente n�s, a Norte da raia, temos muito que fazer para ampliar essas minorias cr�ticas e continuar consciencializando as pessoas. Mas a Sul da raia tamb�m os nossos irm�os transmontanos e minhotos muito poderiam fazer para alentar a l�ngua portuguesa na Galiza e recusar tanto o isolacionismo oficial como essas meias-tintas gr�ficas e fon�ticas, que afinal s�o mau portugu�s, e insistir num padr�o correto para a nossa l�ngua, seja ele o que se continua a empregar em Portugal ou o do ainda n�o ratificado Acordo da Ortografia Unificada de 1990, no que est� explicitamente reconhecida a participa��o da Galiza.�MEM�RIA DA ESCOLA:�A primeira tem uma liga��o com a escassa produ��o de materiais de arquivo que permitam fazer a arqueologia dos processos de decis�o dos partidos pol�ticos. Falo dos processos de decis�o em muitas escolas. Quem for consultar e ler as actas de muitas reuni�es (sobretudo nos conselhos de turma) encontrar� uma outra realidade. Aqui temos documentos, materiais de arquivo. No entanto, muitas vezes n�o nos dizem o que realmente se passou. Tudo porque a legisla��o obriga a que se fa�am coisas imposs�veis. Eis dois bons exemplos:- planos curriculares de turma que "articulem" os conte�dos de todas as disciplinas e sejam adequados � especificidade de cada turma;- planos individuais de recupera��o dos alunos, com estrat�gias que n�o se colocar�o em pr�tica porque todos sabem que o aluno s� se recupera se estudar e isso ele dificilmente come�ar� a fazer.Unicamente, a realidade das escolas, das turmas, dos professores, torna estas ac��es imposs�veis. E como n�o � poss�vel fazer, n�o se faz, mas como a lei manda que se fa�a, ent�o que se registe em acta. N�o se fez, mas se est� na acta, est� bem.�(Paulo Agostinho)ESTADO PROVID�NCIA VISTO PELOS DE BAIXO:�Volto de novo � escola. Dei aulas nos �ltimos seis anos (este ano est� mais complicado obter coloca��o, infelizmente) e foi sempre elevada a percentagem de alunos subsidiados, com excep��o da turma do ano de est�gio, que era de um centro urbano (Coimbra). Assim, estes alunos recebem livros, refei��es gr�tis ou a pre�os mais reduzidos e materiais escolares.Muitos materiais s�o fornecidos de forma arbitr�ria, pois a meio de um ano lectivo vi serem entregues cadernos novos e meia d�zia de canetas de v�rias cores que rapidamente davam origem a um estranho mercado paralelo de venda desse material escolar entre os alunos, pelo que se depreende que n�o lhes fazia falta. E vi alunos deitarem fora o caderno que usaram at� a� (com as li��es nele registadas) porque receberam um novo. Mas h� duas coisas que mais chocam. A primeira � a impunidade com que alguns alunos destroem material e desperdi�am a comida que lhes � dada. Partir as r�guas, vender as canetas, rasgar as folhas dos cadernos, perder os livros, utilizar o p�o para batalhas nas cantinas e ma��s e laranjas para jogos de futebol s�o alguns exemplos. Creio que s� na Madeira estas atitudes d�o origem ao corte do subs�dio. Por c� o acto fica, geralmente, impune. E assim n�o se transmitem os valores que as escolas tanto apregoam. A segunda situa��o chocante � o n�mero esmagador de alunos subsidiados que t�m telem�vel. E falo de alunos de 12 a 14 anos (os �ltimos anos da escolaridade obrigat�ria), n�o de adolescentes quase na maioridade. Ser� uma necessidade? Se mesmo nos adultos muitas vezes n�o o �, muitos menos ser� no caso das crian�as. Mas eles l� est�o, em cima das secret�rias, a tocar nos corredores e nas salas, a anunciar mensagens ou "toques".Estes exemplos s�o sintomas de erros e injusti�as na atribui��o dos subs�dios escolares. E uma m� li��o de vida para as crian�as. "(Paulo Agostinho)SOBRE PEDREIRAS:Uma cr�tica bastante fundamentada � minha nota no Abrupto em Portugal Profundo

EARLY MORNING BLOGS / SONGS / HOURS 51

J� come�aram a chegar os portugueses a este olhar matinal. Ant�nio Afonso fala das manh�s � que os lisboetas n�o aproveitam� e recorda os anos 60� , que foram tamb�m os que eu andei por a�, espantado transmontano, embevecido com o Tejo e com as aulas de Teoria da Literatura do David Mour�o-Ferreira ,que escreveu o ROMANCE DA BEIRA-TEJO, de que transcrevo as duas �ltimas estrofes (??):

...

Certa manh� na ribeira

do Tejo, com maresia,

fragatas, e o que trazia

do mar a brisa ligeira...

- essa gra�a, enfim, senti-a,

� beira do Tejo, � beira,

com fragatas, maresia...

Bela! a cidade, serena...

Longe o tempo, desolado...!

Perto, s� tu, a meu lado,

l�rica barca pequena

que a Vida enfim h� deixado

junto de mim, na serena

cidade bela do fado!

in A Secreta Viagem

Provavelmente o cheiro a maresia j� n�o � o mesmo, as fragatas n�o est�o l�, a cidade ser� menos bela e menos serena, mas cada um poder�, ainda assim, sentir, todas as manh�s, a �gra�a� que entender. �

Jos� Carlos Santos mant�m-nos nos anos sessenta com este �Morning has broken� de autoria de Eleanor Farjeon (1881-1965) �e tornou-se famosa por ter sido a letra de uma can��o de Cat Stevens, inclu�da no seu �lbum Teaser and the Firecat (1971)�.

Morning Has Broken

"Morning has broken like the first morning

Blackbird has spoken like the first bird

Praise for the singing praise for the mornin

Praise for the springing fresh from the world.

Sweet the rains new fall sunlit from heaven

Like the first dewfall on the first grass

Praise for the sweetness on the wet garden

Sprung in completeness where his feet pass.

Mine is the sunlight mine is the morning

Born of the one light eden saw play

Praise with elation praise every morning

God's recreation of the new day."

acrescenta �na lista de can��es sobre manh�s, h� uma que penso n�o pode faltar, falo de �morning Song� da bel�ssima Jewel.�

�Let the phone ring, let's go back to sleep

Let the world spin outside our door, you're the only one that I wanna see

Tell your boss you're sick, hurry, get back in I'm getting cold

Get over here and warm my hands up, boy, it's you they love to hold

And stop thinking about what your sister said

Stop worrying about it, the cat's already been fed

Come on darlin', let's go back to bed

Put the phone machine on hold

Leave the dishes in the sink

Do not answer the door

It's you that I adore -

I'm gonna give you some more

We'll sit on the front porch, the sun can warm my feet

You can drink your coffee with sugar and cream

I'll drink my decaf herbal tea

Pretend we're perfect strangers and that we never met...

My how you remind me of a man I used to sleep with

that's a face I'd never forget

You can be Henry Miller and I'll be Anais Nin

Except this time it'll be even better,

We'll stay together in the end

Come on darlin', let's go back to bed

Put the phone machine on hold

Leave the dishes in the sink

Do not answer the door

It's you that I adore -

I'm gonna give you some more�

EARLY MORNING HOURS : Agora , de um lado mais sinistro, mas completamente humano,

Bom dia.

J� come�aram a chegar os portugueses a este olhar matinal. Ant�nio Afonso fala das manh�s � que os lisboetas n�o aproveitam� e recorda os anos 60� , que foram tamb�m os que eu andei por a�, espantado transmontano, embevecido com o Tejo e com as aulas de Teoria da Literatura do David Mour�o-Ferreira ,que escreveu o ROMANCE DA BEIRA-TEJO, de que transcrevo as duas �ltimas estrofes (??):...Certa manh� na ribeirado Tejo, com maresia,fragatas, e o que traziado mar a brisa ligeira...- essa gra�a, enfim, senti-a,� beira do Tejo, � beira,com fragatas, maresia...Bela! a cidade, serena...Longe o tempo, desolado...!Perto, s� tu, a meu lado,l�rica barca pequenaque a Vida enfim h� deixadojunto de mim, na serenacidade bela do fado!inProvavelmente o cheiro a maresia j� n�o � o mesmo, as fragatas n�o est�o l�, a cidade ser� menos bela e menos serena, mas cada um poder�, ainda assim, sentir, todas as manh�s, a �gra�a� que entender. �Jos� Carlos Santos mant�m-nos nos anos sessenta com este �Morning has broken� de autoria de Eleanor Farjeon (1881-1965) �e tornou-se famosa por ter sido a letra de uma can��o de Cat Stevens, inclu�da no seu �lbum Teaser and the Firecat (1971)�.Morning Has Broken"Morning has broken like the first morningBlackbird has spoken like the first birdPraise for the singing praise for the morninPraise for the springing fresh from the world.Sweet the rains new fall sunlit from heavenLike the first dewfall on the first grassPraise for the sweetness on the wet gardenSprung in completeness where his feet pass.Mine is the sunlight mine is the morningBorn of the one light eden saw playPraise with elation praise every morningGod's recreation of the new day." Lu�s Parreira acrescenta �na lista de can��es sobre manh�s, h� uma que penso n�o pode faltar, falo de �morning Song� da bel�ssima Jewel.��Let the phone ring, let's go back to sleepLet the world spin outside our door, you're the only one that I wanna seeTell your boss you're sick, hurry, get back in I'm getting coldGet over here and warm my hands up, boy, it's you they love to holdAnd stop thinking about what your sister saidStop worrying about it, the cat's already been fedCome on darlin', let's go back to bedPut the phone machine on holdLeave the dishes in the sinkDo not answer the doorIt's you that I adore -I'm gonna give you some moreWe'll sit on the front porch, the sun can warm my feetYou can drink your coffee with sugar and creamI'll drink my decaf herbal teaPretend we're perfect strangers and that we never met...My how you remind me of a man I used to sleep withthat's a face I'd never forgetYou can be Henry Miller and I'll be Anais NinExcept this time it'll be even better,We'll stay together in the endCome on darlin', let's go back to bedPut the phone machine on holdLeave the dishes in the sinkDo not answer the doorIt's you that I adore -I'm gonna give you some more�EARLY MORNING HOURS : Agora , de um lado mais sinistro, mas completamente humano, o nosso m�dico lembra-nos que a manh� � uma altura em que se morre mais. Numa nota de grande sensibilidade, leva-nos para o mundo experior, para o mundo real, onde um oper�rio �com a boca ao lado� permanecia fiel ao seu lugar, ao seu posto de trabalho a fazer um AVC, perdendo a vida ou parte dela. De leitura obrigat�ria.Bom dia.

SOBRE A �MARCHA BRANCA�: O POVO CONTRA MONTESQUIEU

Em princ�pios de 1998, assisti a uma �marcha branca� na B�lgica, no apogeu do processo Dutroux e escrevi um artigo no Di�rio de Not�cias, intitulado �O povo contra Montesquieu", que aqui reproduzo parcialmente por me parecer oportuno.

�Era uma manifesta��o popular, o que � pouco comum. Desde que a f�rmula do cortejo de protesto pac�fico se estabilizou como um h�bito democr�tico - e isso aconteceu s� no nosso s�culo com as primeiras manifesta��es ordeiras dos social-democratas alem�es em Berlim, que n�o degeneraram em batalhas campais com a pol�cia - que as manifesta��es s�o um instrumento de ac��o pol�tica, dependentes de l�gicas partid�rias ou inerentes ao processo pol�tico. � verdade que tamb�m havia organiza��es que circulavam � volta do cortejo - os restos do P. C. Belga, um grupo trotsquista, uns ecologistas - mas eram marginais. Tinham pouco a ver com o que se estava a passar, eram apenas parasit�rias.

N�o � sequer o n�mero de pessoas que conta, mas a forma, o car�cter, o conte�do. Aquela longa fila de homens, mulheres e crian�as, muitas fam�lias inteiras, dessas novas fam�lias europeias muito pequenas, n�o tinha nenhum padr�o especial que a desviasse de uma representa��o equilibrada da sociedade belga. Havia belgas, franc�fonos e flamengos, havia emigrantes, velhos e jovens, crian�as e adolescentes. S� havia um tra�o de identidade - n�o parecia haver pessoas abastadas. Eram trabalhadores, funcion�rios, empregadas, donas de casa, vestidos casualmente de blus�es e camisolas, poucos fatos e gravatas. Naquela enorme multid�o estava uma B�lgica um pouco mais pobre do que a fauna eurocrata e dos neg�cios que se encontra habitualmente no centro de Bruxelas, misturada com os turistas. Havia muita gente que viera de comboio e autocarro dos sub�rbios da cidade, e os pontos de reuni�o da manifesta��o estavam associados aos transportes p�blicos. Aquelas pessoas andam de metro, de autocarro, de comboio.

Depois, quase que n�o havia cartazes e os poucos que havia tinham sido feitos por aqueles que os traziam. Raramente tinham o tamanho de um vulgar cartaz de an�ncio de um concerto de rock e estavam perdidos no meio de manifestantes de m�os nuas, sem autocolantes, sem s�mbolos, sem nada. N�o havia palavras de ordem, ningu�m gritava nada - o sil�ncio "contra o sil�ncio".

Os organizadores desta marcha s�o os comit�s ad hoc que se criaram � volta das fam�lias das crian�as assassinadas. Quase que n�o tiveram meios de divulgar a manifesta��o e consideravam-na um sucesso se aparecessem 10.000 pessoas. Apareceu o triplo. H� um ano, o n�mero de manifestantes era muito maior mas isso podia compreender-se pela emo��o da trag�dia dos assassinatos. Hoje h� menos pessoas, mas s�o as mesmas e ainda s�o muitas, e n�o h� raz�o nenhuma para n�o se perceber que elas comunicam invisivelmente com as muitas centenas de milhares que n�o sa�ram � rua. Longe da emo��o causada pelas revela��es criminosas, a mesmo revolta continua. Popular. Silenciosa. Forte.

O que querem os manifestantes? N�o o dizem com clareza, mas percebe-se: querem que algu�m mande - porque � suposto ter a obriga��o de mandar -, mande nos ju�zes e nas pol�cias para acabar com os crimes. Que algu�m fa�a n�o s� justi�a, mas tamb�m garanta repara��o, repara��o para as fam�lias, repara��o para todos os que ali est�o. Que todos, a come�ar pelas fam�lias, sejam "parte" nesse processo de justi�a, tenham "voz", a �nica que se considera leg�tima e pura, porque vem da perda e do sofrimento. Que haja justi�a vinda de quem sofre e n�o de quem julga, porque se suspeita que quem julga est� mais pr�ximo do criminoso do que da v�tima.

O pretexto s�o os crimes da rede ped�fila de Dutroux , mas o alvo � a percep��o de que eles s� foram poss�veis por uma rede de cumplicidades que envolve pol�ticos, pol�cias, e ... ju�zes. � contra uma conspira��o pressentida que se revoltam os manifestantes, uma conspira��o dos poderosos contra o povo comum, que oculta crimes t�o terr�veis como a viola��o e o assassinato de crian�as, atrav�s de uma "lei do sil�ncio", que funciona como uma lei do poder, a favor do poder.

Sendo assim a manifesta��o � tanto popular como subversiva, no verdadeiro sentido da palavra. O que est� em causa � a ordem, a ordem democr�tica assente na divis�o dos poderes. Os manifestantes querem que algu�m - e esse algu�m s� pode ser um governante, um pol�tico ou o "povo" nas ruas - interfira no processo judicial, d� ordens a um juiz. Ora isto viola claramente a separa��o cl�ssica entre os poderes, do mesmo modo como h� alguns anos os apelos aos juizes italianos para "governarem" a It�lia, contra a mafia e a corrup��o.

(�) Os manifestantes belgas traduzem um mal-estar profundo que tamb�m � nosso. Na B�lgica � contra os ju�zes, que s�o percebidos como "pol�ticos" como outros quaisquer. Mas a verdadeira revolta � contra o poder e os poderosos, feita por um povo comum que n�o acredita nos partidos ou nos sindicatos para exprimir e canalizar essa revolta. N�o � um problema novo, mas conhece hoje novas formas.�

Em princ�pios de 1998, assisti a uma �marcha branca� na B�lgica, no apogeu do processo Dutroux e escrevi um artigo no, intitulado �O povo contra Montesquieu", que aqui reproduzo parcialmente por me parecer oportuno.�Era uma manifesta��o popular, o que � pouco comum. Desde que a f�rmula do cortejo de protesto pac�fico se estabilizou como um h�bito democr�tico - e isso aconteceu s� no nosso s�culo com as primeiras manifesta��es ordeiras dos social-democratas alem�es em Berlim, que n�o degeneraram em batalhas campais com a pol�cia - que as manifesta��es s�o um instrumento de ac��o pol�tica, dependentes de l�gicas partid�rias ou inerentes ao processo pol�tico. � verdade que tamb�m havia organiza��es que circulavam � volta do cortejo - os restos do P. C. Belga, um grupo trotsquista, uns ecologistas - mas eram marginais. Tinham pouco a ver com o que se estava a passar, eram apenas parasit�rias.N�o � sequer o n�mero de pessoas que conta, mas a forma, o car�cter, o conte�do. Aquela longa fila de homens, mulheres e crian�as, muitas fam�lias inteiras, dessas novas fam�lias europeias muito pequenas, n�o tinha nenhum padr�o especial que a desviasse de uma representa��o equilibrada da sociedade belga. Havia belgas, franc�fonos e flamengos, havia emigrantes, velhos e jovens, crian�as e adolescentes. S� havia um tra�o de identidade - n�o parecia haver pessoas abastadas. Eram trabalhadores, funcion�rios, empregadas, donas de casa, vestidos casualmente de blus�es e camisolas, poucos fatos e gravatas. Naquela enorme multid�o estava uma B�lgica um pouco mais pobre do que a fauna eurocrata e dos neg�cios que se encontra habitualmente no centro de Bruxelas, misturada com os turistas. Havia muita gente que viera de comboio e autocarro dos sub�rbios da cidade, e os pontos de reuni�o da manifesta��o estavam associados aos transportes p�blicos. Aquelas pessoas andam de metro, de autocarro, de comboio.Depois, quase que n�o havia cartazes e os poucos que havia tinham sido feitos por aqueles que os traziam. Raramente tinham o tamanho de um vulgar cartaz de an�ncio de um concerto de rock e estavam perdidos no meio de manifestantes de m�os nuas, sem autocolantes, sem s�mbolos, sem nada. N�o havia palavras de ordem, ningu�m gritava nada - o sil�ncio "contra o sil�ncio".Os organizadores desta marcha s�o os comit�s ad hoc que se criaram � volta das fam�lias das crian�as assassinadas. Quase que n�o tiveram meios de divulgar a manifesta��o e consideravam-na um sucesso se aparecessem 10.000 pessoas. Apareceu o triplo. H� um ano, o n�mero de manifestantes era muito maior mas isso podia compreender-se pela emo��o da trag�dia dos assassinatos. Hoje h� menos pessoas, mas s�o as mesmas e ainda s�o muitas, e n�o h� raz�o nenhuma para n�o se perceber que elas comunicam invisivelmente com as muitas centenas de milhares que n�o sa�ram � rua. Longe da emo��o causada pelas revela��es criminosas, a mesmo revolta continua. Popular. Silenciosa. Forte.O que querem os manifestantes? N�o o dizem com clareza, mas percebe-se: querem que algu�m mande - porque � suposto ter a obriga��o de mandar -, mande nos ju�zes e nas pol�cias para acabar com os crimes. Que algu�m fa�a n�o s� justi�a, mas tamb�m garanta repara��o, repara��o para as fam�lias, repara��o para todos os que ali est�o. Que todos, a come�ar pelas fam�lias, sejam "parte" nesse processo de justi�a, tenham "voz", a �nica que se considera leg�tima e pura, porque vem da perda e do sofrimento. Que haja justi�a vinda de quem sofre e n�o de quem julga, porque se suspeita que quem julga est� mais pr�ximo do criminoso do que da v�tima.O pretexto s�o os crimes da rede ped�fila de Dutroux , mas o alvo � a percep��o de que eles s� foram poss�veis por uma rede de cumplicidades que envolve pol�ticos, pol�cias, e ... ju�zes. � contra uma conspira��o pressentida que se revoltam os manifestantes, uma conspira��o dos poderosos contra o povo comum, que oculta crimes t�o terr�veis como a viola��o e o assassinato de crian�as, atrav�s de uma "lei do sil�ncio", que funciona como uma lei do poder, a favor do poder.Sendo assim a manifesta��o � tanto popular como subversiva, no verdadeiro sentido da palavra. O que est� em causa � a ordem, a ordem democr�tica assente na divis�o dos poderes. Os manifestantes querem que algu�m - e esse algu�m s� pode ser um governante, um pol�tico ou o "povo" nas ruas - interfira no processo judicial, d� ordens a um juiz. Ora isto viola claramente a separa��o cl�ssica entre os poderes, do mesmo modo como h� alguns anos os apelos aos juizes italianos para "governarem" a It�lia, contra a mafia e a corrup��o.(�) Os manifestantes belgas traduzem um mal-estar profundo que tamb�m � nosso. Na B�lgica � contra os ju�zes, que s�o percebidos como "pol�ticos" como outros quaisquer. Mas a verdadeira revolta � contra o poder e os poderosos, feita por um povo comum que n�o acredita nos partidos ou nos sindicatos para exprimir e canalizar essa revolta. N�o � um problema novo, mas conhece hoje novas formas.�

PAPEL HIGI�NICO E LARANJAS PODRES, O MESMO COMBATE!

O que disse sobre as perip�cias dos acad�micos conimbricenses, que se sentem representados pelo papel higi�nico, repito sobre os lisboetas que tamb�m andaram pelo mesmo papel e acrescentaram laranjas podres � lista, demonstrando uma imagina��o poderosa.

Agora a surpresa lisboeta � ver estudantes do T�cnico de �traje acad�mico�, ou seja, como uma esp�cie de seminaristas retardados no tempo. Que os de Coimbra andem de farda, j� estamos habituados, agora em Lisboa, onde nunca houve tal �tradi��o�, o que � que se passa? H� algum v�rus no ar? A polui��o j� � assim t�o grave? Ser� dos shots? A culpa � do absinto?

N�o sei porqu�, mas h� alguma coisa que me diz ao ouvido, algum grilo transviado, que deve haver um tra�o esquisito num engenheiro de sistemas, num f�sico nuclear, num bioqu�mico, que n�o se importa de andar na rua, em p�blico (que horror!), vestido de �estudante� oitocentista, na altura do varapau, das rixas, das esperas, dos bord�is canalhas, da cont�nua bebedeira, e, ainda pior horror, da poesia ultra-rom�ntica . Mas deve ser de mim, que so�obro sentimentalmente � ideia positivista do progresso, mesmo apesar das minhas resist�ncias filos�ficas.

O que disse sobre as perip�cias dos acad�micos conimbricenses, que se sentem representados pelo papel higi�nico, repito sobre os lisboetas que tamb�m andaram pelo mesmo papel e acrescentaram laranjas podres � lista, demonstrando uma imagina��o poderosa.Agora a surpresa lisboeta � ver estudantes do T�cnico de �traje acad�mico�, ou seja, como uma esp�cie de seminaristas retardados no tempo. Que os de Coimbra andem de farda, j� estamos habituados, agora em Lisboa, onde nunca houve tal �tradi��o�, o que � que se passa? H� algum v�rus no ar? A polui��o j� � assim t�o grave? Ser� dos shots? A culpa � do absinto?N�o sei porqu�, mas h� alguma coisa que me diz ao ouvido, algum grilo transviado, que deve haver um tra�o esquisito num engenheiro de sistemas, num f�sico nuclear, num bioqu�mico, que n�o se importa de andar na rua, em p�blico (que horror!), vestido de �estudante� oitocentista, na altura do varapau, das rixas, das esperas, dos bord�is canalhas, da cont�nua bebedeira, e, ainda pior horror, da poesia ultra-rom�ntica . Mas deve ser de mim, que so�obro sentimentalmente � ideia positivista do progresso, mesmo apesar das minhas resist�ncias filos�ficas.

MARCHA �BRANCA�

N�o vou, n�o concordo. Cada um � livre de se manifestar como entende, mas este tipo de iniciativas unanimistas s�o um poderoso caldo de cultura para o populismo. � um caminho perigoso.

N�o vou, n�o concordo. Cada um � livre de se manifestar como entende, mas este tipo de iniciativas unanimistas s�o um poderoso caldo de cultura para o populismo. � um caminho perigoso.

EARLY MORNING BLOGS 50

Micro-causas: enfileiro-me, disciplinado, no apelo do

�Saiu o nov�ssimo Boletim Bibliogr�fico do Livreiro-Antiqu�rio Lu�s Burnay - Setembro 2003 -, com 508 pe�as estimadas, h� muito esgotadas ou raras. Como curiosidade o livreiro-antiqu�rio acrescenta � listagem bibliogr�fica um "desabafo" aos clientes e amigos, bem pertinente, e que n�o � normal aparecer em Cat�logos. Trata-se de uma refer�ncia � pol�tica de franquia existente, onde o livro-cat�logo � penalizado face ao livro tout court. Essa estranha hermen�utica dos CTT em torno do conceito de livro, considerando um livro-cat�logo um n�o-livro, desvela n�o s� uma incomensur�vel blague cultural mas aponta, tamb�m, para o anedot�rio nacional onde o desnorte da politica cultural legislativa � total. Refere, ainda, e neste assunto n�o est� s�, o atraso constante e sistem�tico da distribui��o dos correios, que impede uma pr�tica gestion�ria cont�nua e eficaz. N�s compreendemos tudo isso. Ou n�o estiv�ssemos em Portugal. �

Early morning songs:

Nuno Lima envia uma grande can��o de Billie Holiday e cita o Edu Lobo sobre o canto de Billie "n�o tem t�cnica, n�o tem truque nenhum, � emo��o pura". Que poder� ser mais bluesy?�

Good Morning Heartache

"Good morning heartache

you old lonely sight

Good morning heartache

thought we said goodbye last night

I've turned and tossed until it seems you have gone

But here you are with the dawn

Wish I'd forget you

but you're here to stay

It seems I met you

when my love went away

My every day I start by saying to you

Good morning heartache

What's new?

Stop haunting me now

Can't shake you nohow

Just leave me alone

I 've got those Monday blues

straight through Sunday blues

Good morning heartache

here we go again

Good morning heartache

you're the one who knew me when

Might as well get used to you

hangin' round

Good Morning heartache

Sit down

Stop haunting me now

can't shake you nohow

just leave me alone

I've got those Monday blues

straight through Sunday blues

Good morning heartache

here we go again

Good Morning Heartache

you're

the one who knew me when

Might as well get used to you

hangin' round

Good Morning Heartache

Sit down."

manda-me a primeira letra em portugu�s de can��es matinais: a Letra da me Tempo Perdido, do grupo brasileiro Legi�o Urbana:

Tempo Perdido

"Todos os dias quando acordo,

N�o tenho mais o tempo que passou

Mas tenho muito tempo:

Temos todo o tempo do mundo.

Todos os dias antes de dormir,

Lembro e esque�o como foi o dia:

"Sempre em frente,

N�o temos tempo a perder".

Nosso suor sagrado

� bem mais belo que esse sangue amargo

E t�o s�rio

E selvagem.

Veja o sol dessa manh� t�o cinza:

A tempestade que chega � da cor dos teus olhos castanhos.

Ent�o me abra�a forte e me diz mais uma vez

Que j� estamos distantes de tudo:

Temos nosso pr�prio tempo.

N�o tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.

O que foi escondido � o que se escondeu

E o que foi prometido, ningu�m prometeu.

Nem foi tempo perdido;

Somos t�o jovens.�

Pedro Gaspar chama a aten��o para a

Amanh� h� mais. Bom dia.

Micro-causas: enfileiro-me, disciplinado, no apelo do Almocreve das Petas a prop�sito dos livros-cat�logos:�Saiu o nov�ssimo Boletim Bibliogr�fico do Livreiro-Antiqu�rio Lu�s Burnay - Setembro 2003 -, com 508 pe�as estimadas, h� muito esgotadas ou raras. Como curiosidade o livreiro-antiqu�rio acrescenta � listagem bibliogr�fica um "desabafo" aos clientes e amigos, bem pertinente, e que n�o � normal aparecer em Cat�logos. Trata-se de uma refer�ncia � pol�tica de franquia existente, onde o livro-cat�logo � penalizado face ao livro tout court. Essa estranha hermen�utica dos CTT em torno do conceito de livro, considerando um livro-cat�logo um n�o-livro, desvela n�o s� uma incomensur�vel blague cultural mas aponta, tamb�m, para o anedot�rio nacional onde o desnorte da politica cultural legislativa � total. Refere, ainda, e neste assunto n�o est� s�, o atraso constante e sistem�tico da distribui��o dos correios, que impede uma pr�tica gestion�ria cont�nua e eficaz. N�s compreendemos tudo isso. Ou n�o estiv�ssemos em Portugal. �Early morning songs:Nuno Lima envia uma grande can��o de Billie Holiday e cita o Edu Lobo sobre o canto de Billie "n�o tem t�cnica, n�o tem truque nenhum, � emo��o pura". Que poder� ser mais bluesy?�Good Morning Heartache"Good morning heartacheyou old lonely sightGood morning heartachethought we said goodbye last nightI've turned and tossed until it seems you have goneBut here you are with the dawnWish I'd forget youbut you're here to stayIt seems I met youwhen my love went awayMy every day I start by saying to youGood morning heartacheWhat's new?Stop haunting me nowCan't shake you nohowJust leave me aloneI 've got those Monday bluesstraight through Sunday bluesGood morning heartachehere we go againGood morning heartacheyou're the one who knew me whenMight as well get used to youhangin' roundGood Morning heartacheSit downStop haunting me nowcan't shake you nohowjust leave me aloneI've got those Monday bluesstraight through Sunday bluesGood morning heartachehere we go againGood Morning Heartacheyou'rethe one who knew me whenMight as well get used to youhangin' roundGood Morning HeartacheSit down." Andr� Carvalho manda-me a primeira letra em portugu�s de can��es matinais: a Letra da me Tempo Perdido, do grupo brasileiro Legi�o Urbana:Tempo Perdido"Todos os dias quando acordo,N�o tenho mais o tempo que passouMas tenho muito tempo:Temos todo o tempo do mundo.Todos os dias antes de dormir,Lembro e esque�o como foi o dia:"Sempre em frente,N�o temos tempo a perder".Nosso suor sagrado� bem mais belo que esse sangue amargoE t�o s�rioE selvagem.Veja o sol dessa manh� t�o cinza:A tempestade que chega � da cor dos teus olhos castanhos.Ent�o me abra�a forte e me diz mais uma vezQue j� estamos distantes de tudo:Temos nosso pr�prio tempo.N�o tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.O que foi escondido � o que se escondeuE o que foi prometido, ningu�m prometeu.Nem foi tempo perdido;Somos t�o jovens.�Pedro Gaspar chama a aten��o para a Christopher Tower Poetry Competition da Universidade de Oxford, cujo tema �, nem mais nem menos, do que �early morning�!Amanh� h� mais. Bom dia.

IMAGENS

de ontem inclu�am um �guerra e paz� , um �leo de Lawrence Ferlinghetti, cuja reprodu��o comprei numa memor�vel (para mim) visita � City Light Books em S. Francisco. A outra imagem, que parece um Matisse e que est� mesmo aqui em baixo, � de uma pintura de Helen Frankenthaler de 1971, chama-se �Captain�s Paradise� e est� num museu de Columbus, Ohio. Hoje estamos em plena Americana.

de ontem inclu�am um �guerra e paz� , um �leo de Lawrence Ferlinghetti, cuja reprodu��o comprei numa memor�vel (para mim) visita � City Light Books em S. Francisco. A outra imagem, que parece um Matisse e que est� mesmo aqui em baixo, � de uma pintura de Helen Frankenthaler de 1971, chama-se �Captain�s Paradise� e est� num museu de Columbus, Ohio. Hoje estamos em plena Americana.

CONTICINIUM

EXAGEROS

A hist�ria do helic�ptero � t�pica dos h�bitos nacionais. Quantas hist�rias id�nticas se passam por todo o lado, nas empresas, nas reparti��es, nas escolas, nos hospitais, etc, etc.., t�picas de um � vontade no uso dos bens p�blicos ou colectivos, s� que sem o novo riquismo do helic�ptero?

O acto � em si reprov�vel, mas pouco mais mereceria que um inqu�rito circunscrito e assun��o de responsabilidades, em particular, com a reposi��o dos gastos indevidos. N�o justifica certamente a histeria que est� a ser feita pela comunica��o social e muito menos o rolar indiscriminado de cabe�as, apenas por excesso de zelo face � press�o medi�tica. Mas como � tudo povo pequeno, gente desconhecida, carne para canh�o, pode-se encher o peito �

Uma das raz�es porque a comunica��o social (neste caso acompanhei a SIC e a RTP) , apesar do seu moralismo arrogante, tem pequeno papel na luta contra os abusos e a corrup��o � que � incapaz de manter a propor��o, o equilibro. Os verdadeiros abusadores agradecem.

A hist�ria do helic�ptero � t�pica dos h�bitos nacionais. Quantas hist�rias id�nticas se passam por todo o lado, nas empresas, nas reparti��es, nas escolas, nos hospitais, etc, etc.., t�picas de um � vontade no uso dos bens p�blicos ou colectivos, s� que sem o novo riquismo do helic�ptero?O acto � em si reprov�vel, mas pouco mais mereceria que um inqu�rito circunscrito e assun��o de responsabilidades, em particular, com a reposi��o dos gastos indevidos. N�o justifica certamente a histeria que est� a ser feita pela comunica��o social e muito menos o rolar indiscriminado de cabe�as, apenas por excesso de zelo face � press�o medi�tica. Mas como � tudo povo pequeno, gente desconhecida, carne para canh�o, pode-se encher o peito �Uma das raz�es porque a comunica��o social (neste caso acompanhei a SIC e a RTP) , apesar do seu moralismo arrogante, tem pequeno papel na luta contra os abusos e a corrup��o � que � incapaz de manter a propor��o, o equilibro. Os verdadeiros abusadores agradecem.

MISS�O IMPOSS�VEL *

(Carta aberta a Ant�nio Lobo Xavier sobre a �coer�ncia�)

Meu caro Ant�nio

1. Se h�

2. Eu aceito o repto, mas n�o � com o ALX que discuto, � com o PP, com o PP de Paulo Portas, que querer�, sob o manto di�fano da "eurocalmice", (uma completa e absoluta inexist�ncia conceptual, destinada a encobrir o mais incomodado dos sil�ncios), escapar ao escrut�nio da viragem a 180�, e ao seu significado pol�tico. Tamb�m sei que este artigo tem muito a ver com as nossas discuss�es e com o que o Ant�nio sabia que eu iria dizer ou escrever. "Eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes" � daquelas coisas que, na pol�tica portuguesa, s�o inescap�veis, tanto mais que o pa�s � pequeno e n�s, como discutimos h� muitos anos no Flashback e somos amigos, "sabemos".

3. Vamos � "coer�ncia". Tudo estaria bem se fosse assim, mas n�o �. Bem pelo contr�rio. De facto, a alian�a eleitoral que se anuncia entre PP e PSD nas europeias s� tem uma l�gica pol�tica : a manuten��o da coliga��o governamental. Nada tem a ver com a Europa , nem com as posi��es de cada partido. Mais valia que o PP dissesse claramente que � assim e admitisse que, para permanecer na coliga��o e no governo e para n�o contar os votos, abandonou as posi��es "euro-excitadas". O PP n�o evoluiu - n�o existem quaisquer tra�os s�rios dessa evolu��o - mudou. E mudou de forma escondida e envergonhada, n�o querendo admitir que errou antes ou erra agora.

4. O problema � que as pr�ximas elei��es europeias v�o travar-se num terreno de op��es pol�ticas decisivas, sem ambiguidades e que exigem posi��es claras sobre mat�rias t�o controversas como a Constitui��o europeia. Seria inconceb�vel que o PSD e, em particular, o PP, pudessem travar uma campanha eleitoral sem, por exemplo, dizerem se s�o a favor ou contra o projecto de Constitui��o, e isso significa pronunciar-se sobre mil e uma mat�rias mais que espinhosas... para o PP. Para al�m disso, as pr�ximas elei��es dar-se-�o num contexto, ou de simultaneidade, ou de proximidade, com um eventual referendo sobre a Constitui��o e poder�o acompanhar um processo de revis�o constitucional por ela motivado.

5. Para o PSD, tamb�m existem dificuldades, porque no interior do partido h� quem pense de modo muito diferente sobre estas mat�rias e n�o s� de agora. Mas, seja qual for a defini��o a haver no PSD, ela n�o ser� traum�tica, at� porque o partido sempre foi europe�sta e acompanhou o processo de integra��o europeia sobre o qual h� um certo consenso. Mas ALX n�o se iluda quanto �s posi��es do PSD, reflexo das op��es do governo, porque estas est�o cada vez mais alinhadas com as do Partido Popular Europeu (PPE) . O PP, para acompanhar o PSD, ter� que mudar do preto para o branco. E n�o ter� que deitar fora velhas posi��es, como ALX sugere, do "princ�pio dos anos noventa", mas de 1999 e 2000. Veja-se a �ltima campanha eleitoral para as europeias, completamente "euro-excitada", para se perceber o que mudou.

6. Nalgumas entrevistas recentes, dirigentes do PP t�m apresentado a minha posi��o como sendo caracter�stica de uma evolu��o pol�tica semelhante � que estariam a ter eles pr�prios. O PSD, representado por mim, teria evolu�do para um �euro-realismo� e para longe do federalismo do passado, e, movendo-se em sentido contr�rio, encontrar-se-iam com o PSD a meio desse caminho. Isto � obviamente uma fic��o pol�tica, embora eu veja, com ironia, o meu papel de �unificador�. As minhas posi��es (ainda esta semana votei contra a mo��o do PE sobre a Constitui��o europeia) n�o s�o significativas da evolu��o que se est� a dar no PSD, tanto quanto se pode perceber no plano governativo, embora sejam, no meu entender, fi�is ao programa de candidatura de 1999 com que fui eleito. Em 1999, Paulo Portas achava esse programa federalista. Se esse era federalista, ent�o agora o PP vai-se aliar a um PSD ultra-federalista.

7. Na verdade, nunca as posi��es oficiais do PSD estiveram t�o pr�ximas do federalismo do que est�o hoje. Dur�o Barroso, honra lhe seja feita, nunca escondeu um pendor federalista em mat�rias europeias e, com excep��o da parte sobre o poder institucional, v�rias vezes se pronunciou favoravelmente ao processo constitucional da Conven��o, alinhando ali�s as suas posi��es com as do PPE. Este foi longe no projecto europeu (Constitui��o, refor�o dos poderes do Parlamento Europeu, modelo federal, unifica��o das pol�ticas europeias em �reas tradicionais de reserva da soberania dos estados, etc.) e considera-se, a justo t�tulo, como um dos inspiradores da Constitui��o europeia e como parte do n�cleo mais duro de um processo de integra��o pol�tica, a caminho de uma UE entendida como uma pa�s suis generis. Se, como diz ALX, o PP se aproxima hoje das suas �posi��es fundacionais�, ent�o os verdadeiros her�is s�o Freitas do Amaral e Lucas Pires, que sempre representaram esse legado do federalismo do PPE. Ambos tratados como quase traidores a Portugal, e Lucas Pires insultado soezmente na televis�o em directo por Paulo Portas.

8. Meu caro Ant�nio, as coisas s�o como s�o e cada um faz o seu caminho. O meu � cada vez mais dif�cil, e, provavelmente, custar� o meu lugar no PE. Acho a coisa mais normal do mundo deixar de exercer fun��es pol�ticas quando n�o se concorda com a pol�tica. Mas preocupa-me o caminho que se est� a seguir. A "Europa" que vamos discutir em 2004 n�o � soft, � hard , as op��es demasiado graves para haver confus�es. Se h� altura em que n�o se pode ficar �calmo� com a Europa � agora. Uma das muitas objec��es que se podem ter a uma alian�a PSD-PP, � que ela poder� gerar, num momento decisivo, um espa�o de ambiguidade mau para os interesses de Portugal e para o projecto europeu.

Um abra�o do

Jos� Pacheco Pereira

* Este texto ser� publicado amanh� no P�blico. Depois dessa publica��o, substituirei o texto por uma liga��o, dado que ele � muito extenso para o Abrupto.

(Carta aberta a Ant�nio Lobo Xavier sobre a �coer�ncia�)Meu caro Ant�nio1. Se h� artigo que eu sabia ia ser escrito, como uma esp�cie de pre-emptive strike, era este.....N�o me enganei, nem quanto ao autor, nem quanto ao conte�do, nem quanto ao papel pol�tico que o artigo pretende ter. S� uma nota sobre o autor: Ant�nio Lobo Xavier (ALX) � o �nico dirigente do PP que manteve a sua posi��o coerente quanto � Europa, nestes �ltimos dez anos. ALX presta um servi�o ao PP chegando-se � frente, querendo que o debate seja com ele, porque � o �nico que o pode travar.2. Eu aceito o repto, mas n�o � com o ALX que discuto, � com o PP, com o PP de Paulo Portas, que querer�, sob o manto di�fano da "eurocalmice", (uma completa e absoluta inexist�ncia conceptual, destinada a encobrir o mais incomodado dos sil�ncios), escapar ao escrut�nio da viragem a 180�, e ao seu significado pol�tico. Tamb�m sei que este artigo tem muito a ver com as nossas discuss�es e com o que o Ant�nio sabia que eu iria dizer ou escrever. "Eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes" � daquelas coisas que, na pol�tica portuguesa, s�o inescap�veis, tanto mais que o pa�s � pequeno e n�s, como discutimos h� muitos anos no Flashback e somos amigos, "sabemos".3. Vamos � "coer�ncia". Tudo estaria bem se fosse assim, mas n�o �. Bem pelo contr�rio. De facto, a alian�a eleitoral que se anuncia entre PP e PSD nas europeias s� tem uma l�gica pol�tica : a manuten��o da coliga��o governamental. Nada tem a ver com a Europa , nem com as posi��es de cada partido. Mais valia que o PP dissesse claramente que � assim e admitisse que, para permanecer na coliga��o e no governo e para n�o contar os votos, abandonou as posi��es "euro-excitadas". O PP n�o evoluiu - n�o existem quaisquer tra�os s�rios dessa evolu��o - mudou. E mudou de forma escondida e envergonhada, n�o querendo admitir que errou antes ou erra agora.4. O problema � que as pr�ximas elei��es europeias v�o travar-se num terreno de op��es pol�ticas decisivas, sem ambiguidades e que exigem posi��es claras sobre mat�rias t�o controversas como a Constitui��o europeia. Seria inconceb�vel que o PSD e, em particular, o PP, pudessem travar uma campanha eleitoral sem, por exemplo, dizerem se s�o a favor ou contra o projecto de Constitui��o, e isso significa pronunciar-se sobre mil e uma mat�rias mais que espinhosas... para o PP. Para al�m disso, as pr�ximas elei��es dar-se-�o num contexto, ou de simultaneidade, ou de proximidade, com um eventual referendo sobre a Constitui��o e poder�o acompanhar um processo de revis�o constitucional por ela motivado.5. Para o PSD, tamb�m existem dificuldades, porque no interior do partido h� quem pense de modo muito diferente sobre estas mat�rias e n�o s� de agora. Mas, seja qual for a defini��o a haver no PSD, ela n�o ser� traum�tica, at� porque o partido sempre foi europe�sta e acompanhou o processo de integra��o europeia sobre o qual h� um certo consenso. Mas ALX n�o se iluda quanto �s posi��es do PSD, reflexo das op��es do governo, porque estas est�o cada vez mais alinhadas com as do Partido Popular Europeu (PPE) . O PP, para acompanhar o PSD, ter� que mudar do preto para o branco. E n�o ter� que deitar fora velhas posi��es, como ALX sugere, do "princ�pio dos anos noventa", mas de 1999 e 2000. Veja-se a �ltima campanha eleitoral para as europeias, completamente "euro-excitada", para se perceber o que mudou.6. Nalgumas entrevistas recentes, dirigentes do PP t�m apresentado a minha posi��o como sendo caracter�stica de uma evolu��o pol�tica semelhante � que estariam a ter eles pr�prios. O PSD, representado por mim, teria evolu�do para um �euro-realismo� e para longe do federalismo do passado, e, movendo-se em sentido contr�rio, encontrar-se-iam com o PSD a meio desse caminho. Isto � obviamente uma fic��o pol�tica, embora eu veja, com ironia, o meu papel de �unificador�. As minhas posi��es (ainda esta semana votei contra a mo��o do PE sobre a Constitui��o europeia) n�o s�o significativas da evolu��o que se est� a dar no PSD, tanto quanto se pode perceber no plano governativo, embora sejam, no meu entender, fi�is ao programa de candidatura de 1999 com que fui eleito. Em 1999, Paulo Portas achava esse programa federalista. Se esse era federalista, ent�o agora o PP vai-se aliar a um PSD ultra-federalista.7. Na verdade, nunca as posi��es oficiais do PSD estiveram t�o pr�ximas do federalismo do que est�o hoje. Dur�o Barroso, honra lhe seja feita, nunca escondeu um pendor federalista em mat�rias europeias e, com excep��o da parte sobre o poder institucional, v�rias vezes se pronunciou favoravelmente ao processo constitucional da Conven��o, alinhando ali�s as suas posi��es com as do PPE. Este foi longe no projecto europeu (Constitui��o, refor�o dos poderes do Parlamento Europeu, modelo federal, unifica��o das pol�ticas europeias em �reas tradicionais de reserva da soberania dos estados, etc.) e considera-se, a justo t�tulo, como um dos inspiradores da Constitui��o europeia e como parte do n�cleo mais duro de um processo de integra��o pol�tica, a caminho de uma UE entendida como uma pa�s suis generis. Se, como diz ALX, o PP se aproxima hoje das suas �posi��es fundacionais�, ent�o os verdadeiros her�is s�o Freitas do Amaral e Lucas Pires, que sempre representaram esse legado do federalismo do PPE. Ambos tratados como quase traidores a Portugal, e Lucas Pires insultado soezmente na televis�o em directo por Paulo Portas.8. Meu caro Ant�nio, as coisas s�o como s�o e cada um faz o seu caminho. O meu � cada vez mais dif�cil, e, provavelmente, custar� o meu lugar no PE. Acho a coisa mais normal do mundo deixar de exercer fun��es pol�ticas quando n�o se concorda com a pol�tica. Mas preocupa-me o caminho que se est� a seguir. A "Europa" que vamos discutir em 2004 n�o � soft, � hard , as op��es demasiado graves para haver confus�es. Se h� altura em que n�o se pode ficar �calmo� com a Europa � agora. Uma das muitas objec��es que se podem ter a uma alian�a PSD-PP, � que ela poder� gerar, num momento decisivo, um espa�o de ambiguidade mau para os interesses de Portugal e para o projecto europeu.Um abra�o doJos� Pacheco Pereira* Este texto ser� publicado amanh� no. Depois dessa publica��o, substituirei o texto por uma liga��o, dado que ele � muito extenso para o Abrupto.

MISS�O IMPOSS�VEL

estar� em linha daqui a uma ou duas horas, se entretanto n�o se agravarem os problemas de comunica��o que tenho tido. O correio electr�nico da Telepac est� um caos, n�o sei se � local ou global. Vamos ver. estar� em linha daqui a uma ou duas horas, se entretanto n�o se agravarem os problemas de comunica��o que tenho tido. O correio electr�nico da Telepac est� um caos, n�o sei se � local ou global. Vamos ver.

HORA UNDECIMA

DE REGRESSO

ap�s algumas desventuras com as linhas telef�nicas de prov�ncia. ap�s algumas desventuras com as linhas telef�nicas de prov�ncia.

MISS�O IMPOSS�VEL

ser� o t�tulo de uma carta aberta ao Ant�nio Lobo Xavier, comentando o seu P�blico de ontem, intitulado " A prop�sito de coer�ncia", sobre a evolu��o das posi��es europeias do PP. O texto ser� colocado no Abrupto, talvez amanh�. ser� o t�tulo de uma carta aberta ao Ant�nio Lobo Xavier, comentando o seu artigo node ontem, intitulado " A prop�sito de coer�ncia", sobre a evolu��o das posi��es europeias do PP. O texto ser� colocado no Abrupto, talvez amanh�.

IMAGEM

de ontem � de John Singer Sargent, um dos meus pintores de estima��o. Foi para uma "nota chekoviana", porque nela passam as damas pelo Jardim do Luxemburgo, mais sofisticadas que as raparigas e as jovens senhoras dos contos de Chekov, mas feitas da mesma massa de eleg�ncia e de trivialidade. Mil romances foram sobre elas escritos, n�o � verdade, madame Bovary, n�o � verdade, Lu�sa, n�o � verdade, Anna Sergeyevna, a "senhora com o c�o de rega�o"? de ontem � de John Singer Sargent, um dos meus pintores de estima��o. Foi para uma "nota chekoviana", porque nela passam as damas pelo Jardim do Luxemburgo, mais sofisticadas que as raparigas e as jovens senhoras dos contos de Chekov, mas feitas da mesma massa de eleg�ncia e de trivialidade. Mil romances foram sobre elas escritos, n�o � verdade, madame Bovary, n�o � verdade, Lu�sa, n�o � verdade, Anna Sergeyevna, a "senhora com o c�o de rega�o"?

EARLY MORNING BLOGS 49

Como o pensamento, as can��es e os poemas matinais v�o dar uns aos outros. � o que faz a dificuldade do software do MyLifeBits, � programar esta err�ncia.

A Rita Maltez lembrou-se de uma noite em Shakespeare que n�o queria acabar, e de uma manh� que se anuncia por p�ssaros (n�o � verdade que tudo se anuncia por p�ssaros?).

"JULIET

Wilt thou be gone? it is not yet near day:

It was the nightingale, and not the lark,

That pierced the fearful hollow of thine ear;

Nightly she sings on yon pomegranate-tree:

Believe me, love, it was the nightingale.

ROMEO

It was the lark, the herald of the morn,

No nightingale: look, love, what envious streaks

Do lace the severing clouds in yonder east:

Night's candles are burnt out, and jocund day

Stands tiptoe on the misty mountain tops.

I must be gone and live, or stay and die."

Bom dia.

Como o pensamento, as can��es e os poemas matinais v�o dar uns aos outros. � o que faz a dificuldade do software do MyLifeBits, � programar esta err�ncia.A Rita Maltez lembrou-se de uma noite em Shakespeare que n�o queria acabar, e de uma manh� que se anuncia por p�ssaros (n�o � verdade que tudo se anuncia por p�ssaros?)."JULIETWilt thou be gone? it is not yet near day:It was the nightingale, and not the lark,That pierced the fearful hollow of thine ear;Nightly she sings on yon pomegranate-tree:Believe me, love, it was the nightingale.ROMEOIt was the lark, the herald of the morn,No nightingale: look, love, what envious streaksDo lace the severing clouds in yonder east:Night's candles are burnt out, and jocund dayStands tiptoe on the misty mountain tops.I must be gone and live, or stay and die."Bom dia.

O ESTADO PROVID�NCIA VISTO PELOS "DE BAIXO"

Um momento cr�tico em pequenas comunidades deprimidas, onde h� um elevado n�mero de pessoas a receberem o RMG, e outros subs�dios sociais, � quando se conhecem nas escolas as listas dos subs�dios escolares - livros , refei��es, etc - e a respectiva classifica��o do agregado familiar, para poder ser considerado para atribui��o desses apoios. Como todos se conhecem uns aos outros e sabem quem trabalha, quem tem dificuldades e quem as n�o tem, quem "declara" e quem n�o "declara", quem tem casa com piscina e recebe subs�dio, quem trabalha por fora (canalizadores , pintores, etc.) e n�o paga impostos, quem est� desempregado e quem � um falso desempregado, um vento de revolta passa pelos "de baixo". O Estado Provid�ncia � muito mais agitado em baixo do que se pensa em cima.

Um momento cr�tico em pequenas comunidades deprimidas, onde h� um elevado n�mero de pessoas a receberem o RMG, e outros subs�dios sociais, � quando se conhecem nas escolas as listas dos subs�dios escolares - livros , refei��es, etc - e a respectiva classifica��o do agregado familiar, para poder ser considerado para atribui��o desses apoios. Como todos se conhecem uns aos outros e sabem quem trabalha, quem tem dificuldades e quem as n�o tem, quem "declara" e quem n�o "declara", quem tem casa com piscina e recebe subs�dio, quem trabalha por fora (canalizadores , pintores, etc.) e n�o paga impostos, quem est� desempregado e quem � um falso desempregado, um vento de revolta passa pelos "de baixo". O Estado Provid�ncia � muito mais agitado em baixo do que se pensa em cima.

NOTAS CHEKOVIANAS 7

IMAGEM

das nuvens, de ontem, tirada de um "estudo" de Adalbert Stifter feito em 1840.

das nuvens, de ontem, tirada de um "estudo" de Adalbert Stifter feito em 1840.

COMPETI��ES, TACO A TACO, VIT�RIAS E DERROTAS, SOBE E DESCE, PINGUE-PONGUE, PARADA E RESPOSTA, E O MAIS QUE A F�RTIL IMAGINA��O DESPORTIV0-JORNAL�STICA INVENTAR�

n�o contam comigo. Ficam a falar sozinhos.

n�o contam comigo. Ficam a falar sozinhos.

EARLY MORNING BLOGS / SONGS 48

Os leitores do Abrupto t�m passado dos Early Morning Blues para outras m�sicas sobre a manh�, sobre acordar de manh�, sobre o mundo visto pelos primeiros olhares da manh�. N�o � brilhante a manh� vista assim, ou � o que se perde dia a dia , ou � o que nos espera, ou � o que nos falta. Mas, daqui a pouco, temos uma verdadeira antologia da manh�. Existe? J� algu�m fez uma antologia sobre textos matinais? � o que os leitores do Abrupto est�o a fazer.

Jorge Cam�es refere , atrav�s da letra dos Doors, "Summer's almost gone", o fim das manh�s de de Ver�o :

"Summer's almost gone

Almost gone

Yeah, it's almost gone

Where will we be

When the summer's gone?

Morning found us calmly unaware

Noon burn gold into our hair

At night, we swim the laughin' sea

When summer's gone

Where will we be

Where will we be

Where will we be

Morning found us calmly unaware

Noon burn gold into our hair

At night, we swim the laughin' sea

When summer's gone

Where will we be

Summer's almost gone

Summer's almost gone

We had some good times

But they're gone

The winter's comin' on

Summer's almost gone "

E acrescenta "um pequeno apontamento depressivo" . tamb�m dos Doors, dos Roadhouse blues,

"Well, I woke up this morning,

I got myself a beer Well,

I woke up this morning, and I got myself a beer

The future's uncertain, and the end is always near "

Nobre Grenho envia a letra "me or him" do album Radio KAOS de Roger Waters.:

"You wake up in the morning, get something for the pot

Wonder why the sun makes the rocks feel hot

Draw on the walls, eat, get laid

Back in the good old days

Then some damn fool invents the wheel

Listen to the whitewalls squeal

You spend all day looking for a parking spot

Nothing for the heart, nothing for the pot

Benny turned the dial on his Short Wave radio

Oh how he wanted to talk to the people,

he wanted his own show

Tune in Moscow. Tune in New York

Listen tot the Welsh kid talk

Communicating like in the good old days

Forgive me father for I have sinned

It was either me or him

And a voice said Benny

You fucked the whole thing up

Benny your time is up

Your time is up

Benny turned the dial on his Short Wave radio

He wanted to talk to the people

He wanted his own show

Tune in Moscow. Tune in New York

Listen to the Welsh kid talk communicating

Like in the good old days

Forgive me Father

Welsh Policeman: Mobile One Two to Central.

For I have sinned

Welsh Policeman: We have a multiple on the A465 between Cwmbran and Cylgoch.

Father it was either me or him.

Father can we turn back the clock?

Welsh Policeman: Ambulance, over.

I never meant to drop the concrete block.

Welsh Policeman: Roger central, over and out.

Benny turned the dial on his Short Wave radio

He wanted to talk to the people

He wanted his own show

Tune in Moscow. Tune in New York

Listen to the Welsh kid talk

Just like in the good old days

The good old days".

*

CORREIO : Recebido em condi��es, atrasado como de costume, a ser respondido parcialmente mais para o fim de semana.

Os leitores do Abrupto t�m passado dos Early Morning Blues para outras m�sicas sobre a manh�, sobre acordar de manh�, sobre o mundo visto pelos primeiros olhares da manh�. N�o � brilhante a manh� vista assim, ou � o que se perde dia a dia , ou � o que nos espera, ou � o que nos falta. Mas, daqui a pouco, temos uma verdadeira antologia da manh�. Existe? J� algu�m fez uma antologia sobre textos matinais? � o que os leitores do Abrupto est�o a fazer.Jorge Cam�es refere , atrav�s da letra dos Doors, "Summer's almost gone", o fim das manh�s de de Ver�o :"Summer's almost goneAlmost goneYeah, it's almost goneWhere will we beWhen the summer's gone?Morning found us calmly unawareNoon burn gold into our hairAt night, we swim the laughin' seaWhen summer's goneWhere will we beWhere will we beWhere will we beMorning found us calmly unawareNoon burn gold into our hairAt night, we swim the laughin' seaWhen summer's goneWhere will we beSummer's almost goneSummer's almost goneWe had some good timesBut they're goneThe winter's comin' onSummer's almost gone "E acrescenta "um pequeno apontamento depressivo" . tamb�m dos Doors, dos Roadhouse blues,"Well, I woke up this morning,I got myself a beer Well,I woke up this morning, and I got myself a beerThe future's uncertain, and the end is always near "Nobre Grenho envia a letra "me or him" do album Radio KAOS de Roger Waters.:"You wake up in the morning, get something for the potWonder why the sun makes the rocks feel hotDraw on the walls, eat, get laidBack in the good old daysThen some damn fool invents the wheelListen to the whitewalls squealYou spend all day looking for a parking spotNothing for the heart, nothing for the potBenny turned the dial on his Short Wave radioOh how he wanted to talk to the people,he wanted his own showTune in Moscow. Tune in New YorkListen tot the Welsh kid talkCommunicating like in the good old daysForgive me father for I have sinnedIt was either me or himAnd a voice said BennyYou fucked the whole thing upBenny your time is upYour time is upBenny turned the dial on his Short Wave radioHe wanted to talk to the peopleHe wanted his own showTune in Moscow. Tune in New YorkListen to the Welsh kid talk communicatingLike in the good old daysForgive me FatherWelsh Policeman: Mobile One Two to Central.For I have sinnedWelsh Policeman: We have a multiple on the A465 between Cwmbran and Cylgoch.Father it was either me or him.Father can we turn back the clock?Welsh Policeman: Ambulance, over.I never meant to drop the concrete block.Welsh Policeman: Roger central, over and out.Benny turned the dial on his Short Wave radioHe wanted to talk to the peopleHe wanted his own showTune in Moscow. Tune in New YorkListen to the Welsh kid talkJust like in the good old daysThe good old days".CORREIO : Recebido em condi��es, atrasado como de costume, a ser respondido parcialmente mais para o fim de semana.

HIST�RIA NATURAL DAS NUVENS

Qualquer voador qualificado sabe tudo sobre nuvens. A maioria das vezes olha-as de cima, o que � bastante tranquilizador, outras vezes, quando sobe e quando desce, passa-lhes pelo meio, o que � sempre um pouco agitado. O pior de tudo � quando tem que lhes passar pelo meio estando em cima, a 32000 p�s, e ent�o os pilotos, que t�m aquele h�bito tecnocr�tico de classificar rigorosamente as coisas, l� pedem para apertar os cintos devido � `"light turbulence", nenhum problema, "some turbulence", ou qualquer variante sem o "light", que j� � um pouco mais complicada. Estudar as nuvens tem imensas vantagens para o voador, para evitar levar com a explos�o do almo�o ou do l�quido do copo em cima.

A hist�ria da "ci�ncia" das nuvens � recente e est� descrita num American Scientist de Setembro-Outubro. Li-o, enquanto passavam debaixo de mim os amea�adores cumulo-nimbus que inundaram o Languedoc em meia d�zia de minutos. Quem os v� erguerem-se amea�adoramente na vertical tem poucas d�vidas sobre o seu poder . Podem ser "sombras", mas s�o sombras t�o compactas como o bet�o.

Qualquer voador qualificado sabe tudo sobre nuvens. A maioria das vezes olha-as de cima, o que � bastante tranquilizador, outras vezes, quando sobe e quando desce, passa-lhes pelo meio, o que � sempre um pouco agitado. O pior de tudo � quando tem que lhes passar pelo meio estando em cima, a 32000 p�s, e ent�o os pilotos, que t�m aquele h�bito tecnocr�tico de classificar rigorosamente as coisas, l� pedem para apertar os cintos devido � `"light turbulence", nenhum problema, "some turbulence", ou qualquer variante sem o "light", que j� � um pouco mais complicada. Estudar as nuvens tem imensas vantagens para o voador, para evitar levar com a explos�o do almo�o ou do l�quido do copo em cima.A hist�ria da "ci�ncia" das nuvens � recente e est� descrita num artigo , com um t�tulo apetec�vel, de Graeme L. Stephens , "The Useful Pursuit of Shadows" node Setembro-Outubro. Li-o, enquanto passavam debaixo de mim os amea�adores cumulo-nimbus que inundaram o Languedoc em meia d�zia de minutos. Quem os v� erguerem-se amea�adoramente na vertical tem poucas d�vidas sobre o seu poder . Podem ser "sombras", mas s�o sombras t�o compactas como o bet�o.

"O ARM�RIO DA SABEDORIA"

Talvez, de todos estes livros, o que mais curiosidade me suscitou foi um de Houari Touati, L'Armoire � Sagesse. Biblioth�ques et Collections en Islam, Paris, Aubier, 2003. Na contra-capa, que � o que serve para fazer recens�es quando ainda n�o se leu o livro, vem uma hist�ria exemplar do "entrela�ar de civiliza��es": S. Lu�s, prisioneiro no Egipto quando da s�tima cruzada, � convidado a consultar a biblioteca do sult�o, e o fasc�nio dos "livros", manuscritos, iluminuras, caligrafias, que viu nesse "arm�rio de sabedoria" levou-o, de regresso a Fran�a, a criar uma biblioteca.

Talvez, de todos estes livros, o que mais curiosidade me suscitou foi um de Houari Touati,, Paris, Aubier, 2003. Na contra-capa, que � o que serve para fazer recens�es quando ainda n�o se leu o livro, vem uma hist�ria exemplar do "entrela�ar de civiliza��es": S. Lu�s, prisioneiro no Egipto quando da s�tima cruzada, � convidado a consultar a biblioteca do sult�o, e o fasc�nio dos "livros", manuscritos, iluminuras, caligrafias, que viu nesse "arm�rio de sabedoria" levou-o, de regresso a Fran�a, a criar uma biblioteca.

EARLY MORNING BLOGS / BOOKS 47

Hoje, antes dos blogues, livros. Comprei v�rios livros bem interessantes, que s� permitem elogios � edi��o francesa. Um, que seria bom traduzir de imediato para portugu�s, � uma s�rie de entrevistas de Jacques Le Goff, Le Dieu du Moyen �ge , Paris , Bayard, 2003. Embora seja sobre Deus, explica porque � que esse Deus eram "deuses", compreendendo a Trindade e a Virgem Maria. Depois, a tradu��o do segundo volume da obra monumental de Alexandre Solj�nitsyne, Deux Si�cles Ensemble 1917-1972 - Juifs et Russes pendant la P�riode Sovi�tique, Paris , Fayard, 2003. N�o foram s� os alem�es que tiveram um s�rio "problema judeu", foram tamb�m os russos, que matavam os seus judeus de forma mais primitiva e sem a efic�cia das tecnologias e da burocracia alem�. S� que uma parte dos judeus russos respondeu tornando-se revolucion�ria, tendo um papel decisivo no comunismo sovi�tico, dando bons revolucion�rios, bons intelectuais, bons pol�cias e bons torcion�rios, uma combina��o mais comum do que se pensa, para depois ca�rem na m�quina trituradora de Estaline.

Hoje, antes dos blogues, livros. Comprei v�rios livros bem interessantes, que s� permitem elogios � edi��o francesa. Um, que seria bom traduzir de imediato para portugu�s, � uma s�rie de entrevistas de Jacques Le Goff,, Paris , Bayard, 2003. Embora seja sobre Deus, explica porque � que esse Deus eram "deuses", compreendendo a Trindade e a Virgem Maria. Depois, a tradu��o do segundo volume da obra monumental de Alexandre Solj�nitsyne,, Paris , Fayard, 2003. N�o foram s� os alem�es que tiveram um s�rio "problema judeu", foram tamb�m os russos, que matavam os seus judeus de forma mais primitiva e sem a efic�cia das tecnologias e da burocracia alem�. S� que uma parte dos judeus russos respondeu tornando-se revolucion�ria, tendo um papel decisivo no comunismo sovi�tico, dando bons revolucion�rios, bons intelectuais, bons pol�cias e bons torcion�rios, uma combina��o mais comum do que se pensa, para depois ca�rem na m�quina trituradora de Estaline.

IMAGEM

de ontem era um pobre e inadequado "ca�ador de domingo", em 1848, um dos anos das revolu��es , de Carl Spitzweg. de ontem era um pobre e inadequado "ca�ador de domingo", em 1848, um dos anos das revolu��es , de Carl Spitzweg.

EARLY MORNING BLOGS 46

Sobre as nuvens. Ontem, de uma maneira, hoje, de outra. Eu sei que voar � uma actividade contra natura para os humanos. Sobre as nuvens. Ontem, de uma maneira, hoje, de outra. Eu sei que voar � uma actividade contra natura para os humanos.

OBJECTOS EM EXTIN��O (Depois numero)

A SIC passa uns document�rios sobre a natureza da BBC, que tem o sabor dos antigos filmes que passavam nos cinemas. Eram projectados na primeira parte, antes do intervalo, que precedia o filme principal. As vozes portuguesas eram magn�ficas e esse som prendia-se de tal modo �s imagens que n�o as distingo. Hoje, n�o sei quem era a voz que acompanhava as imagens (�Sem o salm�o, poucas seriam as �guias pousadas nestas �rvores�� ) , mas era a mesma, o mesmo som sem tempo.

A SIC passa uns document�rios sobre a natureza da BBC, que tem o sabor dos antigos filmes que passavam nos cinemas. Eram projectados na primeira parte, antes do intervalo, que precedia o filme principal. As vozes portuguesas eram magn�ficas e esse som prendia-se de tal modo �s imagens que n�o as distingo. Hoje, n�o sei quem era a voz que acompanhava as imagens (�Sem o salm�o, poucas seriam as �guias pousadas nestas �rvores�� ) , mas era a mesma, o mesmo som sem tempo.

ANATOMIA DE UM SARILHO

Meto-me hoje no que pode ser um sarilho monumental. Desde fins de Junho que estava combinado com a SIC (primeiro com a SIC Not�cias e depois com a SIC) um pequeno espa�o sobre �produtos�. �Produtos� dos media, da comunica��o, da pol�tica, da cultura. etc. Como � meu h�bito, n�o divulguei o que se passava e a SIC tamb�m n�o o fez, pelo que s� agora se soube. Assisti, em seguida, a algumas not�cias sobre as perip�cias dos comentadores da televis�o, com alguma �ntima ironia.

Ao aceitar faz�-lo no notici�rio de domingo, por sugest�o da SIC , � inevit�vel que tal pare�a um confronto com Marcelo Rebelo de Sousa na TVI , que domina indiscutivelmente esse espa�o da programa��o. A sua f�rmula, sejam quais forem as reservas que se tenham, tem sucesso por m�rito pr�prio e definiu um certo standard do coment�rio pol�tico. Para tudo o que se pare�a com coment�rio pol�tico, este � o espa�o mais armadilhado da televis�o portuguesa.

N�o tenho qualquer inten��o competitiva, por dois motivos principais. Por um lado, porque, naquele esquema, dificilmente algu�m far� melhor, muito menos eu. Marcelo �, ao mesmo tempo, o criador e o melhor executor da sua cria��o. � um comunicador nato e usa os mecanismos apropriados. Pode discutir-se o conte�do, mas n�o o dom�nio da f�rmula que � total e tailor made.

O segundo motivo � que o que quero fazer � diferente. N�o � completamente diferente, mas aponta noutro sentido. � mais parecido com o que pretendi e pretendo fazer com o Abrupto. No entanto, n�o beneficio aqui da vantagem do Flashback e de Marcelo, que � o reconhecimento pelos ouvintes e telespectadores do modelo e da habitua��o, o que � uma enorme vantagem da continuidade e da repeti��o. Por isso, vai ser �rduo ao princ�pio, e pode ficar sempre assim.

N�o fa�o nenhuma verdadeira distin��o de fundo, embora as haja de m�todo e de tom, entre o que escrevo nos jornais, escrevo no blogue, digo na r�dio ou na televis�o. A mim o que me interessa � argumentar, persuadir e se poss�vel convencer, porque n�o sou indiferente ao que penso e �quilo sobre que tenho opini�es, n�o sou indiferente aos resultados das palavras na ac��o, considero que h� um sentido c�vico neste tipo de interven��es. Vamos ver se resulta.

Meto-me hoje no que pode ser um sarilho monumental. Desde fins de Junho que estava combinado com a SIC (primeiro com a SIC Not�cias e depois com a SIC) um pequeno espa�o sobre �produtos�. �Produtos� dos media, da comunica��o, da pol�tica, da cultura. etc. Como � meu h�bito, n�o divulguei o que se passava e a SIC tamb�m n�o o fez, pelo que s� agora se soube. Assisti, em seguida, a algumas not�cias sobre as perip�cias dos comentadores da televis�o, com alguma �ntima ironia.Ao aceitar faz�-lo no notici�rio de domingo, por sugest�o da SIC , � inevit�vel que tal pare�a um confronto com Marcelo Rebelo de Sousa na TVI , que domina indiscutivelmente esse espa�o da programa��o. A sua f�rmula, sejam quais forem as reservas que se tenham, tem sucesso por m�rito pr�prio e definiu um certo standard do coment�rio pol�tico. Para tudo o que se pare�a com coment�rio pol�tico, este � o espa�o mais armadilhado da televis�o portuguesa.N�o tenho qualquer inten��o competitiva, por dois motivos principais. Por um lado, porque, naquele esquema, dificilmente algu�m far� melhor, muito menos eu. Marcelo �, ao mesmo tempo, o criador e o melhor executor da sua cria��o. � um comunicador nato e usa os mecanismos apropriados. Pode discutir-se o conte�do, mas n�o o dom�nio da f�rmula que � total e tailor made.O segundo motivo � que o que quero fazer � diferente. N�o � completamente diferente, mas aponta noutro sentido. � mais parecido com o que pretendi e pretendo fazer com o Abrupto. No entanto, n�o beneficio aqui da vantagem do Flashback e de Marcelo, que � o reconhecimento pelos ouvintes e telespectadores do modelo e da habitua��o, o que � uma enorme vantagem da continuidade e da repeti��o. Por isso, vai ser �rduo ao princ�pio, e pode ficar sempre assim.N�o fa�o nenhuma verdadeira distin��o de fundo, embora as haja de m�todo e de tom, entre o que escrevo nos jornais, escrevo no blogue, digo na r�dio ou na televis�o. A mim o que me interessa � argumentar, persuadir e se poss�vel convencer, porque n�o sou indiferente ao que penso e �quilo sobre que tenho opini�es, n�o sou indiferente aos resultados das palavras na ac��o, considero que h� um sentido c�vico neste tipo de interven��es. Vamos ver se resulta.

EARLY MORNING BLOGS / BLUES 45

No

Numa nota j� antiga e esquecida, falei de uma esp�cie de sonho � Blade Runner, com uma plan�cie cheia de casas e, de cada casa, um fio de voz solit�rio, direito para o c�u como um fumo de lareira. � esse fumo que est� entupir o Google.

*

Nunca me esquecer , nunca � � o objectivo do MyLifeBits. A Isabel do

�Domingo, Setembro 21, 2003

o que � que eu fiz no dia 20 de Setembro de 1990? j� n�o me lembro se tivesse um blog nessa altura, ia ver o que escrevi e tentava o recall a partir da� percebem para que � que eu fiz o blog? � uma estrat�gia de mem�ria a longo prazo...�

*

Mais �early morning� tudo. Blues, country, e �early morning� de todo o g�nero. Parece que ningu�m se sente muito bem pela manh� nas m�sicas.

De RR esta letra dos �Alabama 3, �lbum Exile on Coldharbour Lane, faixa Woke Up This Morning: (ouvi-la � compreend�-la. assim fica seca e vazia)� :

"You woke up this morning

The world turned upside down,

Things ain't been the same

Since the blues walked into town.

You've got that shotgun shine.

Born under a bad sign.

With a blue moon in your eyes."

Do Paulo Azevedo este 'Woke Up This Morning' (1971) muito animado dos Nazareth:

"Woke up this morning

My dog was dead

Someone disliked him

And shot him through the head

I woke up this morning

And my cat had died

I'm gonna miss her

Sat down and cried

Came home this evening

My hog was gone

The people here don't like me

I think I'll soon move on

And now somethin's happened

That would make a saint frown

I turned my back and

My house burned down

Woke up this morning

My dog was dead

Someone disliked him

And shot him through the head

I woke up this morning

And my cat had died

Don't you know I'm gonna miss her

Sat down and cried..."

Do Ant�nio que lembra �a n�o menos c�lebre can��o country (ou folk?) "Early Morning Rain" da autoria de um certo Gordon Lightfoot, igualmente autor do c�lebre standard "If I Could Read Your Mind". "Early Morning Rain" foi um grande �xito em 68 ou 69, se bem me lembro, pelos Peter,Paul & Mary. H� tamb�m uma vers�o do Dylan, no album "Self Portrait" editado em 1970.�

"In the early morning rain, with a dollar in my hand.

With an aching in my heart, and my pockets full of sand.

I'm a long way from home; Lord, I miss my loved ones so.

In the early morning rain, with no place to go.

Out on runway number nine: big 707 set to go.

An' I'm stuck here in the grass, with a pain that ever grows.

Now the liquor tasted good, and the women all were fast.

Well now, there she goes my friend: she'll be rolling down at last.

Hear the mighty engines roar; see the silver wing on high.

She's away and westward bound; far above the clouds she'll fly,

Where the mornin' rain don't fall, and the sun always shines.

She'll be flying over my home in about three hours time.

This old airport's got me down; it's no earthly good to me.

An' I'm stuck here on the ground as cold and drunk as I can be.

You can't jump a jet plane like you can a freight train.

So I'd best be on my way, in the early mornin' rain.

You can't jump a jet plane like you can a freight train.

So I'd best be on my way, in the early mornin' rain."

*

Bom, j� s�o horas do brunch. Uma bruma outunal pousa sobre os campos. Bom dia.

No Artista An�nimo , cita��es interessantes sobre o que os blogues est�o a fazer �s pesquisas do Google. Os efeitos perversos a mudar o mundo, como quase sempre acontece. N�o � o que n�s desejamos que se realiza, mas o ru�do que produzimos. Vem em Weber: a maioria dos nossos actos tem o efeito contr�rio da sua inten��o. Pensando bem, teria que ser assim, porque os nosos actos s�o simples na sua intencionalidade e o mundo demasiado complexo para a manter. Logo � noite vou provar desta medicina.Numa nota j� antiga e esquecida, falei de uma esp�cie de sonho � Blade Runner, com uma plan�cie cheia de casas e, de cada casa, um fio de voz solit�rio, direito para o c�u como um fumo de lareira. � esse fumo que est� entupir o Google.Nunca me esquecer , nunca � � o objectivo do MyLifeBits. A Isabel do monologo usa o blogue como uma esp�cie de MyLifeBits:�Domingo, Setembro 21, 2003o que � que eu fiz no dia 20 de Setembro de 1990? j� n�o me lembro se tivesse um blog nessa altura, ia ver o que escrevi e tentava o recall a partir da� percebem para que � que eu fiz o blog? � uma estrat�gia de mem�ria a longo prazo...�Mais �early morning� tudo. Blues, country, e �early morning� de todo o g�nero. Parece que ningu�m se sente muito bem pela manh� nas m�sicas.De RR esta letra dos �Alabama 3, �lbum Exile on Coldharbour Lane, faixa Woke Up This Morning: (ouvi-la � compreend�-la. assim fica seca e vazia)� :"You woke up this morningThe world turned upside down,Things ain't been the sameSince the blues walked into town.You've got that shotgun shine.Born under a bad sign.With a blue moon in your eyes."Do Paulo Azevedo este 'Woke Up This Morning' (1971) muito animado dos Nazareth:"Woke up this morningMy dog was deadSomeone disliked himAnd shot him through the headI woke up this morningAnd my cat had diedI'm gonna miss herSat down and criedCame home this eveningMy hog was goneThe people here don't like meI think I'll soon move onAnd now somethin's happenedThat would make a saint frownI turned my back andMy house burned downWoke up this morningMy dog was deadSomeone disliked himAnd shot him through the headI woke up this morningAnd my cat had diedDon't you know I'm gonna miss herSat down and cried..."Do Ant�nio que lembra �a n�o menos c�lebre can��o country (ou folk?) "Early Morning Rain" da autoria de um certo Gordon Lightfoot, igualmente autor do c�lebre standard "If I Could Read Your Mind". "Early Morning Rain" foi um grande �xito em 68 ou 69, se bem me lembro, pelos Peter,Paul & Mary. H� tamb�m uma vers�o do Dylan, no album "Self Portrait" editado em 1970.�"In the early morning rain, with a dollar in my hand.With an aching in my heart, and my pockets full of sand.I'm a long way from home; Lord, I miss my loved ones so.In the early morning rain, with no place to go.Out on runway number nine: big 707 set to go.An' I'm stuck here in the grass, with a pain that ever grows.Now the liquor tasted good, and the women all were fast.Well now, there she goes my friend: she'll be rolling down at last.Hear the mighty engines roar; see the silver wing on high.She's away and westward bound; far above the clouds she'll fly,Where the mornin' rain don't fall, and the sun always shines.She'll be flying over my home in about three hours time.This old airport's got me down; it's no earthly good to me.An' I'm stuck here on the ground as cold and drunk as I can be.You can't jump a jet plane like you can a freight train.So I'd best be on my way, in the early mornin' rain.You can't jump a jet plane like you can a freight train.So I'd best be on my way, in the early mornin' rain."Bom, j� s�o horas do brunch. Uma bruma outunal pousa sobre os campos. Bom dia.

IMAGENS

de ontem, um �pintor e um rapaz� (1834) de Thomas Fearnley, que est� em Cambridge, e a reconhec�vel �gruta azul� de Capri pintada por Heinrich Jakob Fried em 1835. Dois quadros quase feitos simultaneamente. Coincid�ncias.

de ontem, um �pintor e um rapaz� (1834) de Thomas Fearnley, que est� em Cambridge, e a reconhec�vel �gruta azul� de Capri pintada por Heinrich Jakob Fried em 1835. Dois quadros quase feitos simultaneamente. Coincid�ncias.

CONCUBIUM

MEM�RIA DA POL�TICA

Estive em Alcoba�a, num debate sobre arquivos pol�ticos, organizado pela Funda��o M�rio Soares, a Universidade de Coimbra e a C�mara. Referi o facto, pouco conhecido, de cada vez menos os grandes partidos democr�ticos, PS e PSD, produzirem materiais de arquivo que permitam, no futuro, conhecer o processo de decis�o, ou sequer, os mecanismos de poder partid�rio interno.

Nas reuni�es dos �rg�os formais, Comiss�es Pol�ticas, Secretariados, Conselhos Nacionais, etc., n�o h� actas, nem ordens do dia registadas, e quase nenhuns documentos internos. O n�mero de participantes que toma notas � escasso e as notas perdem-se. Algumas reuni�es s�o filmadas ou gravadas, mas a norma � n�o haver qualquer tra�o documental do que se decidiu, das posi��es tomadas, do debate realizado. �s reuni�es chegam os documentos oficiais, praticamente em vers�o definitiva.

Isto � o resultado de muitos factores que v�o no mesmo sentido: a desvaloriza��o das reuni�es dos �rg�os formais dos partidos, onde deixou de haver qualquer segredo, a favor de �rg�os informais baseados na confian�a pessoal e na discri��o; a perda de import�ncia da mem�ria institucional acompanhando a desvaloriza��o social da mem�ria, e a mudan�a do car�cter da actividade pol�tica, cada vez mais centrada numa gest�o � vista dos eventos e que n�o necessita de ser reflexiva e por isso n�o usa o papel.

Uma parte das informa��es, que anteriormente eram internas, est� hoje na imprensa, mas o historiador do futuro vai depender cada vez mais dos depoimentos orais, dos testemunhos, com todos os riscos que isso implica. A �nica excep��o a esta regra de rarefac��o documental � o correio electr�nico.

Estive em Alcoba�a, num debate sobre arquivos pol�ticos, organizado pela Funda��o M�rio Soares, a Universidade de Coimbra e a C�mara. Referi o facto, pouco conhecido, de cada vez menos os grandes partidos democr�ticos, PS e PSD, produzirem materiais de arquivo que permitam, no futuro, conhecer o processo de decis�o, ou sequer, os mecanismos de poder partid�rio interno.Nas reuni�es dos �rg�os formais, Comiss�es Pol�ticas, Secretariados, Conselhos Nacionais, etc., n�o h� actas, nem ordens do dia registadas, e quase nenhuns documentos internos. O n�m

IMAGEM

de h� dois dias, de Robert Filliou, � um fragmento de "S�mantique gen�rale" e data de 1962. Est� no museu de M�nchengladbach. de h� dois dias, de Robert Filliou, � um fragmento de "S�mantique gen�rale" e data de 1962. Est� no museu de M�nchengladbach.

HORA DUODECIMA

RAVEL RECORDADO POR MANUEL ROSENTHAL

Um canal franc�s passa, a altas horas da noite, uma longa entrevista com Manuel Rosenthal, m�sico, maestro e compositor franc�s, que morreu h� pouco tempo, quase com 99 anos. A entrevista foi realizada quando Rosenthal estava na casa dos oitenta e era uma conversa fascinante, sem um segundo de aborrecimento, hist�ria sobre hist�ria, com recorda��es viv�ssimas de Ravel, dos m�sicos franceses do s�culo passado, da Resist�ncia aos nazis, das mem�rias de gente como Rubinstein, ou o muito jovem Baremboim, ou da experi�ncia que Rosenthal tivera, pouco antes da entrevista, de, com 82 anos, dirigir a Tetralogia em Seattle.

Rosenthal contou que Ravel quis que, no seu funeral, se tocasse L' Apr�s Midi d'un Faune, que considerava a "m�sica perfeita" , n�o uma m�sica perfeita, mas a m�sica perfeita. E Rosenthal explicou (mais do que explicar, numa forma suprema de explicar), porqu�.

Um canal franc�s passa, a altas horas da noite, uma longa entrevista com Manuel Rosenthal, m�sico, maestro e compositor franc�s, que morreu h� pouco tempo, quase com 99 anos. A entrevista foi realizada quando Rosenthal estava na casa dos oitenta e era uma conversa fascinante, sem um segundo de aborrecimento, hist�ria sobre hist�ria, com recorda��es viv�ssimas de Ravel, dos m�sicos franceses do s�culo passado, da Resist�ncia aos nazis, das mem�rias de gente como Rubinstein, ou o muito jovem Baremboim, ou da experi�ncia que Rosenthal tivera, pouco antes da entrevista, de, com 82 anos, dirigir a Tetralogia em Seattle.Rosenthal contou que Ravel quis que, no seu funeral, se tocasse, que considerava a "m�sica perfeita" , n�o uma m�sica perfeita, mas a m�sica perfeita. E Rosenthal explicou (mais do que explicar, numa forma suprema de explicar), porqu�.

JUDEU ERRANTE

Por raz�es que (me) entram pelos olhos dentro, interessam-me as maldi��es de err�ncia, quando algu�m � condenado a andar permanentemente � procura de um lugar que n�o existe e por isso n�o pode nunca parar. Eis uma verdadeira maldi��o.

Uma das mais conhecidas � a do "judeu errante" , o judeu que se teria negado a ajudar Cristo no sua passagem com a cruz por Jerusal�m, e a quem este teria condenado a perpetuamente viajar pelo mundo , sem casa, nem abrigo, de terra em terra, numa procura sem sentido nem fim. O que eu n�o sabia � que v�rios homens se convenceram de que eram o "judeu errante", e que apari��es do maldito pontuam a Europa desde a Idade M�dia, de Toledo � Ucr�nia. Um mapa muito interessante da err�ncia do judeu vem em Martin Gilbert, The Routledge Atlas of Jewish History, Routledge, 2003.

Entretanto, parece que o judeu errante foi para Nova Iorque, o que � natural porque � a cidade onde mais judeus h� no mundo. Uma das �ltimas apari��es ter-se-ia dado a�, em 1940, quando um agente de seguros se convenceu de que incarnava o judeu pouco hospitaleiro, que negou um lugar de descanso a Cristo. Visitava com frequ�ncia a Biblioteca, onde lia biografias de si pr�prio, e mandou imprimir um cart�o de visita onde se lia "The Wandering Jew".

Talvez um dia o encontre num aeroporto, voando sem descanso, e troquemos cart�es de visita, de errante a errante.

Por raz�es que (me) entram pelos olhos dentro, interessam-me as maldi��es de err�ncia, quando algu�m � condenado a andar permanentemente � procura de um lugar que n�o existe e por isso n�o pode nunca parar. Eis uma verdadeira maldi��o.Uma das mais conhecidas � a do "judeu errante" , o judeu que se teria negado a ajudar Cristo no sua passagem com a cruz por Jerusal�m, e a quem este teria condenado a perpetuamente viajar pelo mundo , sem casa, nem abrigo, de terra em terra, numa procura sem sentido nem fim. O que eu n�o sabia � que v�rios homens se convenceram de que eram o "judeu errante", e que apari��es do maldito pontuam a Europa desde a Idade M�dia, de Toledo � Ucr�nia. Um mapa muito interessante da err�ncia do judeu vem em Martin Gilbert,, Routledge, 2003.Entretanto, parece que o judeu errante foi para Nova Iorque, o que � natural porque � a cidade onde mais judeus h� no mundo. Uma das �ltimas apari��es ter-se-ia dado a�, em 1940, quando um agente de seguros se convenceu de que incarnava o judeu pouco hospitaleiro, que negou um lugar de descanso a Cristo. Visitava com frequ�ncia a Biblioteca, onde lia biografias de si pr�prio, e mandou imprimir um cart�o de visita onde se lia "The Wandering Jew".Talvez um dia o encontre num aeroporto, voando sem descanso, e troquemos cart�es de visita, de errante a errante.

UM IMENSO E AMB�GUO CONSENSO

No momento em que as quest�es europeias s�o mais complexas e delicadas (Constitui��o, implementa��o do Tratado de Nice, reforma da PAC, alargamento, direct�rio, etc.), no momento em que Portugal tem mais a perder na sua posi��o relativa no contexto europeu (menos votos, menos deputados, menos poder nos esquemas de vota��o maiorit�ria, acabado que est� o direito impl�cito de veto, fim dos prazos especiais que protegiam o nosso atraso, amea�as sobre a pol�tica de coes�o, competitividade acrescida dos pa�ses do alargamento, etc.), no momento em tudo est� a mudar qualitativamente n�o se sabe bem para onde, est�o criadas todas as condi��es para que n�o haja qualquer debate s�rio sobre a Europa, abafado por um imenso e amb�guo consenso.

PS, PSD e PP est�o presos nesse consenso; o PCP estar� fora, como sempre esteve, e n�o � nos seus termos que a discuss�o tem sentido. Vai estar tudo de acordo, v�o ficar apenas meia d�zia de nuances. � por isso tamb�m que j� se percebeu que o referendo, prometido pelo Primeiro Ministro, prometido j� h� v�rios anos pelo PSD e pelo PS, que juraram que nunca mais haveria mudan�as significativas na posi��o europeia de Portugal sem consulta popular, vai ser metido na gaveta. O PS n�o o quer porque teria que estar ao lado do PSD, o PP n�o o quer de todo, porque lhe seria muito inc�modo, dadas as suas posi��es ainda recentes, e o PSD hesita para n�o p�r o PP em dificuldades.

Isto significa que as pr�ximas elei��es europeias pouco ter�o de europeu e muito de portugu�s: ser�o sobre o governo e a oposi��o, ou se calhar nem isso, se o PS continuar como est�. A ser assim, a absten��o crescer� e a anomia pol�tica tamb�m.

No momento em que as quest�es europeias s�o mais complexas e delicadas (Constitui��o, implementa��o do Tratado de Nice, reforma da PAC, alargamento, direct�rio, etc.), no momento em que Portugal tem mais a perder na sua posi��o relativa no contexto europeu (menos votos, menos deputados, menos poder nos esquemas de vota��o maiorit�ria, acabado que est� o direito impl�cito de veto, fim dos prazos especiais que protegiam o nosso atraso, amea�as sobre a pol�tica de coes�o, competitividade acrescida dos pa�ses do alargamento, etc.), no momento em tudo est� a mudar qualitativamente n�o se sabe bem para onde, est�o criadas todas as condi��es para que n�o haja qualquer debate s�rio sobre a Europa, abafado por um imenso e amb�guo consenso.PS, PSD e PP est�o presos nesse consenso; o PCP estar� fora, como sempre esteve, e n�o � nos seus termos que a discuss�o tem sentido. Vai estar tudo de acordo, v�o ficar apenas meia d�zia de nuances. � por isso tamb�m que j� se percebeu que o referendo, prometido pelo Primeiro Ministro, prometido j� h� v�rios anos pelo PSD e pelo PS, que juraram que nunca mais haveria mudan�as significativas na posi��o europeia de Portugal sem consulta popular, vai ser metido na gaveta. O PS n�o o quer porque teria que estar ao lado do PSD, o PP n�o o quer de todo, porque lhe seria muito inc�modo, dadas as suas posi��es ainda recentes, e o PSD hesita para n�o p�r o PP em dificuldades.Isto significa que as pr�ximas elei��es europeias pouco ter�o de europeu e muito de portugu�s: ser�o sobre o governo e a oposi��o, ou se calhar nem isso, se o PS continuar como est�. A ser assim, a absten��o crescer� e a anomia pol�tica tamb�m.

O QUE � ABSOLUTAMENTE OBRIGAT�RIO SABER

sobre armas de destrui��o massiva, vem num livro, acabado de publicar, de Frank Barnaby, How to Build a Nuclear Bomb and Other Weapons of Mass Destruction , Londres, Granta Books, 2003. Barnaby � um f�sico nuclear, que trabalhou na ind�stria de armamento e que foi director de um prestigiado think tank sobre a paz, sediado em Estocolmo. Devia ser leitura obrigat�ria para todas as pessoas, para l� de ideologias e pol�ticas, que devem saber o futuro que se prepara, o futuro que � poss�vel temer. A quest�o, verdadeiramente, n�o � apenas pol�tica, porque o acesso a determinadas tecnologias est� j� ao alcance de um terrorista individual, obcecado com qualquer causa ex�tica, do tipo do Unabomber.

sobre armas de destrui��o massiva, vem num livro, acabado de publicar, de Frank Barnaby,, Londres, Granta Books, 2003. Barnaby � um f�sico nuclear, que trabalhou na ind�stria de armamento e que foi director de um prestigiado think tank sobre a paz, sediado em Estocolmo. Devia ser leitura obrigat�ria para todas as pessoas, para l� de ideologias e pol�ticas, que devem saber o futuro que se prepara, o futuro que � poss�vel temer. A quest�o, verdadeiramente, n�o � apenas pol�tica, porque o acesso a determinadas tecnologias est� j� ao alcance de um terrorista individual, obcecado com qualquer causa ex�tica, do tipo do Unabomber.

PROZAC

Voando da "euro-acalmia" para a "euro-excita��o", ou ser� o contr�rio?

L� em baixo, os europeus, invis�veis. Est�o muitas nuvens, mas s�o euro-nuvens. Voando da "euro-acalmia" para a "euro-excita��o", ou ser� o contr�rio?L� em baixo, os europeus, invis�veis. Est�o muitas nuvens, mas s�o euro-nuvens.

CHOQUE DE CIVILIZA��ES

Um texto fabuloso Ensaios de Montaigne, sobre os "canibais" , sobre eles e sobre n�s.

Um texto fabuloso aqui , o cap�tulo XXX do livro I dosde Montaigne, sobre os "canibais" , sobre eles e sobre n�s.

HORA QUARTA

IMAGEM

de ontem era de Katharina Fritsch, data de 1988, e est� no Museu de Arte Moderna de Frankfurt.

de ontem era de Katharina Fritsch, data de 1988, e est� no Museu de Arte Moderna de Frankfurt.

ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES

CASA DA M�SICA :

�Sei que e do Porto e que gosta do Porto. E quer se goste da Casa da Musica, quer n�o, quer se gostasse mais da velha Central de El�ctricos quer n�o, construir um edif�cio de 7 andares atras dela e uma aberra��o. Se Ginestal Machado (arquitecto responsavel pelo projecto do edif�cio o BPI) efectivamente respondeu a Koolhaas como noticiou o Publico, recusa a discuss�o do seu projecto com o arquitecto da Casa da Musica. Com "janel�o" ou sem "janel�o" (ideia que so de nos!), o edificio vai ser um desastre.

A quest�o e, basicamente, pode-se fazer alguma coisa contra a constru��o do edif�cio? Ou vai-se construir mais uma coisa que se acha uma aberra��o, mas "j� n�o se pode parar" (como tantas aberra��es pelo pais fora)? Como n�o sei a quem perguntar...

(Ana Aguiar)

ENCERRAMENTO DOS CHATS DA MICROSOFT:

"Acho que este � um assunto importante e interessante. Estou indignado como a not�cia foi debitada nos telejornais e nos jornais sem qualquer reflex�o. Fechar chat rooms n�o � a solu��o para a criminalidade online. As empresas t�m que ser respons�veis e investir em formas de proteger os seus utilizadores. "

(Nuno Figueiredo)

FALARES GALEGOS:

Artigo de Carlos Dur�o no

�Acostuma dizer-se que, a norte da raia, �fala-se galego�. De facto, �o galego� (�el gallego�) � hoje reconhecido pelas autoridades espanholas, que o consideram l�ngua �pr�pria� da Galiza (para elas �Galicia�), ao mesmo tempo que �lengua tambi�n espa�ola�, como p.ex. na Constitui��o espanhola ou no Estatuto de Autonomia da Galiza. E as �autoridades� lingu�sticas espanholas t�m feito os m�ximos esfor�os por �provar� que essa l�ngua falada a Norte da raia, que � cooficial com o castelhano, n�o tem nada a ver com a que se fala a Sul da raia, que � oficial no Estado portugu�s. Ora, a realidade � que a verdadeira l�ngua oficial da Galiza � a espanhola, que � a l�ngua que abrange todo o Reino de Espanha. E �o galego� s�o de facto �os galegos�, os falares, falas ou dialetos galegos da Galiza oficial (as quatro prov�ncias da Corunha, Lugo, Ourense e Ponte Vedra) e mais da Galiza chamada �exterior� (N�via, Berzo e Seabra, comarcas ocidentais das Ast�rias e de Le�o), ou seja os dialetos portugueses do Norte da raia, em geral tanto mais castelhanizados quanto mais distantes dela. Para esses dialetos, as autoridades espanholas inventaram uma �ortografia� espanhola, que reflite uma �ortofonia� tamb�m quase espanhola (quer dizer adatada � fon�tica dos hispan�fonos galegos), e tornaram-na obrigat�ria nos centros de ensino e nas edi��es subsidiadas, banindo a ortografia e ortofonia realmente pr�prias da l�ngua, ou seja portuguesas: esta � a posi��o dita isolacionista, obediente �s diretrizes dum partido pol�tico de �mbito estatal.

Existem, claro, dissid�ncias, grupos minorit�rios e independentes do oficialismo, que n�o est�o dispostos a aceitar este �facto consumado� e que procuram falar e escrever bem o portugu�s, considerando que une e d� coes�o a todos esses falares, e nos relaciona cabalmente com o resto da Lusofonia, quer dizer que � a norma culta da nossa l�ngua. Naturalmente esses grupos s�o sanhudamente perseguidos e banidos do ensino e dos subs�dios oficiais (como, ali�s, nos melhores tempos da ditadura franquista). Mesmo assim, conseguem manter uma presen�a social muito superior ao seu n�mero, publicando livros e revistas, celebrando congressos, semin�rios, etc., que nos derradeiros vinte anos t�m alertado a sociedade galega para o perigo da espanholiza��o e exercido certa press�o nas op��es filol�gicas at� dos pr�prios isolacionistas. H� ainda uma posi��o interm�dia, digamos quase lus�grafa mas n�o lus�fona, ainda muito dependente do espanhol na grafia, na fon�tica e na morfologia e sintaxe, que parece ter certas esperan�as de ser aceite ou pelo menos tolerada pelo oficialismo. Os seus utentes, embora digam que a sua posi��o � tempor�ria e que est� a caminho do alvo final portugu�s, de facto cada vez mais ficam estacados num imobilismo c�modo ou docilmente submetidos � pol�tica lingu�stica dum partido, e ainda pretendem �exportar� os seus produtos ao mundo lus�fono, sem reparar que est�o a criar confus�o entre as pessoas lus�fonas de boa vontade que realmente querem ajudar a Galiza na recupera��o da sua l�ngua.

O que fazer? Certamente n�s, a Norte da raia, temos muito que fazer para ampliar essas minorias cr�ticas e continuar consciencializando as pessoas. Mas a Sul da raia tamb�m os nossos irm�os transmontanos e minhotos muito poderiam fazer para alentar a l�ngua portuguesa na Galiza e recusar tanto o isolacionismo oficial como essas meias-tintas gr�ficas e fon�ticas, que afinal s�o mau portugu�s, e insistir num padr�o correto para a nossa l�ngua, seja ele o que se continua a empregar em Portugal ou o do ainda n�o ratificado Acordo da Ortografia Unificada de 1990, no que est� explicitamente reconhecida a participa��o da Galiza.�

MEM�RIA DA ESCOLA:

�A primeira tem uma liga��o com a escassa produ��o de materiais de arquivo que permitam fazer a arqueologia dos processos de decis�o dos partidos pol�ticos. Falo dos processos de decis�o em muitas escolas. Quem for consultar e ler as actas de muitas reuni�es (sobretudo nos conselhos de turma) encontrar� uma outra realidade. Aqui temos documentos, materiais de arquivo. No entanto, muitas vezes n�o nos dizem o que realmente se passou. Tudo porque a legisla��o obriga a que se fa�am coisas imposs�veis. Eis dois bons exemplos:

- planos curriculares de turma que "articulem" os conte�dos de todas as disciplinas e sejam adequados � especificidade de cada turma;

- planos individuais de recupera��o dos alunos, com estrat�gias que n�o se colocar�o em pr�tica porque todos sabem que o aluno s� se recupera se estudar e isso ele dificilmente come�ar� a fazer.

Unicamente, a realidade das escolas, das turmas, dos professores, torna estas ac��es imposs�veis. E como n�o � poss�vel fazer, n�o se faz, mas como a lei manda que se fa�a, ent�o que se registe em acta. N�o se fez, mas se est� na acta, est� bem.�

(Paulo Agostinho)

ESTADO PROVID�NCIA VISTO PELOS DE BAIXO:

�Volto de novo � escola. Dei aulas nos �ltimos seis anos (este ano est� mais complicado obter coloca��o, infelizmente) e foi sempre elevada a percentagem de alunos subsidiados, com excep��o da turma do ano de est�gio, que era de um centro urbano (Coimbra). Assim, estes alunos recebem livros, refei��es gr�tis ou a pre�os mais reduzidos e materiais escolares.

Muitos materiais s�o fornecidos de forma arbitr�ria, pois a meio de um ano lectivo vi serem entregues cadernos novos e meia d�zia de canetas de v�rias cores que rapidamente davam origem a um estranho mercado paralelo de venda desse material escolar entre os alunos, pelo que se depreende que n�o lhes fazia falta. E vi alunos deitarem fora o caderno que usaram at� a� (com as li��es nele registadas) porque receberam um novo. Mas h� duas coisas que mais chocam. A primeira � a impunidade com que alguns alunos destroem material e desperdi�am a comida que lhes � dada. Partir as r�guas, vender as canetas, rasgar as folhas dos cadernos, perder os livros, utilizar o p�o para batalhas nas cantinas e ma��s e laranjas para jogos de futebol s�o alguns exemplos. Creio que s� na Madeira estas atitudes d�o origem ao corte do subs�dio. Por c� o acto fica, geralmente, impune. E assim n�o se transmitem os valores que as escolas tanto apregoam. A segunda situa��o chocante � o n�mero esmagador de alunos subsidiados que t�m telem�vel. E falo de alunos de 12 a 14 anos (os �ltimos anos da escolaridade obrigat�ria), n�o de adolescentes quase na maioridade. Ser� uma necessidade? Se mesmo nos adultos muitas vezes n�o o �, muitos menos ser� no caso das crian�as. Mas eles l� est�o, em cima das secret�rias, a tocar nos corredores e nas salas, a anunciar mensagens ou "toques".

Estes exemplos s�o sintomas de erros e injusti�as na atribui��o dos subs�dios escolares. E uma m� li��o de vida para as crian�as. "

(Paulo Agostinho)

SOBRE PEDREIRAS:

Uma cr�tica bastante fundamentada � minha nota no Abrupto em

CASA DA M�SICA :�Sei que e do Porto e que gosta do Porto. E quer se goste da Casa da Musica, quer n�o, quer se gostasse mais da velha Central de El�ctricos quer n�o, construir um edif�cio de 7 andares atras dela e uma aberra��o. Se Ginestal Machado (arquitecto responsavel pelo projecto do edif�cio o BPI) efectivamente respondeu a Koolhaas como noticiou o Publico, recusa a discuss�o do seu projecto com o arquitecto da Casa da Musica. Com "janel�o" ou sem "janel�o" (ideia que so de nos!), o edificio vai ser um desastre.A quest�o e, basicamente, pode-se fazer alguma coisa contra a constru��o do edif�cio? Ou vai-se construir mais uma coisa que se acha uma aberra��o, mas "j� n�o se pode parar" (como tantas aberra��es pelo pais fora)? Como n�o sei a quem perguntar...(Ana Aguiar)ENCERRAMENTO DOS CHATS DA MICROSOFT:"Acho que este � um assunto importante e interessante. Estou indignado como a not�cia foi debitada nos telejornais e nos jornais sem qualquer reflex�o. Fechar chat rooms n�o � a solu��o para a criminalidade online. As empresas t�m que ser respons�veis e investir em formas de proteger os seus utilizadores. "(Nuno Figueiredo)FALARES GALEGOS:Artigo de Carlos Dur�o no Seman�rio Transmontano , 23/09/2003�Acostuma dizer-se que, a norte da raia, �fala-se galego�. De facto, �o galego� (�el gallego�) � hoje reconhecido pelas autoridades espanholas, que o consideram l�ngua �pr�pria� da Galiza (para elas �Galicia�), ao mesmo tempo que �lengua tambi�n espa�ola�, como p.ex. na Constitui��o espanhola ou no Estatuto de Autonomia da Galiza. E as �autoridades� lingu�sticas espanholas t�m feito os m�ximos esfor�os por �provar� que essa l�ngua falada a Norte da raia, que � cooficial com o castelhano, n�o tem nada a ver com a que se fala a Sul da raia, que � oficial no Estado portugu�s. Ora, a realidade � que a verdadeira l�ngua oficial da Galiza � a espanhola, que � a l�ngua que abrange todo o Reino de Espanha. E �o galego� s�o de facto �os galegos�, os falares, falas ou dialetos galegos da Galiza oficial (as quatro prov�ncias da Corunha, Lugo, Ourense e Ponte Vedra) e mais da Galiza chamada �exterior� (N�via, Berzo e Seabra, comarcas ocidentais das Ast�rias e de Le�o), ou seja os dialetos portugueses do Norte da raia, em geral tanto mais castelhanizados quanto mais distantes dela. Para esses dialetos, as autoridades espanholas inventaram uma �ortografia� espanhola, que reflite uma �ortofonia� tamb�m quase espanhola (quer dizer adatada � fon�tica dos hispan�fonos galegos), e tornaram-na obrigat�ria nos centros de ensino e nas edi��es subsidiadas, banindo a ortografia e ortofonia realmente pr�prias da l�ngua, ou seja portuguesas: esta � a posi��o dita isolacionista, obediente �s diretrizes dum partido pol�tico de �mbito estatal.Existem, claro, dissid�ncias, grupos minorit�rios e independentes do oficialismo, que n�o est�o dispostos a aceitar este �facto consumado� e que procuram falar e escrever bem o portugu�s, considerando que une e d� coes�o a todos esses falares, e nos relaciona cabalmente com o resto da Lusofonia, quer dizer que � a norma culta da nossa l�ngua. Naturalmente esses grupos s�o sanhudamente perseguidos e banidos do ensino e dos subs�dios oficiais (como, ali�s, nos melhores tempos da ditadura franquista). Mesmo assim, conseguem manter uma presen�a social muito superior ao seu n�mero, publicando livros e revistas, celebrando congressos, semin�rios, etc., que nos derradeiros vinte anos t�m alertado a sociedade galega para o perigo da espanholiza��o e exercido certa press�o nas op��es filol�gicas at� dos pr�prios isolacionistas. H� ainda uma posi��o interm�dia, digamos quase lus�grafa mas n�o lus�fona, ainda muito dependente do espanhol na grafia, na fon�tica e na morfologia e sintaxe, que parece ter certas esperan�as de ser aceite ou pelo menos tolerada pelo oficialismo. Os seus utentes, embora digam que a sua posi��o � tempor�ria e que est� a caminho do alvo final portugu�s, de facto cada vez mais ficam estacados num imobilismo c�modo ou docilmente submetidos � pol�tica lingu�stica dum partido, e ainda pretendem �exportar� os seus produtos ao mundo lus�fono, sem reparar que est�o a criar confus�o entre as pessoas lus�fonas de boa vontade que realmente querem ajudar a Galiza na recupera��o da sua l�ngua.O que fazer? Certamente n�s, a Norte da raia, temos muito que fazer para ampliar essas minorias cr�ticas e continuar consciencializando as pessoas. Mas a Sul da raia tamb�m os nossos irm�os transmontanos e minhotos muito poderiam fazer para alentar a l�ngua portuguesa na Galiza e recusar tanto o isolacionismo oficial como essas meias-tintas gr�ficas e fon�ticas, que afinal s�o mau portugu�s, e insistir num padr�o correto para a nossa l�ngua, seja ele o que se continua a empregar em Portugal ou o do ainda n�o ratificado Acordo da Ortografia Unificada de 1990, no que est� explicitamente reconhecida a participa��o da Galiza.�MEM�RIA DA ESCOLA:�A primeira tem uma liga��o com a escassa produ��o de materiais de arquivo que permitam fazer a arqueologia dos processos de decis�o dos partidos pol�ticos. Falo dos processos de decis�o em muitas escolas. Quem for consultar e ler as actas de muitas reuni�es (sobretudo nos conselhos de turma) encontrar� uma outra realidade. Aqui temos documentos, materiais de arquivo. No entanto, muitas vezes n�o nos dizem o que realmente se passou. Tudo porque a legisla��o obriga a que se fa�am coisas imposs�veis. Eis dois bons exemplos:- planos curriculares de turma que "articulem" os conte�dos de todas as disciplinas e sejam adequados � especificidade de cada turma;- planos individuais de recupera��o dos alunos, com estrat�gias que n�o se colocar�o em pr�tica porque todos sabem que o aluno s� se recupera se estudar e isso ele dificilmente come�ar� a fazer.Unicamente, a realidade das escolas, das turmas, dos professores, torna estas ac��es imposs�veis. E como n�o � poss�vel fazer, n�o se faz, mas como a lei manda que se fa�a, ent�o que se registe em acta. N�o se fez, mas se est� na acta, est� bem.�(Paulo Agostinho)ESTADO PROVID�NCIA VISTO PELOS DE BAIXO:�Volto de novo � escola. Dei aulas nos �ltimos seis anos (este ano est� mais complicado obter coloca��o, infelizmente) e foi sempre elevada a percentagem de alunos subsidiados, com excep��o da turma do ano de est�gio, que era de um centro urbano (Coimbra). Assim, estes alunos recebem livros, refei��es gr�tis ou a pre�os mais reduzidos e materiais escolares.Muitos materiais s�o fornecidos de forma arbitr�ria, pois a meio de um ano lectivo vi serem entregues cadernos novos e meia d�zia de canetas de v�rias cores que rapidamente davam origem a um estranho mercado paralelo de venda desse material escolar entre os alunos, pelo que se depreende que n�o lhes fazia falta. E vi alunos deitarem fora o caderno que usaram at� a� (com as li��es nele registadas) porque receberam um novo. Mas h� duas coisas que mais chocam. A primeira � a impunidade com que alguns alunos destroem material e desperdi�am a comida que lhes � dada. Partir as r�guas, vender as canetas, rasgar as folhas dos cadernos, perder os livros, utilizar o p�o para batalhas nas cantinas e ma��s e laranjas para jogos de futebol s�o alguns exemplos. Creio que s� na Madeira estas atitudes d�o origem ao corte do subs�dio. Por c� o acto fica, geralmente, impune. E assim n�o se transmitem os valores que as escolas tanto apregoam. A segunda situa��o chocante � o n�mero esmagador de alunos subsidiados que t�m telem�vel. E falo de alunos de 12 a 14 anos (os �ltimos anos da escolaridade obrigat�ria), n�o de adolescentes quase na maioridade. Ser� uma necessidade? Se mesmo nos adultos muitas vezes n�o o �, muitos menos ser� no caso das crian�as. Mas eles l� est�o, em cima das secret�rias, a tocar nos corredores e nas salas, a anunciar mensagens ou "toques".Estes exemplos s�o sintomas de erros e injusti�as na atribui��o dos subs�dios escolares. E uma m� li��o de vida para as crian�as. "(Paulo Agostinho)SOBRE PEDREIRAS:Uma cr�tica bastante fundamentada � minha nota no Abrupto em Portugal Profundo

EARLY MORNING BLOGS / SONGS / HOURS 51

J� come�aram a chegar os portugueses a este olhar matinal. Ant�nio Afonso fala das manh�s � que os lisboetas n�o aproveitam� e recorda os anos 60� , que foram tamb�m os que eu andei por a�, espantado transmontano, embevecido com o Tejo e com as aulas de Teoria da Literatura do David Mour�o-Ferreira ,que escreveu o ROMANCE DA BEIRA-TEJO, de que transcrevo as duas �ltimas estrofes (??):

...

Certa manh� na ribeira

do Tejo, com maresia,

fragatas, e o que trazia

do mar a brisa ligeira...

- essa gra�a, enfim, senti-a,

� beira do Tejo, � beira,

com fragatas, maresia...

Bela! a cidade, serena...

Longe o tempo, desolado...!

Perto, s� tu, a meu lado,

l�rica barca pequena

que a Vida enfim h� deixado

junto de mim, na serena

cidade bela do fado!

in A Secreta Viagem

Provavelmente o cheiro a maresia j� n�o � o mesmo, as fragatas n�o est�o l�, a cidade ser� menos bela e menos serena, mas cada um poder�, ainda assim, sentir, todas as manh�s, a �gra�a� que entender. �

Jos� Carlos Santos mant�m-nos nos anos sessenta com este �Morning has broken� de autoria de Eleanor Farjeon (1881-1965) �e tornou-se famosa por ter sido a letra de uma can��o de Cat Stevens, inclu�da no seu �lbum Teaser and the Firecat (1971)�.

Morning Has Broken

"Morning has broken like the first morning

Blackbird has spoken like the first bird

Praise for the singing praise for the mornin

Praise for the springing fresh from the world.

Sweet the rains new fall sunlit from heaven

Like the first dewfall on the first grass

Praise for the sweetness on the wet garden

Sprung in completeness where his feet pass.

Mine is the sunlight mine is the morning

Born of the one light eden saw play

Praise with elation praise every morning

God's recreation of the new day."

acrescenta �na lista de can��es sobre manh�s, h� uma que penso n�o pode faltar, falo de �morning Song� da bel�ssima Jewel.�

�Let the phone ring, let's go back to sleep

Let the world spin outside our door, you're the only one that I wanna see

Tell your boss you're sick, hurry, get back in I'm getting cold

Get over here and warm my hands up, boy, it's you they love to hold

And stop thinking about what your sister said

Stop worrying about it, the cat's already been fed

Come on darlin', let's go back to bed

Put the phone machine on hold

Leave the dishes in the sink

Do not answer the door

It's you that I adore -

I'm gonna give you some more

We'll sit on the front porch, the sun can warm my feet

You can drink your coffee with sugar and cream

I'll drink my decaf herbal tea

Pretend we're perfect strangers and that we never met...

My how you remind me of a man I used to sleep with

that's a face I'd never forget

You can be Henry Miller and I'll be Anais Nin

Except this time it'll be even better,

We'll stay together in the end

Come on darlin', let's go back to bed

Put the phone machine on hold

Leave the dishes in the sink

Do not answer the door

It's you that I adore -

I'm gonna give you some more�

EARLY MORNING HOURS : Agora , de um lado mais sinistro, mas completamente humano,

Bom dia.

J� come�aram a chegar os portugueses a este olhar matinal. Ant�nio Afonso fala das manh�s � que os lisboetas n�o aproveitam� e recorda os anos 60� , que foram tamb�m os que eu andei por a�, espantado transmontano, embevecido com o Tejo e com as aulas de Teoria da Literatura do David Mour�o-Ferreira ,que escreveu o ROMANCE DA BEIRA-TEJO, de que transcrevo as duas �ltimas estrofes (??):...Certa manh� na ribeirado Tejo, com maresia,fragatas, e o que traziado mar a brisa ligeira...- essa gra�a, enfim, senti-a,� beira do Tejo, � beira,com fragatas, maresia...Bela! a cidade, serena...Longe o tempo, desolado...!Perto, s� tu, a meu lado,l�rica barca pequenaque a Vida enfim h� deixadojunto de mim, na serenacidade bela do fado!inProvavelmente o cheiro a maresia j� n�o � o mesmo, as fragatas n�o est�o l�, a cidade ser� menos bela e menos serena, mas cada um poder�, ainda assim, sentir, todas as manh�s, a �gra�a� que entender. �Jos� Carlos Santos mant�m-nos nos anos sessenta com este �Morning has broken� de autoria de Eleanor Farjeon (1881-1965) �e tornou-se famosa por ter sido a letra de uma can��o de Cat Stevens, inclu�da no seu �lbum Teaser and the Firecat (1971)�.Morning Has Broken"Morning has broken like the first morningBlackbird has spoken like the first birdPraise for the singing praise for the morninPraise for the springing fresh from the world.Sweet the rains new fall sunlit from heavenLike the first dewfall on the first grassPraise for the sweetness on the wet gardenSprung in completeness where his feet pass.Mine is the sunlight mine is the morningBorn of the one light eden saw playPraise with elation praise every morningGod's recreation of the new day." Lu�s Parreira acrescenta �na lista de can��es sobre manh�s, h� uma que penso n�o pode faltar, falo de �morning Song� da bel�ssima Jewel.��Let the phone ring, let's go back to sleepLet the world spin outside our door, you're the only one that I wanna seeTell your boss you're sick, hurry, get back in I'm getting coldGet over here and warm my hands up, boy, it's you they love to holdAnd stop thinking about what your sister saidStop worrying about it, the cat's already been fedCome on darlin', let's go back to bedPut the phone machine on holdLeave the dishes in the sinkDo not answer the doorIt's you that I adore -I'm gonna give you some moreWe'll sit on the front porch, the sun can warm my feetYou can drink your coffee with sugar and creamI'll drink my decaf herbal teaPretend we're perfect strangers and that we never met...My how you remind me of a man I used to sleep withthat's a face I'd never forgetYou can be Henry Miller and I'll be Anais NinExcept this time it'll be even better,We'll stay together in the endCome on darlin', let's go back to bedPut the phone machine on holdLeave the dishes in the sinkDo not answer the doorIt's you that I adore -I'm gonna give you some more�EARLY MORNING HOURS : Agora , de um lado mais sinistro, mas completamente humano, o nosso m�dico lembra-nos que a manh� � uma altura em que se morre mais. Numa nota de grande sensibilidade, leva-nos para o mundo experior, para o mundo real, onde um oper�rio �com a boca ao lado� permanecia fiel ao seu lugar, ao seu posto de trabalho a fazer um AVC, perdendo a vida ou parte dela. De leitura obrigat�ria.Bom dia.

SOBRE A �MARCHA BRANCA�: O POVO CONTRA MONTESQUIEU

Em princ�pios de 1998, assisti a uma �marcha branca� na B�lgica, no apogeu do processo Dutroux e escrevi um artigo no Di�rio de Not�cias, intitulado �O povo contra Montesquieu", que aqui reproduzo parcialmente por me parecer oportuno.

�Era uma manifesta��o popular, o que � pouco comum. Desde que a f�rmula do cortejo de protesto pac�fico se estabilizou como um h�bito democr�tico - e isso aconteceu s� no nosso s�culo com as primeiras manifesta��es ordeiras dos social-democratas alem�es em Berlim, que n�o degeneraram em batalhas campais com a pol�cia - que as manifesta��es s�o um instrumento de ac��o pol�tica, dependentes de l�gicas partid�rias ou inerentes ao processo pol�tico. � verdade que tamb�m havia organiza��es que circulavam � volta do cortejo - os restos do P. C. Belga, um grupo trotsquista, uns ecologistas - mas eram marginais. Tinham pouco a ver com o que se estava a passar, eram apenas parasit�rias.

N�o � sequer o n�mero de pessoas que conta, mas a forma, o car�cter, o conte�do. Aquela longa fila de homens, mulheres e crian�as, muitas fam�lias inteiras, dessas novas fam�lias europeias muito pequenas, n�o tinha nenhum padr�o especial que a desviasse de uma representa��o equilibrada da sociedade belga. Havia belgas, franc�fonos e flamengos, havia emigrantes, velhos e jovens, crian�as e adolescentes. S� havia um tra�o de identidade - n�o parecia haver pessoas abastadas. Eram trabalhadores, funcion�rios, empregadas, donas de casa, vestidos casualmente de blus�es e camisolas, poucos fatos e gravatas. Naquela enorme multid�o estava uma B�lgica um pouco mais pobre do que a fauna eurocrata e dos neg�cios que se encontra habitualmente no centro de Bruxelas, misturada com os turistas. Havia muita gente que viera de comboio e autocarro dos sub�rbios da cidade, e os pontos de reuni�o da manifesta��o estavam associados aos transportes p�blicos. Aquelas pessoas andam de metro, de autocarro, de comboio.

Depois, quase que n�o havia cartazes e os poucos que havia tinham sido feitos por aqueles que os traziam. Raramente tinham o tamanho de um vulgar cartaz de an�ncio de um concerto de rock e estavam perdidos no meio de manifestantes de m�os nuas, sem autocolantes, sem s�mbolos, sem nada. N�o havia palavras de ordem, ningu�m gritava nada - o sil�ncio "contra o sil�ncio".

Os organizadores desta marcha s�o os comit�s ad hoc que se criaram � volta das fam�lias das crian�as assassinadas. Quase que n�o tiveram meios de divulgar a manifesta��o e consideravam-na um sucesso se aparecessem 10.000 pessoas. Apareceu o triplo. H� um ano, o n�mero de manifestantes era muito maior mas isso podia compreender-se pela emo��o da trag�dia dos assassinatos. Hoje h� menos pessoas, mas s�o as mesmas e ainda s�o muitas, e n�o h� raz�o nenhuma para n�o se perceber que elas comunicam invisivelmente com as muitas centenas de milhares que n�o sa�ram � rua. Longe da emo��o causada pelas revela��es criminosas, a mesmo revolta continua. Popular. Silenciosa. Forte.

O que querem os manifestantes? N�o o dizem com clareza, mas percebe-se: querem que algu�m mande - porque � suposto ter a obriga��o de mandar -, mande nos ju�zes e nas pol�cias para acabar com os crimes. Que algu�m fa�a n�o s� justi�a, mas tamb�m garanta repara��o, repara��o para as fam�lias, repara��o para todos os que ali est�o. Que todos, a come�ar pelas fam�lias, sejam "parte" nesse processo de justi�a, tenham "voz", a �nica que se considera leg�tima e pura, porque vem da perda e do sofrimento. Que haja justi�a vinda de quem sofre e n�o de quem julga, porque se suspeita que quem julga est� mais pr�ximo do criminoso do que da v�tima.

O pretexto s�o os crimes da rede ped�fila de Dutroux , mas o alvo � a percep��o de que eles s� foram poss�veis por uma rede de cumplicidades que envolve pol�ticos, pol�cias, e ... ju�zes. � contra uma conspira��o pressentida que se revoltam os manifestantes, uma conspira��o dos poderosos contra o povo comum, que oculta crimes t�o terr�veis como a viola��o e o assassinato de crian�as, atrav�s de uma "lei do sil�ncio", que funciona como uma lei do poder, a favor do poder.

Sendo assim a manifesta��o � tanto popular como subversiva, no verdadeiro sentido da palavra. O que est� em causa � a ordem, a ordem democr�tica assente na divis�o dos poderes. Os manifestantes querem que algu�m - e esse algu�m s� pode ser um governante, um pol�tico ou o "povo" nas ruas - interfira no processo judicial, d� ordens a um juiz. Ora isto viola claramente a separa��o cl�ssica entre os poderes, do mesmo modo como h� alguns anos os apelos aos juizes italianos para "governarem" a It�lia, contra a mafia e a corrup��o.

(�) Os manifestantes belgas traduzem um mal-estar profundo que tamb�m � nosso. Na B�lgica � contra os ju�zes, que s�o percebidos como "pol�ticos" como outros quaisquer. Mas a verdadeira revolta � contra o poder e os poderosos, feita por um povo comum que n�o acredita nos partidos ou nos sindicatos para exprimir e canalizar essa revolta. N�o � um problema novo, mas conhece hoje novas formas.�

Em princ�pios de 1998, assisti a uma �marcha branca� na B�lgica, no apogeu do processo Dutroux e escrevi um artigo no, intitulado �O povo contra Montesquieu", que aqui reproduzo parcialmente por me parecer oportuno.�Era uma manifesta��o popular, o que � pouco comum. Desde que a f�rmula do cortejo de protesto pac�fico se estabilizou como um h�bito democr�tico - e isso aconteceu s� no nosso s�culo com as primeiras manifesta��es ordeiras dos social-democratas alem�es em Berlim, que n�o degeneraram em batalhas campais com a pol�cia - que as manifesta��es s�o um instrumento de ac��o pol�tica, dependentes de l�gicas partid�rias ou inerentes ao processo pol�tico. � verdade que tamb�m havia organiza��es que circulavam � volta do cortejo - os restos do P. C. Belga, um grupo trotsquista, uns ecologistas - mas eram marginais. Tinham pouco a ver com o que se estava a passar, eram apenas parasit�rias.N�o � sequer o n�mero de pessoas que conta, mas a forma, o car�cter, o conte�do. Aquela longa fila de homens, mulheres e crian�as, muitas fam�lias inteiras, dessas novas fam�lias europeias muito pequenas, n�o tinha nenhum padr�o especial que a desviasse de uma representa��o equilibrada da sociedade belga. Havia belgas, franc�fonos e flamengos, havia emigrantes, velhos e jovens, crian�as e adolescentes. S� havia um tra�o de identidade - n�o parecia haver pessoas abastadas. Eram trabalhadores, funcion�rios, empregadas, donas de casa, vestidos casualmente de blus�es e camisolas, poucos fatos e gravatas. Naquela enorme multid�o estava uma B�lgica um pouco mais pobre do que a fauna eurocrata e dos neg�cios que se encontra habitualmente no centro de Bruxelas, misturada com os turistas. Havia muita gente que viera de comboio e autocarro dos sub�rbios da cidade, e os pontos de reuni�o da manifesta��o estavam associados aos transportes p�blicos. Aquelas pessoas andam de metro, de autocarro, de comboio.Depois, quase que n�o havia cartazes e os poucos que havia tinham sido feitos por aqueles que os traziam. Raramente tinham o tamanho de um vulgar cartaz de an�ncio de um concerto de rock e estavam perdidos no meio de manifestantes de m�os nuas, sem autocolantes, sem s�mbolos, sem nada. N�o havia palavras de ordem, ningu�m gritava nada - o sil�ncio "contra o sil�ncio".Os organizadores desta marcha s�o os comit�s ad hoc que se criaram � volta das fam�lias das crian�as assassinadas. Quase que n�o tiveram meios de divulgar a manifesta��o e consideravam-na um sucesso se aparecessem 10.000 pessoas. Apareceu o triplo. H� um ano, o n�mero de manifestantes era muito maior mas isso podia compreender-se pela emo��o da trag�dia dos assassinatos. Hoje h� menos pessoas, mas s�o as mesmas e ainda s�o muitas, e n�o h� raz�o nenhuma para n�o se perceber que elas comunicam invisivelmente com as muitas centenas de milhares que n�o sa�ram � rua. Longe da emo��o causada pelas revela��es criminosas, a mesmo revolta continua. Popular. Silenciosa. Forte.O que querem os manifestantes? N�o o dizem com clareza, mas percebe-se: querem que algu�m mande - porque � suposto ter a obriga��o de mandar -, mande nos ju�zes e nas pol�cias para acabar com os crimes. Que algu�m fa�a n�o s� justi�a, mas tamb�m garanta repara��o, repara��o para as fam�lias, repara��o para todos os que ali est�o. Que todos, a come�ar pelas fam�lias, sejam "parte" nesse processo de justi�a, tenham "voz", a �nica que se considera leg�tima e pura, porque vem da perda e do sofrimento. Que haja justi�a vinda de quem sofre e n�o de quem julga, porque se suspeita que quem julga est� mais pr�ximo do criminoso do que da v�tima.O pretexto s�o os crimes da rede ped�fila de Dutroux , mas o alvo � a percep��o de que eles s� foram poss�veis por uma rede de cumplicidades que envolve pol�ticos, pol�cias, e ... ju�zes. � contra uma conspira��o pressentida que se revoltam os manifestantes, uma conspira��o dos poderosos contra o povo comum, que oculta crimes t�o terr�veis como a viola��o e o assassinato de crian�as, atrav�s de uma "lei do sil�ncio", que funciona como uma lei do poder, a favor do poder.Sendo assim a manifesta��o � tanto popular como subversiva, no verdadeiro sentido da palavra. O que est� em causa � a ordem, a ordem democr�tica assente na divis�o dos poderes. Os manifestantes querem que algu�m - e esse algu�m s� pode ser um governante, um pol�tico ou o "povo" nas ruas - interfira no processo judicial, d� ordens a um juiz. Ora isto viola claramente a separa��o cl�ssica entre os poderes, do mesmo modo como h� alguns anos os apelos aos juizes italianos para "governarem" a It�lia, contra a mafia e a corrup��o.(�) Os manifestantes belgas traduzem um mal-estar profundo que tamb�m � nosso. Na B�lgica � contra os ju�zes, que s�o percebidos como "pol�ticos" como outros quaisquer. Mas a verdadeira revolta � contra o poder e os poderosos, feita por um povo comum que n�o acredita nos partidos ou nos sindicatos para exprimir e canalizar essa revolta. N�o � um problema novo, mas conhece hoje novas formas.�

PAPEL HIGI�NICO E LARANJAS PODRES, O MESMO COMBATE!

O que disse sobre as perip�cias dos acad�micos conimbricenses, que se sentem representados pelo papel higi�nico, repito sobre os lisboetas que tamb�m andaram pelo mesmo papel e acrescentaram laranjas podres � lista, demonstrando uma imagina��o poderosa.

Agora a surpresa lisboeta � ver estudantes do T�cnico de �traje acad�mico�, ou seja, como uma esp�cie de seminaristas retardados no tempo. Que os de Coimbra andem de farda, j� estamos habituados, agora em Lisboa, onde nunca houve tal �tradi��o�, o que � que se passa? H� algum v�rus no ar? A polui��o j� � assim t�o grave? Ser� dos shots? A culpa � do absinto?

N�o sei porqu�, mas h� alguma coisa que me diz ao ouvido, algum grilo transviado, que deve haver um tra�o esquisito num engenheiro de sistemas, num f�sico nuclear, num bioqu�mico, que n�o se importa de andar na rua, em p�blico (que horror!), vestido de �estudante� oitocentista, na altura do varapau, das rixas, das esperas, dos bord�is canalhas, da cont�nua bebedeira, e, ainda pior horror, da poesia ultra-rom�ntica . Mas deve ser de mim, que so�obro sentimentalmente � ideia positivista do progresso, mesmo apesar das minhas resist�ncias filos�ficas.

O que disse sobre as perip�cias dos acad�micos conimbricenses, que se sentem representados pelo papel higi�nico, repito sobre os lisboetas que tamb�m andaram pelo mesmo papel e acrescentaram laranjas podres � lista, demonstrando uma imagina��o poderosa.Agora a surpresa lisboeta � ver estudantes do T�cnico de �traje acad�mico�, ou seja, como uma esp�cie de seminaristas retardados no tempo. Que os de Coimbra andem de farda, j� estamos habituados, agora em Lisboa, onde nunca houve tal �tradi��o�, o que � que se passa? H� algum v�rus no ar? A polui��o j� � assim t�o grave? Ser� dos shots? A culpa � do absinto?N�o sei porqu�, mas h� alguma coisa que me diz ao ouvido, algum grilo transviado, que deve haver um tra�o esquisito num engenheiro de sistemas, num f�sico nuclear, num bioqu�mico, que n�o se importa de andar na rua, em p�blico (que horror!), vestido de �estudante� oitocentista, na altura do varapau, das rixas, das esperas, dos bord�is canalhas, da cont�nua bebedeira, e, ainda pior horror, da poesia ultra-rom�ntica . Mas deve ser de mim, que so�obro sentimentalmente � ideia positivista do progresso, mesmo apesar das minhas resist�ncias filos�ficas.

MARCHA �BRANCA�

N�o vou, n�o concordo. Cada um � livre de se manifestar como entende, mas este tipo de iniciativas unanimistas s�o um poderoso caldo de cultura para o populismo. � um caminho perigoso.

N�o vou, n�o concordo. Cada um � livre de se manifestar como entende, mas este tipo de iniciativas unanimistas s�o um poderoso caldo de cultura para o populismo. � um caminho perigoso.

EARLY MORNING BLOGS 50

Micro-causas: enfileiro-me, disciplinado, no apelo do

�Saiu o nov�ssimo Boletim Bibliogr�fico do Livreiro-Antiqu�rio Lu�s Burnay - Setembro 2003 -, com 508 pe�as estimadas, h� muito esgotadas ou raras. Como curiosidade o livreiro-antiqu�rio acrescenta � listagem bibliogr�fica um "desabafo" aos clientes e amigos, bem pertinente, e que n�o � normal aparecer em Cat�logos. Trata-se de uma refer�ncia � pol�tica de franquia existente, onde o livro-cat�logo � penalizado face ao livro tout court. Essa estranha hermen�utica dos CTT em torno do conceito de livro, considerando um livro-cat�logo um n�o-livro, desvela n�o s� uma incomensur�vel blague cultural mas aponta, tamb�m, para o anedot�rio nacional onde o desnorte da politica cultural legislativa � total. Refere, ainda, e neste assunto n�o est� s�, o atraso constante e sistem�tico da distribui��o dos correios, que impede uma pr�tica gestion�ria cont�nua e eficaz. N�s compreendemos tudo isso. Ou n�o estiv�ssemos em Portugal. �

Early morning songs:

Nuno Lima envia uma grande can��o de Billie Holiday e cita o Edu Lobo sobre o canto de Billie "n�o tem t�cnica, n�o tem truque nenhum, � emo��o pura". Que poder� ser mais bluesy?�

Good Morning Heartache

"Good morning heartache

you old lonely sight

Good morning heartache

thought we said goodbye last night

I've turned and tossed until it seems you have gone

But here you are with the dawn

Wish I'd forget you

but you're here to stay

It seems I met you

when my love went away

My every day I start by saying to you

Good morning heartache

What's new?

Stop haunting me now

Can't shake you nohow

Just leave me alone

I 've got those Monday blues

straight through Sunday blues

Good morning heartache

here we go again

Good morning heartache

you're the one who knew me when

Might as well get used to you

hangin' round

Good Morning heartache

Sit down

Stop haunting me now

can't shake you nohow

just leave me alone

I've got those Monday blues

straight through Sunday blues

Good morning heartache

here we go again

Good Morning Heartache

you're

the one who knew me when

Might as well get used to you

hangin' round

Good Morning Heartache

Sit down."

manda-me a primeira letra em portugu�s de can��es matinais: a Letra da me Tempo Perdido, do grupo brasileiro Legi�o Urbana:

Tempo Perdido

"Todos os dias quando acordo,

N�o tenho mais o tempo que passou

Mas tenho muito tempo:

Temos todo o tempo do mundo.

Todos os dias antes de dormir,

Lembro e esque�o como foi o dia:

"Sempre em frente,

N�o temos tempo a perder".

Nosso suor sagrado

� bem mais belo que esse sangue amargo

E t�o s�rio

E selvagem.

Veja o sol dessa manh� t�o cinza:

A tempestade que chega � da cor dos teus olhos castanhos.

Ent�o me abra�a forte e me diz mais uma vez

Que j� estamos distantes de tudo:

Temos nosso pr�prio tempo.

N�o tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.

O que foi escondido � o que se escondeu

E o que foi prometido, ningu�m prometeu.

Nem foi tempo perdido;

Somos t�o jovens.�

Pedro Gaspar chama a aten��o para a

Amanh� h� mais. Bom dia.

Micro-causas: enfileiro-me, disciplinado, no apelo do Almocreve das Petas a prop�sito dos livros-cat�logos:�Saiu o nov�ssimo Boletim Bibliogr�fico do Livreiro-Antiqu�rio Lu�s Burnay - Setembro 2003 -, com 508 pe�as estimadas, h� muito esgotadas ou raras. Como curiosidade o livreiro-antiqu�rio acrescenta � listagem bibliogr�fica um "desabafo" aos clientes e amigos, bem pertinente, e que n�o � normal aparecer em Cat�logos. Trata-se de uma refer�ncia � pol�tica de franquia existente, onde o livro-cat�logo � penalizado face ao livro tout court. Essa estranha hermen�utica dos CTT em torno do conceito de livro, considerando um livro-cat�logo um n�o-livro, desvela n�o s� uma incomensur�vel blague cultural mas aponta, tamb�m, para o anedot�rio nacional onde o desnorte da politica cultural legislativa � total. Refere, ainda, e neste assunto n�o est� s�, o atraso constante e sistem�tico da distribui��o dos correios, que impede uma pr�tica gestion�ria cont�nua e eficaz. N�s compreendemos tudo isso. Ou n�o estiv�ssemos em Portugal. �Early morning songs:Nuno Lima envia uma grande can��o de Billie Holiday e cita o Edu Lobo sobre o canto de Billie "n�o tem t�cnica, n�o tem truque nenhum, � emo��o pura". Que poder� ser mais bluesy?�Good Morning Heartache"Good morning heartacheyou old lonely sightGood morning heartachethought we said goodbye last nightI've turned and tossed until it seems you have goneBut here you are with the dawnWish I'd forget youbut you're here to stayIt seems I met youwhen my love went awayMy every day I start by saying to youGood morning heartacheWhat's new?Stop haunting me nowCan't shake you nohowJust leave me aloneI 've got those Monday bluesstraight through Sunday bluesGood morning heartachehere we go againGood morning heartacheyou're the one who knew me whenMight as well get used to youhangin' roundGood Morning heartacheSit downStop haunting me nowcan't shake you nohowjust leave me aloneI've got those Monday bluesstraight through Sunday bluesGood morning heartachehere we go againGood Morning Heartacheyou'rethe one who knew me whenMight as well get used to youhangin' roundGood Morning HeartacheSit down." Andr� Carvalho manda-me a primeira letra em portugu�s de can��es matinais: a Letra da me Tempo Perdido, do grupo brasileiro Legi�o Urbana:Tempo Perdido"Todos os dias quando acordo,N�o tenho mais o tempo que passouMas tenho muito tempo:Temos todo o tempo do mundo.Todos os dias antes de dormir,Lembro e esque�o como foi o dia:"Sempre em frente,N�o temos tempo a perder".Nosso suor sagrado� bem mais belo que esse sangue amargoE t�o s�rioE selvagem.Veja o sol dessa manh� t�o cinza:A tempestade que chega � da cor dos teus olhos castanhos.Ent�o me abra�a forte e me diz mais uma vezQue j� estamos distantes de tudo:Temos nosso pr�prio tempo.N�o tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.O que foi escondido � o que se escondeuE o que foi prometido, ningu�m prometeu.Nem foi tempo perdido;Somos t�o jovens.�Pedro Gaspar chama a aten��o para a Christopher Tower Poetry Competition da Universidade de Oxford, cujo tema �, nem mais nem menos, do que �early morning�!Amanh� h� mais. Bom dia.

IMAGENS

de ontem inclu�am um �guerra e paz� , um �leo de Lawrence Ferlinghetti, cuja reprodu��o comprei numa memor�vel (para mim) visita � City Light Books em S. Francisco. A outra imagem, que parece um Matisse e que est� mesmo aqui em baixo, � de uma pintura de Helen Frankenthaler de 1971, chama-se �Captain�s Paradise� e est� num museu de Columbus, Ohio. Hoje estamos em plena Americana.

de ontem inclu�am um �guerra e paz� , um �leo de Lawrence Ferlinghetti, cuja reprodu��o comprei numa memor�vel (para mim) visita � City Light Books em S. Francisco. A outra imagem, que parece um Matisse e que est� mesmo aqui em baixo, � de uma pintura de Helen Frankenthaler de 1971, chama-se �Captain�s Paradise� e est� num museu de Columbus, Ohio. Hoje estamos em plena Americana.

CONTICINIUM

EXAGEROS

A hist�ria do helic�ptero � t�pica dos h�bitos nacionais. Quantas hist�rias id�nticas se passam por todo o lado, nas empresas, nas reparti��es, nas escolas, nos hospitais, etc, etc.., t�picas de um � vontade no uso dos bens p�blicos ou colectivos, s� que sem o novo riquismo do helic�ptero?

O acto � em si reprov�vel, mas pouco mais mereceria que um inqu�rito circunscrito e assun��o de responsabilidades, em particular, com a reposi��o dos gastos indevidos. N�o justifica certamente a histeria que est� a ser feita pela comunica��o social e muito menos o rolar indiscriminado de cabe�as, apenas por excesso de zelo face � press�o medi�tica. Mas como � tudo povo pequeno, gente desconhecida, carne para canh�o, pode-se encher o peito �

Uma das raz�es porque a comunica��o social (neste caso acompanhei a SIC e a RTP) , apesar do seu moralismo arrogante, tem pequeno papel na luta contra os abusos e a corrup��o � que � incapaz de manter a propor��o, o equilibro. Os verdadeiros abusadores agradecem.

A hist�ria do helic�ptero � t�pica dos h�bitos nacionais. Quantas hist�rias id�nticas se passam por todo o lado, nas empresas, nas reparti��es, nas escolas, nos hospitais, etc, etc.., t�picas de um � vontade no uso dos bens p�blicos ou colectivos, s� que sem o novo riquismo do helic�ptero?O acto � em si reprov�vel, mas pouco mais mereceria que um inqu�rito circunscrito e assun��o de responsabilidades, em particular, com a reposi��o dos gastos indevidos. N�o justifica certamente a histeria que est� a ser feita pela comunica��o social e muito menos o rolar indiscriminado de cabe�as, apenas por excesso de zelo face � press�o medi�tica. Mas como � tudo povo pequeno, gente desconhecida, carne para canh�o, pode-se encher o peito �Uma das raz�es porque a comunica��o social (neste caso acompanhei a SIC e a RTP) , apesar do seu moralismo arrogante, tem pequeno papel na luta contra os abusos e a corrup��o � que � incapaz de manter a propor��o, o equilibro. Os verdadeiros abusadores agradecem.

MISS�O IMPOSS�VEL *

(Carta aberta a Ant�nio Lobo Xavier sobre a �coer�ncia�)

Meu caro Ant�nio

1. Se h�

2. Eu aceito o repto, mas n�o � com o ALX que discuto, � com o PP, com o PP de Paulo Portas, que querer�, sob o manto di�fano da "eurocalmice", (uma completa e absoluta inexist�ncia conceptual, destinada a encobrir o mais incomodado dos sil�ncios), escapar ao escrut�nio da viragem a 180�, e ao seu significado pol�tico. Tamb�m sei que este artigo tem muito a ver com as nossas discuss�es e com o que o Ant�nio sabia que eu iria dizer ou escrever. "Eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes" � daquelas coisas que, na pol�tica portuguesa, s�o inescap�veis, tanto mais que o pa�s � pequeno e n�s, como discutimos h� muitos anos no Flashback e somos amigos, "sabemos".

3. Vamos � "coer�ncia". Tudo estaria bem se fosse assim, mas n�o �. Bem pelo contr�rio. De facto, a alian�a eleitoral que se anuncia entre PP e PSD nas europeias s� tem uma l�gica pol�tica : a manuten��o da coliga��o governamental. Nada tem a ver com a Europa , nem com as posi��es de cada partido. Mais valia que o PP dissesse claramente que � assim e admitisse que, para permanecer na coliga��o e no governo e para n�o contar os votos, abandonou as posi��es "euro-excitadas". O PP n�o evoluiu - n�o existem quaisquer tra�os s�rios dessa evolu��o - mudou. E mudou de forma escondida e envergonhada, n�o querendo admitir que errou antes ou erra agora.

4. O problema � que as pr�ximas elei��es europeias v�o travar-se num terreno de op��es pol�ticas decisivas, sem ambiguidades e que exigem posi��es claras sobre mat�rias t�o controversas como a Constitui��o europeia. Seria inconceb�vel que o PSD e, em particular, o PP, pudessem travar uma campanha eleitoral sem, por exemplo, dizerem se s�o a favor ou contra o projecto de Constitui��o, e isso significa pronunciar-se sobre mil e uma mat�rias mais que espinhosas... para o PP. Para al�m disso, as pr�ximas elei��es dar-se-�o num contexto, ou de simultaneidade, ou de proximidade, com um eventual referendo sobre a Constitui��o e poder�o acompanhar um processo de revis�o constitucional por ela motivado.

5. Para o PSD, tamb�m existem dificuldades, porque no interior do partido h� quem pense de modo muito diferente sobre estas mat�rias e n�o s� de agora. Mas, seja qual for a defini��o a haver no PSD, ela n�o ser� traum�tica, at� porque o partido sempre foi europe�sta e acompanhou o processo de integra��o europeia sobre o qual h� um certo consenso. Mas ALX n�o se iluda quanto �s posi��es do PSD, reflexo das op��es do governo, porque estas est�o cada vez mais alinhadas com as do Partido Popular Europeu (PPE) . O PP, para acompanhar o PSD, ter� que mudar do preto para o branco. E n�o ter� que deitar fora velhas posi��es, como ALX sugere, do "princ�pio dos anos noventa", mas de 1999 e 2000. Veja-se a �ltima campanha eleitoral para as europeias, completamente "euro-excitada", para se perceber o que mudou.

6. Nalgumas entrevistas recentes, dirigentes do PP t�m apresentado a minha posi��o como sendo caracter�stica de uma evolu��o pol�tica semelhante � que estariam a ter eles pr�prios. O PSD, representado por mim, teria evolu�do para um �euro-realismo� e para longe do federalismo do passado, e, movendo-se em sentido contr�rio, encontrar-se-iam com o PSD a meio desse caminho. Isto � obviamente uma fic��o pol�tica, embora eu veja, com ironia, o meu papel de �unificador�. As minhas posi��es (ainda esta semana votei contra a mo��o do PE sobre a Constitui��o europeia) n�o s�o significativas da evolu��o que se est� a dar no PSD, tanto quanto se pode perceber no plano governativo, embora sejam, no meu entender, fi�is ao programa de candidatura de 1999 com que fui eleito. Em 1999, Paulo Portas achava esse programa federalista. Se esse era federalista, ent�o agora o PP vai-se aliar a um PSD ultra-federalista.

7. Na verdade, nunca as posi��es oficiais do PSD estiveram t�o pr�ximas do federalismo do que est�o hoje. Dur�o Barroso, honra lhe seja feita, nunca escondeu um pendor federalista em mat�rias europeias e, com excep��o da parte sobre o poder institucional, v�rias vezes se pronunciou favoravelmente ao processo constitucional da Conven��o, alinhando ali�s as suas posi��es com as do PPE. Este foi longe no projecto europeu (Constitui��o, refor�o dos poderes do Parlamento Europeu, modelo federal, unifica��o das pol�ticas europeias em �reas tradicionais de reserva da soberania dos estados, etc.) e considera-se, a justo t�tulo, como um dos inspiradores da Constitui��o europeia e como parte do n�cleo mais duro de um processo de integra��o pol�tica, a caminho de uma UE entendida como uma pa�s suis generis. Se, como diz ALX, o PP se aproxima hoje das suas �posi��es fundacionais�, ent�o os verdadeiros her�is s�o Freitas do Amaral e Lucas Pires, que sempre representaram esse legado do federalismo do PPE. Ambos tratados como quase traidores a Portugal, e Lucas Pires insultado soezmente na televis�o em directo por Paulo Portas.

8. Meu caro Ant�nio, as coisas s�o como s�o e cada um faz o seu caminho. O meu � cada vez mais dif�cil, e, provavelmente, custar� o meu lugar no PE. Acho a coisa mais normal do mundo deixar de exercer fun��es pol�ticas quando n�o se concorda com a pol�tica. Mas preocupa-me o caminho que se est� a seguir. A "Europa" que vamos discutir em 2004 n�o � soft, � hard , as op��es demasiado graves para haver confus�es. Se h� altura em que n�o se pode ficar �calmo� com a Europa � agora. Uma das muitas objec��es que se podem ter a uma alian�a PSD-PP, � que ela poder� gerar, num momento decisivo, um espa�o de ambiguidade mau para os interesses de Portugal e para o projecto europeu.

Um abra�o do

Jos� Pacheco Pereira

* Este texto ser� publicado amanh� no P�blico. Depois dessa publica��o, substituirei o texto por uma liga��o, dado que ele � muito extenso para o Abrupto.

(Carta aberta a Ant�nio Lobo Xavier sobre a �coer�ncia�)Meu caro Ant�nio1. Se h� artigo que eu sabia ia ser escrito, como uma esp�cie de pre-emptive strike, era este.....N�o me enganei, nem quanto ao autor, nem quanto ao conte�do, nem quanto ao papel pol�tico que o artigo pretende ter. S� uma nota sobre o autor: Ant�nio Lobo Xavier (ALX) � o �nico dirigente do PP que manteve a sua posi��o coerente quanto � Europa, nestes �ltimos dez anos. ALX presta um servi�o ao PP chegando-se � frente, querendo que o debate seja com ele, porque � o �nico que o pode travar.2. Eu aceito o repto, mas n�o � com o ALX que discuto, � com o PP, com o PP de Paulo Portas, que querer�, sob o manto di�fano da "eurocalmice", (uma completa e absoluta inexist�ncia conceptual, destinada a encobrir o mais incomodado dos sil�ncios), escapar ao escrut�nio da viragem a 180�, e ao seu significado pol�tico. Tamb�m sei que este artigo tem muito a ver com as nossas discuss�es e com o que o Ant�nio sabia que eu iria dizer ou escrever. "Eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes" � daquelas coisas que, na pol�tica portuguesa, s�o inescap�veis, tanto mais que o pa�s � pequeno e n�s, como discutimos h� muitos anos no Flashback e somos amigos, "sabemos".3. Vamos � "coer�ncia". Tudo estaria bem se fosse assim, mas n�o �. Bem pelo contr�rio. De facto, a alian�a eleitoral que se anuncia entre PP e PSD nas europeias s� tem uma l�gica pol�tica : a manuten��o da coliga��o governamental. Nada tem a ver com a Europa , nem com as posi��es de cada partido. Mais valia que o PP dissesse claramente que � assim e admitisse que, para permanecer na coliga��o e no governo e para n�o contar os votos, abandonou as posi��es "euro-excitadas". O PP n�o evoluiu - n�o existem quaisquer tra�os s�rios dessa evolu��o - mudou. E mudou de forma escondida e envergonhada, n�o querendo admitir que errou antes ou erra agora.4. O problema � que as pr�ximas elei��es europeias v�o travar-se num terreno de op��es pol�ticas decisivas, sem ambiguidades e que exigem posi��es claras sobre mat�rias t�o controversas como a Constitui��o europeia. Seria inconceb�vel que o PSD e, em particular, o PP, pudessem travar uma campanha eleitoral sem, por exemplo, dizerem se s�o a favor ou contra o projecto de Constitui��o, e isso significa pronunciar-se sobre mil e uma mat�rias mais que espinhosas... para o PP. Para al�m disso, as pr�ximas elei��es dar-se-�o num contexto, ou de simultaneidade, ou de proximidade, com um eventual referendo sobre a Constitui��o e poder�o acompanhar um processo de revis�o constitucional por ela motivado.5. Para o PSD, tamb�m existem dificuldades, porque no interior do partido h� quem pense de modo muito diferente sobre estas mat�rias e n�o s� de agora. Mas, seja qual for a defini��o a haver no PSD, ela n�o ser� traum�tica, at� porque o partido sempre foi europe�sta e acompanhou o processo de integra��o europeia sobre o qual h� um certo consenso. Mas ALX n�o se iluda quanto �s posi��es do PSD, reflexo das op��es do governo, porque estas est�o cada vez mais alinhadas com as do Partido Popular Europeu (PPE) . O PP, para acompanhar o PSD, ter� que mudar do preto para o branco. E n�o ter� que deitar fora velhas posi��es, como ALX sugere, do "princ�pio dos anos noventa", mas de 1999 e 2000. Veja-se a �ltima campanha eleitoral para as europeias, completamente "euro-excitada", para se perceber o que mudou.6. Nalgumas entrevistas recentes, dirigentes do PP t�m apresentado a minha posi��o como sendo caracter�stica de uma evolu��o pol�tica semelhante � que estariam a ter eles pr�prios. O PSD, representado por mim, teria evolu�do para um �euro-realismo� e para longe do federalismo do passado, e, movendo-se em sentido contr�rio, encontrar-se-iam com o PSD a meio desse caminho. Isto � obviamente uma fic��o pol�tica, embora eu veja, com ironia, o meu papel de �unificador�. As minhas posi��es (ainda esta semana votei contra a mo��o do PE sobre a Constitui��o europeia) n�o s�o significativas da evolu��o que se est� a dar no PSD, tanto quanto se pode perceber no plano governativo, embora sejam, no meu entender, fi�is ao programa de candidatura de 1999 com que fui eleito. Em 1999, Paulo Portas achava esse programa federalista. Se esse era federalista, ent�o agora o PP vai-se aliar a um PSD ultra-federalista.7. Na verdade, nunca as posi��es oficiais do PSD estiveram t�o pr�ximas do federalismo do que est�o hoje. Dur�o Barroso, honra lhe seja feita, nunca escondeu um pendor federalista em mat�rias europeias e, com excep��o da parte sobre o poder institucional, v�rias vezes se pronunciou favoravelmente ao processo constitucional da Conven��o, alinhando ali�s as suas posi��es com as do PPE. Este foi longe no projecto europeu (Constitui��o, refor�o dos poderes do Parlamento Europeu, modelo federal, unifica��o das pol�ticas europeias em �reas tradicionais de reserva da soberania dos estados, etc.) e considera-se, a justo t�tulo, como um dos inspiradores da Constitui��o europeia e como parte do n�cleo mais duro de um processo de integra��o pol�tica, a caminho de uma UE entendida como uma pa�s suis generis. Se, como diz ALX, o PP se aproxima hoje das suas �posi��es fundacionais�, ent�o os verdadeiros her�is s�o Freitas do Amaral e Lucas Pires, que sempre representaram esse legado do federalismo do PPE. Ambos tratados como quase traidores a Portugal, e Lucas Pires insultado soezmente na televis�o em directo por Paulo Portas.8. Meu caro Ant�nio, as coisas s�o como s�o e cada um faz o seu caminho. O meu � cada vez mais dif�cil, e, provavelmente, custar� o meu lugar no PE. Acho a coisa mais normal do mundo deixar de exercer fun��es pol�ticas quando n�o se concorda com a pol�tica. Mas preocupa-me o caminho que se est� a seguir. A "Europa" que vamos discutir em 2004 n�o � soft, � hard , as op��es demasiado graves para haver confus�es. Se h� altura em que n�o se pode ficar �calmo� com a Europa � agora. Uma das muitas objec��es que se podem ter a uma alian�a PSD-PP, � que ela poder� gerar, num momento decisivo, um espa�o de ambiguidade mau para os interesses de Portugal e para o projecto europeu.Um abra�o doJos� Pacheco Pereira* Este texto ser� publicado amanh� no. Depois dessa publica��o, substituirei o texto por uma liga��o, dado que ele � muito extenso para o Abrupto.

MISS�O IMPOSS�VEL

estar� em linha daqui a uma ou duas horas, se entretanto n�o se agravarem os problemas de comunica��o que tenho tido. O correio electr�nico da Telepac est� um caos, n�o sei se � local ou global. Vamos ver. estar� em linha daqui a uma ou duas horas, se entretanto n�o se agravarem os problemas de comunica��o que tenho tido. O correio electr�nico da Telepac est� um caos, n�o sei se � local ou global. Vamos ver.

HORA UNDECIMA

DE REGRESSO

ap�s algumas desventuras com as linhas telef�nicas de prov�ncia. ap�s algumas desventuras com as linhas telef�nicas de prov�ncia.

MISS�O IMPOSS�VEL

ser� o t�tulo de uma carta aberta ao Ant�nio Lobo Xavier, comentando o seu P�blico de ontem, intitulado " A prop�sito de coer�ncia", sobre a evolu��o das posi��es europeias do PP. O texto ser� colocado no Abrupto, talvez amanh�. ser� o t�tulo de uma carta aberta ao Ant�nio Lobo Xavier, comentando o seu artigo node ontem, intitulado " A prop�sito de coer�ncia", sobre a evolu��o das posi��es europeias do PP. O texto ser� colocado no Abrupto, talvez amanh�.

IMAGEM

de ontem � de John Singer Sargent, um dos meus pintores de estima��o. Foi para uma "nota chekoviana", porque nela passam as damas pelo Jardim do Luxemburgo, mais sofisticadas que as raparigas e as jovens senhoras dos contos de Chekov, mas feitas da mesma massa de eleg�ncia e de trivialidade. Mil romances foram sobre elas escritos, n�o � verdade, madame Bovary, n�o � verdade, Lu�sa, n�o � verdade, Anna Sergeyevna, a "senhora com o c�o de rega�o"? de ontem � de John Singer Sargent, um dos meus pintores de estima��o. Foi para uma "nota chekoviana", porque nela passam as damas pelo Jardim do Luxemburgo, mais sofisticadas que as raparigas e as jovens senhoras dos contos de Chekov, mas feitas da mesma massa de eleg�ncia e de trivialidade. Mil romances foram sobre elas escritos, n�o � verdade, madame Bovary, n�o � verdade, Lu�sa, n�o � verdade, Anna Sergeyevna, a "senhora com o c�o de rega�o"?

EARLY MORNING BLOGS 49

Como o pensamento, as can��es e os poemas matinais v�o dar uns aos outros. � o que faz a dificuldade do software do MyLifeBits, � programar esta err�ncia.

A Rita Maltez lembrou-se de uma noite em Shakespeare que n�o queria acabar, e de uma manh� que se anuncia por p�ssaros (n�o � verdade que tudo se anuncia por p�ssaros?).

"JULIET

Wilt thou be gone? it is not yet near day:

It was the nightingale, and not the lark,

That pierced the fearful hollow of thine ear;

Nightly she sings on yon pomegranate-tree:

Believe me, love, it was the nightingale.

ROMEO

It was the lark, the herald of the morn,

No nightingale: look, love, what envious streaks

Do lace the severing clouds in yonder east:

Night's candles are burnt out, and jocund day

Stands tiptoe on the misty mountain tops.

I must be gone and live, or stay and die."

Bom dia.

Como o pensamento, as can��es e os poemas matinais v�o dar uns aos outros. � o que faz a dificuldade do software do MyLifeBits, � programar esta err�ncia.A Rita Maltez lembrou-se de uma noite em Shakespeare que n�o queria acabar, e de uma manh� que se anuncia por p�ssaros (n�o � verdade que tudo se anuncia por p�ssaros?)."JULIETWilt thou be gone? it is not yet near day:It was the nightingale, and not the lark,That pierced the fearful hollow of thine ear;Nightly she sings on yon pomegranate-tree:Believe me, love, it was the nightingale.ROMEOIt was the lark, the herald of the morn,No nightingale: look, love, what envious streaksDo lace the severing clouds in yonder east:Night's candles are burnt out, and jocund dayStands tiptoe on the misty mountain tops.I must be gone and live, or stay and die."Bom dia.

O ESTADO PROVID�NCIA VISTO PELOS "DE BAIXO"

Um momento cr�tico em pequenas comunidades deprimidas, onde h� um elevado n�mero de pessoas a receberem o RMG, e outros subs�dios sociais, � quando se conhecem nas escolas as listas dos subs�dios escolares - livros , refei��es, etc - e a respectiva classifica��o do agregado familiar, para poder ser considerado para atribui��o desses apoios. Como todos se conhecem uns aos outros e sabem quem trabalha, quem tem dificuldades e quem as n�o tem, quem "declara" e quem n�o "declara", quem tem casa com piscina e recebe subs�dio, quem trabalha por fora (canalizadores , pintores, etc.) e n�o paga impostos, quem est� desempregado e quem � um falso desempregado, um vento de revolta passa pelos "de baixo". O Estado Provid�ncia � muito mais agitado em baixo do que se pensa em cima.

Um momento cr�tico em pequenas comunidades deprimidas, onde h� um elevado n�mero de pessoas a receberem o RMG, e outros subs�dios sociais, � quando se conhecem nas escolas as listas dos subs�dios escolares - livros , refei��es, etc - e a respectiva classifica��o do agregado familiar, para poder ser considerado para atribui��o desses apoios. Como todos se conhecem uns aos outros e sabem quem trabalha, quem tem dificuldades e quem as n�o tem, quem "declara" e quem n�o "declara", quem tem casa com piscina e recebe subs�dio, quem trabalha por fora (canalizadores , pintores, etc.) e n�o paga impostos, quem est� desempregado e quem � um falso desempregado, um vento de revolta passa pelos "de baixo". O Estado Provid�ncia � muito mais agitado em baixo do que se pensa em cima.

NOTAS CHEKOVIANAS 7

IMAGEM

das nuvens, de ontem, tirada de um "estudo" de Adalbert Stifter feito em 1840.

das nuvens, de ontem, tirada de um "estudo" de Adalbert Stifter feito em 1840.

COMPETI��ES, TACO A TACO, VIT�RIAS E DERROTAS, SOBE E DESCE, PINGUE-PONGUE, PARADA E RESPOSTA, E O MAIS QUE A F�RTIL IMAGINA��O DESPORTIV0-JORNAL�STICA INVENTAR�

n�o contam comigo. Ficam a falar sozinhos.

n�o contam comigo. Ficam a falar sozinhos.

EARLY MORNING BLOGS / SONGS 48

Os leitores do Abrupto t�m passado dos Early Morning Blues para outras m�sicas sobre a manh�, sobre acordar de manh�, sobre o mundo visto pelos primeiros olhares da manh�. N�o � brilhante a manh� vista assim, ou � o que se perde dia a dia , ou � o que nos espera, ou � o que nos falta. Mas, daqui a pouco, temos uma verdadeira antologia da manh�. Existe? J� algu�m fez uma antologia sobre textos matinais? � o que os leitores do Abrupto est�o a fazer.

Jorge Cam�es refere , atrav�s da letra dos Doors, "Summer's almost gone", o fim das manh�s de de Ver�o :

"Summer's almost gone

Almost gone

Yeah, it's almost gone

Where will we be

When the summer's gone?

Morning found us calmly unaware

Noon burn gold into our hair

At night, we swim the laughin' sea

When summer's gone

Where will we be

Where will we be

Where will we be

Morning found us calmly unaware

Noon burn gold into our hair

At night, we swim the laughin' sea

When summer's gone

Where will we be

Summer's almost gone

Summer's almost gone

We had some good times

But they're gone

The winter's comin' on

Summer's almost gone "

E acrescenta "um pequeno apontamento depressivo" . tamb�m dos Doors, dos Roadhouse blues,

"Well, I woke up this morning,

I got myself a beer Well,

I woke up this morning, and I got myself a beer

The future's uncertain, and the end is always near "

Nobre Grenho envia a letra "me or him" do album Radio KAOS de Roger Waters.:

"You wake up in the morning, get something for the pot

Wonder why the sun makes the rocks feel hot

Draw on the walls, eat, get laid

Back in the good old days

Then some damn fool invents the wheel

Listen to the whitewalls squeal

You spend all day looking for a parking spot

Nothing for the heart, nothing for the pot

Benny turned the dial on his Short Wave radio

Oh how he wanted to talk to the people,

he wanted his own show

Tune in Moscow. Tune in New York

Listen tot the Welsh kid talk

Communicating like in the good old days

Forgive me father for I have sinned

It was either me or him

And a voice said Benny

You fucked the whole thing up

Benny your time is up

Your time is up

Benny turned the dial on his Short Wave radio

He wanted to talk to the people

He wanted his own show

Tune in Moscow. Tune in New York

Listen to the Welsh kid talk communicating

Like in the good old days

Forgive me Father

Welsh Policeman: Mobile One Two to Central.

For I have sinned

Welsh Policeman: We have a multiple on the A465 between Cwmbran and Cylgoch.

Father it was either me or him.

Father can we turn back the clock?

Welsh Policeman: Ambulance, over.

I never meant to drop the concrete block.

Welsh Policeman: Roger central, over and out.

Benny turned the dial on his Short Wave radio

He wanted to talk to the people

He wanted his own show

Tune in Moscow. Tune in New York

Listen to the Welsh kid talk

Just like in the good old days

The good old days".

*

CORREIO : Recebido em condi��es, atrasado como de costume, a ser respondido parcialmente mais para o fim de semana.

Os leitores do Abrupto t�m passado dos Early Morning Blues para outras m�sicas sobre a manh�, sobre acordar de manh�, sobre o mundo visto pelos primeiros olhares da manh�. N�o � brilhante a manh� vista assim, ou � o que se perde dia a dia , ou � o que nos espera, ou � o que nos falta. Mas, daqui a pouco, temos uma verdadeira antologia da manh�. Existe? J� algu�m fez uma antologia sobre textos matinais? � o que os leitores do Abrupto est�o a fazer.Jorge Cam�es refere , atrav�s da letra dos Doors, "Summer's almost gone", o fim das manh�s de de Ver�o :"Summer's almost goneAlmost goneYeah, it's almost goneWhere will we beWhen the summer's gone?Morning found us calmly unawareNoon burn gold into our hairAt night, we swim the laughin' seaWhen summer's goneWhere will we beWhere will we beWhere will we beMorning found us calmly unawareNoon burn gold into our hairAt night, we swim the laughin' seaWhen summer's goneWhere will we beSummer's almost goneSummer's almost goneWe had some good timesBut they're goneThe winter's comin' onSummer's almost gone "E acrescenta "um pequeno apontamento depressivo" . tamb�m dos Doors, dos Roadhouse blues,"Well, I woke up this morning,I got myself a beer Well,I woke up this morning, and I got myself a beerThe future's uncertain, and the end is always near "Nobre Grenho envia a letra "me or him" do album Radio KAOS de Roger Waters.:"You wake up in the morning, get something for the potWonder why the sun makes the rocks feel hotDraw on the walls, eat, get laidBack in the good old daysThen some damn fool invents the wheelListen to the whitewalls squealYou spend all day looking for a parking spotNothing for the heart, nothing for the potBenny turned the dial on his Short Wave radioOh how he wanted to talk to the people,he wanted his own showTune in Moscow. Tune in New YorkListen tot the Welsh kid talkCommunicating like in the good old daysForgive me father for I have sinnedIt was either me or himAnd a voice said BennyYou fucked the whole thing upBenny your time is upYour time is upBenny turned the dial on his Short Wave radioHe wanted to talk to the peopleHe wanted his own showTune in Moscow. Tune in New YorkListen to the Welsh kid talk communicatingLike in the good old daysForgive me FatherWelsh Policeman: Mobile One Two to Central.For I have sinnedWelsh Policeman: We have a multiple on the A465 between Cwmbran and Cylgoch.Father it was either me or him.Father can we turn back the clock?Welsh Policeman: Ambulance, over.I never meant to drop the concrete block.Welsh Policeman: Roger central, over and out.Benny turned the dial on his Short Wave radioHe wanted to talk to the peopleHe wanted his own showTune in Moscow. Tune in New YorkListen to the Welsh kid talkJust like in the good old daysThe good old days".CORREIO : Recebido em condi��es, atrasado como de costume, a ser respondido parcialmente mais para o fim de semana.

HIST�RIA NATURAL DAS NUVENS

Qualquer voador qualificado sabe tudo sobre nuvens. A maioria das vezes olha-as de cima, o que � bastante tranquilizador, outras vezes, quando sobe e quando desce, passa-lhes pelo meio, o que � sempre um pouco agitado. O pior de tudo � quando tem que lhes passar pelo meio estando em cima, a 32000 p�s, e ent�o os pilotos, que t�m aquele h�bito tecnocr�tico de classificar rigorosamente as coisas, l� pedem para apertar os cintos devido � `"light turbulence", nenhum problema, "some turbulence", ou qualquer variante sem o "light", que j� � um pouco mais complicada. Estudar as nuvens tem imensas vantagens para o voador, para evitar levar com a explos�o do almo�o ou do l�quido do copo em cima.

A hist�ria da "ci�ncia" das nuvens � recente e est� descrita num American Scientist de Setembro-Outubro. Li-o, enquanto passavam debaixo de mim os amea�adores cumulo-nimbus que inundaram o Languedoc em meia d�zia de minutos. Quem os v� erguerem-se amea�adoramente na vertical tem poucas d�vidas sobre o seu poder . Podem ser "sombras", mas s�o sombras t�o compactas como o bet�o.

Qualquer voador qualificado sabe tudo sobre nuvens. A maioria das vezes olha-as de cima, o que � bastante tranquilizador, outras vezes, quando sobe e quando desce, passa-lhes pelo meio, o que � sempre um pouco agitado. O pior de tudo � quando tem que lhes passar pelo meio estando em cima, a 32000 p�s, e ent�o os pilotos, que t�m aquele h�bito tecnocr�tico de classificar rigorosamente as coisas, l� pedem para apertar os cintos devido � `"light turbulence", nenhum problema, "some turbulence", ou qualquer variante sem o "light", que j� � um pouco mais complicada. Estudar as nuvens tem imensas vantagens para o voador, para evitar levar com a explos�o do almo�o ou do l�quido do copo em cima.A hist�ria da "ci�ncia" das nuvens � recente e est� descrita num artigo , com um t�tulo apetec�vel, de Graeme L. Stephens , "The Useful Pursuit of Shadows" node Setembro-Outubro. Li-o, enquanto passavam debaixo de mim os amea�adores cumulo-nimbus que inundaram o Languedoc em meia d�zia de minutos. Quem os v� erguerem-se amea�adoramente na vertical tem poucas d�vidas sobre o seu poder . Podem ser "sombras", mas s�o sombras t�o compactas como o bet�o.

"O ARM�RIO DA SABEDORIA"

Talvez, de todos estes livros, o que mais curiosidade me suscitou foi um de Houari Touati, L'Armoire � Sagesse. Biblioth�ques et Collections en Islam, Paris, Aubier, 2003. Na contra-capa, que � o que serve para fazer recens�es quando ainda n�o se leu o livro, vem uma hist�ria exemplar do "entrela�ar de civiliza��es": S. Lu�s, prisioneiro no Egipto quando da s�tima cruzada, � convidado a consultar a biblioteca do sult�o, e o fasc�nio dos "livros", manuscritos, iluminuras, caligrafias, que viu nesse "arm�rio de sabedoria" levou-o, de regresso a Fran�a, a criar uma biblioteca.

Talvez, de todos estes livros, o que mais curiosidade me suscitou foi um de Houari Touati,, Paris, Aubier, 2003. Na contra-capa, que � o que serve para fazer recens�es quando ainda n�o se leu o livro, vem uma hist�ria exemplar do "entrela�ar de civiliza��es": S. Lu�s, prisioneiro no Egipto quando da s�tima cruzada, � convidado a consultar a biblioteca do sult�o, e o fasc�nio dos "livros", manuscritos, iluminuras, caligrafias, que viu nesse "arm�rio de sabedoria" levou-o, de regresso a Fran�a, a criar uma biblioteca.

EARLY MORNING BLOGS / BOOKS 47

Hoje, antes dos blogues, livros. Comprei v�rios livros bem interessantes, que s� permitem elogios � edi��o francesa. Um, que seria bom traduzir de imediato para portugu�s, � uma s�rie de entrevistas de Jacques Le Goff, Le Dieu du Moyen �ge , Paris , Bayard, 2003. Embora seja sobre Deus, explica porque � que esse Deus eram "deuses", compreendendo a Trindade e a Virgem Maria. Depois, a tradu��o do segundo volume da obra monumental de Alexandre Solj�nitsyne, Deux Si�cles Ensemble 1917-1972 - Juifs et Russes pendant la P�riode Sovi�tique, Paris , Fayard, 2003. N�o foram s� os alem�es que tiveram um s�rio "problema judeu", foram tamb�m os russos, que matavam os seus judeus de forma mais primitiva e sem a efic�cia das tecnologias e da burocracia alem�. S� que uma parte dos judeus russos respondeu tornando-se revolucion�ria, tendo um papel decisivo no comunismo sovi�tico, dando bons revolucion�rios, bons intelectuais, bons pol�cias e bons torcion�rios, uma combina��o mais comum do que se pensa, para depois ca�rem na m�quina trituradora de Estaline.

Hoje, antes dos blogues, livros. Comprei v�rios livros bem interessantes, que s� permitem elogios � edi��o francesa. Um, que seria bom traduzir de imediato para portugu�s, � uma s�rie de entrevistas de Jacques Le Goff,, Paris , Bayard, 2003. Embora seja sobre Deus, explica porque � que esse Deus eram "deuses", compreendendo a Trindade e a Virgem Maria. Depois, a tradu��o do segundo volume da obra monumental de Alexandre Solj�nitsyne,, Paris , Fayard, 2003. N�o foram s� os alem�es que tiveram um s�rio "problema judeu", foram tamb�m os russos, que matavam os seus judeus de forma mais primitiva e sem a efic�cia das tecnologias e da burocracia alem�. S� que uma parte dos judeus russos respondeu tornando-se revolucion�ria, tendo um papel decisivo no comunismo sovi�tico, dando bons revolucion�rios, bons intelectuais, bons pol�cias e bons torcion�rios, uma combina��o mais comum do que se pensa, para depois ca�rem na m�quina trituradora de Estaline.

IMAGEM

de ontem era um pobre e inadequado "ca�ador de domingo", em 1848, um dos anos das revolu��es , de Carl Spitzweg. de ontem era um pobre e inadequado "ca�ador de domingo", em 1848, um dos anos das revolu��es , de Carl Spitzweg.

EARLY MORNING BLOGS 46

Sobre as nuvens. Ontem, de uma maneira, hoje, de outra. Eu sei que voar � uma actividade contra natura para os humanos. Sobre as nuvens. Ontem, de uma maneira, hoje, de outra. Eu sei que voar � uma actividade contra natura para os humanos.

OBJECTOS EM EXTIN��O (Depois numero)

A SIC passa uns document�rios sobre a natureza da BBC, que tem o sabor dos antigos filmes que passavam nos cinemas. Eram projectados na primeira parte, antes do intervalo, que precedia o filme principal. As vozes portuguesas eram magn�ficas e esse som prendia-se de tal modo �s imagens que n�o as distingo. Hoje, n�o sei quem era a voz que acompanhava as imagens (�Sem o salm�o, poucas seriam as �guias pousadas nestas �rvores�� ) , mas era a mesma, o mesmo som sem tempo.

A SIC passa uns document�rios sobre a natureza da BBC, que tem o sabor dos antigos filmes que passavam nos cinemas. Eram projectados na primeira parte, antes do intervalo, que precedia o filme principal. As vozes portuguesas eram magn�ficas e esse som prendia-se de tal modo �s imagens que n�o as distingo. Hoje, n�o sei quem era a voz que acompanhava as imagens (�Sem o salm�o, poucas seriam as �guias pousadas nestas �rvores�� ) , mas era a mesma, o mesmo som sem tempo.

ANATOMIA DE UM SARILHO

Meto-me hoje no que pode ser um sarilho monumental. Desde fins de Junho que estava combinado com a SIC (primeiro com a SIC Not�cias e depois com a SIC) um pequeno espa�o sobre �produtos�. �Produtos� dos media, da comunica��o, da pol�tica, da cultura. etc. Como � meu h�bito, n�o divulguei o que se passava e a SIC tamb�m n�o o fez, pelo que s� agora se soube. Assisti, em seguida, a algumas not�cias sobre as perip�cias dos comentadores da televis�o, com alguma �ntima ironia.

Ao aceitar faz�-lo no notici�rio de domingo, por sugest�o da SIC , � inevit�vel que tal pare�a um confronto com Marcelo Rebelo de Sousa na TVI , que domina indiscutivelmente esse espa�o da programa��o. A sua f�rmula, sejam quais forem as reservas que se tenham, tem sucesso por m�rito pr�prio e definiu um certo standard do coment�rio pol�tico. Para tudo o que se pare�a com coment�rio pol�tico, este � o espa�o mais armadilhado da televis�o portuguesa.

N�o tenho qualquer inten��o competitiva, por dois motivos principais. Por um lado, porque, naquele esquema, dificilmente algu�m far� melhor, muito menos eu. Marcelo �, ao mesmo tempo, o criador e o melhor executor da sua cria��o. � um comunicador nato e usa os mecanismos apropriados. Pode discutir-se o conte�do, mas n�o o dom�nio da f�rmula que � total e tailor made.

O segundo motivo � que o que quero fazer � diferente. N�o � completamente diferente, mas aponta noutro sentido. � mais parecido com o que pretendi e pretendo fazer com o Abrupto. No entanto, n�o beneficio aqui da vantagem do Flashback e de Marcelo, que � o reconhecimento pelos ouvintes e telespectadores do modelo e da habitua��o, o que � uma enorme vantagem da continuidade e da repeti��o. Por isso, vai ser �rduo ao princ�pio, e pode ficar sempre assim.

N�o fa�o nenhuma verdadeira distin��o de fundo, embora as haja de m�todo e de tom, entre o que escrevo nos jornais, escrevo no blogue, digo na r�dio ou na televis�o. A mim o que me interessa � argumentar, persuadir e se poss�vel convencer, porque n�o sou indiferente ao que penso e �quilo sobre que tenho opini�es, n�o sou indiferente aos resultados das palavras na ac��o, considero que h� um sentido c�vico neste tipo de interven��es. Vamos ver se resulta.

Meto-me hoje no que pode ser um sarilho monumental. Desde fins de Junho que estava combinado com a SIC (primeiro com a SIC Not�cias e depois com a SIC) um pequeno espa�o sobre �produtos�. �Produtos� dos media, da comunica��o, da pol�tica, da cultura. etc. Como � meu h�bito, n�o divulguei o que se passava e a SIC tamb�m n�o o fez, pelo que s� agora se soube. Assisti, em seguida, a algumas not�cias sobre as perip�cias dos comentadores da televis�o, com alguma �ntima ironia.Ao aceitar faz�-lo no notici�rio de domingo, por sugest�o da SIC , � inevit�vel que tal pare�a um confronto com Marcelo Rebelo de Sousa na TVI , que domina indiscutivelmente esse espa�o da programa��o. A sua f�rmula, sejam quais forem as reservas que se tenham, tem sucesso por m�rito pr�prio e definiu um certo standard do coment�rio pol�tico. Para tudo o que se pare�a com coment�rio pol�tico, este � o espa�o mais armadilhado da televis�o portuguesa.N�o tenho qualquer inten��o competitiva, por dois motivos principais. Por um lado, porque, naquele esquema, dificilmente algu�m far� melhor, muito menos eu. Marcelo �, ao mesmo tempo, o criador e o melhor executor da sua cria��o. � um comunicador nato e usa os mecanismos apropriados. Pode discutir-se o conte�do, mas n�o o dom�nio da f�rmula que � total e tailor made.O segundo motivo � que o que quero fazer � diferente. N�o � completamente diferente, mas aponta noutro sentido. � mais parecido com o que pretendi e pretendo fazer com o Abrupto. No entanto, n�o beneficio aqui da vantagem do Flashback e de Marcelo, que � o reconhecimento pelos ouvintes e telespectadores do modelo e da habitua��o, o que � uma enorme vantagem da continuidade e da repeti��o. Por isso, vai ser �rduo ao princ�pio, e pode ficar sempre assim.N�o fa�o nenhuma verdadeira distin��o de fundo, embora as haja de m�todo e de tom, entre o que escrevo nos jornais, escrevo no blogue, digo na r�dio ou na televis�o. A mim o que me interessa � argumentar, persuadir e se poss�vel convencer, porque n�o sou indiferente ao que penso e �quilo sobre que tenho opini�es, n�o sou indiferente aos resultados das palavras na ac��o, considero que h� um sentido c�vico neste tipo de interven��es. Vamos ver se resulta.

EARLY MORNING BLOGS / BLUES 45

No

Numa nota j� antiga e esquecida, falei de uma esp�cie de sonho � Blade Runner, com uma plan�cie cheia de casas e, de cada casa, um fio de voz solit�rio, direito para o c�u como um fumo de lareira. � esse fumo que est� entupir o Google.

*

Nunca me esquecer , nunca � � o objectivo do MyLifeBits. A Isabel do

�Domingo, Setembro 21, 2003

o que � que eu fiz no dia 20 de Setembro de 1990? j� n�o me lembro se tivesse um blog nessa altura, ia ver o que escrevi e tentava o recall a partir da� percebem para que � que eu fiz o blog? � uma estrat�gia de mem�ria a longo prazo...�

*

Mais �early morning� tudo. Blues, country, e �early morning� de todo o g�nero. Parece que ningu�m se sente muito bem pela manh� nas m�sicas.

De RR esta letra dos �Alabama 3, �lbum Exile on Coldharbour Lane, faixa Woke Up This Morning: (ouvi-la � compreend�-la. assim fica seca e vazia)� :

"You woke up this morning

The world turned upside down,

Things ain't been the same

Since the blues walked into town.

You've got that shotgun shine.

Born under a bad sign.

With a blue moon in your eyes."

Do Paulo Azevedo este 'Woke Up This Morning' (1971) muito animado dos Nazareth:

"Woke up this morning

My dog was dead

Someone disliked him

And shot him through the head

I woke up this morning

And my cat had died

I'm gonna miss her

Sat down and cried

Came home this evening

My hog was gone

The people here don't like me

I think I'll soon move on

And now somethin's happened

That would make a saint frown

I turned my back and

My house burned down

Woke up this morning

My dog was dead

Someone disliked him

And shot him through the head

I woke up this morning

And my cat had died

Don't you know I'm gonna miss her

Sat down and cried..."

Do Ant�nio que lembra �a n�o menos c�lebre can��o country (ou folk?) "Early Morning Rain" da autoria de um certo Gordon Lightfoot, igualmente autor do c�lebre standard "If I Could Read Your Mind". "Early Morning Rain" foi um grande �xito em 68 ou 69, se bem me lembro, pelos Peter,Paul & Mary. H� tamb�m uma vers�o do Dylan, no album "Self Portrait" editado em 1970.�

"In the early morning rain, with a dollar in my hand.

With an aching in my heart, and my pockets full of sand.

I'm a long way from home; Lord, I miss my loved ones so.

In the early morning rain, with no place to go.

Out on runway number nine: big 707 set to go.

An' I'm stuck here in the grass, with a pain that ever grows.

Now the liquor tasted good, and the women all were fast.

Well now, there she goes my friend: she'll be rolling down at last.

Hear the mighty engines roar; see the silver wing on high.

She's away and westward bound; far above the clouds she'll fly,

Where the mornin' rain don't fall, and the sun always shines.

She'll be flying over my home in about three hours time.

This old airport's got me down; it's no earthly good to me.

An' I'm stuck here on the ground as cold and drunk as I can be.

You can't jump a jet plane like you can a freight train.

So I'd best be on my way, in the early mornin' rain.

You can't jump a jet plane like you can a freight train.

So I'd best be on my way, in the early mornin' rain."

*

Bom, j� s�o horas do brunch. Uma bruma outunal pousa sobre os campos. Bom dia.

No Artista An�nimo , cita��es interessantes sobre o que os blogues est�o a fazer �s pesquisas do Google. Os efeitos perversos a mudar o mundo, como quase sempre acontece. N�o � o que n�s desejamos que se realiza, mas o ru�do que produzimos. Vem em Weber: a maioria dos nossos actos tem o efeito contr�rio da sua inten��o. Pensando bem, teria que ser assim, porque os nosos actos s�o simples na sua intencionalidade e o mundo demasiado complexo para a manter. Logo � noite vou provar desta medicina.Numa nota j� antiga e esquecida, falei de uma esp�cie de sonho � Blade Runner, com uma plan�cie cheia de casas e, de cada casa, um fio de voz solit�rio, direito para o c�u como um fumo de lareira. � esse fumo que est� entupir o Google.Nunca me esquecer , nunca � � o objectivo do MyLifeBits. A Isabel do monologo usa o blogue como uma esp�cie de MyLifeBits:�Domingo, Setembro 21, 2003o que � que eu fiz no dia 20 de Setembro de 1990? j� n�o me lembro se tivesse um blog nessa altura, ia ver o que escrevi e tentava o recall a partir da� percebem para que � que eu fiz o blog? � uma estrat�gia de mem�ria a longo prazo...�Mais �early morning� tudo. Blues, country, e �early morning� de todo o g�nero. Parece que ningu�m se sente muito bem pela manh� nas m�sicas.De RR esta letra dos �Alabama 3, �lbum Exile on Coldharbour Lane, faixa Woke Up This Morning: (ouvi-la � compreend�-la. assim fica seca e vazia)� :"You woke up this morningThe world turned upside down,Things ain't been the sameSince the blues walked into town.You've got that shotgun shine.Born under a bad sign.With a blue moon in your eyes."Do Paulo Azevedo este 'Woke Up This Morning' (1971) muito animado dos Nazareth:"Woke up this morningMy dog was deadSomeone disliked himAnd shot him through the headI woke up this morningAnd my cat had diedI'm gonna miss herSat down and criedCame home this eveningMy hog was goneThe people here don't like meI think I'll soon move onAnd now somethin's happenedThat would make a saint frownI turned my back andMy house burned downWoke up this morningMy dog was deadSomeone disliked himAnd shot him through the headI woke up this morningAnd my cat had diedDon't you know I'm gonna miss herSat down and cried..."Do Ant�nio que lembra �a n�o menos c�lebre can��o country (ou folk?) "Early Morning Rain" da autoria de um certo Gordon Lightfoot, igualmente autor do c�lebre standard "If I Could Read Your Mind". "Early Morning Rain" foi um grande �xito em 68 ou 69, se bem me lembro, pelos Peter,Paul & Mary. H� tamb�m uma vers�o do Dylan, no album "Self Portrait" editado em 1970.�"In the early morning rain, with a dollar in my hand.With an aching in my heart, and my pockets full of sand.I'm a long way from home; Lord, I miss my loved ones so.In the early morning rain, with no place to go.Out on runway number nine: big 707 set to go.An' I'm stuck here in the grass, with a pain that ever grows.Now the liquor tasted good, and the women all were fast.Well now, there she goes my friend: she'll be rolling down at last.Hear the mighty engines roar; see the silver wing on high.She's away and westward bound; far above the clouds she'll fly,Where the mornin' rain don't fall, and the sun always shines.She'll be flying over my home in about three hours time.This old airport's got me down; it's no earthly good to me.An' I'm stuck here on the ground as cold and drunk as I can be.You can't jump a jet plane like you can a freight train.So I'd best be on my way, in the early mornin' rain.You can't jump a jet plane like you can a freight train.So I'd best be on my way, in the early mornin' rain."Bom, j� s�o horas do brunch. Uma bruma outunal pousa sobre os campos. Bom dia.

IMAGENS

de ontem, um �pintor e um rapaz� (1834) de Thomas Fearnley, que est� em Cambridge, e a reconhec�vel �gruta azul� de Capri pintada por Heinrich Jakob Fried em 1835. Dois quadros quase feitos simultaneamente. Coincid�ncias.

de ontem, um �pintor e um rapaz� (1834) de Thomas Fearnley, que est� em Cambridge, e a reconhec�vel �gruta azul� de Capri pintada por Heinrich Jakob Fried em 1835. Dois quadros quase feitos simultaneamente. Coincid�ncias.

CONCUBIUM

MEM�RIA DA POL�TICA

Estive em Alcoba�a, num debate sobre arquivos pol�ticos, organizado pela Funda��o M�rio Soares, a Universidade de Coimbra e a C�mara. Referi o facto, pouco conhecido, de cada vez menos os grandes partidos democr�ticos, PS e PSD, produzirem materiais de arquivo que permitam, no futuro, conhecer o processo de decis�o, ou sequer, os mecanismos de poder partid�rio interno.

Nas reuni�es dos �rg�os formais, Comiss�es Pol�ticas, Secretariados, Conselhos Nacionais, etc., n�o h� actas, nem ordens do dia registadas, e quase nenhuns documentos internos. O n�mero de participantes que toma notas � escasso e as notas perdem-se. Algumas reuni�es s�o filmadas ou gravadas, mas a norma � n�o haver qualquer tra�o documental do que se decidiu, das posi��es tomadas, do debate realizado. �s reuni�es chegam os documentos oficiais, praticamente em vers�o definitiva.

Isto � o resultado de muitos factores que v�o no mesmo sentido: a desvaloriza��o das reuni�es dos �rg�os formais dos partidos, onde deixou de haver qualquer segredo, a favor de �rg�os informais baseados na confian�a pessoal e na discri��o; a perda de import�ncia da mem�ria institucional acompanhando a desvaloriza��o social da mem�ria, e a mudan�a do car�cter da actividade pol�tica, cada vez mais centrada numa gest�o � vista dos eventos e que n�o necessita de ser reflexiva e por isso n�o usa o papel.

Uma parte das informa��es, que anteriormente eram internas, est� hoje na imprensa, mas o historiador do futuro vai depender cada vez mais dos depoimentos orais, dos testemunhos, com todos os riscos que isso implica. A �nica excep��o a esta regra de rarefac��o documental � o correio electr�nico.

Estive em Alcoba�a, num debate sobre arquivos pol�ticos, organizado pela Funda��o M�rio Soares, a Universidade de Coimbra e a C�mara. Referi o facto, pouco conhecido, de cada vez menos os grandes partidos democr�ticos, PS e PSD, produzirem materiais de arquivo que permitam, no futuro, conhecer o processo de decis�o, ou sequer, os mecanismos de poder partid�rio interno.Nas reuni�es dos �rg�os formais, Comiss�es Pol�ticas, Secretariados, Conselhos Nacionais, etc., n�o h� actas, nem ordens do dia registadas, e quase nenhuns documentos internos. O n�m

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