Sexta-feira, Janeiro 09, 2004 Uma visão rupestre da luta estudantil Saltou-me hoje à vista, no meu jornal, o título de um artigo, "Não pagamos!". Pensei logo que era, com atraso, outra vez a guerra das propinas. O nome do autor não me dizia nada mas, por associação errada de ideias, pensei que fosse um universitário. Comecei a lê-lo e fui avançando, com crescente espanto. Discordar de algumas formas da luta estudantil, como eu e tantos outros professores de vários quadrantes fizemos, é uma coisa. Mas o chorrilho das mais primárias apreciações reaccionárias do artigo é outra e não prestigia o jornal.
Chega-se a ir até a lutas passadas, como a de Coimbra de 1969 (estava em Lisboa e já formado, mas segui-a, obviamente com todo o entusiasmo de antigo dirigente estudantil), numa perspectiva que lembra as versões oficiais da época. Só falta elogiar o "venerando" almirante, que terá sido ofendido pelo Alberto Martins. Insulta-se a memória do que sofreram esses estudantes, dois dos quais, dos mais conhecidos, nos deixaram o ano passado. Fala-se das suas carreiras políticas posteriores, como se tudo se tratasse de um carreirismo oportunista. Que o diga o meu caro amigo José Correia Pinto, sempre à margem de qualquer benesse politica, fazendo a sua actividade em função do seu mérito profissional e que foi, se não estou em erro, o único assistente de Coimbra expulso da universidade nessa altura.
Quando cheguei ao fim da penosa leitura, fiquei mais tranquilo. Lá vinha a identificação do autor. Não é um professor universitário, é um oficial da Força Aérea na reserva. Mas será que isto me tranquiliza muito?
PS Vital, tu que és de Coimbra e da história da crise de 69 e que também escreves no Público, não dás um salto de indignação?
Categorias
Entidades
Sexta-feira, Janeiro 09, 2004 Uma visão rupestre da luta estudantil Saltou-me hoje à vista, no meu jornal, o título de um artigo, "Não pagamos!". Pensei logo que era, com atraso, outra vez a guerra das propinas. O nome do autor não me dizia nada mas, por associação errada de ideias, pensei que fosse um universitário. Comecei a lê-lo e fui avançando, com crescente espanto. Discordar de algumas formas da luta estudantil, como eu e tantos outros professores de vários quadrantes fizemos, é uma coisa. Mas o chorrilho das mais primárias apreciações reaccionárias do artigo é outra e não prestigia o jornal.
Chega-se a ir até a lutas passadas, como a de Coimbra de 1969 (estava em Lisboa e já formado, mas segui-a, obviamente com todo o entusiasmo de antigo dirigente estudantil), numa perspectiva que lembra as versões oficiais da época. Só falta elogiar o "venerando" almirante, que terá sido ofendido pelo Alberto Martins. Insulta-se a memória do que sofreram esses estudantes, dois dos quais, dos mais conhecidos, nos deixaram o ano passado. Fala-se das suas carreiras políticas posteriores, como se tudo se tratasse de um carreirismo oportunista. Que o diga o meu caro amigo José Correia Pinto, sempre à margem de qualquer benesse politica, fazendo a sua actividade em função do seu mérito profissional e que foi, se não estou em erro, o único assistente de Coimbra expulso da universidade nessa altura.
Quando cheguei ao fim da penosa leitura, fiquei mais tranquilo. Lá vinha a identificação do autor. Não é um professor universitário, é um oficial da Força Aérea na reserva. Mas será que isto me tranquiliza muito?
PS Vital, tu que és de Coimbra e da história da crise de 69 e que também escreves no Público, não dás um salto de indignação?