«É tempo da política voltar à saúde», dizia, há uns dias, um ex-Ministro da Saúde. Concordo. Sobretudo se tivermos em conta, os malefícios que a Economia da Saúde, e os economistas da saúde estão a provocar à saúde dos portugueses, com a pretensão de estarem a salvar a pátria. Até este blogg já se deixou levar pela onda. De há uns tempos a esta parte, o blogg tornou-se asséptico, «técnico», «economista da saúde». Para isso têm contribuído os textos do SemMisericórdia e do Aidenós, que, sendo excelentes, têm desviado a discussão dos problemas da saúde, para o domínio dos especialistas da economia da saúde. Nem só de economia da saúde vive o homem. Antes disso, vive da própria saúde. E a saúde dos portugueses está claramente a piorar, em todos os aspectos. Nenhum ganho se conseguiu com este Ministério e muitos malefícios já redundaram da sua acção: a centralização das urgências, o fecho das maternidades, a política dos medicamentos, as taxas moderadoras no internamento e no ambulatório são alguns dos exemplos mais flagrantes do que tem sido uma política virada contra as populações, em especial contra os pobres. As pretensas medidas estruturais inovadoras, caso das USF e das Unidades de Cuidados Continuados, não se vêm, ao fim de dois anos de actividade e ninguém sabe no que vão dar. Uma coisa é certa, não vão dar melhor saúde, nem vão desagravar os problemas económicos do SNS, podem ter a certeza (eles já estão a dar conta disso). A Saúde continua à deriva, tal como o Governo, embora pareça (queiram fazer parecer) que não. O Governo já deu conta, porém, de que não vai chegar a lado nenhum, em área nenhuma. Daí estarmos a entrar, claramente, numa segunda fase, que o PSD - e bem - já diagnosticou como de claustrofobia democrática. O Governo, aqui incluídos os diferentes Ministros e os seus aparachiks (homens do aparelho), tem vindo a demonstrar tiques de verdadeiro comportamento ditatorial, de tipo estalinista. A publicação do Manual da Delação, por Alberto Costa, a perseguição ao Prof. de Inglês da DREN, as últimas mexidas nos hospitais, desde os HUC a Barcelos, mostram bem que o país está a caminhar a passos largos para um Pântano Negro. Leia-se a crónica de hoje, domingo, no Jornal Público, de Vasco Pulido Valente (VPV), onde se pode ler que «para quem não saiba, isto não sucedia durante a própria Ditadura, que não perseguiu ninguém por “um comentário jocoso” sobre Salazar». Diz VPV, citando Pacheco Pereira e José Manuel Fernandes que o ar que se respira em Portugal é um ar de subserviência, oportunismo, intimidação e medo». Um ar que, segundo Pacheco Pereira, não se respirava no Portugal do Século XIX e, segundo José Manuel Fernandes, não se respira agora em Inglaterra».A incompetência esconde-se por detrás da arrogância, do autoritarismo, da tentativa de intimidar.O que é preocupante é que quem está a dar início à execução desta nova estratégia são os Ministros que têm vivo à sombra de uma auréola de «lutadores anti-fascistas» (Alberto Costa e António Correia de Campos) e pior ainda é que o mal já está a entranhar-se, de novo (era assim no tempo da PIDE e da delação) no aparelho (vejam que até um senhor deputado, Pizarro de seu nome, ou Bizarro?, veio defender a punição do homem da anedota) e não tardará temo-lo espalhado na sociedade. Irão ser mais trinta anos?Pedro
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«É tempo da política voltar à saúde», dizia, há uns dias, um ex-Ministro da Saúde. Concordo. Sobretudo se tivermos em conta, os malefícios que a Economia da Saúde, e os economistas da saúde estão a provocar à saúde dos portugueses, com a pretensão de estarem a salvar a pátria. Até este blogg já se deixou levar pela onda. De há uns tempos a esta parte, o blogg tornou-se asséptico, «técnico», «economista da saúde». Para isso têm contribuído os textos do SemMisericórdia e do Aidenós, que, sendo excelentes, têm desviado a discussão dos problemas da saúde, para o domínio dos especialistas da economia da saúde. Nem só de economia da saúde vive o homem. Antes disso, vive da própria saúde. E a saúde dos portugueses está claramente a piorar, em todos os aspectos. Nenhum ganho se conseguiu com este Ministério e muitos malefícios já redundaram da sua acção: a centralização das urgências, o fecho das maternidades, a política dos medicamentos, as taxas moderadoras no internamento e no ambulatório são alguns dos exemplos mais flagrantes do que tem sido uma política virada contra as populações, em especial contra os pobres. As pretensas medidas estruturais inovadoras, caso das USF e das Unidades de Cuidados Continuados, não se vêm, ao fim de dois anos de actividade e ninguém sabe no que vão dar. Uma coisa é certa, não vão dar melhor saúde, nem vão desagravar os problemas económicos do SNS, podem ter a certeza (eles já estão a dar conta disso). A Saúde continua à deriva, tal como o Governo, embora pareça (queiram fazer parecer) que não. O Governo já deu conta, porém, de que não vai chegar a lado nenhum, em área nenhuma. Daí estarmos a entrar, claramente, numa segunda fase, que o PSD - e bem - já diagnosticou como de claustrofobia democrática. O Governo, aqui incluídos os diferentes Ministros e os seus aparachiks (homens do aparelho), tem vindo a demonstrar tiques de verdadeiro comportamento ditatorial, de tipo estalinista. A publicação do Manual da Delação, por Alberto Costa, a perseguição ao Prof. de Inglês da DREN, as últimas mexidas nos hospitais, desde os HUC a Barcelos, mostram bem que o país está a caminhar a passos largos para um Pântano Negro. Leia-se a crónica de hoje, domingo, no Jornal Público, de Vasco Pulido Valente (VPV), onde se pode ler que «para quem não saiba, isto não sucedia durante a própria Ditadura, que não perseguiu ninguém por “um comentário jocoso” sobre Salazar». Diz VPV, citando Pacheco Pereira e José Manuel Fernandes que o ar que se respira em Portugal é um ar de subserviência, oportunismo, intimidação e medo». Um ar que, segundo Pacheco Pereira, não se respirava no Portugal do Século XIX e, segundo José Manuel Fernandes, não se respira agora em Inglaterra».A incompetência esconde-se por detrás da arrogância, do autoritarismo, da tentativa de intimidar.O que é preocupante é que quem está a dar início à execução desta nova estratégia são os Ministros que têm vivo à sombra de uma auréola de «lutadores anti-fascistas» (Alberto Costa e António Correia de Campos) e pior ainda é que o mal já está a entranhar-se, de novo (era assim no tempo da PIDE e da delação) no aparelho (vejam que até um senhor deputado, Pizarro de seu nome, ou Bizarro?, veio defender a punição do homem da anedota) e não tardará temo-lo espalhado na sociedade. Irão ser mais trinta anos?Pedro