O Expresso diz na sua edição de hoje que a comitiva governamental que viajou para Cabo Verde fê-lo num avião da TAP num voo “regular”, especialmente criado para o efeito. A história resume-se assim: depois de recusar o preço pedido pela TAP para fretar o avião, o Governo acabou por comprar os lugares num voo especialmente criado pela TAP, mas a um custo inferior. Há que notar que a TAP não viaja normalmente para Cabo Verde à quarta-feira, criando este voo “regular” de propósito, a TAP não terá, contudo, conseguido rentabilizá-lo, uma vez que, além do Primeiro-Ministro e dos seus convidados e assessores, mais ninguém viajou no mesmo voo, ficando muitos lugares vazios e regressando o avião a Portugal sem passageiros. A companhia justifica-se ao Expresso com motivos técnicos, dizendo que o avião ia na sua capacidade máxima de carga e o gabinete de Sócrates garante que não colocou qualquer entrave a que outras pessoas viajassem no mesmo voo.À primeira vista, esta notícia do Expresso até pode parecer um acto de boa gestão de José Sócrates, ao querer baixar os custos da visita. Mas, na verdade, este episódio espelha quase tudo acerca do que tem sido a política do actual Primeiro-Ministro. Em lugar de cortar na extensão da comitiva e levar, por exemplo, apenas 80 em vez de 160 pessoas consigo, inventa um esquema mais ou menos opaco, transferindo para outro lado um prejuízo que é inevitável. Por outro lado, ao transformar um “frete” num voo “regular”, cumpriu-se a outra metade da forma de estar deste Governo: “regularizar” tudo, até o que é menos transparente. E pelo meio fica-nos ainda a dúvida sobre uma eventual ingerência do Primeiro-Ministro na gestão comercial de uma empresa.Este voo foi, por isso, uma espécie de alegoria da governação. Um ilusionismo orçamental, transferindo para outros os prejuízos em lugar de cortar na despesa. Uma espécie de P.I.N. aeronáutico, encaixando na perfeição num truque em que Sócrates está viciado: o truque de tornar “regular” o que não o é ou, se quisermos, normalizar a “chico-espertice” (olha lá, a expressão é do Professor, não é minha).
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O Expresso diz na sua edição de hoje que a comitiva governamental que viajou para Cabo Verde fê-lo num avião da TAP num voo “regular”, especialmente criado para o efeito. A história resume-se assim: depois de recusar o preço pedido pela TAP para fretar o avião, o Governo acabou por comprar os lugares num voo especialmente criado pela TAP, mas a um custo inferior. Há que notar que a TAP não viaja normalmente para Cabo Verde à quarta-feira, criando este voo “regular” de propósito, a TAP não terá, contudo, conseguido rentabilizá-lo, uma vez que, além do Primeiro-Ministro e dos seus convidados e assessores, mais ninguém viajou no mesmo voo, ficando muitos lugares vazios e regressando o avião a Portugal sem passageiros. A companhia justifica-se ao Expresso com motivos técnicos, dizendo que o avião ia na sua capacidade máxima de carga e o gabinete de Sócrates garante que não colocou qualquer entrave a que outras pessoas viajassem no mesmo voo.À primeira vista, esta notícia do Expresso até pode parecer um acto de boa gestão de José Sócrates, ao querer baixar os custos da visita. Mas, na verdade, este episódio espelha quase tudo acerca do que tem sido a política do actual Primeiro-Ministro. Em lugar de cortar na extensão da comitiva e levar, por exemplo, apenas 80 em vez de 160 pessoas consigo, inventa um esquema mais ou menos opaco, transferindo para outro lado um prejuízo que é inevitável. Por outro lado, ao transformar um “frete” num voo “regular”, cumpriu-se a outra metade da forma de estar deste Governo: “regularizar” tudo, até o que é menos transparente. E pelo meio fica-nos ainda a dúvida sobre uma eventual ingerência do Primeiro-Ministro na gestão comercial de uma empresa.Este voo foi, por isso, uma espécie de alegoria da governação. Um ilusionismo orçamental, transferindo para outros os prejuízos em lugar de cortar na despesa. Uma espécie de P.I.N. aeronáutico, encaixando na perfeição num truque em que Sócrates está viciado: o truque de tornar “regular” o que não o é ou, se quisermos, normalizar a “chico-espertice” (olha lá, a expressão é do Professor, não é minha).