PCP às voltas com filiados

15-02-2008
marcar artigo

PCP às voltas com filiados

Em 10 anos, o número de inscritos reduziu-se para metade. Mas os comunistas fazem outras contas Alterar tamanho Luiz Carvalho Militantes do PCP: em 1996, o PCP adoptou o «original método» de Agostinho Lopes para a contagem de filiados O PCP perdeu quase metade dos seus militantes nos últimos dez anos. Dos 147 mil filiados de 1994 restam agora 75 a 80 mil, segundo os valores provisórios do actual processo de refiliação, revelados no projecto de resolução política (vulgo «Teses») para o XVII Congresso. O PCP perdeu quase metade dos seus militantes nos últimos dez anos. Dos 147 mil filiados de 1994 restam agora 75 a 80 mil, segundo os valores provisórios do actual processo de refiliação, revelados no projecto de resolução política (vulgo «Teses») para o XVII Congresso. A redução «do número de inscritos», pode ler-se nas «Teses», não inibirá porém o PCP de anunciar durante o conclave «um real reforço do partido»: a opção consiste em pôr o acento tónico no aumento «do número de membros do Partido com ligação ou contacto» (ou seja, os militantes activos) em detrimento do número total de filiados. Uma estratégia - de distinção entre inscritos e militantes activos, com a valorização dos últimos - que não é nova: vem do XV Congresso, em 1996. Nesse ano, o partido confrontava-se com a perspectiva de anunciar uma nova e embaraçosa quebra de militância, a terceira em três congressos consecutivos. Foi então que o responsável pela organização, Agostinho Lopes, propôs à direcção um novo método de apresentação dos resultados. A proposta - contida num documento interno a que o EXPRESSO teve agora acesso - seria depois validada pelo Secretariado e pela Comissão Política e aplicada no congresso desse ano. E, pela primeira vez, o número oficial de militantes não apareceu na resolução política de um congresso do PCP, substituído por «um valor médio» (140 mil), menorizado perante «a consolidação do núcleo mais activo do partido». O documento em que Agostinho Lopes propõe esta alteração é revelador. Perante a perspectiva de ter de apresentar «uma nova redução do número de inscritos», o dirigente comunista defende que «uma abordagem pela simples evolução quantitativa traduz-se numa apreciação errada da situação». Agostinho Lopes diz que a apresentação da redução de militantes deveria ser «preparada politicamente por artigos» nos jornais do partido e divulgados rapidamente para permitir «que se esbatessem até ao Congresso possíveis aproveitamentos e especulações». Deveria ainda fazer-se «sobressair» a «manutenção (ou reforço) do núcleo activo do Partido», com «enfoque público, bem feito para condicionar, diverso do enfoque interno, que deve dar uma informação real». Mas, para Agostinho Lopes, isto não bastaria: «Apresentar como número de membros do Partido o número resultante da soma dos considerados inscritos pelas Organizações Regionais (mais ou menos bem ‘embrulhado’), significa inevitavelmente uma especulação sobre a perda de influência do Partido». Assim, propõe destacar «o conjunto de camaradas com ligação» e desvalorizar «o número de inscritos» considerando-o como «um número relativo». O documento em que Agostinho Lopes propõe esta alteração é revelador. Perante a perspectiva de ter de apresentar, o dirigente comunista defende queAgostinho Lopes diz que a apresentação da redução de militantes deveria sernos jornais do partido e divulgados rapidamente para permitir. Deveria ainda fazer-se, com. Mas, para Agostinho Lopes, isto não bastaria:. Assim, propõe destacare desvalorizarconsiderando-o como O método de Agostinho Lopes faria doutrina. Desde então que o PCP, nos congressos, vem anunciando o reforço da militância activa e desvalorizando o número de inscritos. Mas este Congresso, o XVII, contará com mais uma novidade: segundo o regulamento, cada delegado não representará um número concreto de militantes, mas «a média entre o número total de membros inscritos» (número antigo) e o «número de membros do Partido que tenha a sua ficha de actualização de dados preenchida e continuem na organização» (número actual). Segundo um antigo dirigente do PCP, «é uma ficção com base na qual se elegem os delegados», que permite manter o peso «de organizações do partido que apesar da perda de militantes mantêm um elevado peso interno». Curiosamente, mesmo esta ‘novidade’ estava prevista no documento de Agostinho Lopes, em 1996. Nele, propunha que ao «número de inscritos no Partido» se acrescentasse «o número de pendentes» que as organizações «resolveram não contabilizar no seu balanço».

Manuel Agostinho Magalhães

PCP às voltas com filiados

Em 10 anos, o número de inscritos reduziu-se para metade. Mas os comunistas fazem outras contas Alterar tamanho Luiz Carvalho Militantes do PCP: em 1996, o PCP adoptou o «original método» de Agostinho Lopes para a contagem de filiados O PCP perdeu quase metade dos seus militantes nos últimos dez anos. Dos 147 mil filiados de 1994 restam agora 75 a 80 mil, segundo os valores provisórios do actual processo de refiliação, revelados no projecto de resolução política (vulgo «Teses») para o XVII Congresso. O PCP perdeu quase metade dos seus militantes nos últimos dez anos. Dos 147 mil filiados de 1994 restam agora 75 a 80 mil, segundo os valores provisórios do actual processo de refiliação, revelados no projecto de resolução política (vulgo «Teses») para o XVII Congresso. A redução «do número de inscritos», pode ler-se nas «Teses», não inibirá porém o PCP de anunciar durante o conclave «um real reforço do partido»: a opção consiste em pôr o acento tónico no aumento «do número de membros do Partido com ligação ou contacto» (ou seja, os militantes activos) em detrimento do número total de filiados. Uma estratégia - de distinção entre inscritos e militantes activos, com a valorização dos últimos - que não é nova: vem do XV Congresso, em 1996. Nesse ano, o partido confrontava-se com a perspectiva de anunciar uma nova e embaraçosa quebra de militância, a terceira em três congressos consecutivos. Foi então que o responsável pela organização, Agostinho Lopes, propôs à direcção um novo método de apresentação dos resultados. A proposta - contida num documento interno a que o EXPRESSO teve agora acesso - seria depois validada pelo Secretariado e pela Comissão Política e aplicada no congresso desse ano. E, pela primeira vez, o número oficial de militantes não apareceu na resolução política de um congresso do PCP, substituído por «um valor médio» (140 mil), menorizado perante «a consolidação do núcleo mais activo do partido». O documento em que Agostinho Lopes propõe esta alteração é revelador. Perante a perspectiva de ter de apresentar «uma nova redução do número de inscritos», o dirigente comunista defende que «uma abordagem pela simples evolução quantitativa traduz-se numa apreciação errada da situação». Agostinho Lopes diz que a apresentação da redução de militantes deveria ser «preparada politicamente por artigos» nos jornais do partido e divulgados rapidamente para permitir «que se esbatessem até ao Congresso possíveis aproveitamentos e especulações». Deveria ainda fazer-se «sobressair» a «manutenção (ou reforço) do núcleo activo do Partido», com «enfoque público, bem feito para condicionar, diverso do enfoque interno, que deve dar uma informação real». Mas, para Agostinho Lopes, isto não bastaria: «Apresentar como número de membros do Partido o número resultante da soma dos considerados inscritos pelas Organizações Regionais (mais ou menos bem ‘embrulhado’), significa inevitavelmente uma especulação sobre a perda de influência do Partido». Assim, propõe destacar «o conjunto de camaradas com ligação» e desvalorizar «o número de inscritos» considerando-o como «um número relativo». O documento em que Agostinho Lopes propõe esta alteração é revelador. Perante a perspectiva de ter de apresentar, o dirigente comunista defende queAgostinho Lopes diz que a apresentação da redução de militantes deveria sernos jornais do partido e divulgados rapidamente para permitir. Deveria ainda fazer-se, com. Mas, para Agostinho Lopes, isto não bastaria:. Assim, propõe destacare desvalorizarconsiderando-o como O método de Agostinho Lopes faria doutrina. Desde então que o PCP, nos congressos, vem anunciando o reforço da militância activa e desvalorizando o número de inscritos. Mas este Congresso, o XVII, contará com mais uma novidade: segundo o regulamento, cada delegado não representará um número concreto de militantes, mas «a média entre o número total de membros inscritos» (número antigo) e o «número de membros do Partido que tenha a sua ficha de actualização de dados preenchida e continuem na organização» (número actual). Segundo um antigo dirigente do PCP, «é uma ficção com base na qual se elegem os delegados», que permite manter o peso «de organizações do partido que apesar da perda de militantes mantêm um elevado peso interno». Curiosamente, mesmo esta ‘novidade’ estava prevista no documento de Agostinho Lopes, em 1996. Nele, propunha que ao «número de inscritos no Partido» se acrescentasse «o número de pendentes» que as organizações «resolveram não contabilizar no seu balanço».

Manuel Agostinho Magalhães

marcar artigo