Da Literatura: SACCO & VANZETTI

29-09-2009
marcar artigo

O governo prepara-se para mexer no Código do Trabalho. Daquilo que se conhece, há medidas para todos os gostos: umas parecem-me óbvias, outras sensatas, e outras desnecessárias e mal explicadas. Não comento nenhuma em particular porque ainda ontem se começou a partir pedra, e as reuniões entre o ministério do Trabalho e os sindicatos estão para lavar e durar. As televisões é que tratam o assunto como se um novo Código estivesse já em vigor. O que é preciso é alvoroçar o pagode. Curiosamente, o pagode alvoroça-se pouco, porquanto (a História no-lo ensina) opinião pública e sentimento popular raramente se confundem. Entre nós, no tocante ao actual governo, ainda não se confundem (as sondagens andam por aí). Em privado, a Direita esfrega as mãos de contente, embora em público vocifere contra a malandragem. Se e quando voltar ao governo, o PSD encontrará outro país, um país em que os seus barões não tenham de sujar as mãos. Do lado da esquerda à esquerda do PS, compreendo o desconsolo, mas faz-me sempre muita confusão que algumas criaturas queiram encaixar o progresso e a modernidade em bitolas do século XIX. Basta comparar o que se passa cá, em matéria laboral, com o que se passa nas sociedades avançadas, para avaliar o anacronismo de algumas conquistas. Verdade, ninguém nos obriga a mudar. Mas, ou queremos ser como os avançados ou como os atrasados. São modelos incompatíveis. À custa de querer preservar o estilo, a França caminha a passos largos para o desastre. Vem isto a propósito de declarações ouvidas ontem a Octávio Teixeira, um político respeitado, que lembrou a jornada de oito horas de trabalho diário como uma das conquistas das lutas [na América...] que deram origem ao 1.º de Maio. Pois é. Mas quem é que hoje trabalha só oito horas por dia? As dactilógrafas do PCP?Etiquetas: Política nacional, Sociedade

O governo prepara-se para mexer no Código do Trabalho. Daquilo que se conhece, há medidas para todos os gostos: umas parecem-me óbvias, outras sensatas, e outras desnecessárias e mal explicadas. Não comento nenhuma em particular porque ainda ontem se começou a partir pedra, e as reuniões entre o ministério do Trabalho e os sindicatos estão para lavar e durar. As televisões é que tratam o assunto como se um novo Código estivesse já em vigor. O que é preciso é alvoroçar o pagode. Curiosamente, o pagode alvoroça-se pouco, porquanto (a História no-lo ensina) opinião pública e sentimento popular raramente se confundem. Entre nós, no tocante ao actual governo, ainda não se confundem (as sondagens andam por aí). Em privado, a Direita esfrega as mãos de contente, embora em público vocifere contra a malandragem. Se e quando voltar ao governo, o PSD encontrará outro país, um país em que os seus barões não tenham de sujar as mãos. Do lado da esquerda à esquerda do PS, compreendo o desconsolo, mas faz-me sempre muita confusão que algumas criaturas queiram encaixar o progresso e a modernidade em bitolas do século XIX. Basta comparar o que se passa cá, em matéria laboral, com o que se passa nas sociedades avançadas, para avaliar o anacronismo de algumas conquistas. Verdade, ninguém nos obriga a mudar. Mas, ou queremos ser como os avançados ou como os atrasados. São modelos incompatíveis. À custa de querer preservar o estilo, a França caminha a passos largos para o desastre. Vem isto a propósito de declarações ouvidas ontem a Octávio Teixeira, um político respeitado, que lembrou a jornada de oito horas de trabalho diário como uma das conquistas das lutas [na América...] que deram origem ao 1.º de Maio. Pois é. Mas quem é que hoje trabalha só oito horas por dia? As dactilógrafas do PCP?Etiquetas: Política nacional, Sociedade

marcar artigo