"Povo Açoriano? Isso não dá pão!": A minha sociedade civil é maior que a tua!

03-07-2009
marcar artigo


Berta Cabral veio dizer na sua moção de estratégia o que já era esperado e acrescentou um pormenor delicioso: quer abrir o partido à sociedade civil. A sociedade civil está para a política como o preto para a roupa: nunca passa de moda, e pode abusar-se dos dois. Já o PS antes também insistia em dizer que queria abrir o partido à sociedade civil e foi o que se viu. Deputados que entraram nos lugares elegíveis da lista do PS e que eram pretensamente representativos da "sociedade civil", mas que dependiam profissionalmente de nomeação do poder político. Este exemplo diz mais sobre o que é a "sociedade civil" açoriana do que qualquer outra coisa que se possa dizer. Provavelmente ver-se-ão nos próximos tempos muitos "independentes" aproximarem-se do PSD porque pressentem que o partido irá ganhar as próximas eleições. O melhor exemplo é o tratamento que os jornais davam a Costa Neves e o que agora dão a Berta. O mesmo acontece com as correntes de transmissão do regime na blogosfera, que também já mudaram o discurso, chegando a elogiar Berta Cabral. Percebe-se: daqui a quatro anos, será ela a decidir os fundos para a comunicação social, e não convém estar com merdas.A dimensão dos Açores não permite verdadeiramente que existam pessoas independentes em número significativo. Os poucos que existem vivem de negócios seus que não dependem do Governo. São privilegiados. As duas ilhas onde se poderia esperar encontrar gente independente (as outras não contam) são onde estão os grandes grupos e empresas, e esses gostam de estar encostados ao poder. Restaria a imprensa, se não fosse intelectualmente indigente, e os que escapam a este grupo estão condicionados, ou encostam-se às notícias que as centrais de informação dos dois partidos maiores lhes vão oferecendo. Veja-se quantos "jornalistas" tem o GACS a trabalhar, e veja-se quantos existem nas redacções dos jornais. O único programa de debate político que havia na Região acabou porque a linha do regime não conseguia prevalecer sobre a opinião do Nuno Barata. Antes das eleições havia a esperana que a entrada de novos partidos pudesse estimular o debate político: tratou-se logo de cortar fundos aos grupos parlamentares, ao passo que os gabinetes governamentais aumentaram os assessores, consultores, adjuntos e conselheiros sentimentais.Restaria a possibilidade de os blogues serem um último reduto de opinião livre: perdeu-se mais uma vez essa possibilidade. Os poucos blogues com qualidade ou foram tomados pelo poder, ou ofereceram-se eles próprios ao poder na maior parte dos casos. Pessoas que ou escrevem bem ou que ganham notoriedade sem se saber bem porquê batem à porta do poder, ou esperam impacientemente que aquele lhes chame. Numa região pobre, é a única maneira de levar uma vida melhor do que aquela a que de outro modo poderiam aspirar.Este mal não é de agora. Já vinha do PSD, que foi responsável por uma geração de idiotas que provou o sabor do poder e que se entrincheirou na função pública ou no sector público empresarial. Os PS's viam o desfile de tachos e nomeações e copiaram as "melhores práticas". Os incompetentes é que parecem ser em maior número. Quando se diz que o poder sufoca os açorianos, não é bem assim. São os próprios açorianos que gostam de ser sufocados pelo poder vigente. Têm horror à expressão não arregimentada. Temos uns Açores cheios de passivos, gente que gosta de ser dominada por uma figura que no caso não veste de cabedal nem tem chicote, mas tem lugares para oferecer.Não tenho razões para pensar que com Berta Cabral as coisas serão diferentes: não pela própria, mas porque a maioria das pessoas que a rodeia são feitas da mesma matéria que os idiotas que agora rodeiam César. Basta ver quem parasita os lugares de que o PSD dispõe na Administração Local. São os mesmos que durante anos a fio colaram cartazes, sendo que esse é provavelmente a sua única competência profissional. Colar cartazes nunca paga mais que o ordenado mínimo no sector privado, mas em política dá direito a BMW's. No fundo, os Açores são uma Região de gente que ou cola cartazes ou que os quer colar.


Berta Cabral veio dizer na sua moção de estratégia o que já era esperado e acrescentou um pormenor delicioso: quer abrir o partido à sociedade civil. A sociedade civil está para a política como o preto para a roupa: nunca passa de moda, e pode abusar-se dos dois. Já o PS antes também insistia em dizer que queria abrir o partido à sociedade civil e foi o que se viu. Deputados que entraram nos lugares elegíveis da lista do PS e que eram pretensamente representativos da "sociedade civil", mas que dependiam profissionalmente de nomeação do poder político. Este exemplo diz mais sobre o que é a "sociedade civil" açoriana do que qualquer outra coisa que se possa dizer. Provavelmente ver-se-ão nos próximos tempos muitos "independentes" aproximarem-se do PSD porque pressentem que o partido irá ganhar as próximas eleições. O melhor exemplo é o tratamento que os jornais davam a Costa Neves e o que agora dão a Berta. O mesmo acontece com as correntes de transmissão do regime na blogosfera, que também já mudaram o discurso, chegando a elogiar Berta Cabral. Percebe-se: daqui a quatro anos, será ela a decidir os fundos para a comunicação social, e não convém estar com merdas.A dimensão dos Açores não permite verdadeiramente que existam pessoas independentes em número significativo. Os poucos que existem vivem de negócios seus que não dependem do Governo. São privilegiados. As duas ilhas onde se poderia esperar encontrar gente independente (as outras não contam) são onde estão os grandes grupos e empresas, e esses gostam de estar encostados ao poder. Restaria a imprensa, se não fosse intelectualmente indigente, e os que escapam a este grupo estão condicionados, ou encostam-se às notícias que as centrais de informação dos dois partidos maiores lhes vão oferecendo. Veja-se quantos "jornalistas" tem o GACS a trabalhar, e veja-se quantos existem nas redacções dos jornais. O único programa de debate político que havia na Região acabou porque a linha do regime não conseguia prevalecer sobre a opinião do Nuno Barata. Antes das eleições havia a esperana que a entrada de novos partidos pudesse estimular o debate político: tratou-se logo de cortar fundos aos grupos parlamentares, ao passo que os gabinetes governamentais aumentaram os assessores, consultores, adjuntos e conselheiros sentimentais.Restaria a possibilidade de os blogues serem um último reduto de opinião livre: perdeu-se mais uma vez essa possibilidade. Os poucos blogues com qualidade ou foram tomados pelo poder, ou ofereceram-se eles próprios ao poder na maior parte dos casos. Pessoas que ou escrevem bem ou que ganham notoriedade sem se saber bem porquê batem à porta do poder, ou esperam impacientemente que aquele lhes chame. Numa região pobre, é a única maneira de levar uma vida melhor do que aquela a que de outro modo poderiam aspirar.Este mal não é de agora. Já vinha do PSD, que foi responsável por uma geração de idiotas que provou o sabor do poder e que se entrincheirou na função pública ou no sector público empresarial. Os PS's viam o desfile de tachos e nomeações e copiaram as "melhores práticas". Os incompetentes é que parecem ser em maior número. Quando se diz que o poder sufoca os açorianos, não é bem assim. São os próprios açorianos que gostam de ser sufocados pelo poder vigente. Têm horror à expressão não arregimentada. Temos uns Açores cheios de passivos, gente que gosta de ser dominada por uma figura que no caso não veste de cabedal nem tem chicote, mas tem lugares para oferecer.Não tenho razões para pensar que com Berta Cabral as coisas serão diferentes: não pela própria, mas porque a maioria das pessoas que a rodeia são feitas da mesma matéria que os idiotas que agora rodeiam César. Basta ver quem parasita os lugares de que o PSD dispõe na Administração Local. São os mesmos que durante anos a fio colaram cartazes, sendo que esse é provavelmente a sua única competência profissional. Colar cartazes nunca paga mais que o ordenado mínimo no sector privado, mas em política dá direito a BMW's. No fundo, os Açores são uma Região de gente que ou cola cartazes ou que os quer colar.

marcar artigo