Francisco Assis, líder parlamentar do PS, é peremptório: a bancada socialista não deve estar envolvida nas negociações entre o Governo e o PSD sobre o Orçamento do Estado (OE), pelo que não aceita qualquer mal-estar, entre os deputados, pela ausência de um parlamentar na equipa negocial do executivo. A exclusão causou algum desassossego, de facto, mas isso não foi assumido pela direcção da bancada. "A bancada é autónoma", disse Assis ao PÚBLICO, "e não faria qualquer sentido que um membro fizesse parte da equipa do Governo".
A participação do grupo socialista acontecerá mais tarde, uma vez que lhe caberá a apresentação de alterações à proposta de lei. Por isso, está já acertada a realização de uma reunião do Governo com a bancada depois de alcançado um acordo preliminar sobre o OE - o executivo irá explicar a natureza desse acordo aos deputados socialistas ainda antes da votação do OE na generalidade (2 e 3 de Novembro).
Nesta espécie de corrida contra o tempo, o ministro das Finanças irá ainda reunir-se com os deputados socialistas, num encontro marcado para a próxima quarta-feira.
Ontem, tanto Assis como o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, saudaram a abertura do PSD para negociar o OE e o líder parlamentar fez notar que a equipa apresentada pelos sociais-democratas "é um sinal do empenhamento" do maior partido da oposição. As conversações, soube-se ontem, decorrerão no Parlamento, estando agendada para amanhã à tarde a primeira de várias reuniões das equipas negociais.
O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever ×
A escolha de Eduardo Catroga para chefiar a delegação do PSD tem leituras internas. O ex-ministro das Finanças é cavaquista e o Presidente da República, Cavaco Silva, tem sido um dos defensores de um entendimento partidário no Orçamento de 2011. Mas há ainda outra interpretação: a atribuição da coordenação da equipa ao antigo governante configura uma prova de que a liderança de Passos Coelho está a abrir-se a outras sensibilidades do partido.
A delegação do Governo, por seu lado, será chefiada por Teixeira dos Santos e incluirá toda a equipa de secretários de Estado e o ministro dos Assuntos Parlamentares, que não participará em todas as reuniões porque muitas delas estarão centradas em "trabalhos técnicos".
A pacificação das relações entre o Governo e o PSD foi, contudo, abalada pelas declarações do deputado Luís Campos Ferreira, que, ontem, aconselhou o ministro da Presidência a calar-se. Garantindo falar em nome da direcção do PSD, acusou Pedro Silva Pereira de ser um "megafone do PS", aconselhando o ministro a não fazer "ruído". "O ruído é mau conselheiro", disse, rejeitando estar a cair na contradição de também ele estar a provocar "ruído". Estas afirmações aconteceram poucas horas depois de o líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, ter sublinhado a sua crença de que as conversações vão decorrer "com tranquilidade e seriedade". com Nuno Simas
Categorias
Entidades
Francisco Assis, líder parlamentar do PS, é peremptório: a bancada socialista não deve estar envolvida nas negociações entre o Governo e o PSD sobre o Orçamento do Estado (OE), pelo que não aceita qualquer mal-estar, entre os deputados, pela ausência de um parlamentar na equipa negocial do executivo. A exclusão causou algum desassossego, de facto, mas isso não foi assumido pela direcção da bancada. "A bancada é autónoma", disse Assis ao PÚBLICO, "e não faria qualquer sentido que um membro fizesse parte da equipa do Governo".
A participação do grupo socialista acontecerá mais tarde, uma vez que lhe caberá a apresentação de alterações à proposta de lei. Por isso, está já acertada a realização de uma reunião do Governo com a bancada depois de alcançado um acordo preliminar sobre o OE - o executivo irá explicar a natureza desse acordo aos deputados socialistas ainda antes da votação do OE na generalidade (2 e 3 de Novembro).
Nesta espécie de corrida contra o tempo, o ministro das Finanças irá ainda reunir-se com os deputados socialistas, num encontro marcado para a próxima quarta-feira.
Ontem, tanto Assis como o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, saudaram a abertura do PSD para negociar o OE e o líder parlamentar fez notar que a equipa apresentada pelos sociais-democratas "é um sinal do empenhamento" do maior partido da oposição. As conversações, soube-se ontem, decorrerão no Parlamento, estando agendada para amanhã à tarde a primeira de várias reuniões das equipas negociais.
O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever ×
A escolha de Eduardo Catroga para chefiar a delegação do PSD tem leituras internas. O ex-ministro das Finanças é cavaquista e o Presidente da República, Cavaco Silva, tem sido um dos defensores de um entendimento partidário no Orçamento de 2011. Mas há ainda outra interpretação: a atribuição da coordenação da equipa ao antigo governante configura uma prova de que a liderança de Passos Coelho está a abrir-se a outras sensibilidades do partido.
A delegação do Governo, por seu lado, será chefiada por Teixeira dos Santos e incluirá toda a equipa de secretários de Estado e o ministro dos Assuntos Parlamentares, que não participará em todas as reuniões porque muitas delas estarão centradas em "trabalhos técnicos".
A pacificação das relações entre o Governo e o PSD foi, contudo, abalada pelas declarações do deputado Luís Campos Ferreira, que, ontem, aconselhou o ministro da Presidência a calar-se. Garantindo falar em nome da direcção do PSD, acusou Pedro Silva Pereira de ser um "megafone do PS", aconselhando o ministro a não fazer "ruído". "O ruído é mau conselheiro", disse, rejeitando estar a cair na contradição de também ele estar a provocar "ruído". Estas afirmações aconteceram poucas horas depois de o líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, ter sublinhado a sua crença de que as conversações vão decorrer "com tranquilidade e seriedade". com Nuno Simas