Admirável Mundo Novo: o renascimento de moedas regionais

05-08-2010
marcar artigo


Estando já familiarizado com casos destes nos Açores e em Itália, gostaria de vos aconselhar a leitura do texto O renascimento de moedas regionais da autoria de Rainer Daehnhardt, que tomei a liberdade de reproduzir aqui na integra uma vez que faz eco dos meus ideais libertários e autonomistas:A grande maioria dos media europeus mantém-se calada em relação ao aparecimento de formas de pagamento regionais, dentro da zona do Euro. O jornal suíço “ZEIT-FRAGEN” (edição de 15 de Dezembro 2008, 16º ano, nº 51), porém, dedicou as suas primeiras duas páginas exclusivamente a este assunto.Informa que já existem em circulação 16 (dezasseis) moedas regionais, e com crescente aceitação por parte das populações!Os benefícios regionais são de tal ordem, que, facilmente, podem substituir o Euro, quando tal for considerado conveniente!Por exemplo, as cédulas, também consideradas vales, denominadas “CHIEM-GAUER “, que de momento já existem em 640 estabelecimentos comerciais nesta zona da Alta Bavária, que aderiram aos pagamentos em notas de Chiemgauer.Os “Chiemgauer“ são vales regionais, emitidos com a classificação: “Vereins-interner Régio-Gutschein”, ou seja, vales internos de uma associação regional. São emitidos nos valores de 1, 2, 5, 10, 20 e 50 Chiemgauer, atribuindo-se a cada Chiemgauer o valor de um euro.O Governo Alemão Federal não sabe o que deve fazer! Se proíbe a circulação, tem parte da população bávara contra si, o que é politicamente inconveniente. Se permite a sua circulação, age contra ordens secretas de Bruxelas, que, preferivelmente não são mencionadas em público. Como a circulação dos Chiemgauer, é “apenas” de três milhões de euros por ano, consideram que o assunto não requer especiais cuidados.Onde está a diferença entre o Chiemgauer e o Euro? A associação que emite o Chiemgauer assume o dever de reaceitar estes vales e de os pagar em euros.Nos euros, porém, ninguém assume responsabilidade de nada!A troca de Chiemgauer por euros tem, porém, um grande senão! Sofre uma desvalorização de 5%. Assim, quem tiver 100 Chiemgauer, que só têm validade na região do Chiemgau, vai ter de os gastar nesta região, para não perder os tais 5%. Não faz sentido levá-los para fora, pois não possuem valor e para os cambiar em euros perdem-se 5%.Com este sistema, levantou-se a Alemanha nos anos trinta, causando náuseas aos banqueiros globalistas, que não têm assim qualquer lucro.Com a circulação do Chiemgauer, fica o dinheiro na região, circulando do padeiro para o sapateiro e deste para outro trabalhador, que, de novo, o gasta no talho ou qualquer outro comércio da vila.Para evitar que alguém acumule esta riqueza criada pela força do trabalho real, limitou-se a sua circulação pelo espaço de três meses, datando todos os vales. Assim, os mesmos têm de ser gastos ou trocados, neste último caso com uma perda de 5%.Esta ideia da punição indirecta para quem acumulasse riquezas em dinheiro, já fora inventada no século XIII pelo Imperador Frederico Barba Roxa, com resultados altamente benéficos para o bem-estar do seu povo. Podemos assim olhar de forma positiva para a cada vez mais real probabilidade do desaparecimento do Euro. Vai significar um descalabro do sistema financeiro e bancário ainda vigente, mas uma transformação positiva para a Humanidade.Quem pensa que nós não temos capacidades para criar moeda separada de Bruxelas, engana-se. Já nos anos vinte e trinta do século XX, houve muitas câmaras municipais portuguesas que fizeram frente à falta dos pequenos trocos, emitindo vales camarários, de circulação geral, que corriam como moeda legal.Ainda na década dos anos setenta, houve casas comerciais em Ponta Delgada que, perante a grave crise da falta de pequenos trocos, carimbavam fragmentos do seu papel de embrulho, no qual escreviam um valor para vale, devidamente assinado e carimbado pela funcionária da caixa. Outros estabelecimentos houve, que imprimiram vales de pequenos valores, para trocos, com tal qualidade, que o Governo Regional pediu para os mesmos não serem postos em circulação, porque revelavam a grande facilidade com que se poderia criar moeda regional própria, o que era, então, considerado politicamente inconveniente (o resultado foi o arredondamento dos preços, algo altamente prejudicial para a população).Rainer DaehnhardtMais informações:http://www.zeit-fragen.chhttp://www.chiemgauer.info/http://www.regiogeld.de/Bibliografia sugerida:- Kennedy, Margrit, Lietaer, Bernard (2004): “Regionalwährungen- Auf dem Weg zu nachhaltigem Wohlstand, München.- Gelleri, Christian (2005): “Assoziative Wirtschaftsräume in Fragen der Freiheit”,Bad Boll.- Gesell,Silvio (1986): “Die natürliche Wirtschaftsordnung – Durch Freiland und Freigeld, Lauf.- Lietaer, Bernard A. (1999): “Das Geld der Zukunft – über die destructive Wirkung des existierenden Geldsystems und die Entwicklung von Komplementärwährungen, Pössnek.


Estando já familiarizado com casos destes nos Açores e em Itália, gostaria de vos aconselhar a leitura do texto O renascimento de moedas regionais da autoria de Rainer Daehnhardt, que tomei a liberdade de reproduzir aqui na integra uma vez que faz eco dos meus ideais libertários e autonomistas:A grande maioria dos media europeus mantém-se calada em relação ao aparecimento de formas de pagamento regionais, dentro da zona do Euro. O jornal suíço “ZEIT-FRAGEN” (edição de 15 de Dezembro 2008, 16º ano, nº 51), porém, dedicou as suas primeiras duas páginas exclusivamente a este assunto.Informa que já existem em circulação 16 (dezasseis) moedas regionais, e com crescente aceitação por parte das populações!Os benefícios regionais são de tal ordem, que, facilmente, podem substituir o Euro, quando tal for considerado conveniente!Por exemplo, as cédulas, também consideradas vales, denominadas “CHIEM-GAUER “, que de momento já existem em 640 estabelecimentos comerciais nesta zona da Alta Bavária, que aderiram aos pagamentos em notas de Chiemgauer.Os “Chiemgauer“ são vales regionais, emitidos com a classificação: “Vereins-interner Régio-Gutschein”, ou seja, vales internos de uma associação regional. São emitidos nos valores de 1, 2, 5, 10, 20 e 50 Chiemgauer, atribuindo-se a cada Chiemgauer o valor de um euro.O Governo Alemão Federal não sabe o que deve fazer! Se proíbe a circulação, tem parte da população bávara contra si, o que é politicamente inconveniente. Se permite a sua circulação, age contra ordens secretas de Bruxelas, que, preferivelmente não são mencionadas em público. Como a circulação dos Chiemgauer, é “apenas” de três milhões de euros por ano, consideram que o assunto não requer especiais cuidados.Onde está a diferença entre o Chiemgauer e o Euro? A associação que emite o Chiemgauer assume o dever de reaceitar estes vales e de os pagar em euros.Nos euros, porém, ninguém assume responsabilidade de nada!A troca de Chiemgauer por euros tem, porém, um grande senão! Sofre uma desvalorização de 5%. Assim, quem tiver 100 Chiemgauer, que só têm validade na região do Chiemgau, vai ter de os gastar nesta região, para não perder os tais 5%. Não faz sentido levá-los para fora, pois não possuem valor e para os cambiar em euros perdem-se 5%.Com este sistema, levantou-se a Alemanha nos anos trinta, causando náuseas aos banqueiros globalistas, que não têm assim qualquer lucro.Com a circulação do Chiemgauer, fica o dinheiro na região, circulando do padeiro para o sapateiro e deste para outro trabalhador, que, de novo, o gasta no talho ou qualquer outro comércio da vila.Para evitar que alguém acumule esta riqueza criada pela força do trabalho real, limitou-se a sua circulação pelo espaço de três meses, datando todos os vales. Assim, os mesmos têm de ser gastos ou trocados, neste último caso com uma perda de 5%.Esta ideia da punição indirecta para quem acumulasse riquezas em dinheiro, já fora inventada no século XIII pelo Imperador Frederico Barba Roxa, com resultados altamente benéficos para o bem-estar do seu povo. Podemos assim olhar de forma positiva para a cada vez mais real probabilidade do desaparecimento do Euro. Vai significar um descalabro do sistema financeiro e bancário ainda vigente, mas uma transformação positiva para a Humanidade.Quem pensa que nós não temos capacidades para criar moeda separada de Bruxelas, engana-se. Já nos anos vinte e trinta do século XX, houve muitas câmaras municipais portuguesas que fizeram frente à falta dos pequenos trocos, emitindo vales camarários, de circulação geral, que corriam como moeda legal.Ainda na década dos anos setenta, houve casas comerciais em Ponta Delgada que, perante a grave crise da falta de pequenos trocos, carimbavam fragmentos do seu papel de embrulho, no qual escreviam um valor para vale, devidamente assinado e carimbado pela funcionária da caixa. Outros estabelecimentos houve, que imprimiram vales de pequenos valores, para trocos, com tal qualidade, que o Governo Regional pediu para os mesmos não serem postos em circulação, porque revelavam a grande facilidade com que se poderia criar moeda regional própria, o que era, então, considerado politicamente inconveniente (o resultado foi o arredondamento dos preços, algo altamente prejudicial para a população).Rainer DaehnhardtMais informações:http://www.zeit-fragen.chhttp://www.chiemgauer.info/http://www.regiogeld.de/Bibliografia sugerida:- Kennedy, Margrit, Lietaer, Bernard (2004): “Regionalwährungen- Auf dem Weg zu nachhaltigem Wohlstand, München.- Gelleri, Christian (2005): “Assoziative Wirtschaftsräume in Fragen der Freiheit”,Bad Boll.- Gesell,Silvio (1986): “Die natürliche Wirtschaftsordnung – Durch Freiland und Freigeld, Lauf.- Lietaer, Bernard A. (1999): “Das Geld der Zukunft – über die destructive Wirkung des existierenden Geldsystems und die Entwicklung von Komplementärwährungen, Pössnek.

marcar artigo