É uma pequena ironia da história que as notícias sobre o PPR de Louçã e as acções dos deputados do Bloco tenham aparecido um ano depois da falência do Lehman Brothers, esse marco simbólico da "crise do capitalismo", e quando tanto se fala de uma coligação entre a extrema-esquerda e o Partido Socialista. É uma pequena ironia, não por revelar a incoerência dos críticos do sistema que afinal ganham com ele, mas por revelar que não há hoje verdadeira alternativa à economia de mercado e à democracia liberal. Se houvesse, os seus maiores inimigos não pensariam em PPRs, mas em TNT. Não contariam euros, mas espingardas. Não transaccionariam acções, passariam à acção. Não leriam o índice PSI 20 do capital, mas as notas de rodapé d`O Capital. Não iriam à bolsa, iriam aos bolsos. Dos capitalistas.Acontece que eles também são, à modesta escala da burguesia doméstica, capitalistas. Nada mostra melhor o triunfo da "exploração do homem pelo homem". Há um ano que nos pregam a maldade do lucro, as virtudes do Estado, o regresso da esquerda, a razão de Marx, o fim da opressão. Mas pousam as trombetas do apocalipse - e trocam a revolução por um PPR.Pior: a direita, esse bando de inimigos da Humanidade, vence eleições na Alemanha, em França e em Itália, pode vencê-las em Inglaterra e em Espanha, e lá na América só as perdeu para Obama, o messias, por causa do Iraque. Claro que teremos sempre Cuba e a Coreia do Norte. E Portugal. Em matéria de amanhãs que cantam, no entanto, têm a cotação um pouco por baixo.(Eu disse cotação? Ah, fui apanhado...)
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É uma pequena ironia da história que as notícias sobre o PPR de Louçã e as acções dos deputados do Bloco tenham aparecido um ano depois da falência do Lehman Brothers, esse marco simbólico da "crise do capitalismo", e quando tanto se fala de uma coligação entre a extrema-esquerda e o Partido Socialista. É uma pequena ironia, não por revelar a incoerência dos críticos do sistema que afinal ganham com ele, mas por revelar que não há hoje verdadeira alternativa à economia de mercado e à democracia liberal. Se houvesse, os seus maiores inimigos não pensariam em PPRs, mas em TNT. Não contariam euros, mas espingardas. Não transaccionariam acções, passariam à acção. Não leriam o índice PSI 20 do capital, mas as notas de rodapé d`O Capital. Não iriam à bolsa, iriam aos bolsos. Dos capitalistas.Acontece que eles também são, à modesta escala da burguesia doméstica, capitalistas. Nada mostra melhor o triunfo da "exploração do homem pelo homem". Há um ano que nos pregam a maldade do lucro, as virtudes do Estado, o regresso da esquerda, a razão de Marx, o fim da opressão. Mas pousam as trombetas do apocalipse - e trocam a revolução por um PPR.Pior: a direita, esse bando de inimigos da Humanidade, vence eleições na Alemanha, em França e em Itália, pode vencê-las em Inglaterra e em Espanha, e lá na América só as perdeu para Obama, o messias, por causa do Iraque. Claro que teremos sempre Cuba e a Coreia do Norte. E Portugal. Em matéria de amanhãs que cantam, no entanto, têm a cotação um pouco por baixo.(Eu disse cotação? Ah, fui apanhado...)