“Esta é a factura que os países mais pobres estão a pagar pelas políticas que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial lhes impuseram, que passou por desmantelar a pequena e média agricultura de subsistência”, declarou o sociólogo à agência Lusa.
Na sua opinião, a actual crise alimentar radica em “razões políticas” que estão acima das “causas técnicas”, como as de ordem ambiental ou climática.
“Uma leitura estritamente técnica esconde as razões de natureza política profunda. O que está a acontecer é o impacto no sector agrícola e alimentar daquilo que é a realidade ‘normal’ do capitalismo financeiro”, afirmou José Manuel Pureza.
“Onda de especulação muito acentuada”
O professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra lembrou que “muitos países pobres” são hoje os primeiros a serem afectados por “uma onda de especulação muito acentuada no sector agrícola”.
“Uma agricultura assim é muito mais vulnerável a crises”, acrescentou, atribuindo às “políticas neoliberais” a origem da actual ameaça de fome no mundo.
José Manuel Pureza negou que as “colheitas desastrosas, por causa das alterações climáticas”, verificadas em alguns países pobres, sejam a principal causa da escassez de alimentos.
Em todo o caso, defendeu, as alterações do clima, geralmente associadas às elevadas emissões de dióxido de carbono dos países industrializados, “são um fenómeno que não cai do céu”.
“Os seus responsáveis, os mesmos a não querem regular o problema das alterações climáticas”, salientou o professor de Relações Internacionais, dando o exemplo dos Estados Unidos, que recusaram assinar o Protocolo de Quioto.
Biocombustíveis devem ser “suspensos”
Sobre a opção pelos biocombustíveis, face à subida dos preços do petróleo, disse que “é uma falsa solução”.
José Manuel Pureza destacou a recente decisão do Conselho Científico da Agência Europeia de Ambiente de “recomendar a suspensão da meta” da Europa que aponta para a utilização de dez por cento de combustíveis de origem vegetal, até 2020.
“Esta meta precisa de ser suspensa, para evitar um desastre ambiental. Os terrenos disponíveis na União Europeia não chegariam”, alertou.
Na segunda-feira, também o botânico Jorge Paiva, em declarações à Lusa, rejeitou a produção de combustíveis a partir dos cereais, por ameaçar a alimentação humana no mundo, admitindo apenas que seja aproveitado o lixo orgânico para fins energéticos.
“A produção de biocombustíveis deve ser abandonada”, defendeu o ambientalista e catedrático aposentado da Universidade de Coimbra.
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“Esta é a factura que os países mais pobres estão a pagar pelas políticas que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial lhes impuseram, que passou por desmantelar a pequena e média agricultura de subsistência”, declarou o sociólogo à agência Lusa.
Na sua opinião, a actual crise alimentar radica em “razões políticas” que estão acima das “causas técnicas”, como as de ordem ambiental ou climática.
“Uma leitura estritamente técnica esconde as razões de natureza política profunda. O que está a acontecer é o impacto no sector agrícola e alimentar daquilo que é a realidade ‘normal’ do capitalismo financeiro”, afirmou José Manuel Pureza.
“Onda de especulação muito acentuada”
O professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra lembrou que “muitos países pobres” são hoje os primeiros a serem afectados por “uma onda de especulação muito acentuada no sector agrícola”.
“Uma agricultura assim é muito mais vulnerável a crises”, acrescentou, atribuindo às “políticas neoliberais” a origem da actual ameaça de fome no mundo.
José Manuel Pureza negou que as “colheitas desastrosas, por causa das alterações climáticas”, verificadas em alguns países pobres, sejam a principal causa da escassez de alimentos.
Em todo o caso, defendeu, as alterações do clima, geralmente associadas às elevadas emissões de dióxido de carbono dos países industrializados, “são um fenómeno que não cai do céu”.
“Os seus responsáveis, os mesmos a não querem regular o problema das alterações climáticas”, salientou o professor de Relações Internacionais, dando o exemplo dos Estados Unidos, que recusaram assinar o Protocolo de Quioto.
Biocombustíveis devem ser “suspensos”
Sobre a opção pelos biocombustíveis, face à subida dos preços do petróleo, disse que “é uma falsa solução”.
José Manuel Pureza destacou a recente decisão do Conselho Científico da Agência Europeia de Ambiente de “recomendar a suspensão da meta” da Europa que aponta para a utilização de dez por cento de combustíveis de origem vegetal, até 2020.
“Esta meta precisa de ser suspensa, para evitar um desastre ambiental. Os terrenos disponíveis na União Europeia não chegariam”, alertou.
Na segunda-feira, também o botânico Jorge Paiva, em declarações à Lusa, rejeitou a produção de combustíveis a partir dos cereais, por ameaçar a alimentação humana no mundo, admitindo apenas que seja aproveitado o lixo orgânico para fins energéticos.
“A produção de biocombustíveis deve ser abandonada”, defendeu o ambientalista e catedrático aposentado da Universidade de Coimbra.