Ao contrário do que é meu hábito, talvez por estar a chover, fui ver a área de opinião do Jornal de Negócios onde encontrei um notável artigo de opinião de Sua Exa. o Secretário de Estado Sei-Lá-Do-Quê José Magalhães sobre o potencial humano como factor de competitividade, coisa sobre o qual não estamos acostumados e cuja originalidade é de saudar.O meu camarada Monteiro vai gozar comigo por ter perdido tempo com um ex-comuna que, como toda a gente sabe, é um ser cujo direito à existência não é consensual mas, ainda assim, resolvi ler o artigo com interesse. José Magalhães, surpreendentemente, revela-se como alguém que estudou profundamente o assunto e apresenta algumas ideias bastante originais que gostaria de comentar com o camarada leitor.Assim, "As políticas de recursos humanos constituem um dos vectores mais relevantes do processo de mudança organizacional e de obtenção de vantagem competitiva"Sua Exa. revela que, não só anda atento a este mundo globalizado em permanente mudança, como às tendências das frases feitas para "power point". Confesso que há um par de anos que não via nada a começar com este "bulshit", nem encontrava ninguém que conseguisse ouvir isto sem se rir, mas não deixo de dar algum mérito a quem sabe copiar e a quem sabe o significado das palavras mesmo sem compreender a frase ou os seus objectivos. "Torna-se evidente a necessidade de cooperação entre a Universidade e as empresas, fomentando e apoiando a investigação para programas aplicados às ciências empresariais"Torna-se evidente para tão sábia pessoa e tão próxima do mundo empresarial. Para nós, gente comum, é uma verdadeira revelação no sentido bíblico porque nunca ninguém nos tinha mostrado a luz desta maneira. Para quando a cooperação entre a universidade e as empresas? Quantos mais anos teremos que esperar que a lúcida visão de Magalhães encontre a realidade? Temos que ficar à espera que o Magalhães venha mostrar, na prática e no terreno, como se faz? "Por outro lado a eliminação dos antigos institutos industriais e comerciais e agrícolas veio trazer uma lacuna na formação dos jovens, tendo-lhes sido retirada a possibilidade de estudar numa vertente mais profissional/técnica"A falta que nos faz termos engenheiros agrónomos e não regentes agrícolas!... Foram precisos anos para que este diagnóstico da falta de qualificação dos nossos jovens fosse feita mas, finalmente, ela aí está. Como pode um país ir para a frente se em vez de engenheiros técnicos electrotécnicos formamos engenheiros electrotécnicos? Pois não pode, é impossível. Tem muita razão Sua Exa. neste seu diagnóstico clarividente. "As políticas de recrutamento parecem condicionadas essencialmente pelas características e dinamismo quer das empresas quer dos sectores em que se integram"Ora aqui está mais uma demonstração da clarividência de Sua Exa. As políticas de recrutamento não são condicionadas pelas características e dinamismo das empresas, só parecem. Na realidade são condicionadas por factores etéreos, nada dependentes destas singularidades empresariais. "A generalidade das empresas industriais encontra dificuldades em encontrar jovens com formação adequada para certas especialidades. Esta escassez de técnicos é resultante de três factores:- Menor atractividade da indústria relativamente aos serviços, sendo esta actividade considerada como "status", resultante de aspectos culturais e de mentalidade.- Mau direccionamento das escolhas de cursos técnicos, desprestigiando qualquer curso técnico de produção. - Abolição de cursos técnicos profissionais considerada por muitas empresas como o "crime histórico" nas diversas reformas do sistema educativo em Portugal.A forma encontrada pelas empresas para este tipo de problema foi estabelecer relações mais estreitas com as escolas e centros de formação profissional, proporcionando estágios.Outra insuficiência da oferta é nos quadros intermédios, com capacidades de liderança capazes de chefiar equipas. Muitas empresas, embora reconheçam a importância da formação, optam pela aptidão à formação. Esta preferência pela aptidão baseia-se no princípio de atrair jovens em início de carreira criando neles o espírito da empresa. "Quem não leu o texto até aqui não reconheceu aqui o nascimento da sociologia quântica como campo do conhecimento. Repare-se na subtileza de raciocínio só ao alcance de grandes mentes iluminadas. As empresas sentem falta dos alunos dos cursos técnicos mas preferem gente com aptidão para a formação à gente com formação. É quase a identificação do empresário como uma adolescente fútil, que gosta, mas não gosta, vai mais não vai, é mas não é. Isto é de um brilhantismo quase poético!... Aconselho o camarada leitor a uma leitura profunda da obra de Sua Exa. Claro que pode não concordar comigo e achar que todo o texto é uma patetice pegada e que Sua Exa. é um perfeito imbecil. Mas, ainda assim, eu acho que estamos na presença de uma nova ideologia.
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Ao contrário do que é meu hábito, talvez por estar a chover, fui ver a área de opinião do Jornal de Negócios onde encontrei um notável artigo de opinião de Sua Exa. o Secretário de Estado Sei-Lá-Do-Quê José Magalhães sobre o potencial humano como factor de competitividade, coisa sobre o qual não estamos acostumados e cuja originalidade é de saudar.O meu camarada Monteiro vai gozar comigo por ter perdido tempo com um ex-comuna que, como toda a gente sabe, é um ser cujo direito à existência não é consensual mas, ainda assim, resolvi ler o artigo com interesse. José Magalhães, surpreendentemente, revela-se como alguém que estudou profundamente o assunto e apresenta algumas ideias bastante originais que gostaria de comentar com o camarada leitor.Assim, "As políticas de recursos humanos constituem um dos vectores mais relevantes do processo de mudança organizacional e de obtenção de vantagem competitiva"Sua Exa. revela que, não só anda atento a este mundo globalizado em permanente mudança, como às tendências das frases feitas para "power point". Confesso que há um par de anos que não via nada a começar com este "bulshit", nem encontrava ninguém que conseguisse ouvir isto sem se rir, mas não deixo de dar algum mérito a quem sabe copiar e a quem sabe o significado das palavras mesmo sem compreender a frase ou os seus objectivos. "Torna-se evidente a necessidade de cooperação entre a Universidade e as empresas, fomentando e apoiando a investigação para programas aplicados às ciências empresariais"Torna-se evidente para tão sábia pessoa e tão próxima do mundo empresarial. Para nós, gente comum, é uma verdadeira revelação no sentido bíblico porque nunca ninguém nos tinha mostrado a luz desta maneira. Para quando a cooperação entre a universidade e as empresas? Quantos mais anos teremos que esperar que a lúcida visão de Magalhães encontre a realidade? Temos que ficar à espera que o Magalhães venha mostrar, na prática e no terreno, como se faz? "Por outro lado a eliminação dos antigos institutos industriais e comerciais e agrícolas veio trazer uma lacuna na formação dos jovens, tendo-lhes sido retirada a possibilidade de estudar numa vertente mais profissional/técnica"A falta que nos faz termos engenheiros agrónomos e não regentes agrícolas!... Foram precisos anos para que este diagnóstico da falta de qualificação dos nossos jovens fosse feita mas, finalmente, ela aí está. Como pode um país ir para a frente se em vez de engenheiros técnicos electrotécnicos formamos engenheiros electrotécnicos? Pois não pode, é impossível. Tem muita razão Sua Exa. neste seu diagnóstico clarividente. "As políticas de recrutamento parecem condicionadas essencialmente pelas características e dinamismo quer das empresas quer dos sectores em que se integram"Ora aqui está mais uma demonstração da clarividência de Sua Exa. As políticas de recrutamento não são condicionadas pelas características e dinamismo das empresas, só parecem. Na realidade são condicionadas por factores etéreos, nada dependentes destas singularidades empresariais. "A generalidade das empresas industriais encontra dificuldades em encontrar jovens com formação adequada para certas especialidades. Esta escassez de técnicos é resultante de três factores:- Menor atractividade da indústria relativamente aos serviços, sendo esta actividade considerada como "status", resultante de aspectos culturais e de mentalidade.- Mau direccionamento das escolhas de cursos técnicos, desprestigiando qualquer curso técnico de produção. - Abolição de cursos técnicos profissionais considerada por muitas empresas como o "crime histórico" nas diversas reformas do sistema educativo em Portugal.A forma encontrada pelas empresas para este tipo de problema foi estabelecer relações mais estreitas com as escolas e centros de formação profissional, proporcionando estágios.Outra insuficiência da oferta é nos quadros intermédios, com capacidades de liderança capazes de chefiar equipas. Muitas empresas, embora reconheçam a importância da formação, optam pela aptidão à formação. Esta preferência pela aptidão baseia-se no princípio de atrair jovens em início de carreira criando neles o espírito da empresa. "Quem não leu o texto até aqui não reconheceu aqui o nascimento da sociologia quântica como campo do conhecimento. Repare-se na subtileza de raciocínio só ao alcance de grandes mentes iluminadas. As empresas sentem falta dos alunos dos cursos técnicos mas preferem gente com aptidão para a formação à gente com formação. É quase a identificação do empresário como uma adolescente fútil, que gosta, mas não gosta, vai mais não vai, é mas não é. Isto é de um brilhantismo quase poético!... Aconselho o camarada leitor a uma leitura profunda da obra de Sua Exa. Claro que pode não concordar comigo e achar que todo o texto é uma patetice pegada e que Sua Exa. é um perfeito imbecil. Mas, ainda assim, eu acho que estamos na presença de uma nova ideologia.