Aqui, David Cameron parece ter conseguido surpreender mais do que Obama. Conhecedor do "fraquinho" do Presidente norte-americano pela street art - recorde-se o papel que o cartaz Hope, de Frank Shephard Fairey, desempenhou na afirmação da imagem do candidato democrata na campanha presidencial de 2008 -, Cameron decidiu oferecer-lhe um quadro de um artista relativamente desconhecido na importante cena artística britânica, mas, mesmo assim, um expoente da street art, com obra "dispersa" e "impressa" nas ruas e bairros metropolitanos a sul de Londres.
Ben Eine (n. 1970) é o artista em causa. E a obra oferecida a Obama mostra letras coloridas e luminosas impressas num fundo negro numa espécie de alinhamento de jogo de Scrabble, formando a palavra Twentyfirstcenturycity (A cidade do século XXI).
É claro que a surpresa maior resultante da escolha de David Cameron acabaria por estar reservada para o próprio Ben Eine, que quando há algum tempo recebeu uma chamada telefónica do n.º 10 de Downing Street, segundo o jornal Telegraph, perguntou: "Estão a brincar comigo?".
Não era a brincar. O assessor do primeiro-ministro inglês queria mesmo perguntar-lhe se ele estava disponível para vender um quadro seu, que teria como destino ser oferecido ao Presidente Obama. Eine disse que sim, claro, e fez questão de oferecer mesmo a obra, que acabaria por ser escolhida por Cameron a partir de uma selecção prévia do artista.
Convém acrescentar, para se perceber a ousadia do gesto do primeiro-ministro conservador, que Ben Eine não é, apesar de tudo, um artista qualquer. Quando jovem, associou a prática do graffiti com outras tropelias pelas ruas suburbanas do Sul de Londres, e acabou mesmo por ir parar à cadeia por três vezes, de onde saiu, duas vezes com uma multa, e uma terceira com a obrigação de cumprir serviço comunitário.
Depois de uma curta experiência a trabalhar na companhia de seguros Lloyds, em Londres, Ben Eine decidiu regressar à rua e levar mesmo a sério a sua arte. Casou, tem três filhos e atelier montado na cidade de Hastings, a partir de onde tem vindo a impor a sua street art em diferentes cidades de Inglaterra, mas também em Paris e em Estocolmo, por exemplo. Chegou a trabalhar com o seu concidadão Banksy, e teve o seu trabalho já representado na Feira de Arte de Londres - onde os seus quadros se vendiam por alguns milhares de libras. Mas nada que permita compará-lo com a cotação do artista norte-americano Edward Ruscha (n. 1937), um nome marcante da arte do pós-guerra e do movimento pop, e que no ano passado teve uma obra sua vendida num leilão da Christie"s de Nova Iorque por mais de cinco milhões de euros... Ah, Ruscha é o autor do quadro, Speed Lines, que Obama ofereceu a Cameron.
"Neste "negócio", parece claro que há alguém que ficou a ganhar", comentou Ben Eine.
Aqui, David Cameron parece ter conseguido surpreender mais do que Obama. Conhecedor do "fraquinho" do Presidente norte-americano pela street art - recorde-se o papel que o cartaz Hope, de Frank Shephard Fairey, desempenhou na afirmação da imagem do candidato democrata na campanha presidencial de 2008 -, Cameron decidiu oferecer-lhe um quadro de um artista relativamente desconhecido na importante cena artística britânica, mas, mesmo assim, um expoente da street art, com obra "dispersa" e "impressa" nas ruas e bairros metropolitanos a sul de Londres.
Ben Eine (n. 1970) é o artista em causa. E a obra oferecida a Obama mostra letras coloridas e luminosas impressas num fundo negro numa espécie de alinhamento de jogo de Scrabble, formando a palavra Twentyfirstcenturycity (A cidade do século XXI).
É claro que a surpresa maior resultante da escolha de David Cameron acabaria por estar reservada para o próprio Ben Eine, que quando há algum tempo recebeu uma chamada telefónica do n.º 10 de Downing Street, segundo o jornal Telegraph, perguntou: "Estão a brincar comigo?".
Não era a brincar. O assessor do primeiro-ministro inglês queria mesmo perguntar-lhe se ele estava disponível para vender um quadro seu, que teria como destino ser oferecido ao Presidente Obama. Eine disse que sim, claro, e fez questão de oferecer mesmo a obra, que acabaria por ser escolhida por Cameron a partir de uma selecção prévia do artista.
Convém acrescentar, para se perceber a ousadia do gesto do primeiro-ministro conservador, que Ben Eine não é, apesar de tudo, um artista qualquer. Quando jovem, associou a prática do graffiti com outras tropelias pelas ruas suburbanas do Sul de Londres, e acabou mesmo por ir parar à cadeia por três vezes, de onde saiu, duas vezes com uma multa, e uma terceira com a obrigação de cumprir serviço comunitário.
Depois de uma curta experiência a trabalhar na companhia de seguros Lloyds, em Londres, Ben Eine decidiu regressar à rua e levar mesmo a sério a sua arte. Casou, tem três filhos e atelier montado na cidade de Hastings, a partir de onde tem vindo a impor a sua street art em diferentes cidades de Inglaterra, mas também em Paris e em Estocolmo, por exemplo. Chegou a trabalhar com o seu concidadão Banksy, e teve o seu trabalho já representado na Feira de Arte de Londres - onde os seus quadros se vendiam por alguns milhares de libras. Mas nada que permita compará-lo com a cotação do artista norte-americano Edward Ruscha (n. 1937), um nome marcante da arte do pós-guerra e do movimento pop, e que no ano passado teve uma obra sua vendida num leilão da Christie"s de Nova Iorque por mais de cinco milhões de euros... Ah, Ruscha é o autor do quadro, Speed Lines, que Obama ofereceu a Cameron.
"Neste "negócio", parece claro que há alguém que ficou a ganhar", comentou Ben Eine.