Entre as brumas da memória: Utopias

05-08-2010
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A propósito do uso do véu na Turquia, da sharia e do arcebispo da Cantuária, das desventuras de Ayaan Hirsi Ali, dos bispos e dos partidos em Espanha, de certas posições do papa e de uns tantos ouros motivos, muito se tem falado, nos últimos dias, de laicidade e laicismo, fanatismo e tolerância, multiculturalismo e integração.Que o problema religioso, e tudo o que com ele se relaciona, é hoje crucial como poucas vezes o terá sido na história da humanidade, e que é difícil prever o que se segue, parece indiscutível.Mas, de um modo geral, o que se está a fazer, é defender, alternadamente, determinadas opiniões ou as suas contrárias, por motivos puramente político-tácticos. Posições avulsas que vão mudando conforme os ventos. E, em paralelo, ouvem-se afirmações piedosas quanto às benfeitorias das religiões e das igrejas para a paz no mundo e para o entendimento entre as civilizações, frequentemente proferidas por responsáveis que se dizem ateus empedernidos.Ora estou convencida de que nada disto resolve o que quer que seja e cada vez se me impõe com maior limpidez a evidência de que o mundo viveria melhor sem religiões, que estas trouxeram – e trarão – à humanidade muito mais guerras e outros danos do que benefícios. O que, aliás, está à vista. Não sei se chego a esperar, mas desejaria certamente, que a humanidade viesse a avançar na História com esta convicção como pano de fundo. Porque acredito que só assim poderia acontecer um verdadeiro progresso na convivência entre os povos a nível global.Isto está longe de implicar atitudes de guerra aberta, intolerância ou discriminação – muito pelo contrário. Pode-se deixar que uma jovem ande de lenço na cabeça, mas tentar explicar-lhe que, ideologicamente, está errada e que está a alienar-se. A minha empregada é testemunha de Jeová e não me canso de tentar convencê-la de que está a ser enganada. Não se deve impedir que os portugueses rastejem em Fátima, mas deveria ser explicado nas televisões, nos jornais, em toda a parte, a indignidade do que estão a fazer. Uma sociedade civil laica pode/deve fazer isto tudo e a Europa tem particulares responsabilidades neste domínio, tanto para com os que por cá nasceram como para com os imigrantes.Estou, em pleno, no domínio da utopia? Certamente. Mas é ela que comanda a vida.


A propósito do uso do véu na Turquia, da sharia e do arcebispo da Cantuária, das desventuras de Ayaan Hirsi Ali, dos bispos e dos partidos em Espanha, de certas posições do papa e de uns tantos ouros motivos, muito se tem falado, nos últimos dias, de laicidade e laicismo, fanatismo e tolerância, multiculturalismo e integração.Que o problema religioso, e tudo o que com ele se relaciona, é hoje crucial como poucas vezes o terá sido na história da humanidade, e que é difícil prever o que se segue, parece indiscutível.Mas, de um modo geral, o que se está a fazer, é defender, alternadamente, determinadas opiniões ou as suas contrárias, por motivos puramente político-tácticos. Posições avulsas que vão mudando conforme os ventos. E, em paralelo, ouvem-se afirmações piedosas quanto às benfeitorias das religiões e das igrejas para a paz no mundo e para o entendimento entre as civilizações, frequentemente proferidas por responsáveis que se dizem ateus empedernidos.Ora estou convencida de que nada disto resolve o que quer que seja e cada vez se me impõe com maior limpidez a evidência de que o mundo viveria melhor sem religiões, que estas trouxeram – e trarão – à humanidade muito mais guerras e outros danos do que benefícios. O que, aliás, está à vista. Não sei se chego a esperar, mas desejaria certamente, que a humanidade viesse a avançar na História com esta convicção como pano de fundo. Porque acredito que só assim poderia acontecer um verdadeiro progresso na convivência entre os povos a nível global.Isto está longe de implicar atitudes de guerra aberta, intolerância ou discriminação – muito pelo contrário. Pode-se deixar que uma jovem ande de lenço na cabeça, mas tentar explicar-lhe que, ideologicamente, está errada e que está a alienar-se. A minha empregada é testemunha de Jeová e não me canso de tentar convencê-la de que está a ser enganada. Não se deve impedir que os portugueses rastejem em Fátima, mas deveria ser explicado nas televisões, nos jornais, em toda a parte, a indignidade do que estão a fazer. Uma sociedade civil laica pode/deve fazer isto tudo e a Europa tem particulares responsabilidades neste domínio, tanto para com os que por cá nasceram como para com os imigrantes.Estou, em pleno, no domínio da utopia? Certamente. Mas é ela que comanda a vida.

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