NOVA FRENTE

22-12-2009
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Nova epístola de Fernanda Leitão aos blogosféricos. Faça-se silêncio. Quando leio estas missivas quedo-me muitas vezes na ideia de que sou apenas o tarimbeiro que, entre duas cartas da Fernanda, tem por mester publicar uns textos para ir entretendo os leitores. Uma espécie de jogral do blogue, chocarreiro e trocista. O estagiário da redacção esperando coluna livre para dar à estampa uma banalidade. A banda anónima e desafinada da primeira parte dos concertos. Porque a Fernanda é de ler sem parança. E aí, sim, até à última gota — como diz o título do texto dela e o bom gosto recomenda.Tudo visto e revisto, tudo observado e somado, trinta anos depois duma queda de regime, necessária, e duma revolução, desnecessária, concluímos que os políticos profissionais estão convencidos que Portugal é uma vaca leiteira. Políticos profissionais são aqueles que, tendo feito cursos universitários ou nem por isso, nunca passaram por uma empresa onde tivessem de apresentar resultados positivos, ou pelo terreno sofrido a palmo das profissões liberais. Pouco trabalhadores, mediocremente criativos e dados a viver acima das suas possibilidades, meteram-se nos partidos através das célebres "Jotas", verdadeiras escolas de madraços e vivaços. Com golpes de rins, rasteiras, palmadas e outros exercícios de nobre competição, chegaram a secretários gerais de partidos, deputados, ministros e até a primeiros desta modalidade. Isto é, qualificaram-se para a ordenha sistemática da vaca nacional. Vivem da vaca nacional. Não são nada fora da vaca nacional.Excepções, entre políticos profissionais, não há. Mário Soares, por exemplo, que andou por exílios de luxo, pago e bem pago, pelo Bullosa (que mo disse o galego ele mesmo, num cocktail em Paris) e outros otários. Chegou a presidente da República depois de ter sido primeiro ministro duas vezes. Pensava-se que se retiraria para a leitura, mas a leiteira é que era o seu vício irresistível. Fez uma fundação e logo à cabeça um outro político profissional, António Guterres, pôs o orçamento público a encaminhar 600 mil contos para uma fundação sem provas dadas. Insaciável, Soares quis mais e foi abichar o salário de Bruxelas.Vejam Paulo Portas, vejam Santana Lopes, há tantos anos a viver da vaca nacional, a abusarem do sistema até ao esgotamento, desde Modernas maçónicas e promessas de palhaço a antigos combatentes, até câmaras onde se dormia de manhã por ter andando na borga de noite. Vejam agora o Morais Sarmento, aquele tipo grosso e mal encarado, que para ir a S. Tomé assinar uns papéis mandou alugar um avião, caíam-lhe os parentes na lama se fosse no avião da carreira, e feitas as assinaturas, se aboletou maila comitiva na Ilha do Príncipe, em estância turística, a fazer praia e megulhos. O avião à espera, a contar como os táxis, na pista do aeroporto de S. Tomé.E estamos todos cá pela emigração a ver a Manuela Aguiar, que se ferrou nas comunidades há mais de 20 anos, a dar a volta ao redondel do mundo para se despedir dos compadres, afilhados e amigalhaços, a pretexto de lançar um livro (que só ela leu). Mais uma volta de madame paga pelo povo — esse povo que deita pelos olhos esta profissional da política, grande e primeira responsável pelos gangs partidários que, no estrangeiro, têm vivido de abusar a boa fé dos portugueses expatriados.Não devem tardar muitos dias para vermos por cá outro profissional da política, o José Cesário, esse que tem abusado à grande das mordomias e da paciência dos eleitores. E depois feio, grosso, mentirolas, que Deus nos livre.Enfim, falei de gentinha que se propõe ordenhar a vaca até à última gota. Até a vaca, esgotada, cair para o lado.Maquereaux da Pátria, que vos pariu ingénuos / E vos amortalha infames — foi assim que Almada-Negreiros definiu esta sub-raça de nascidos em Portugal.

Nova epístola de Fernanda Leitão aos blogosféricos. Faça-se silêncio. Quando leio estas missivas quedo-me muitas vezes na ideia de que sou apenas o tarimbeiro que, entre duas cartas da Fernanda, tem por mester publicar uns textos para ir entretendo os leitores. Uma espécie de jogral do blogue, chocarreiro e trocista. O estagiário da redacção esperando coluna livre para dar à estampa uma banalidade. A banda anónima e desafinada da primeira parte dos concertos. Porque a Fernanda é de ler sem parança. E aí, sim, até à última gota — como diz o título do texto dela e o bom gosto recomenda.Tudo visto e revisto, tudo observado e somado, trinta anos depois duma queda de regime, necessária, e duma revolução, desnecessária, concluímos que os políticos profissionais estão convencidos que Portugal é uma vaca leiteira. Políticos profissionais são aqueles que, tendo feito cursos universitários ou nem por isso, nunca passaram por uma empresa onde tivessem de apresentar resultados positivos, ou pelo terreno sofrido a palmo das profissões liberais. Pouco trabalhadores, mediocremente criativos e dados a viver acima das suas possibilidades, meteram-se nos partidos através das célebres "Jotas", verdadeiras escolas de madraços e vivaços. Com golpes de rins, rasteiras, palmadas e outros exercícios de nobre competição, chegaram a secretários gerais de partidos, deputados, ministros e até a primeiros desta modalidade. Isto é, qualificaram-se para a ordenha sistemática da vaca nacional. Vivem da vaca nacional. Não são nada fora da vaca nacional.Excepções, entre políticos profissionais, não há. Mário Soares, por exemplo, que andou por exílios de luxo, pago e bem pago, pelo Bullosa (que mo disse o galego ele mesmo, num cocktail em Paris) e outros otários. Chegou a presidente da República depois de ter sido primeiro ministro duas vezes. Pensava-se que se retiraria para a leitura, mas a leiteira é que era o seu vício irresistível. Fez uma fundação e logo à cabeça um outro político profissional, António Guterres, pôs o orçamento público a encaminhar 600 mil contos para uma fundação sem provas dadas. Insaciável, Soares quis mais e foi abichar o salário de Bruxelas.Vejam Paulo Portas, vejam Santana Lopes, há tantos anos a viver da vaca nacional, a abusarem do sistema até ao esgotamento, desde Modernas maçónicas e promessas de palhaço a antigos combatentes, até câmaras onde se dormia de manhã por ter andando na borga de noite. Vejam agora o Morais Sarmento, aquele tipo grosso e mal encarado, que para ir a S. Tomé assinar uns papéis mandou alugar um avião, caíam-lhe os parentes na lama se fosse no avião da carreira, e feitas as assinaturas, se aboletou maila comitiva na Ilha do Príncipe, em estância turística, a fazer praia e megulhos. O avião à espera, a contar como os táxis, na pista do aeroporto de S. Tomé.E estamos todos cá pela emigração a ver a Manuela Aguiar, que se ferrou nas comunidades há mais de 20 anos, a dar a volta ao redondel do mundo para se despedir dos compadres, afilhados e amigalhaços, a pretexto de lançar um livro (que só ela leu). Mais uma volta de madame paga pelo povo — esse povo que deita pelos olhos esta profissional da política, grande e primeira responsável pelos gangs partidários que, no estrangeiro, têm vivido de abusar a boa fé dos portugueses expatriados.Não devem tardar muitos dias para vermos por cá outro profissional da política, o José Cesário, esse que tem abusado à grande das mordomias e da paciência dos eleitores. E depois feio, grosso, mentirolas, que Deus nos livre.Enfim, falei de gentinha que se propõe ordenhar a vaca até à última gota. Até a vaca, esgotada, cair para o lado.Maquereaux da Pátria, que vos pariu ingénuos / E vos amortalha infames — foi assim que Almada-Negreiros definiu esta sub-raça de nascidos em Portugal.

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