http://www.jn.pt/PaginaInicial/Alegadas irregularidades na gestão da Associação de Futebol de Lisboa causaram já duas demissões na direcção, eleita por três anos em 2008, mas o seu presidente, Carlos Ribeiro, refutou qualquer violação estatutária ou benefício de empresas próprias."Só nas comemorações do centenário, foi gasto meio milhão de euros. Há o risco de, em cinco ou seis meses, não haver dinheiro para pagar aos cerca de 70 funcionários. É uma clara violação dos estatutos porque o presidente e outros dois elementos tomam as decisões de adjudicar bens e serviços a empresas sem o crivo da restante direcção, ainda por cima a empresas nas quais têm interesses", disse à Lusa fonte da Associação de Futebol de Lisboa (AFL).Adriano Filipe e João Morgado, os dois membros demissionários, comunicaram a sua decisão ao presidente da Mesa da Assembleia Geral em 15 de Novembro, precisamente por se recusarem a colaborar com aquilo que consideram ser uma "gestão nada transparente", mas ainda não obtiveram resposta.Contactado pela Lusa, o advogado e líder da AFL há 10 anos, um dos nomes apontados na imprensa para suceder a Gilberto Madail na Federação Portuguesa de Futebol, rejeitou as críticas constantes das cartas de demissão dos seus pares e acusou-os de perseguirem "interesses pessoais"."A AFL normalmente não faz concursos. É uma associação de índole privada. O que se faz é uma consulta aos nossos fornecedores habituais. Fizemos um concurso limitado e por convite quando foi agora para o centenário, em 2009. Convidámos três/quatro empresas, houve três propostas e escolhemos aquela que nos pareceu mais interessante", continuou, referindo-se à agência de comunicação Prestígio, que terá absorvido a maior parte do orçamento destinado às celebrações.O dirigente estimou "o valor total das comemorações do centenário" em "à volta de 400 mil euros", frisando as diversas iniciativas desenvolvidas: "festa de abertura, gala, a edição do livro, o filme, o 'road-show', etc".Numa das cartas de demissão a que a Lusa teve acesso, denuncia-se a adjudicação "directamente, sem consulta, nem análise da direcção, de várias dezenas de milhares de euros à empresa Besign Graphics, de que é sócio o senhor presidente da direção da AFL, bem como a sua esposa", "Existe o que existe. É verdade que sou sócio dessa empresa, mas não é às escondidas, nas costas nem contra aquilo que a direcção fez. Essa empresa foi escolhida por uma questão de articulação e flexibilidade no projecto", respondeu Carlos Ribeiro, admitindo que a Besign Graphics cobrou mais de 100 mil euros à AFL pela criação do novo logótipo e imagem corporativa da instituição e produção de material como papel timbrado, cartões e brindes (estacionário).Carlos Ribeiro, assim como o vice-presidente Rui Martins e o tesoureiro, Laureano Nazaré, são ainda acusados de violar os estatutos com decisões independentes dos restantes membros da direção, nomeadamente no recrutamento de familiares, revisão de salários e até "empréstimos financeiros a funcionários".Os demissionários questionaram ainda "a recusa sistemática" no acesso aos contratos estabelecidos entre a AFL e os prestadores de serviços e aos "mapas financeiros mensais", acrescentando não existirem atas actualizadas há "pelo menos um ano", além de sugerirem que há vários colaboradores da AFL que pertencem à Carlos Ribeiro Advogados."Não há nenhum funcionário do meu escritório na AFL", rejeitou Carlos Ribeiro.A AFL, entidade que superintende o futebol a nível distrital na Grande Lisboa, conta com cerca de 500 clubes filiados e 22 500 jogadores inscritos nas provas de futebol de 11, futsal e futebol de 7, tendo apresentado em 2008/09 um orçamento global de 2,5 milhões de euros.
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http://www.jn.pt/PaginaInicial/Alegadas irregularidades na gestão da Associação de Futebol de Lisboa causaram já duas demissões na direcção, eleita por três anos em 2008, mas o seu presidente, Carlos Ribeiro, refutou qualquer violação estatutária ou benefício de empresas próprias."Só nas comemorações do centenário, foi gasto meio milhão de euros. Há o risco de, em cinco ou seis meses, não haver dinheiro para pagar aos cerca de 70 funcionários. É uma clara violação dos estatutos porque o presidente e outros dois elementos tomam as decisões de adjudicar bens e serviços a empresas sem o crivo da restante direcção, ainda por cima a empresas nas quais têm interesses", disse à Lusa fonte da Associação de Futebol de Lisboa (AFL).Adriano Filipe e João Morgado, os dois membros demissionários, comunicaram a sua decisão ao presidente da Mesa da Assembleia Geral em 15 de Novembro, precisamente por se recusarem a colaborar com aquilo que consideram ser uma "gestão nada transparente", mas ainda não obtiveram resposta.Contactado pela Lusa, o advogado e líder da AFL há 10 anos, um dos nomes apontados na imprensa para suceder a Gilberto Madail na Federação Portuguesa de Futebol, rejeitou as críticas constantes das cartas de demissão dos seus pares e acusou-os de perseguirem "interesses pessoais"."A AFL normalmente não faz concursos. É uma associação de índole privada. O que se faz é uma consulta aos nossos fornecedores habituais. Fizemos um concurso limitado e por convite quando foi agora para o centenário, em 2009. Convidámos três/quatro empresas, houve três propostas e escolhemos aquela que nos pareceu mais interessante", continuou, referindo-se à agência de comunicação Prestígio, que terá absorvido a maior parte do orçamento destinado às celebrações.O dirigente estimou "o valor total das comemorações do centenário" em "à volta de 400 mil euros", frisando as diversas iniciativas desenvolvidas: "festa de abertura, gala, a edição do livro, o filme, o 'road-show', etc".Numa das cartas de demissão a que a Lusa teve acesso, denuncia-se a adjudicação "directamente, sem consulta, nem análise da direcção, de várias dezenas de milhares de euros à empresa Besign Graphics, de que é sócio o senhor presidente da direção da AFL, bem como a sua esposa", "Existe o que existe. É verdade que sou sócio dessa empresa, mas não é às escondidas, nas costas nem contra aquilo que a direcção fez. Essa empresa foi escolhida por uma questão de articulação e flexibilidade no projecto", respondeu Carlos Ribeiro, admitindo que a Besign Graphics cobrou mais de 100 mil euros à AFL pela criação do novo logótipo e imagem corporativa da instituição e produção de material como papel timbrado, cartões e brindes (estacionário).Carlos Ribeiro, assim como o vice-presidente Rui Martins e o tesoureiro, Laureano Nazaré, são ainda acusados de violar os estatutos com decisões independentes dos restantes membros da direção, nomeadamente no recrutamento de familiares, revisão de salários e até "empréstimos financeiros a funcionários".Os demissionários questionaram ainda "a recusa sistemática" no acesso aos contratos estabelecidos entre a AFL e os prestadores de serviços e aos "mapas financeiros mensais", acrescentando não existirem atas actualizadas há "pelo menos um ano", além de sugerirem que há vários colaboradores da AFL que pertencem à Carlos Ribeiro Advogados."Não há nenhum funcionário do meu escritório na AFL", rejeitou Carlos Ribeiro.A AFL, entidade que superintende o futebol a nível distrital na Grande Lisboa, conta com cerca de 500 clubes filiados e 22 500 jogadores inscritos nas provas de futebol de 11, futsal e futebol de 7, tendo apresentado em 2008/09 um orçamento global de 2,5 milhões de euros.