As eleições presidenciais e a Monarquia Perdoem-me se repito em demasia algumas ideias já atrás exprimidas, mas não pude sinceramente ler todos os posts.
O problema das eleições presidenciais é de facto de uma importância central na questão do regime monárquico/republicano. Como se vê, a falta de candidatos minimamente carismáticos faz com que este assunto se torne não só numa montra de vaidades mas também, e não tenhamos receio de o dizer, num enorme bocejo para a generalidade do povo português. olhe-se para o momento presente para confirmar isso mesmo: raramente a questão das eleições republicanas foi simultaneamente tão pretensiosa e desinteressante como agora. Pensa-se nos possíveis futuros chefes de estado portugueses e sentem-se arrepios. Até porque a cadeira presidencial corre o sério risco de se transformar, mais que tudo, no ponto alto de um protagonismo político serôdio do que uma reserva moral que transmita ampla confiança.
É precisamente nesse ponto que se deve jogar a questão da Monarquia: porque não alguém sem conexão a projectos partidários nebulosos ou divisionários, que não tenha de se guindar ao Máximo Cargo para concretizar projectos cesaristas ou de simples vaidade, e que represente, mais do que ninguém, a verdadeira Reserva Moral do Estado? Todas as questiúnculas partidárias relativas a proto-candidatos presidenciais desapareceriam num ápice, sem reduzir em nada os caracteres do Estado de Direito. Eis sem dúvida um problema a apresentar à maioria dos portugueses, ou pelo menos áqueles que não vivem a dizer "isso da política não é nada comigo". Porque é. Com eles e com todos. E se não forem os portugueses a questionar-se sobre o seu próprio regime, mais ninguém o será. Sobretudo quando baixarem os olhos a todos os jogos que certos indivíduos, com uma carreira globalmente construída dentro do respectivo partido, realizarem na esperança do máximo protagonismo. E para evitar tal estado de coisas, a Monarquia é sem dúvida uma solução poderosa. Mas é por demais evidente que muitas outras razões se poderão sustentar para o mesmo objectivo. E todas elas igualmente válidas...
João Pedro Pimenta
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As eleições presidenciais e a Monarquia Perdoem-me se repito em demasia algumas ideias já atrás exprimidas, mas não pude sinceramente ler todos os posts.
O problema das eleições presidenciais é de facto de uma importância central na questão do regime monárquico/republicano. Como se vê, a falta de candidatos minimamente carismáticos faz com que este assunto se torne não só numa montra de vaidades mas também, e não tenhamos receio de o dizer, num enorme bocejo para a generalidade do povo português. olhe-se para o momento presente para confirmar isso mesmo: raramente a questão das eleições republicanas foi simultaneamente tão pretensiosa e desinteressante como agora. Pensa-se nos possíveis futuros chefes de estado portugueses e sentem-se arrepios. Até porque a cadeira presidencial corre o sério risco de se transformar, mais que tudo, no ponto alto de um protagonismo político serôdio do que uma reserva moral que transmita ampla confiança.
É precisamente nesse ponto que se deve jogar a questão da Monarquia: porque não alguém sem conexão a projectos partidários nebulosos ou divisionários, que não tenha de se guindar ao Máximo Cargo para concretizar projectos cesaristas ou de simples vaidade, e que represente, mais do que ninguém, a verdadeira Reserva Moral do Estado? Todas as questiúnculas partidárias relativas a proto-candidatos presidenciais desapareceriam num ápice, sem reduzir em nada os caracteres do Estado de Direito. Eis sem dúvida um problema a apresentar à maioria dos portugueses, ou pelo menos áqueles que não vivem a dizer "isso da política não é nada comigo". Porque é. Com eles e com todos. E se não forem os portugueses a questionar-se sobre o seu próprio regime, mais ninguém o será. Sobretudo quando baixarem os olhos a todos os jogos que certos indivíduos, com uma carreira globalmente construída dentro do respectivo partido, realizarem na esperança do máximo protagonismo. E para evitar tal estado de coisas, a Monarquia é sem dúvida uma solução poderosa. Mas é por demais evidente que muitas outras razões se poderão sustentar para o mesmo objectivo. E todas elas igualmente válidas...
João Pedro Pimenta