PSD rejeita críticas dos socialistas e insiste numa Constituição "mais moderna"

22-04-2010
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Depois do encontro com Cavaco, Passos Coelho reúne-se hoje com o primeiro-ministro - o PEC está na agenda do encontro

Depois do encontro com o Presidente da República, Pedro Passos Coelho reúne-se hoje com José Sócrates e a economia deverá estar no topo da agenda. Ainda que não tenha havido concertação prévia dos temas a abordar entre os gabinetes do primeiro-ministro e do novo líder do PSD para a reunião que terá lugar em S. Bento, os dados estão lançados.

No congresso de Carcavelos, que entronizou a nova liderança, Pedro Passos Coelho reiterava as suas críticas ao PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) do Governo socialista por entender que as medidas não apontam para o "crescimento económico", fustigam a classe média, aumentando os impostos, sem que a despesa do Estado emagreça. Passos retomava, assim, o guião que o acompanhou na campanha interna para as directas, demarcando-se da sua antecessora na direcção do partido. Primeiro em relação ao Orçamento do Estado; depois divergindo em relação à abstenção que viabilizou o projecto socialista no Parlamento, um sentido de voto imposto por Manuela Ferreira Leite. "Querem rasgar o PEC?", contra-atacava Sócrates na Assembleia da República, na semana passada, acusando o toque da ofensiva social-democrata.

Inscrito no âmbito dos habituais encontros protocolares após a eleição de uma nova direcção, a reunião (marcada rapidamente pelo gabinete do primeiro-ministro) poderá ter o condão de reabrir uma nova etapa nas relações entre os líderes dos dois maiores partidos. Pedro Passos Coelho fez questão de anunciar que quer falar de políticas e não de "casos", divergindo mais uma vez da estratégia da anterior liderança e tentando romper caminho para "construir soluções". "Inicia-se um novo ciclo entre a oposição e o poder", antecipa Miguel Relvas, secretário-geral e porta-voz do partido. Lacónico, acrescenta apenas que "será natural que o novo líder do PSD reafirme as suas posições e fale da governação".

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Constituição "mais moderna"

Ontem, o dia ficou marcado pela audiência com Cavaco Silva, que se prolongou por mais de uma hora do que estava inicialmente previsto. No final, não houve declarações aos jornalistas. Mas Passos saiu satisfeito de Belém.

À tarde, o líder social-democrata presidiu à primeira reunião do grupo de trabalho que vai elaborar um anteprojecto de revisão da Constituição. As críticas dos partidos da oposição (mas também de prestigiados constitucionalistas) sobre a inoportunidade e um eventual desvirtuamento do texto fundamental não travaram Passos. Ao PÚBLICO, o vice-presidente do PSD Diogo Leite Campos adiantou ter prevalecido o consenso de que "é necessária uma revisão que adapte a Constituição à integração na Europa e aos sucessivos tratados que foram sendo ratificados. Uma Constituição mais moderna". "Há pontos fundamentais que têm de ser revistos, mas isto não implica uma refundação da Constituição", garante, numa resposta às acusações lançadas pelos socialistas, que prometem ser intransigentes na defesa do Estado social. Tratando-se embora de uma reunião preparatória, terá já ficado assente que o grupo se vai reunir agora sectorialmente, por forma a ter um projecto de Constituição concluído antes do fim da sessão legislativa. Ou seja, até finais de Julho. Quanto às críticas, Diogo Leite Campos garante que o PSD saberá conviver com elas. "Serão bem aceites, neste país a crítica é livre. Mas nós temos a nossa própria perspectiva sobre o país", adverte. Presidido por Paulo Teixeira Pinto, o grupo integra mais 13 personalidades, entre as quais Jorge Bacelar Gouveia, Calvão da Silva, Paulo Pinto de Albuquerque, Rui Medeiros, Manuel Meirinho Martins, Fernando Alves Correia, Pedro Gonçalves e Amorim Pereira.

Depois do encontro com Cavaco, Passos Coelho reúne-se hoje com o primeiro-ministro - o PEC está na agenda do encontro

Depois do encontro com o Presidente da República, Pedro Passos Coelho reúne-se hoje com José Sócrates e a economia deverá estar no topo da agenda. Ainda que não tenha havido concertação prévia dos temas a abordar entre os gabinetes do primeiro-ministro e do novo líder do PSD para a reunião que terá lugar em S. Bento, os dados estão lançados.

No congresso de Carcavelos, que entronizou a nova liderança, Pedro Passos Coelho reiterava as suas críticas ao PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) do Governo socialista por entender que as medidas não apontam para o "crescimento económico", fustigam a classe média, aumentando os impostos, sem que a despesa do Estado emagreça. Passos retomava, assim, o guião que o acompanhou na campanha interna para as directas, demarcando-se da sua antecessora na direcção do partido. Primeiro em relação ao Orçamento do Estado; depois divergindo em relação à abstenção que viabilizou o projecto socialista no Parlamento, um sentido de voto imposto por Manuela Ferreira Leite. "Querem rasgar o PEC?", contra-atacava Sócrates na Assembleia da República, na semana passada, acusando o toque da ofensiva social-democrata.

Inscrito no âmbito dos habituais encontros protocolares após a eleição de uma nova direcção, a reunião (marcada rapidamente pelo gabinete do primeiro-ministro) poderá ter o condão de reabrir uma nova etapa nas relações entre os líderes dos dois maiores partidos. Pedro Passos Coelho fez questão de anunciar que quer falar de políticas e não de "casos", divergindo mais uma vez da estratégia da anterior liderança e tentando romper caminho para "construir soluções". "Inicia-se um novo ciclo entre a oposição e o poder", antecipa Miguel Relvas, secretário-geral e porta-voz do partido. Lacónico, acrescenta apenas que "será natural que o novo líder do PSD reafirme as suas posições e fale da governação".

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Constituição "mais moderna"

Ontem, o dia ficou marcado pela audiência com Cavaco Silva, que se prolongou por mais de uma hora do que estava inicialmente previsto. No final, não houve declarações aos jornalistas. Mas Passos saiu satisfeito de Belém.

À tarde, o líder social-democrata presidiu à primeira reunião do grupo de trabalho que vai elaborar um anteprojecto de revisão da Constituição. As críticas dos partidos da oposição (mas também de prestigiados constitucionalistas) sobre a inoportunidade e um eventual desvirtuamento do texto fundamental não travaram Passos. Ao PÚBLICO, o vice-presidente do PSD Diogo Leite Campos adiantou ter prevalecido o consenso de que "é necessária uma revisão que adapte a Constituição à integração na Europa e aos sucessivos tratados que foram sendo ratificados. Uma Constituição mais moderna". "Há pontos fundamentais que têm de ser revistos, mas isto não implica uma refundação da Constituição", garante, numa resposta às acusações lançadas pelos socialistas, que prometem ser intransigentes na defesa do Estado social. Tratando-se embora de uma reunião preparatória, terá já ficado assente que o grupo se vai reunir agora sectorialmente, por forma a ter um projecto de Constituição concluído antes do fim da sessão legislativa. Ou seja, até finais de Julho. Quanto às críticas, Diogo Leite Campos garante que o PSD saberá conviver com elas. "Serão bem aceites, neste país a crítica é livre. Mas nós temos a nossa própria perspectiva sobre o país", adverte. Presidido por Paulo Teixeira Pinto, o grupo integra mais 13 personalidades, entre as quais Jorge Bacelar Gouveia, Calvão da Silva, Paulo Pinto de Albuquerque, Rui Medeiros, Manuel Meirinho Martins, Fernando Alves Correia, Pedro Gonçalves e Amorim Pereira.

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