Prevenir vale mesmo a pena
por Andreia Pereira
O termo anglo-saxónico check-up pode resumir-se a uma bateria de exames, realizada em contexto de uma medicina de proximidade. «Uma avaliação centrada na pessoa (e nas suas especificidades) é, certamente, um dos métodos de prevenção das doenças e promoção dos estilos de vida saudáveis», defende João Sequeira Carlos.
Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral (APMCG), «as avaliações médicas periódicas dependem das normas fixadas para o rastreio de algumas doenças». Para João Sequeira Carlos, «os estudos internacionais provam que a realização de exames regulares de diagnóstico, em populações bem identificadas produz resultados positivos na diminuição da mortalidade e morbilidade». Com este procedimento, «é, então, possível detectar eventuais sinais de doença em fases precoces».
Em Portugal, as estruturas dos cuidados de saúde primários estão incumbidas de contactar os doentes e propor o rastreio numa das três áreas (cancro da mama, cólon e recto e colo do útero. «O médico de família (por uma questão de proximidade) deverá estabelecer a periodicidade - seguindo as normas que estão estipuladas - e solicitar a execução destes procedimentos preventivos, quando entender conveniente», esclarece Sequeira Carlos.
Investir na saúde reprodutiva
A citologia (vulgo Papanicolau) - um exame que consiste numa colheita de células da superfície do colo uterino - serve para identificar eventuais lesões no colo do útero, antes de haver manifestações clínicas. Segundo João Sequeira Carlos, a primeira citologia deverá ser feita aquando do início da vida sexual. «Se os resultados de duas citologias consecutivas anuais forem normais, estabelece-se uma periodicidade de dois em dois anos (consoante o risco individual) para a realização regular deste exame.»
No homem, «não existe, para já, evidência suficiente que justifique a implementação de um rastreio do cancro do próstata». No entanto, conforme adianta o responsável da APMCG, cabe ao especialista de Medicina Geral e Familiar fazer a avaliação das situações, podendo, em determinados casos, sugerir a realização de métodos de diagnóstico: toque rectal, análise do antigénio específico da próstata ou ecografia prostática.
Detecção do cancro da mama
Segundo o presidente da APMCG, a mamografia (um exame radiológico de avaliação da mama) deverá ser realizada, em regra, de dois em dois anos, na população de mulheres entre os 50 e os 69 anos. «Há uma recomendação para que haja um intervalo de dois anos entre cada exame. No entanto, em casos particulares - por exemplo, quando existe história familiar de cancro da mama -, poderá haver necessidade de antecipar o rastreio. Dependendo das especificidades individuais, o médico terá de ser flexível para dar indicações mais precisas em relação ao exame de diagnóstico.»
Reduzir o risco
A nível mundial, está preconizado que o rastreio do cancro colorrectal deva ser realizado a partir dos 50 anos. O exame que se utiliza para detectar eventuais lesões é a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Porém, existem exames alternativos, através de métodos de imagem: colonoscopia total ou virtual (um procedimento recente com alta sensibilidade na detecção de pólipos). No entanto, à semelhança do que acontece com outras patologias de carácter hereditário, quando se verifica a presença de um risco familiar acrescido, o exame poderá ser antecipado para os 40 anos.
«Se os resultados da pesquisa de sangue oculto nas fezes forem normais recomenda-se a realização de uma análise de dois em dois anos. Havendo um risco aumentado, os exames endoscópicos (o procedimento implementado nestas situações) deverão ser efectuados com uma periodicidade de cinco em cinco anos. Salvo raras excepções (presença de lesões detectadas em exames prévios ou doenças intestinais de carácter familiar), o intervalo para a realização do exame poderá ser encurtado para três ou um ano.»
Evitar complicações da doença instalada
«Existem procedimentos preventivos indicados para grupos de risco. No doente com diabetes ou com hipertensão arterial é fundamental a realização de procedimentos preventivos sob a forma de aconselhamento, avaliações médicas, análises laboratoriais e outros exames, com o objectivo de evitar a progressão da doença e detectar precocemente o aparecimento de complicações», completa o especialista.
Nestes grupos de doentes está recomendada a realização de um exame ao fundo do olho (para identificar a existência de retinopatia diabética), um ecocardiograma (ajuda a avaliar a função cardíaca, já que o coração é um órgão-alvo fortemente atingido pela evolução da diabetes e pela hipertensão arterial) e uma análise regular (habitualmente, de seis em seis meses, para conhecer os valores da hemoglobina glicosilada (um marcador dos níveis de concentração da glicose no sangue). Poderá ser feita uma análise à urina que permite determinar a função do rim.
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Prevenir vale mesmo a pena
por Andreia Pereira
O termo anglo-saxónico check-up pode resumir-se a uma bateria de exames, realizada em contexto de uma medicina de proximidade. «Uma avaliação centrada na pessoa (e nas suas especificidades) é, certamente, um dos métodos de prevenção das doenças e promoção dos estilos de vida saudáveis», defende João Sequeira Carlos.
Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral (APMCG), «as avaliações médicas periódicas dependem das normas fixadas para o rastreio de algumas doenças». Para João Sequeira Carlos, «os estudos internacionais provam que a realização de exames regulares de diagnóstico, em populações bem identificadas produz resultados positivos na diminuição da mortalidade e morbilidade». Com este procedimento, «é, então, possível detectar eventuais sinais de doença em fases precoces».
Em Portugal, as estruturas dos cuidados de saúde primários estão incumbidas de contactar os doentes e propor o rastreio numa das três áreas (cancro da mama, cólon e recto e colo do útero. «O médico de família (por uma questão de proximidade) deverá estabelecer a periodicidade - seguindo as normas que estão estipuladas - e solicitar a execução destes procedimentos preventivos, quando entender conveniente», esclarece Sequeira Carlos.
Investir na saúde reprodutiva
A citologia (vulgo Papanicolau) - um exame que consiste numa colheita de células da superfície do colo uterino - serve para identificar eventuais lesões no colo do útero, antes de haver manifestações clínicas. Segundo João Sequeira Carlos, a primeira citologia deverá ser feita aquando do início da vida sexual. «Se os resultados de duas citologias consecutivas anuais forem normais, estabelece-se uma periodicidade de dois em dois anos (consoante o risco individual) para a realização regular deste exame.»
No homem, «não existe, para já, evidência suficiente que justifique a implementação de um rastreio do cancro do próstata». No entanto, conforme adianta o responsável da APMCG, cabe ao especialista de Medicina Geral e Familiar fazer a avaliação das situações, podendo, em determinados casos, sugerir a realização de métodos de diagnóstico: toque rectal, análise do antigénio específico da próstata ou ecografia prostática.
Detecção do cancro da mama
Segundo o presidente da APMCG, a mamografia (um exame radiológico de avaliação da mama) deverá ser realizada, em regra, de dois em dois anos, na população de mulheres entre os 50 e os 69 anos. «Há uma recomendação para que haja um intervalo de dois anos entre cada exame. No entanto, em casos particulares - por exemplo, quando existe história familiar de cancro da mama -, poderá haver necessidade de antecipar o rastreio. Dependendo das especificidades individuais, o médico terá de ser flexível para dar indicações mais precisas em relação ao exame de diagnóstico.»
Reduzir o risco
A nível mundial, está preconizado que o rastreio do cancro colorrectal deva ser realizado a partir dos 50 anos. O exame que se utiliza para detectar eventuais lesões é a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Porém, existem exames alternativos, através de métodos de imagem: colonoscopia total ou virtual (um procedimento recente com alta sensibilidade na detecção de pólipos). No entanto, à semelhança do que acontece com outras patologias de carácter hereditário, quando se verifica a presença de um risco familiar acrescido, o exame poderá ser antecipado para os 40 anos.
«Se os resultados da pesquisa de sangue oculto nas fezes forem normais recomenda-se a realização de uma análise de dois em dois anos. Havendo um risco aumentado, os exames endoscópicos (o procedimento implementado nestas situações) deverão ser efectuados com uma periodicidade de cinco em cinco anos. Salvo raras excepções (presença de lesões detectadas em exames prévios ou doenças intestinais de carácter familiar), o intervalo para a realização do exame poderá ser encurtado para três ou um ano.»
Evitar complicações da doença instalada
«Existem procedimentos preventivos indicados para grupos de risco. No doente com diabetes ou com hipertensão arterial é fundamental a realização de procedimentos preventivos sob a forma de aconselhamento, avaliações médicas, análises laboratoriais e outros exames, com o objectivo de evitar a progressão da doença e detectar precocemente o aparecimento de complicações», completa o especialista.
Nestes grupos de doentes está recomendada a realização de um exame ao fundo do olho (para identificar a existência de retinopatia diabética), um ecocardiograma (ajuda a avaliar a função cardíaca, já que o coração é um órgão-alvo fortemente atingido pela evolução da diabetes e pela hipertensão arterial) e uma análise regular (habitualmente, de seis em seis meses, para conhecer os valores da hemoglobina glicosilada (um marcador dos níveis de concentração da glicose no sangue). Poderá ser feita uma análise à urina que permite determinar a função do rim.