aguas do sul: NÃO VOLTAREMOS ATRÁS: 25 DE ABRIL SEMPRE!!!

05-08-2010
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Em 25 de Abril de 1974 o rapaz da fotografia era furriel e estava em Nampula. Tinha chegado a Moçambique no dia das mentiras, mas era uma verdade de pesadelo. Os que nasceram depois podem perceber do que falo, se seguirem a série A GUERRA, que o canal 1 da RTP tem estado a exibir.Eu era um puto de 22 anos, que tinha andado no curso comercial, porque desde pequeno queria seguir as pegadas bem sucedidas do meu tio Armando, que me ajudara a criar e era o modelo masculino, face à ausência do pai indiferente. A avó era mãe duas vezes. Devo a ela aquilo que sou. Quando eu rezingava, durante a adolescência, com acessos de agressividade face aos pais distantes, à vida de pobre, à fome de afecto, à míngua de bens, a avó profetizava que eu ainda ia desejar muito a sua companhia, esse sim, o Bem Maior. Tinha razão. Evoco-a aqui nesta página que lembra de raspão o Portugal exangue e bolorento e fala do Portugal sonhado, desejado - que foi intensamente trilhado, mas descarrilou nesta curva apertada em que vivemos, com tanta gente esquecida daquele passado triste, a desejá-lo de novo.Gostaria apenas de ser aquele jovem mas com a sabedoria de hoje. Sei que é impossível. No entanto, sou amado. Uma luz aparece no meu caminho, incendeia-me de esperança. Não quero voltar atrás. Tenho amigos, estou de bem comigo. Publiquei vários títulos, entre versos, contos e estorinhas para a criançada, fiz teatro, viajei, participo há anos no Associativismo Popular, fundei associações, publiquei milhares de poemas em jornais e revistas, artigos em revistas de referência, gosto de viver e renovo-me em cada passo, embora haja dias e dias de cansaço e muita luta (mas não desisto) contra a estupidez e a injustiça. Sigo a máxima de Lenine: Aprender, Aprender Sempre!!! O velhote da outra imagem sou eu, autografando um dos meus livrinhos. Continuando a caminhar...Todo pasa y todo queda,pero lo nuestro es pasar,pasar haciendo caminos,caminos sobre el mar.Nunca persequí la gloria,ni dejar en la memoriade los hombres mi canción;yo amo los mundos sutiles,ingrávidos y gentiles,como pompas de jabón.Me gusta verlos pintarsede sol y grana, volarbajo el cielo azul, temblarsúbitamente y quebrarse...Nunca perseguí la gloria.Caminante, son tus huellasel camino y nada más;caminante, no hay camino,se hace camino al andar.Al andar se hace caminoy al volver la vista atrásse ve la senda que nuncase ha de volver a pisar.Caminante no hay caminosino estelas en la mar...Hace algún tiempo en ese lugardonde hoy los bosques se visten de espinosse oyó la voz de un poeta gritar"Caminante no hay camino,se hace camino al andar..."Golpe a golpe, verso a verso...Murió el poeta lejos del hogar.Le cubre el polvo de un país vecino.Al alejarse le vieron llorar."Caminante no hay camino,se hace camino al andar..."Golpe a golpe, verso a verso...Cuando el jilguero no puede cantar.Cuando el poeta es un peregrino,cuando de nada nos sirve rezar."Caminante no hay camino,se hace camino al andar..."Golpe a golpe, verso a verso.Antonio MachadoOiço de novo Ermelinda Duarte e o seu SOMOS LIVRES:"Ontem apenasFomos a voz sufocadaDum povo a dizer não quero;Fomos os bobos-do-reiMastigando desespero.Ontem apenasFomos o povo a chorarNa sarjeta dos que, à força,Ultrajaram e venderamEsta terra, hoje nossa.Uma gaivota voava, voava,Asas de vento,Coração de mar.Como ela, somos livres,Somos livres de voar.Uma papoila crescia, crescia,Grito vermelhoNum campo qualquer.Como ela somos livres,Somos livres de crescer.Uma criança dizia, dizia"quando for grandeNão vou combater".Como ela, somos livres,Somos livres de dizer.Somos um povo que cerra fileiras,Parte à conquistaDo pão e da paz.Somos livres, somos livres,Não voltaremos atrás. "25 DE ABRIL SEMPRE!!!


Em 25 de Abril de 1974 o rapaz da fotografia era furriel e estava em Nampula. Tinha chegado a Moçambique no dia das mentiras, mas era uma verdade de pesadelo. Os que nasceram depois podem perceber do que falo, se seguirem a série A GUERRA, que o canal 1 da RTP tem estado a exibir.Eu era um puto de 22 anos, que tinha andado no curso comercial, porque desde pequeno queria seguir as pegadas bem sucedidas do meu tio Armando, que me ajudara a criar e era o modelo masculino, face à ausência do pai indiferente. A avó era mãe duas vezes. Devo a ela aquilo que sou. Quando eu rezingava, durante a adolescência, com acessos de agressividade face aos pais distantes, à vida de pobre, à fome de afecto, à míngua de bens, a avó profetizava que eu ainda ia desejar muito a sua companhia, esse sim, o Bem Maior. Tinha razão. Evoco-a aqui nesta página que lembra de raspão o Portugal exangue e bolorento e fala do Portugal sonhado, desejado - que foi intensamente trilhado, mas descarrilou nesta curva apertada em que vivemos, com tanta gente esquecida daquele passado triste, a desejá-lo de novo.Gostaria apenas de ser aquele jovem mas com a sabedoria de hoje. Sei que é impossível. No entanto, sou amado. Uma luz aparece no meu caminho, incendeia-me de esperança. Não quero voltar atrás. Tenho amigos, estou de bem comigo. Publiquei vários títulos, entre versos, contos e estorinhas para a criançada, fiz teatro, viajei, participo há anos no Associativismo Popular, fundei associações, publiquei milhares de poemas em jornais e revistas, artigos em revistas de referência, gosto de viver e renovo-me em cada passo, embora haja dias e dias de cansaço e muita luta (mas não desisto) contra a estupidez e a injustiça. Sigo a máxima de Lenine: Aprender, Aprender Sempre!!! O velhote da outra imagem sou eu, autografando um dos meus livrinhos. Continuando a caminhar...Todo pasa y todo queda,pero lo nuestro es pasar,pasar haciendo caminos,caminos sobre el mar.Nunca persequí la gloria,ni dejar en la memoriade los hombres mi canción;yo amo los mundos sutiles,ingrávidos y gentiles,como pompas de jabón.Me gusta verlos pintarsede sol y grana, volarbajo el cielo azul, temblarsúbitamente y quebrarse...Nunca perseguí la gloria.Caminante, son tus huellasel camino y nada más;caminante, no hay camino,se hace camino al andar.Al andar se hace caminoy al volver la vista atrásse ve la senda que nuncase ha de volver a pisar.Caminante no hay caminosino estelas en la mar...Hace algún tiempo en ese lugardonde hoy los bosques se visten de espinosse oyó la voz de un poeta gritar"Caminante no hay camino,se hace camino al andar..."Golpe a golpe, verso a verso...Murió el poeta lejos del hogar.Le cubre el polvo de un país vecino.Al alejarse le vieron llorar."Caminante no hay camino,se hace camino al andar..."Golpe a golpe, verso a verso...Cuando el jilguero no puede cantar.Cuando el poeta es un peregrino,cuando de nada nos sirve rezar."Caminante no hay camino,se hace camino al andar..."Golpe a golpe, verso a verso.Antonio MachadoOiço de novo Ermelinda Duarte e o seu SOMOS LIVRES:"Ontem apenasFomos a voz sufocadaDum povo a dizer não quero;Fomos os bobos-do-reiMastigando desespero.Ontem apenasFomos o povo a chorarNa sarjeta dos que, à força,Ultrajaram e venderamEsta terra, hoje nossa.Uma gaivota voava, voava,Asas de vento,Coração de mar.Como ela, somos livres,Somos livres de voar.Uma papoila crescia, crescia,Grito vermelhoNum campo qualquer.Como ela somos livres,Somos livres de crescer.Uma criança dizia, dizia"quando for grandeNão vou combater".Como ela, somos livres,Somos livres de dizer.Somos um povo que cerra fileiras,Parte à conquistaDo pão e da paz.Somos livres, somos livres,Não voltaremos atrás. "25 DE ABRIL SEMPRE!!!

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