O Carmo e a Trindade: A lógica e a clubite

24-01-2011
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A SRA. D. NOÉMIA, rija mulher da Beira-Baixa, é viúva, conta já 84 anos, e tem passado quase toda a sua vida na aldeia onde, recentemente, a encontrei.No meio de muitos assuntos, falou-se das eleições autárquicas, e ela comentou que não tinha dúvidas em quem ia votar, pois todos os candidatos que agora apareciam já tinham estado no poder - e ela sabia muito bem qual é que tinha tratado de empedrar a rua; colocado bandas limitadoras de velocidade (na estrada que atravessa a aldeia); resolvido o problema da recolha do lixo; mandado analisar a água do chafariz, etc. E quem, ao invés, pouco ou nada fizera pela terra.Qual vai o partido beneficiário do seu voto... é coisa que não a preocupa - nem muito, nem pouco.Por seu lado, uma das filhas, que participava na conversa (e que reside em Lisboa há 30 ou 40 anos), comentava, de vez em quando:- Pois eu cá, vou votar no partido em que sempre votei.De facto, será esta a triste realidade, em Lisboa: impossibilitados de votar em quem tenha mostrado sensibilidade para os seus problemas concretos, muitos eleitores vão recorrer ao critério chocho de votar no seu partido ou - mais 'inteligentemente' ainda... - 'contra o inimigo'.*Mas tudo isso é apenas pretexto para relembrar o saudoso Artur Semedo:Interrogado se achava que um determinado jogo ia ser bonito, respondeu: «Eu quero lá saber! O futebol não é ballet! Eu quero é que o meu Benfica ganhe!»


A SRA. D. NOÉMIA, rija mulher da Beira-Baixa, é viúva, conta já 84 anos, e tem passado quase toda a sua vida na aldeia onde, recentemente, a encontrei.No meio de muitos assuntos, falou-se das eleições autárquicas, e ela comentou que não tinha dúvidas em quem ia votar, pois todos os candidatos que agora apareciam já tinham estado no poder - e ela sabia muito bem qual é que tinha tratado de empedrar a rua; colocado bandas limitadoras de velocidade (na estrada que atravessa a aldeia); resolvido o problema da recolha do lixo; mandado analisar a água do chafariz, etc. E quem, ao invés, pouco ou nada fizera pela terra.Qual vai o partido beneficiário do seu voto... é coisa que não a preocupa - nem muito, nem pouco.Por seu lado, uma das filhas, que participava na conversa (e que reside em Lisboa há 30 ou 40 anos), comentava, de vez em quando:- Pois eu cá, vou votar no partido em que sempre votei.De facto, será esta a triste realidade, em Lisboa: impossibilitados de votar em quem tenha mostrado sensibilidade para os seus problemas concretos, muitos eleitores vão recorrer ao critério chocho de votar no seu partido ou - mais 'inteligentemente' ainda... - 'contra o inimigo'.*Mas tudo isso é apenas pretexto para relembrar o saudoso Artur Semedo:Interrogado se achava que um determinado jogo ia ser bonito, respondeu: «Eu quero lá saber! O futebol não é ballet! Eu quero é que o meu Benfica ganhe!»

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