O Cachimbo de Magritte: Carta aberta a Palmira Silva

28-12-2009
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Caríssima PalmiraNoto que ficou chocada porque McCain não sabe quem é Zapatero. Talvez pense que os americanos andam obcecados com a Europa como nós andamos com a América. Ou talvez pense que a Espanha tem de ser a preocupação maior de qualquer Presidente americano. Eventualmente, apenas uma suspeita minha, gosta tanto, tanto, tanto, tanto de Zapatero (e das políticas sociais do seu Governo nos últimos anos) que considera o espanhol o político mais importante da actualidade. Mas não fique assim. Até parece que não sabe que os americanos são incultos e pouco sofisticados. Olhe! Até o Obama - um homem tão brilhante, tão inteligente, tão cheio de vontade de mudar a América e o mundo, tão bem educado nas universidades da Ivy League - disse publicamente que teve um tio que participou na libertação de Auschwitz. Bem, parece que não era bem o tio, era tio-avô (mas okay, tanto brilhantismo pode justificar algum exibicionismo). Seja como for, tio-avô também é família e a libertação de um campo de concentração não é coisa pequena. O problema é que Auschwitz... foi libertado pelos russos. O Obama não podia dizer aos americanos que o tio(-avô) era amigo do Estaline, pois não? Ficava mal. Mas tudo bem. O esclarecimento acabou por aparecer. Alguém da campanha comunicou que o campo em causa era em Buchenwald. Como pode ver, os americanos são mesmo uns incultos. Com ou sem Ivy League eles não se safam. O McCain, pelos vistos, desconhece a política ibérica (calculo que também não saiba que por cá mora um tipo brilhante que ainda por cima tem nome de filósofo ilustre). O Obama, por outro lado, parece que não percebe nada da história do seu próprio país (e nem sequer da sua família).  Acho que a solução é os americanos não votarem em nenhum dos dois. O melhor mesmo era os americanos elegerem um europeu para Presidente dos Estados Unidos. Isso é que era! Um europeu culto e sofisticado. (Hhuumm... quem poderia ser....? Hhuumm... assim de repente não estou a ver..., mas de certeza que se arranja!) E, já agora, como quem não quer a coisa, que tal convencermos os americanos a deixarem-nos votar nas eleições deles? Nós, os europeus, finalmente com uma palavra a dizer acerca do destino político da maior potência mundial! Até já estou com água na boca... Eles são incultos e poucos sofisticados, de certeza que vão na nossa conversa. Temos que voltar a falar no assunto. Com os melhores cumprimentosNuno


Caríssima PalmiraNoto que ficou chocada porque McCain não sabe quem é Zapatero. Talvez pense que os americanos andam obcecados com a Europa como nós andamos com a América. Ou talvez pense que a Espanha tem de ser a preocupação maior de qualquer Presidente americano. Eventualmente, apenas uma suspeita minha, gosta tanto, tanto, tanto, tanto de Zapatero (e das políticas sociais do seu Governo nos últimos anos) que considera o espanhol o político mais importante da actualidade. Mas não fique assim. Até parece que não sabe que os americanos são incultos e pouco sofisticados. Olhe! Até o Obama - um homem tão brilhante, tão inteligente, tão cheio de vontade de mudar a América e o mundo, tão bem educado nas universidades da Ivy League - disse publicamente que teve um tio que participou na libertação de Auschwitz. Bem, parece que não era bem o tio, era tio-avô (mas okay, tanto brilhantismo pode justificar algum exibicionismo). Seja como for, tio-avô também é família e a libertação de um campo de concentração não é coisa pequena. O problema é que Auschwitz... foi libertado pelos russos. O Obama não podia dizer aos americanos que o tio(-avô) era amigo do Estaline, pois não? Ficava mal. Mas tudo bem. O esclarecimento acabou por aparecer. Alguém da campanha comunicou que o campo em causa era em Buchenwald. Como pode ver, os americanos são mesmo uns incultos. Com ou sem Ivy League eles não se safam. O McCain, pelos vistos, desconhece a política ibérica (calculo que também não saiba que por cá mora um tipo brilhante que ainda por cima tem nome de filósofo ilustre). O Obama, por outro lado, parece que não percebe nada da história do seu próprio país (e nem sequer da sua família).  Acho que a solução é os americanos não votarem em nenhum dos dois. O melhor mesmo era os americanos elegerem um europeu para Presidente dos Estados Unidos. Isso é que era! Um europeu culto e sofisticado. (Hhuumm... quem poderia ser....? Hhuumm... assim de repente não estou a ver..., mas de certeza que se arranja!) E, já agora, como quem não quer a coisa, que tal convencermos os americanos a deixarem-nos votar nas eleições deles? Nós, os europeus, finalmente com uma palavra a dizer acerca do destino político da maior potência mundial! Até já estou com água na boca... Eles são incultos e poucos sofisticados, de certeza que vão na nossa conversa. Temos que voltar a falar no assunto. Com os melhores cumprimentosNuno

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