Mário Soares queixa-se de má imprensa.Talvez saudades dos anos de Belém, em que usava os jornalistas para fazer oposição ao Governo.Recordo as declarações de Estrela Serrano, publicadas na GR (Abril de 2002)."As presidências abertas foram construídas para dar visibilidade ao dr. Soares e para desgastar Cavaco Silva. (…)À hora dos principais telejornais a caravana parava, mas quando isso não acontecia a equipa do chefe de Estado gravava-os em vídeo para serem vistos à noite de modo a avaliar o impacto dos acontecimentos e se fosse caso disso introduzir correcções de estratégia.A leitura dos jornais e o facto dos autores das notícias se encontrarem quase permanentemente junto do Presidente e dos assessores facilitava o controle de desvios ao discurso oficial.Esta lógica alcançou o auge na peregrinação à volta da AML, entre 30 de Janeiro e 15 de Fevereiro de 1993, um ano e três meses após a segunda maioria absoluta do PSD e num ambiente em que a guerra entre Belém e S. Bento atingia proporções de comédia com a hipótese de dissolução da AR.Ao longo de duas semanas agricultores, estudantes, moradores, sindicalistas, desempregados, ambientalistas esperavam Soares e este era informado com antecedência da sua presença.Os assessores alertavam os jornalistas para não perderem esses momentos, a segurança encarregava-se de lhes abrir passagem até junto do primeiro magistrado da nação e este não iniciava os seus discursos sem estar rodeado dos repórteres.(…)”Estrela Serrano foi Assessora do Presidente Mário Soares, e é directora do Departamento de jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.
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Mário Soares queixa-se de má imprensa.Talvez saudades dos anos de Belém, em que usava os jornalistas para fazer oposição ao Governo.Recordo as declarações de Estrela Serrano, publicadas na GR (Abril de 2002)."As presidências abertas foram construídas para dar visibilidade ao dr. Soares e para desgastar Cavaco Silva. (…)À hora dos principais telejornais a caravana parava, mas quando isso não acontecia a equipa do chefe de Estado gravava-os em vídeo para serem vistos à noite de modo a avaliar o impacto dos acontecimentos e se fosse caso disso introduzir correcções de estratégia.A leitura dos jornais e o facto dos autores das notícias se encontrarem quase permanentemente junto do Presidente e dos assessores facilitava o controle de desvios ao discurso oficial.Esta lógica alcançou o auge na peregrinação à volta da AML, entre 30 de Janeiro e 15 de Fevereiro de 1993, um ano e três meses após a segunda maioria absoluta do PSD e num ambiente em que a guerra entre Belém e S. Bento atingia proporções de comédia com a hipótese de dissolução da AR.Ao longo de duas semanas agricultores, estudantes, moradores, sindicalistas, desempregados, ambientalistas esperavam Soares e este era informado com antecedência da sua presença.Os assessores alertavam os jornalistas para não perderem esses momentos, a segurança encarregava-se de lhes abrir passagem até junto do primeiro magistrado da nação e este não iniciava os seus discursos sem estar rodeado dos repórteres.(…)”Estrela Serrano foi Assessora do Presidente Mário Soares, e é directora do Departamento de jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.