O debate.

04-08-2010
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Ao contrário do que li nos blogues, julgo que Jerónimo de Sousa marcou alguns pontos. A vantagem começou à entrada do estúdio: quando lhe perguntaram porque é que levava uma gravata vermelha, o líder comunista retorquiu com simplicidade que fora escolhida pela mulher. (Chave: no PCP não há consultores de imagem).

Durante o debate, Jerónimo parecia ansioso como um homem que conhece bem os seus limites: estava ali entre os doutores e receava desiludir os camaradas. Este nervosismo tem algo de tocante, e suponho que foi instantaneamente reconhecido pelo eleitorado comunista: Jerónimo é um dos seus.

Enquanto Louçã matraqueava as doutas catilinárias do costume, Jerónimo parecia realmente comovido ao falar dos pobres, dos trabalhadores, dos velhinhos com reformas miseráveis. Melhor ainda foi tentar conter essas emoções, não as transformar em espectáculo político.

A cortesia de Louçã pareceu intencional e estudada; a cortesia de Jerónimo é involuntária, reactiva, vem-lhe do âmago e aparece sem esforço. O homem tem dificuldade em não ser cortês. Isto notou-se principalmente quando falavam da direita, de Sócrates, dos ricos, enfim, de terceiros.

Louçã tem a pose de um jovem demasiado esperto, que leu muitos livros mas nunca teve um emprego. Jerónimo é um homem de família que vai com os netinhos para o baloiço, bebe uma cerveja ocasional com os camaradas e tenta estar à altura de um trabalho difícil, que não escolheu. É natural que os bloggers prefiram o primeiro. Quanto aos eleitores, logo saberemos.

Ao contrário do que li nos blogues, julgo que Jerónimo de Sousa marcou alguns pontos. A vantagem começou à entrada do estúdio: quando lhe perguntaram porque é que levava uma gravata vermelha, o líder comunista retorquiu com simplicidade que fora escolhida pela mulher. (Chave: no PCP não há consultores de imagem).

Durante o debate, Jerónimo parecia ansioso como um homem que conhece bem os seus limites: estava ali entre os doutores e receava desiludir os camaradas. Este nervosismo tem algo de tocante, e suponho que foi instantaneamente reconhecido pelo eleitorado comunista: Jerónimo é um dos seus.

Enquanto Louçã matraqueava as doutas catilinárias do costume, Jerónimo parecia realmente comovido ao falar dos pobres, dos trabalhadores, dos velhinhos com reformas miseráveis. Melhor ainda foi tentar conter essas emoções, não as transformar em espectáculo político.

A cortesia de Louçã pareceu intencional e estudada; a cortesia de Jerónimo é involuntária, reactiva, vem-lhe do âmago e aparece sem esforço. O homem tem dificuldade em não ser cortês. Isto notou-se principalmente quando falavam da direita, de Sócrates, dos ricos, enfim, de terceiros.

Louçã tem a pose de um jovem demasiado esperto, que leu muitos livros mas nunca teve um emprego. Jerónimo é um homem de família que vai com os netinhos para o baloiço, bebe uma cerveja ocasional com os camaradas e tenta estar à altura de um trabalho difícil, que não escolheu. É natural que os bloggers prefiram o primeiro. Quanto aos eleitores, logo saberemos.

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