O candidato apoiado pelo PS e Bloco cavou diferenças com o actual Presidente na garantia de combater medidas que ponham em causa a escola, saúde e segurança social públicas
a O abraço e os dois beijos efusivos com que Manuel Alegre recebeu Edite Estrela no final do discurso de ontem à noite no Centro Cultural de Belém, Lisboa, em que centrou todos os ataques em Cavaco Silva e na promessa de vetar tentativas de acabar com serviços públicos, poderiam ser de agradecimento pela carta de apoio ao candidato que a eurodeputada enviou aos militantes socialistas. Mas Alegre diz que não, que aquela foi uma missiva "normal".
Parece uma posição concertada: à entrada para a sessão de discursos, Maria de Belém dizia ao PÚBLICO que tal apoio "é sempre importante e bom pela dinâmica que pode gerar", mas desvalorizava o tempo que o PS demorou a apoiar Manuel Alegre - a 30 de Maio. "Uma eleição presidencial não depende de partidos; são estes que escolhem qual a altura oportuna para demonstrar apoio", comentou a mandatária nacional, que no seu discurso não se cansou de valorizar o perfil de homem da cultura e da liberdade do candidato - "o poeta da liberdade e da libertação". Pelo palco do pequeno auditório do CCB passaram todos os mandatários nacionais de Alegre e ainda Daniel Sampaio, por Lisboa. No final, para cantar o hino, também ali subiram Almeida Santos, António Arnaut, do PS, e os bloquistas José Manuel Pureza e Helena Pinto.
O mandatário financeiro António Carlos Santos também deixou recados, prometeu uma campanha "austera, mas entusiasta e inventiva" e, sendo o homem dos números, foi dele que se ouviram contas aos votos. "O principal adversário de Manuel Alegre é a abstenção - se esse adversário for vencido, a segunda volta está ao seu alcance [para derrotar Cavaco]."
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Menos contundente do que os tempos em que ainda não tinha a bênção do PS, Manuel Alegre apontou agora baterias exclusivamente para Cavaco Silva. Há crise, sim, mas em todo o mundo ela existe e o país não está insustentável; há um défice excessivo, é certo, mas isso já vem dos tempos em que Cavaco era primeiro-ministro - "e foi no seu mandato que se deu o maior aumento da despesa pública".
Recusando embarcar em leituras meramente "contabilísticas" da realidade -"Portugal não é só números nem só um manual de finança" -, Alegre vincou que o défice de Portugal "é antes um défice social, de emprego, de justiça e de solidariedade". Lembrou quem vive abaixo do limiar de pobreza e os desempregados - mas não procurou causas nem culpados.
Os portugueses, afirmou, terão que fazer uma escolha de racionalidade "por ou contra a defesa da Constituição, uma saúde tendencialmente gratuita, uma escola pública e republicana", a preservação de direitos e liberdades, "uma visão de Portugal com cultura e sentido histórico" - e esse "por" o actual Presidente "não pode assegurar". Referindo-se repetidamente ao respeito pela Constituição - que o PSD quer rever já - Alegre garantiu também que sendo eleito impedirá a facilitação do desemprego e que exercerá "sem hesitação" os seus poderes, "se algum partido quiser acabar com a escola, a saúde ou a segurança social públicas".
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O candidato apoiado pelo PS e Bloco cavou diferenças com o actual Presidente na garantia de combater medidas que ponham em causa a escola, saúde e segurança social públicas
a O abraço e os dois beijos efusivos com que Manuel Alegre recebeu Edite Estrela no final do discurso de ontem à noite no Centro Cultural de Belém, Lisboa, em que centrou todos os ataques em Cavaco Silva e na promessa de vetar tentativas de acabar com serviços públicos, poderiam ser de agradecimento pela carta de apoio ao candidato que a eurodeputada enviou aos militantes socialistas. Mas Alegre diz que não, que aquela foi uma missiva "normal".
Parece uma posição concertada: à entrada para a sessão de discursos, Maria de Belém dizia ao PÚBLICO que tal apoio "é sempre importante e bom pela dinâmica que pode gerar", mas desvalorizava o tempo que o PS demorou a apoiar Manuel Alegre - a 30 de Maio. "Uma eleição presidencial não depende de partidos; são estes que escolhem qual a altura oportuna para demonstrar apoio", comentou a mandatária nacional, que no seu discurso não se cansou de valorizar o perfil de homem da cultura e da liberdade do candidato - "o poeta da liberdade e da libertação". Pelo palco do pequeno auditório do CCB passaram todos os mandatários nacionais de Alegre e ainda Daniel Sampaio, por Lisboa. No final, para cantar o hino, também ali subiram Almeida Santos, António Arnaut, do PS, e os bloquistas José Manuel Pureza e Helena Pinto.
O mandatário financeiro António Carlos Santos também deixou recados, prometeu uma campanha "austera, mas entusiasta e inventiva" e, sendo o homem dos números, foi dele que se ouviram contas aos votos. "O principal adversário de Manuel Alegre é a abstenção - se esse adversário for vencido, a segunda volta está ao seu alcance [para derrotar Cavaco]."
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Menos contundente do que os tempos em que ainda não tinha a bênção do PS, Manuel Alegre apontou agora baterias exclusivamente para Cavaco Silva. Há crise, sim, mas em todo o mundo ela existe e o país não está insustentável; há um défice excessivo, é certo, mas isso já vem dos tempos em que Cavaco era primeiro-ministro - "e foi no seu mandato que se deu o maior aumento da despesa pública".
Recusando embarcar em leituras meramente "contabilísticas" da realidade -"Portugal não é só números nem só um manual de finança" -, Alegre vincou que o défice de Portugal "é antes um défice social, de emprego, de justiça e de solidariedade". Lembrou quem vive abaixo do limiar de pobreza e os desempregados - mas não procurou causas nem culpados.
Os portugueses, afirmou, terão que fazer uma escolha de racionalidade "por ou contra a defesa da Constituição, uma saúde tendencialmente gratuita, uma escola pública e republicana", a preservação de direitos e liberdades, "uma visão de Portugal com cultura e sentido histórico" - e esse "por" o actual Presidente "não pode assegurar". Referindo-se repetidamente ao respeito pela Constituição - que o PSD quer rever já - Alegre garantiu também que sendo eleito impedirá a facilitação do desemprego e que exercerá "sem hesitação" os seus poderes, "se algum partido quiser acabar com a escola, a saúde ou a segurança social públicas".