VALE A PENA LUTAR !: TERRA

20-05-2011
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Podes?Podes vender-me o ar que passa entre teus dedosE golpeia teu rosto e desalinha teus cabelos?Talvez possas vender-me cinco moedas de vento?Ou mais, talvez uma tormenta?Acaso me venderias ar fino – não todo –O ar que percorre teu jardim de flor em florE sustenta o voo dos pássaros?Dez moedas de ar fino, me venderias? O ar gira e passa na asa da mariposa.Ninguém o possui. Ninguém!Podes vender-me céu?Céu azul por vezes, ou cinza, também às vezes,Uma parte do teu céu, o que compraste, pensas tu,Com as árvores do teu sítio, como quem compra o tecto com a casa?Podes vender-me um dólar de céu?Dois quilómetros de céu, um pedaço,O que puderes, do “teu” céu? O céu está nas nuvens. Altas passam as nuvens.Ninguém o possui. Ninguém!Podes vender-me chuva?A água que forma tuas lágrimas molha tua língua?Podes vender-me um dólar de água da fonte?Um nuvem crespa, me venderias?Ou, quem sabe, água chovida das montanhas?Ou água dos charcos, abandonada aos cães?Ou uma légua de mar, talvez um lago?A água cai e corre. A água corre. Passa.Ninguém a possui. Ninguém.Podes vender-me terra?A profunda noite das raízes, dentes de dinossauros,A cauda espessa de longínquos esqueletos?Podes vender-me selvas já sepultadas, aves mortas,Peixes de pedra, enxofre dos vulcões,Milhões e milhões de anos em espiral crescendo?Podes vender-me terra?Podes vender-me?Podes? A tua terra é terra minha, todos os pés se apoiam nela.Ninguém a possui. NINGUÉM!Nicolás Guillén


Podes?Podes vender-me o ar que passa entre teus dedosE golpeia teu rosto e desalinha teus cabelos?Talvez possas vender-me cinco moedas de vento?Ou mais, talvez uma tormenta?Acaso me venderias ar fino – não todo –O ar que percorre teu jardim de flor em florE sustenta o voo dos pássaros?Dez moedas de ar fino, me venderias? O ar gira e passa na asa da mariposa.Ninguém o possui. Ninguém!Podes vender-me céu?Céu azul por vezes, ou cinza, também às vezes,Uma parte do teu céu, o que compraste, pensas tu,Com as árvores do teu sítio, como quem compra o tecto com a casa?Podes vender-me um dólar de céu?Dois quilómetros de céu, um pedaço,O que puderes, do “teu” céu? O céu está nas nuvens. Altas passam as nuvens.Ninguém o possui. Ninguém!Podes vender-me chuva?A água que forma tuas lágrimas molha tua língua?Podes vender-me um dólar de água da fonte?Um nuvem crespa, me venderias?Ou, quem sabe, água chovida das montanhas?Ou água dos charcos, abandonada aos cães?Ou uma légua de mar, talvez um lago?A água cai e corre. A água corre. Passa.Ninguém a possui. Ninguém.Podes vender-me terra?A profunda noite das raízes, dentes de dinossauros,A cauda espessa de longínquos esqueletos?Podes vender-me selvas já sepultadas, aves mortas,Peixes de pedra, enxofre dos vulcões,Milhões e milhões de anos em espiral crescendo?Podes vender-me terra?Podes vender-me?Podes? A tua terra é terra minha, todos os pés se apoiam nela.Ninguém a possui. NINGUÉM!Nicolás Guillén

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