Clinton diz que violência do narcotráfico no México se assemelha a uma "insurreição"

14-09-2010
marcar artigo

Clinton disse que o México se parece com a Colômbia de há 20 anos JO YONG-HAK/REUTERS

Discurso da secretária de Estado dos EUA reforça rumores de que Washington vai propor a Felipe Calderón uma iniciativa idêntica ao controverso Plano Colômbia

Hillary Clinton desencadeou um diferendo diplomático com o México, ao defender que a violência exercida pelos cartéis do narcotráfico "apresenta cada vez mais os indícios de uma insurreição". As declarações reforçam as suspeitas de que os EUA se preparam para propor uma versão mexicana do polémico Plano Colômbia.

"A situação [no México] parece-se cada vez mais com aquilo a que assistimos na Colômbia há 20 anos, quando os narcotraficantes controlavam partes do território", disse a secretária de Estado, na quarta-feira. Clinton deu como exemplo o recurso a carros armadilhados, técnica de guerrilhas e grupos terroristas, usada pela primeira vez este Verão em Ciudad Juarez.

A sugestão foi rejeitada pelo Governo de Felipe Calderón. "A única coisa em comum entre a Colômbia e o México é que em ambos os casos a violência é alimentada pela enorme procura de droga nos EUA", disse Alejandro Poire, porta-voz do Presidente mexicano para a segurança. Mas há muito que os EUA se mostram impacientes com a falta de resultados da estratégia de Calderón - a violência ligada ao narcotráfico fez mais de 28 mil mortos desde 2006, quando o Presidente chamou o Exército para colaborar no combate aos cartéis de droga.

O discurso de Clinton ocorre numa altura em que Washington estuda um reforço da assistência ao México. A Iniciativa Mérida, que incluía treino e fornecimento de armas e informações à polícia mexicana, termina este ano e, apesar de Washington não o comentar abertamente, admite-se que possa ser substituído por algo idêntico ao Plano Colômbia, que envolveu o envio de militares dos EUA para combater os cartéis da droga.

O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever ×

A chefe da diplomacia americana admitiu que, apesar dos problemas, a iniciativa colombiana teve bons resultados e acrescentou: "Temos de perceber quais devem ser os equivalentes" para o México e América Central.

Mas no país vizinho a ideia gera muitas resistências. "Se os EUA pensam que é necessário aplicar aqui o que fizeram na Colômbia, estão enganados", disse ao Guardian o senador Ricardo Monreal.

Contudo, alguns peritos dizem que há experiências feitas na Colômbia que deveriam ser replicadas, como a estratégia de perseguir barões da droga e os seus bens. Mais do que as detenções, "o resultado final será determinado pela capacidade de destruir a estrutura económica do crime organizado", disse ao Christian Science Monitor o investigador mexicano Edgardo Buscaglia.

Clinton disse que o México se parece com a Colômbia de há 20 anos JO YONG-HAK/REUTERS

Discurso da secretária de Estado dos EUA reforça rumores de que Washington vai propor a Felipe Calderón uma iniciativa idêntica ao controverso Plano Colômbia

Hillary Clinton desencadeou um diferendo diplomático com o México, ao defender que a violência exercida pelos cartéis do narcotráfico "apresenta cada vez mais os indícios de uma insurreição". As declarações reforçam as suspeitas de que os EUA se preparam para propor uma versão mexicana do polémico Plano Colômbia.

"A situação [no México] parece-se cada vez mais com aquilo a que assistimos na Colômbia há 20 anos, quando os narcotraficantes controlavam partes do território", disse a secretária de Estado, na quarta-feira. Clinton deu como exemplo o recurso a carros armadilhados, técnica de guerrilhas e grupos terroristas, usada pela primeira vez este Verão em Ciudad Juarez.

A sugestão foi rejeitada pelo Governo de Felipe Calderón. "A única coisa em comum entre a Colômbia e o México é que em ambos os casos a violência é alimentada pela enorme procura de droga nos EUA", disse Alejandro Poire, porta-voz do Presidente mexicano para a segurança. Mas há muito que os EUA se mostram impacientes com a falta de resultados da estratégia de Calderón - a violência ligada ao narcotráfico fez mais de 28 mil mortos desde 2006, quando o Presidente chamou o Exército para colaborar no combate aos cartéis de droga.

O discurso de Clinton ocorre numa altura em que Washington estuda um reforço da assistência ao México. A Iniciativa Mérida, que incluía treino e fornecimento de armas e informações à polícia mexicana, termina este ano e, apesar de Washington não o comentar abertamente, admite-se que possa ser substituído por algo idêntico ao Plano Colômbia, que envolveu o envio de militares dos EUA para combater os cartéis da droga.

O melhor do Público no email Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público. Subscrever ×

A chefe da diplomacia americana admitiu que, apesar dos problemas, a iniciativa colombiana teve bons resultados e acrescentou: "Temos de perceber quais devem ser os equivalentes" para o México e América Central.

Mas no país vizinho a ideia gera muitas resistências. "Se os EUA pensam que é necessário aplicar aqui o que fizeram na Colômbia, estão enganados", disse ao Guardian o senador Ricardo Monreal.

Contudo, alguns peritos dizem que há experiências feitas na Colômbia que deveriam ser replicadas, como a estratégia de perseguir barões da droga e os seus bens. Mais do que as detenções, "o resultado final será determinado pela capacidade de destruir a estrutura económica do crime organizado", disse ao Christian Science Monitor o investigador mexicano Edgardo Buscaglia.

marcar artigo