Primeiro-ministro critica proposta do PSD que permite um contrato oral. Deputados socialistas falam em "liberalismo kamikaze"
Os números de estágios profissionais para jovens em programas apoiados pelo Governo tornaram-se uma bola de pingue-pongue entre Sócrates e PSD, no debate quinzenal de ontem, no Parlamento. Da esquerda à direita, os partidos uniram-se em torno de uma crítica comum: as medidas de estágios e de incentivo ao emprego jovem já tinham sido apresentadas.
Depois de ouvir as cinco medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, entre as quais o aumento para 500 estágios no programa Inov-Export em 2011, o líder parlamentar do PSD apontou o dedo "ao vício de anúncios sobre anúncios" e classificou as medidas como "requentadas".
"Dos programas que apresentou no ano passado, em relação ao Inov-Export, qual o grau de execução? Zero", afirmou Miguel Macedo, referindo que também o programa de estágios na administração pública só teve uma execução de 38 por cento. "Não venda ilusões aos jovens", disse Macedo, em jeito de conselho.
Sócrates contrariou os números, embora admitindo dificuldades na concretização da medida. No Inov-Export "estão colocados 186 jovens", dados que se referiam ao total de 2010, enquanto os dados do PSD eram relativos apenas a Novembro de 2010. Quanto aos estágios na administração pública, Sócrates contrapôs que estão três mil jovens a estagiar no âmbito dessa iniciativa, "o maior programa alguma vez feito".
O primeiro-ministro trazia o contra-ataque preparado e não se cansou de criticar o projecto do PSD sobre emprego jovem, que foi discutido na quinta-feira e remetido para apreciação pública. E apontou três pontos fracos: a possibilidade de haver contratos orais, a não renovação automática e o fim das indemnizações.
"É a primeira vez que em Portugal se permite um contrato oral sem que esse contrato passe imediatamente a contrato sem termo. É uma inovação que eu não posso saudar", afirmou, já em resposta ao deputado do PS Duarte Cordeiro, que na intervenção da bancada socialista chamou à proposta do PSD de "liberalismo kamikaze".
Sócrates gastou o seu tempo com o PS a tentar desmontar as propostas do PSD. "Eu gostaria que me explicassem por que é que a possibilidade de haver um contrato a prazo oral aumenta a empregabilidade? Quais são os empregos que se criam com isto? Nenhum. Cria-se é mais um desequilíbrio entre o empregador e os jovens, dá-se mais condições de arbitrariedade. Isto é mais ideológico e nada tem a ver com economia", rematou.
Ao CDS, Sócrates também deixou um recado sobre a proposta de alargar de três para seis anos os contratos a termo (que acabou por ser chumbada ontem). "Três para seis e depois para 12 e depois para 18 anos?", questionou. Em resposta a Portas, que alertou para a recusa de crédito às pequenas e médias empresas, o primeiro-ministro revelou que o Governo está a "trabalhar com o Banco de Portugal para garantir liquidez à economia".
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Esquerda centrou-se na PT
Pelos partidos à esquerda do PS, o primeiro-ministro foi confrontado com os mais de cinco mil milhões de euros de lucro da PT. Louçã pegou nos resultados da operadora para acusar o Governo de ter dois pesos e duas medidas nos sacrifícios exigidos ao país. "A PT teve o maior lucro de sempre na sua história. Multiplicou o lucro por dez e dividiu os impostos pela metade", afirmou para depois acusar os "estratagemas" na Holanda para escapar aos encargos fiscais. Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, classificou o lucro da PT como "escandaloso" e, lembrando os salários congelados e o chumbo socialista a um tecto aos ordenados dos gestores públicos, disparou: "Ao menos cale essa dos sacrifícios para todos!"
Sócrates ainda evitou a primeira investida, mas depois atacou o líder do PCP por "insistir nessa cassete" e lembrou os cortes nos salários acima de 1500 euros e que atingiram reduções de 10% nas remunerações mais elevadas. Uma medida do Governo, resumiu, para "agir com justiça e distribuir com equidade os esforços".
Quase esquecida ficou a moção de censura do BE, que só teve breve troca de palavras entre Louçã e Sócrates. "A sua resposta não é construir nada, é deitar abaixo", disse o primeiro-ministro, assinalando a mudança de opinião de Louçã: "Quando o PCP falou em moção de censura, disse que não era oportuna e 15 dias depois já era." E seria a concordar com Louçã que Sócrates criticou a "utilização abusiva" dos estágios não remunerados em profissões como a advocacia ou arquitectura. "Os estágios curtos ou curriculares podem não ser pagos, mas o que está a acontecer [nas duas profissões] é verdadeiramente chocante".
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Primeiro-ministro critica proposta do PSD que permite um contrato oral. Deputados socialistas falam em "liberalismo kamikaze"
Os números de estágios profissionais para jovens em programas apoiados pelo Governo tornaram-se uma bola de pingue-pongue entre Sócrates e PSD, no debate quinzenal de ontem, no Parlamento. Da esquerda à direita, os partidos uniram-se em torno de uma crítica comum: as medidas de estágios e de incentivo ao emprego jovem já tinham sido apresentadas.
Depois de ouvir as cinco medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, entre as quais o aumento para 500 estágios no programa Inov-Export em 2011, o líder parlamentar do PSD apontou o dedo "ao vício de anúncios sobre anúncios" e classificou as medidas como "requentadas".
"Dos programas que apresentou no ano passado, em relação ao Inov-Export, qual o grau de execução? Zero", afirmou Miguel Macedo, referindo que também o programa de estágios na administração pública só teve uma execução de 38 por cento. "Não venda ilusões aos jovens", disse Macedo, em jeito de conselho.
Sócrates contrariou os números, embora admitindo dificuldades na concretização da medida. No Inov-Export "estão colocados 186 jovens", dados que se referiam ao total de 2010, enquanto os dados do PSD eram relativos apenas a Novembro de 2010. Quanto aos estágios na administração pública, Sócrates contrapôs que estão três mil jovens a estagiar no âmbito dessa iniciativa, "o maior programa alguma vez feito".
O primeiro-ministro trazia o contra-ataque preparado e não se cansou de criticar o projecto do PSD sobre emprego jovem, que foi discutido na quinta-feira e remetido para apreciação pública. E apontou três pontos fracos: a possibilidade de haver contratos orais, a não renovação automática e o fim das indemnizações.
"É a primeira vez que em Portugal se permite um contrato oral sem que esse contrato passe imediatamente a contrato sem termo. É uma inovação que eu não posso saudar", afirmou, já em resposta ao deputado do PS Duarte Cordeiro, que na intervenção da bancada socialista chamou à proposta do PSD de "liberalismo kamikaze".
Sócrates gastou o seu tempo com o PS a tentar desmontar as propostas do PSD. "Eu gostaria que me explicassem por que é que a possibilidade de haver um contrato a prazo oral aumenta a empregabilidade? Quais são os empregos que se criam com isto? Nenhum. Cria-se é mais um desequilíbrio entre o empregador e os jovens, dá-se mais condições de arbitrariedade. Isto é mais ideológico e nada tem a ver com economia", rematou.
Ao CDS, Sócrates também deixou um recado sobre a proposta de alargar de três para seis anos os contratos a termo (que acabou por ser chumbada ontem). "Três para seis e depois para 12 e depois para 18 anos?", questionou. Em resposta a Portas, que alertou para a recusa de crédito às pequenas e médias empresas, o primeiro-ministro revelou que o Governo está a "trabalhar com o Banco de Portugal para garantir liquidez à economia".
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Esquerda centrou-se na PT
Pelos partidos à esquerda do PS, o primeiro-ministro foi confrontado com os mais de cinco mil milhões de euros de lucro da PT. Louçã pegou nos resultados da operadora para acusar o Governo de ter dois pesos e duas medidas nos sacrifícios exigidos ao país. "A PT teve o maior lucro de sempre na sua história. Multiplicou o lucro por dez e dividiu os impostos pela metade", afirmou para depois acusar os "estratagemas" na Holanda para escapar aos encargos fiscais. Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, classificou o lucro da PT como "escandaloso" e, lembrando os salários congelados e o chumbo socialista a um tecto aos ordenados dos gestores públicos, disparou: "Ao menos cale essa dos sacrifícios para todos!"
Sócrates ainda evitou a primeira investida, mas depois atacou o líder do PCP por "insistir nessa cassete" e lembrou os cortes nos salários acima de 1500 euros e que atingiram reduções de 10% nas remunerações mais elevadas. Uma medida do Governo, resumiu, para "agir com justiça e distribuir com equidade os esforços".
Quase esquecida ficou a moção de censura do BE, que só teve breve troca de palavras entre Louçã e Sócrates. "A sua resposta não é construir nada, é deitar abaixo", disse o primeiro-ministro, assinalando a mudança de opinião de Louçã: "Quando o PCP falou em moção de censura, disse que não era oportuna e 15 dias depois já era." E seria a concordar com Louçã que Sócrates criticou a "utilização abusiva" dos estágios não remunerados em profissões como a advocacia ou arquitectura. "Os estágios curtos ou curriculares podem não ser pagos, mas o que está a acontecer [nas duas profissões] é verdadeiramente chocante".