Muito se tem falado, nos últimos dias, acerca da hipocrisia que seria, muitos de nós, e por maioria de razão as mais altas figuras do Estado, termos prestado uma última homenagem a Saramago.
Como se prestar uma homenagem a um dos mais brilhantes autores portugueses fosse algo de que nos devêssemos envergonhar. Não porque foi Nobel, mas porque, com o seu nome e magnificência, levou Portugal a cantos do mundo onde nunca antes tínhamos chegado.
Mas Portugal é um país, de facto, muito estranho. Aqui, facilmente se confunde o indivíduo com o que ele escreve quando romanceia. O homem social ou o escritor. Aqui coloca-se na sombra gente brilhante pelas opiniões que emite. Este é o Estado de ontem vestido com trajes de hoje.
Este é o caso de Saramago, mas também é o de Lobo Antunes ou de Graça Moura. São homens inteligentes que têm feito crescer um país mal habituado a génios. Aqui, como se fossemos muitos ou demais, damo-nos ao luxo de segmentar os artistas, conotando-os com um apoio político pontual ou permanente.
Portugal perdeu um vulto que no seu último dia quis deixar bem claro que nos havia perdoado. Mas os portugueses tiveram vergonha de o homenagear, e criticaram mesmo aqueles que decidiram fazê-lo. E mesmo o presidente de todos os portugueses, assumiu a sua postura de homem comum e ignorou a partida de um homem que já antes havia censurado.
Mas desta vez foi o génio que se não portou convenientemente. Isto porque num período de azáfama para os media, com a selecção no corno de África, seria imprudente desperdiçar os minutos, já pagos, de satélite, em detrimento de uma notícia para minorias ou segmentos.
Saramago deveria ter partido mais tarde. Primeiro porque teria, quem sabe, tido tempo para concluir o livro, (o último?) que tinha em mãos. Segundo porque teria tido direito a horas de emissão nas TV´s. Terceiro porque não rivalizaria com o ídolo de Portugal, esse sim, C. Ronaldo. Talvez não tivesse a presença do chefe de Estado porque, quem sabe não o apanharia de viagem para “a terra”, onde regressa todos os anos no verão?
Foi um erro ter partido. Mas a jangada já vai a caminho!
Rui Estêvão AlexandreClube de Reflexão Política A Linha
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Muito se tem falado, nos últimos dias, acerca da hipocrisia que seria, muitos de nós, e por maioria de razão as mais altas figuras do Estado, termos prestado uma última homenagem a Saramago.
Como se prestar uma homenagem a um dos mais brilhantes autores portugueses fosse algo de que nos devêssemos envergonhar. Não porque foi Nobel, mas porque, com o seu nome e magnificência, levou Portugal a cantos do mundo onde nunca antes tínhamos chegado.
Mas Portugal é um país, de facto, muito estranho. Aqui, facilmente se confunde o indivíduo com o que ele escreve quando romanceia. O homem social ou o escritor. Aqui coloca-se na sombra gente brilhante pelas opiniões que emite. Este é o Estado de ontem vestido com trajes de hoje.
Este é o caso de Saramago, mas também é o de Lobo Antunes ou de Graça Moura. São homens inteligentes que têm feito crescer um país mal habituado a génios. Aqui, como se fossemos muitos ou demais, damo-nos ao luxo de segmentar os artistas, conotando-os com um apoio político pontual ou permanente.
Portugal perdeu um vulto que no seu último dia quis deixar bem claro que nos havia perdoado. Mas os portugueses tiveram vergonha de o homenagear, e criticaram mesmo aqueles que decidiram fazê-lo. E mesmo o presidente de todos os portugueses, assumiu a sua postura de homem comum e ignorou a partida de um homem que já antes havia censurado.
Mas desta vez foi o génio que se não portou convenientemente. Isto porque num período de azáfama para os media, com a selecção no corno de África, seria imprudente desperdiçar os minutos, já pagos, de satélite, em detrimento de uma notícia para minorias ou segmentos.
Saramago deveria ter partido mais tarde. Primeiro porque teria, quem sabe, tido tempo para concluir o livro, (o último?) que tinha em mãos. Segundo porque teria tido direito a horas de emissão nas TV´s. Terceiro porque não rivalizaria com o ídolo de Portugal, esse sim, C. Ronaldo. Talvez não tivesse a presença do chefe de Estado porque, quem sabe não o apanharia de viagem para “a terra”, onde regressa todos os anos no verão?
Foi um erro ter partido. Mas a jangada já vai a caminho!
Rui Estêvão AlexandreClube de Reflexão Política A Linha