Artista chinês Ai Weiwei queixa-se de violência policial

11-08-2010
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Ai Weiwei falou hoje por telefone ao "Guardian", descrevendo o alegado ataque: "Alguns polícias à paisana rasgaram as nossas camisas [o artista estava acompanhado pelo seu assistente] e tentaram agarrar as nossas máquinas fotográficas. Eram, talvez, uns dez. Eles empurram-nos e pontapearam-nos".

Tudo aconteceu quando o artista e o seu assistente tentavam apresentar queixa relativamente a outras alegadas agressões que remontam a 2008, quando Ai Weiwei foi detido a propósito do seu envolvimento na denúncia de práticas de corrupção no sector de construção da província que terão contribuído para construção de edifícios defeituosos.

Hoje, os dois dirigiram-se à esquadra de Chengdu, mas segundo Ai Weiwei os agentes no local não aceitaram a sua queixa e tentaram encaminhá-lo para a esquadra de Jinniu. Contactadas pelo Guardian, a esquadra de Chengdu não comentou e a esquadra de Jinniu negou conhecimento de qualquer incidente.

À chegada ao edifício, conta o artista e arquitecto, o grupo de homens tê-lo-á rodeado e dito: "Se queres justiça, volta para os Estados Unidos", onde Ai Weiwei viveu durante alguns anos entre 1981 e 1993, como estudante.

Os problemas de Ai Weiwei com a polícia de Sichuan remontam a 2008, quando o chinês que serviu como consultor artístico de design para o atelier Herzog & de Meuron, responsável pelo estádio nacional de Pequim, considerado uma das obras mais importantes da arquitectura deste século, se tornou um dos protagonistas da denúncia de um alegado esquema de corrupção na construção que terá tornado uma escola uma armadilha mortal para dezenas de crianças durante um sismo em 2008. Em 2009, foi julgado um dos investigadores da morte de uma série de crianças que estudavam numa escola de Sichuan e que foram esmagadas quando o sismo de 2008 destruiu o edifício. O réu era um activista da mesma causa e contava com o testemunho de Ai Weiwei, que tentou com outros activistas assistir a esse julgamento e foi detido, juntamente com outros contestatários. Naquela altura, o artista diz ter sido esmurrado na cabeça e sofrido danos internos, nomeadamente hemorragias, que só foram reparados quando foi submetido a uma cirurgia na Alemanha semanas depois.

Depois de mais um alegado ataque, Ai Weiwei disse ao "Guardian": "Agora estamos a ser atacados porque nos queixámos sobre o sucedido da última vez. É tão irónico". O artista diz ter reconhecido um dos homens que hoje o atacou como alguém envolvido na sua detenção em 2009 e tirou daí a ilação de que o grupo era composto por agentes à paisana.

"O sistema judicial da China está totalmente corrupto e paralisado. Mesmo com um caso que as pessoas conhecem internacionalmente... eles estão-se nas tintas."

Ainda assim, Ai Weiwei insistia na apresentação da queixa e na crença nos seus direitos, suspeitando ainda assim que ela pudesse "ir parar ao lixo".

Notícia corrigida às 14h34 de 11 de Agosto

Ai Weiwei falou hoje por telefone ao "Guardian", descrevendo o alegado ataque: "Alguns polícias à paisana rasgaram as nossas camisas [o artista estava acompanhado pelo seu assistente] e tentaram agarrar as nossas máquinas fotográficas. Eram, talvez, uns dez. Eles empurram-nos e pontapearam-nos".

Tudo aconteceu quando o artista e o seu assistente tentavam apresentar queixa relativamente a outras alegadas agressões que remontam a 2008, quando Ai Weiwei foi detido a propósito do seu envolvimento na denúncia de práticas de corrupção no sector de construção da província que terão contribuído para construção de edifícios defeituosos.

Hoje, os dois dirigiram-se à esquadra de Chengdu, mas segundo Ai Weiwei os agentes no local não aceitaram a sua queixa e tentaram encaminhá-lo para a esquadra de Jinniu. Contactadas pelo Guardian, a esquadra de Chengdu não comentou e a esquadra de Jinniu negou conhecimento de qualquer incidente.

À chegada ao edifício, conta o artista e arquitecto, o grupo de homens tê-lo-á rodeado e dito: "Se queres justiça, volta para os Estados Unidos", onde Ai Weiwei viveu durante alguns anos entre 1981 e 1993, como estudante.

Os problemas de Ai Weiwei com a polícia de Sichuan remontam a 2008, quando o chinês que serviu como consultor artístico de design para o atelier Herzog & de Meuron, responsável pelo estádio nacional de Pequim, considerado uma das obras mais importantes da arquitectura deste século, se tornou um dos protagonistas da denúncia de um alegado esquema de corrupção na construção que terá tornado uma escola uma armadilha mortal para dezenas de crianças durante um sismo em 2008. Em 2009, foi julgado um dos investigadores da morte de uma série de crianças que estudavam numa escola de Sichuan e que foram esmagadas quando o sismo de 2008 destruiu o edifício. O réu era um activista da mesma causa e contava com o testemunho de Ai Weiwei, que tentou com outros activistas assistir a esse julgamento e foi detido, juntamente com outros contestatários. Naquela altura, o artista diz ter sido esmurrado na cabeça e sofrido danos internos, nomeadamente hemorragias, que só foram reparados quando foi submetido a uma cirurgia na Alemanha semanas depois.

Depois de mais um alegado ataque, Ai Weiwei disse ao "Guardian": "Agora estamos a ser atacados porque nos queixámos sobre o sucedido da última vez. É tão irónico". O artista diz ter reconhecido um dos homens que hoje o atacou como alguém envolvido na sua detenção em 2009 e tirou daí a ilação de que o grupo era composto por agentes à paisana.

"O sistema judicial da China está totalmente corrupto e paralisado. Mesmo com um caso que as pessoas conhecem internacionalmente... eles estão-se nas tintas."

Ainda assim, Ai Weiwei insistia na apresentação da queixa e na crença nos seus direitos, suspeitando ainda assim que ela pudesse "ir parar ao lixo".

Notícia corrigida às 14h34 de 11 de Agosto

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