quase em português

19-12-2009
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60.000.000 Euros mais ou menos, isso não interessa,

...o que interessa é ter uma Casa da Música igual ou melhor do que os outros têm!

Acho espantoso que quase ninguém na imprensa portuguesa, nem na blogosfera, nem sequer os liberais

Todos preferem, quais crianças a experimentar o presente, qual pai que inspecciona o novo carro que comprou em prestações, a deleitar-se com as características do novo brinquedo nacional.

Não me desentendam: Eu gosto imenso de brinquedos e respeito-os! Considero brinquedos até mais importantes do que as coisas úteis! E também não é nada irónico ou depreciativo, se chamo equipamentos para as artes brinquedos. Penso mesmo que são isso, nem mais, nem menos. (Ser artista é continuar a brincar como adulto.)

Também não tenho nada contra o edifício. Conheço o mal ainda, pelas plantas e pelas fotografias. É capaz que justifique os seus elogios antecipados.

Mas irrita-me ver agora toda a gente, que tem responsabilidades no processo da sua realização, contente e orgulhosa, e provavelmente já à espera da comenda à receber pelo seu desempenho neste imbróglio, como não se tratasse, do ponto de vista de gestão, dum descalabro total, e, como um amigo - também arquitecto - diz: se houvesse um mínimo de justiça, dum caso da polícia.

O actual Presidente da Casa da Música, António Couto dos Santos, reclama que, em relação ao tipo e a dimensão do equipamento realizado, o custo não é excessivo; concluiu-se isso duma comparação com equipamentos semelhantes na Europa. Pode ser. Mas então porque não se calculou o custo já à partida? Quem tomou as decisões de ampliar de 9000m2 para 23.000m2 de área de construção? Com que legitimidade?

Podem provar-me que foram mesmo sempre precisos os 23.000m2. Mas porque então não o disseram e calcularam-nos desde o início? Não sabiam? Não acredito. No que acredito é isto:

O dimensionamento e o custo inicial eram o isco. Eram o valor que os promotores públicos então acharam ainda passível de ser politicamente aceite. Enquanto todos já sabiam que não chegava, nem de longe. Mas ninguém ficou muito incomodado, porque a experiência ensinava-lhes, que, no fim, ninguém acaba por ser responsabilizado. Daí todos podiam pensar alegremente: Logo se vê! (Este lindo termo tão típicamente português.)

E uma vez que se está entalado no processo, com a chantagem dos prazos à cumprir (cumpriu-se prazo qualquer?) e do possível fracasso do projecto, entram os restantes desejos e necessidades, e começa-se a aplicar o produto mais caro da construção civíl, o famoso "já agora".

Há tempos escrevi um

* Com excepção honrosa do ...o que interessa é ter uma Casa da Música igual ou melhor do que os outros têm!Acho espantoso que quase ninguém na imprensa portuguesa, nem na blogosfera, nem sequer os liberais Blasfemos - por serem do Porto?! - se incomodam por aí além com a derrapagem do custo deste equipamento público.* De 100% para os 250%, nota se!Todos preferem, quais crianças a experimentar o presente, qual pai que inspecciona o novo carro que comprou em prestações, a deleitar-se com as características do novo brinquedo nacional.Não me desentendam: Eu gosto imenso de brinquedos e respeito-os! Considero brinquedos até mais importantes do que as coisas úteis! E também não é nada irónico ou depreciativo, se chamo equipamentos para as artes brinquedos. Penso mesmo que são isso, nem mais, nem menos. (Ser artista é continuar a brincar como adulto.)Também não tenho nada contra o edifício. Conheço o mal ainda, pelas plantas e pelas fotografias. É capaz que justifique os seus elogios antecipados.Mas irrita-me ver agora toda a gente, que tem responsabilidades no processo da sua realização, contente e orgulhosa, e provavelmente já à espera da comenda à receber pelo seu desempenho neste imbróglio, como não se tratasse, do ponto de vista de gestão, dum descalabro total, e, como um amigo - também arquitecto - diz: se houvesse um mínimo de justiça, dum caso da polícia.O actual Presidente da Casa da Música, António Couto dos Santos, reclama que, em relação ao tipo e a dimensão do equipamento realizado, o custo não é excessivo; concluiu-se isso duma comparação com equipamentos semelhantes na Europa. Pode ser. Mas então porque não se calculou o custo já à partida? Quem tomou as decisões de ampliar de 9000m2 para 23.000m2 de área de construção? Com que legitimidade?Podem provar-me que foram mesmo sempre precisos os 23.000m2. Mas porque então não o disseram e calcularam-nos desde o início? Não sabiam? Não acredito. No que acredito é isto:O dimensionamento e o custo inicial eram o isco. Eram o valor que os promotores públicos então acharam ainda passível de ser politicamente aceite. Enquanto todos já sabiam que não chegava, nem de longe. Mas ninguém ficou muito incomodado, porque a experiência ensinava-lhes, que, no fim, ninguém acaba por ser responsabilizado. Daí todos podiam pensar alegremente: Logo se vê! (Este lindo termo tão típicamente português.)E uma vez que se está entalado no processo, com a chantagem dos prazos à cumprir (cumpriu-se prazo qualquer?) e do possível fracasso do projecto, entram os restantes desejos e necessidades, e começa-se a aplicar o produto mais caro da construção civíl, o famoso "já agora".Há tempos escrevi um post em defesa de edifícios faustosos, pagos pelo contribuinte . Continuo defendê-los. Mas realizados assim não.* Com excepção honrosa do Tugir . (Actualizado.) Etiquetas: sel

60.000.000 Euros mais ou menos, isso não interessa,

...o que interessa é ter uma Casa da Música igual ou melhor do que os outros têm!

Acho espantoso que quase ninguém na imprensa portuguesa, nem na blogosfera, nem sequer os liberais

Todos preferem, quais crianças a experimentar o presente, qual pai que inspecciona o novo carro que comprou em prestações, a deleitar-se com as características do novo brinquedo nacional.

Não me desentendam: Eu gosto imenso de brinquedos e respeito-os! Considero brinquedos até mais importantes do que as coisas úteis! E também não é nada irónico ou depreciativo, se chamo equipamentos para as artes brinquedos. Penso mesmo que são isso, nem mais, nem menos. (Ser artista é continuar a brincar como adulto.)

Também não tenho nada contra o edifício. Conheço o mal ainda, pelas plantas e pelas fotografias. É capaz que justifique os seus elogios antecipados.

Mas irrita-me ver agora toda a gente, que tem responsabilidades no processo da sua realização, contente e orgulhosa, e provavelmente já à espera da comenda à receber pelo seu desempenho neste imbróglio, como não se tratasse, do ponto de vista de gestão, dum descalabro total, e, como um amigo - também arquitecto - diz: se houvesse um mínimo de justiça, dum caso da polícia.

O actual Presidente da Casa da Música, António Couto dos Santos, reclama que, em relação ao tipo e a dimensão do equipamento realizado, o custo não é excessivo; concluiu-se isso duma comparação com equipamentos semelhantes na Europa. Pode ser. Mas então porque não se calculou o custo já à partida? Quem tomou as decisões de ampliar de 9000m2 para 23.000m2 de área de construção? Com que legitimidade?

Podem provar-me que foram mesmo sempre precisos os 23.000m2. Mas porque então não o disseram e calcularam-nos desde o início? Não sabiam? Não acredito. No que acredito é isto:

O dimensionamento e o custo inicial eram o isco. Eram o valor que os promotores públicos então acharam ainda passível de ser politicamente aceite. Enquanto todos já sabiam que não chegava, nem de longe. Mas ninguém ficou muito incomodado, porque a experiência ensinava-lhes, que, no fim, ninguém acaba por ser responsabilizado. Daí todos podiam pensar alegremente: Logo se vê! (Este lindo termo tão típicamente português.)

E uma vez que se está entalado no processo, com a chantagem dos prazos à cumprir (cumpriu-se prazo qualquer?) e do possível fracasso do projecto, entram os restantes desejos e necessidades, e começa-se a aplicar o produto mais caro da construção civíl, o famoso "já agora".

Há tempos escrevi um

* Com excepção honrosa do ...o que interessa é ter uma Casa da Música igual ou melhor do que os outros têm!Acho espantoso que quase ninguém na imprensa portuguesa, nem na blogosfera, nem sequer os liberais Blasfemos - por serem do Porto?! - se incomodam por aí além com a derrapagem do custo deste equipamento público.* De 100% para os 250%, nota se!Todos preferem, quais crianças a experimentar o presente, qual pai que inspecciona o novo carro que comprou em prestações, a deleitar-se com as características do novo brinquedo nacional.Não me desentendam: Eu gosto imenso de brinquedos e respeito-os! Considero brinquedos até mais importantes do que as coisas úteis! E também não é nada irónico ou depreciativo, se chamo equipamentos para as artes brinquedos. Penso mesmo que são isso, nem mais, nem menos. (Ser artista é continuar a brincar como adulto.)Também não tenho nada contra o edifício. Conheço o mal ainda, pelas plantas e pelas fotografias. É capaz que justifique os seus elogios antecipados.Mas irrita-me ver agora toda a gente, que tem responsabilidades no processo da sua realização, contente e orgulhosa, e provavelmente já à espera da comenda à receber pelo seu desempenho neste imbróglio, como não se tratasse, do ponto de vista de gestão, dum descalabro total, e, como um amigo - também arquitecto - diz: se houvesse um mínimo de justiça, dum caso da polícia.O actual Presidente da Casa da Música, António Couto dos Santos, reclama que, em relação ao tipo e a dimensão do equipamento realizado, o custo não é excessivo; concluiu-se isso duma comparação com equipamentos semelhantes na Europa. Pode ser. Mas então porque não se calculou o custo já à partida? Quem tomou as decisões de ampliar de 9000m2 para 23.000m2 de área de construção? Com que legitimidade?Podem provar-me que foram mesmo sempre precisos os 23.000m2. Mas porque então não o disseram e calcularam-nos desde o início? Não sabiam? Não acredito. No que acredito é isto:O dimensionamento e o custo inicial eram o isco. Eram o valor que os promotores públicos então acharam ainda passível de ser politicamente aceite. Enquanto todos já sabiam que não chegava, nem de longe. Mas ninguém ficou muito incomodado, porque a experiência ensinava-lhes, que, no fim, ninguém acaba por ser responsabilizado. Daí todos podiam pensar alegremente: Logo se vê! (Este lindo termo tão típicamente português.)E uma vez que se está entalado no processo, com a chantagem dos prazos à cumprir (cumpriu-se prazo qualquer?) e do possível fracasso do projecto, entram os restantes desejos e necessidades, e começa-se a aplicar o produto mais caro da construção civíl, o famoso "já agora".Há tempos escrevi um post em defesa de edifícios faustosos, pagos pelo contribuinte . Continuo defendê-los. Mas realizados assim não.* Com excepção honrosa do Tugir . (Actualizado.) Etiquetas: sel

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