É uma análise minimalista da maratona parlamentar relativa ao debate do Estado da Nação, certamente redutora de excelentes intervenções sobre o estado calamitoso do país e do próprio Sócrates (um primeiro-ministro absolutamente descredibilizado), mas que arrisco fazer e que incorpora cinco leituras reputadamente impressivas, pelo acerto e pela simbologia que encerram, mas também pelos futuros que algumas projectam ou pré-anunciam.
1. Ao mesmo tempo que o povo não deixará de eternizar Sócrates como o mentiroso ou o ilusionista, eis que a deputada do PSD, Clara Carneiro, num momento de particular inspiração em que arrasou a reforma da saúde, lançou o cognome de Sócrates para a história: o despovoador.
2. Paulo Portas situou, adequadamente, a relação de Sócrates com os professores: apenas o primeiro-ministro que mais destruiu o brio e a motivação dos professores.
3. Sócrates confirmou-se, nas suas intervenções, como um verdadeiro mitómano, cujo optimismo exacerbado não tem nenhum efeito mobilizador nos portugueses (a quem a retórica de Sócrates já é geradora de repulsa instintiva), nem sequer transmite a ideia de um político determinado (mais uma vez, neste particular, Paulo Portas esteve bem: determinado no erro, na ilusão e no dolo), antes traduz a estratégia desesperada de quem não vê outra alternativa de sobreviver politicamente, pressentindo o seu ocaso político, sem honra nem glória.
4. O desafio de Paulo Portas, servido no final do debate, é um assassínio político de Sócrates e a sangue-frio, com grande impacto no sentimento profundo da maioria dos portugueses (mesmo que pessoalmente discorde da solução): Sócrates é o epicentro dos problemas do país e das soluções políticas para os mesmos, o que ainda o isola mais na sua demanda alucinada de puxar sozinho pelo país para o abismo económico, social e ético. A partir de agora, Sócrates passará a carregar sozinho as desgraças do país, fardo que a sua pesporrência e gabarolice estava a merecer.
5. Quem assistiu ao debate sobre o Estado da Nação não pôde deixar de constatar que o grupo parlamentar do PS está resignado (daí refugiar-se no debate ideológico a pensar em futuros combates eleitorais), o governo está esgotado/paralisado e Sócrates está politicamente arrumado.
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É uma análise minimalista da maratona parlamentar relativa ao debate do Estado da Nação, certamente redutora de excelentes intervenções sobre o estado calamitoso do país e do próprio Sócrates (um primeiro-ministro absolutamente descredibilizado), mas que arrisco fazer e que incorpora cinco leituras reputadamente impressivas, pelo acerto e pela simbologia que encerram, mas também pelos futuros que algumas projectam ou pré-anunciam.
1. Ao mesmo tempo que o povo não deixará de eternizar Sócrates como o mentiroso ou o ilusionista, eis que a deputada do PSD, Clara Carneiro, num momento de particular inspiração em que arrasou a reforma da saúde, lançou o cognome de Sócrates para a história: o despovoador.
2. Paulo Portas situou, adequadamente, a relação de Sócrates com os professores: apenas o primeiro-ministro que mais destruiu o brio e a motivação dos professores.
3. Sócrates confirmou-se, nas suas intervenções, como um verdadeiro mitómano, cujo optimismo exacerbado não tem nenhum efeito mobilizador nos portugueses (a quem a retórica de Sócrates já é geradora de repulsa instintiva), nem sequer transmite a ideia de um político determinado (mais uma vez, neste particular, Paulo Portas esteve bem: determinado no erro, na ilusão e no dolo), antes traduz a estratégia desesperada de quem não vê outra alternativa de sobreviver politicamente, pressentindo o seu ocaso político, sem honra nem glória.
4. O desafio de Paulo Portas, servido no final do debate, é um assassínio político de Sócrates e a sangue-frio, com grande impacto no sentimento profundo da maioria dos portugueses (mesmo que pessoalmente discorde da solução): Sócrates é o epicentro dos problemas do país e das soluções políticas para os mesmos, o que ainda o isola mais na sua demanda alucinada de puxar sozinho pelo país para o abismo económico, social e ético. A partir de agora, Sócrates passará a carregar sozinho as desgraças do país, fardo que a sua pesporrência e gabarolice estava a merecer.
5. Quem assistiu ao debate sobre o Estado da Nação não pôde deixar de constatar que o grupo parlamentar do PS está resignado (daí refugiar-se no debate ideológico a pensar em futuros combates eleitorais), o governo está esgotado/paralisado e Sócrates está politicamente arrumado.