Dias com árvores: Cardos há muitos

28-05-2010
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Carlina corymbosa / Galactites tomentosaOs livros sobre plantas que tenho à mão quase não falam de cardos (em inglês thistles): a excepção é um livro sobre flora açoriana escrito em inglês por um alemão. No entanto, o Portugal Botânico de A a Z lista mais de 20 espécies de cardos, desde o cardo tout-court (Galactites tomentosa) ao cardo-santo, passando pelo cardo-amarelo (Carlina corymbosa) e pelo cardo-roxo. O que estas plantas têm em comum são as folhas espinhentas, mas nem sequer pertencem todas à mesma família botânica. Por exemplo, o cardo-marítimo é uma umbelífera, e os dois cardos de hoje são da família Asteraceae, a mesma que inclui margaridas e girassóis. O ostracismo a que os cardos estão sujeitos é outro traço unificador dessa classe heterogénea: ninguém os quer cultivar no jardim, e por isso os livros de jardinagem só os mencionam, quando o fazem, para explicar a melhor maneira de nos livrarmos deles e de outras plantas daninhas. Um cardo pode ser tolerado na natureza - mas mesmo aí não muito, como parte que é daquela massa indiferenciada de plantas a que chamamos mato e que é costume limpar para prevenir incêndios. Em suma, os cardos são plantas que ninguém quer acarinhar, e se eles noutros tempos - quando havia aldeias e tradições rurais - tiveram para nós alguma utilidade, hoje poucos saberão o que fazer com eles. Bom, talvez sirvam de alimento às abelhas. Mas a questão é que não precisamos de fazer nada com eles, pois nem tudo no equilíbrio da natureza se tem que traduzir em nosso benefício imediato. Com jeito, um cardo até se põe bonito para a foto; e, na verdade, ele é bonito. Contudo, esse já é um modo deformado de ver as coisas: como qualquer outra planta no seu habitat natural, um cardo tem o seu lugar na cadeia de tudo quanto existe.


Carlina corymbosa / Galactites tomentosaOs livros sobre plantas que tenho à mão quase não falam de cardos (em inglês thistles): a excepção é um livro sobre flora açoriana escrito em inglês por um alemão. No entanto, o Portugal Botânico de A a Z lista mais de 20 espécies de cardos, desde o cardo tout-court (Galactites tomentosa) ao cardo-santo, passando pelo cardo-amarelo (Carlina corymbosa) e pelo cardo-roxo. O que estas plantas têm em comum são as folhas espinhentas, mas nem sequer pertencem todas à mesma família botânica. Por exemplo, o cardo-marítimo é uma umbelífera, e os dois cardos de hoje são da família Asteraceae, a mesma que inclui margaridas e girassóis. O ostracismo a que os cardos estão sujeitos é outro traço unificador dessa classe heterogénea: ninguém os quer cultivar no jardim, e por isso os livros de jardinagem só os mencionam, quando o fazem, para explicar a melhor maneira de nos livrarmos deles e de outras plantas daninhas. Um cardo pode ser tolerado na natureza - mas mesmo aí não muito, como parte que é daquela massa indiferenciada de plantas a que chamamos mato e que é costume limpar para prevenir incêndios. Em suma, os cardos são plantas que ninguém quer acarinhar, e se eles noutros tempos - quando havia aldeias e tradições rurais - tiveram para nós alguma utilidade, hoje poucos saberão o que fazer com eles. Bom, talvez sirvam de alimento às abelhas. Mas a questão é que não precisamos de fazer nada com eles, pois nem tudo no equilíbrio da natureza se tem que traduzir em nosso benefício imediato. Com jeito, um cardo até se põe bonito para a foto; e, na verdade, ele é bonito. Contudo, esse já é um modo deformado de ver as coisas: como qualquer outra planta no seu habitat natural, um cardo tem o seu lugar na cadeia de tudo quanto existe.

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