TransversalidadesRafael Bordalo PinheiroO vazio, o escândalozinho fácil, o boato, o diz-que-disse, a promiscuidade entre os diferentes "poderes", o agora-acusas-tu-agora-acuso-eu, as modernas-independentes-bandalheiras-lusíadas, o desrespeito pelos eleitores e por um povo em geral, que é obrigado democraticamente a assistir à democrática degradação nacional promovida pela quantidade absurda de bácoros esfomeados que correm à mama da "grande porca", é transversal a todos os partidos políticos actuais.Este mal-estar social, somatizado na abstenção e demissão consecutiva, é proporcional ao desencanto da vida portuguesa actual. O desinteresse e o deixa-andar comum, apontado quantas vezes como ignorância e vivência de rebanho que se deixa apascentar, mais não é que depressão pura e dura de toda uma nação que não consegue ultrapassar o sentimento de se sentir violada quotidianamente. Perante a dita necessidade de estabilidade política, assiste-se à maior das vilanias da nossa democracia que ainda não o foi: os pactos acordados entre os que partilham o poder e não percebem que mais não são - não deveriam ser - do que funcionários a prazo. Mas que, porém, subvertem a intenção de voto dos eleitores que os elegeram. Só assim se compreende o estalar de supostos/presumíveis escândalos diários que envolvem figuras políticas. Só assim se entende que as preocupações democráticas desabrolhem em preocupações tablóides, esquizofrenizantes... e muito pouco, quase nada, verdadeiramente interessantes. Afigura-se-me que é o momento de reconhecermos que é tempo de repensarmos se os partidos políticos, nos actuais moldes, são realmente necessários. Quanto a mim, defendo que estão obsoletos e que não servem mais os fins da Democracia que queremos. E de que precisamos. Serão preferíveis os Movimentos Cívicos que poderão servir os interesses de um país europeu que se quer moderno e que, não se pautando por cartilhas partidárias nem por longínquas afinidades ideológicas que não traduzem mais os desideratos dos eleitores, poderão ser muito mais ecuménicos de um novo sentir português a que só os desatentos não são sensíveis ou os "leitões" não quererão ver.
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TransversalidadesRafael Bordalo PinheiroO vazio, o escândalozinho fácil, o boato, o diz-que-disse, a promiscuidade entre os diferentes "poderes", o agora-acusas-tu-agora-acuso-eu, as modernas-independentes-bandalheiras-lusíadas, o desrespeito pelos eleitores e por um povo em geral, que é obrigado democraticamente a assistir à democrática degradação nacional promovida pela quantidade absurda de bácoros esfomeados que correm à mama da "grande porca", é transversal a todos os partidos políticos actuais.Este mal-estar social, somatizado na abstenção e demissão consecutiva, é proporcional ao desencanto da vida portuguesa actual. O desinteresse e o deixa-andar comum, apontado quantas vezes como ignorância e vivência de rebanho que se deixa apascentar, mais não é que depressão pura e dura de toda uma nação que não consegue ultrapassar o sentimento de se sentir violada quotidianamente. Perante a dita necessidade de estabilidade política, assiste-se à maior das vilanias da nossa democracia que ainda não o foi: os pactos acordados entre os que partilham o poder e não percebem que mais não são - não deveriam ser - do que funcionários a prazo. Mas que, porém, subvertem a intenção de voto dos eleitores que os elegeram. Só assim se compreende o estalar de supostos/presumíveis escândalos diários que envolvem figuras políticas. Só assim se entende que as preocupações democráticas desabrolhem em preocupações tablóides, esquizofrenizantes... e muito pouco, quase nada, verdadeiramente interessantes. Afigura-se-me que é o momento de reconhecermos que é tempo de repensarmos se os partidos políticos, nos actuais moldes, são realmente necessários. Quanto a mim, defendo que estão obsoletos e que não servem mais os fins da Democracia que queremos. E de que precisamos. Serão preferíveis os Movimentos Cívicos que poderão servir os interesses de um país europeu que se quer moderno e que, não se pautando por cartilhas partidárias nem por longínquas afinidades ideológicas que não traduzem mais os desideratos dos eleitores, poderão ser muito mais ecuménicos de um novo sentir português a que só os desatentos não são sensíveis ou os "leitões" não quererão ver.