Excertos da entrevista ao Dr. Mário Soares (que aconselho a ler na integra).[…]“Ironicamente, numa altura em que o poder político - ao contrário do que devia - é e continua a comportar-se como um poder menor em relação ao poder dos interesses, das grandes empresas multinacionais e nacionais e dos bancos.A concentração da imprensa nas mãos de três ou quatro grandes grupos económicos condiciona muito as coisas. O resultado é que, hoje, os bons jornalistas, independentes e que faziam opinião pela sua isenção, escasseiam...[…]Estamos hoje a viver no mundo uma crise do capitalismo financeiro-especulativo, política, social e de civilização.[…]Vamos ter de viver de outra maneira?Evidentemente. Temos de mudar de paradigma, de modelo económico, financeiro, social, político e ambiental.[…]Voltando a Portugal, há particularidades da nossa crise que terão implicações para o futuro. Escreveu recentemente um livro que se chama O Elogio da Política.Já antes tinha alertado para uma certa degradação da política - a sua mediatização, a sujeição ao marketing...Dominada pelo dinheiro, sem princípios éticos, nem visão global.[…]Essa perda de qualidade não pode ter apenas a ver com o jornalismo ou com a colheita geracional, melhor ou pior.Quando falo das gerações, boas e más, como o vinho, é para me dar a mim próprio a alegria de pensar que o mundo muda e muda para melhor. As actuais gerações de políticos, formados na escola do neoliberalismo, não serão excelentes, com as devidas excepções. Mas vão vir outras, seguramente melhores. A necessidade obriga. Acredito nisso. E acredito que, por efeito da crise actual, as novas gerações serão diferentes. A que foi contemporânea dos dois mandatos do Bush foi ensinada a pensar que o importante, na vida, é ganhar dinheiro. O que é importante na política, é o marketing. O que é importante é parecer, mais do que ser... Foi, em parte, esse delírio do lucro fácil que conduziu à crise mundial. As pessoas perderam a sensibilidade para os valores morais e para perceber a importância do que é essencial para o futuro dos seres humanos. Só sentem a necessidade de ganhar dinheiro, de qualquer maneira...[…]Temos de encontrar e criar empregos para os jovens. O drama do desemprego juvenil tem a ver com o desespero e a depressão. Temos de perceber que a coesão social pode ser posta em causa. Se não fazemos as reformas sociais, estamos, inconscientemente, a criar revoltas, difíceis de controlar. “[…]Fonte: Jornal Público (entrevista completa)Comentário:O Dr. Mário Soares é a prova de que nunca é tarde para mudar, mas ainda tem “espaço” para melhorar…
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Excertos da entrevista ao Dr. Mário Soares (que aconselho a ler na integra).[…]“Ironicamente, numa altura em que o poder político - ao contrário do que devia - é e continua a comportar-se como um poder menor em relação ao poder dos interesses, das grandes empresas multinacionais e nacionais e dos bancos.A concentração da imprensa nas mãos de três ou quatro grandes grupos económicos condiciona muito as coisas. O resultado é que, hoje, os bons jornalistas, independentes e que faziam opinião pela sua isenção, escasseiam...[…]Estamos hoje a viver no mundo uma crise do capitalismo financeiro-especulativo, política, social e de civilização.[…]Vamos ter de viver de outra maneira?Evidentemente. Temos de mudar de paradigma, de modelo económico, financeiro, social, político e ambiental.[…]Voltando a Portugal, há particularidades da nossa crise que terão implicações para o futuro. Escreveu recentemente um livro que se chama O Elogio da Política.Já antes tinha alertado para uma certa degradação da política - a sua mediatização, a sujeição ao marketing...Dominada pelo dinheiro, sem princípios éticos, nem visão global.[…]Essa perda de qualidade não pode ter apenas a ver com o jornalismo ou com a colheita geracional, melhor ou pior.Quando falo das gerações, boas e más, como o vinho, é para me dar a mim próprio a alegria de pensar que o mundo muda e muda para melhor. As actuais gerações de políticos, formados na escola do neoliberalismo, não serão excelentes, com as devidas excepções. Mas vão vir outras, seguramente melhores. A necessidade obriga. Acredito nisso. E acredito que, por efeito da crise actual, as novas gerações serão diferentes. A que foi contemporânea dos dois mandatos do Bush foi ensinada a pensar que o importante, na vida, é ganhar dinheiro. O que é importante na política, é o marketing. O que é importante é parecer, mais do que ser... Foi, em parte, esse delírio do lucro fácil que conduziu à crise mundial. As pessoas perderam a sensibilidade para os valores morais e para perceber a importância do que é essencial para o futuro dos seres humanos. Só sentem a necessidade de ganhar dinheiro, de qualquer maneira...[…]Temos de encontrar e criar empregos para os jovens. O drama do desemprego juvenil tem a ver com o desespero e a depressão. Temos de perceber que a coesão social pode ser posta em causa. Se não fazemos as reformas sociais, estamos, inconscientemente, a criar revoltas, difíceis de controlar. “[…]Fonte: Jornal Público (entrevista completa)Comentário:O Dr. Mário Soares é a prova de que nunca é tarde para mudar, mas ainda tem “espaço” para melhorar…