A Cinco Tons: Espanto-me

24-01-2011
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Espanto-me, muitas vezes com o mundo. Com as pessoas. E espanto-me depois com esse espanto. Esta semana espantei-me com o destaque dado ao Salão Erótico de Lisboa nos orgãos de Comunicação Social nacionais. Com o entusiasmo que gerou nos vários tons dos bloguers deste canto. E ainda veio, depois, a efeméride do Paulo Nobre, como quem brinca...Ocorreu-me então que em muitos segmentos da vida continuamos com dificuldade na passagem à maturidade. Continuamos na idade de brincar...Simone de Beauvoir bem explicou o duplo sentido da palavra "boneca". Pode ser a ligadura com que se envolve um dedo ferido:"um dedo vestido, separado é olhado com alegria e uma espécie de orgulho e a criança esboça nele o processo de alienação". Mas é um boneco com cara humana - espiga de milho ou simples pedaço de pau - que substitui de maneira mais satisfatória esse duplo, o brinquedo natural que é o pénis. A grande diferença está em que, por um lado, a boneca representa um corpo na sua totalidade e, por outro, é uma coisa passiva." (O segundo sexo, 1970).E continuou explicando detalhadamente como é que a boneca, ao contrário do pénis, representava a passividade e a alienação.Tantos anos volvidos, constacto não sem espanto, que continuamos a preferir as bonecas, e a passividade que representam. Homens e mulheres, jornalistas sérios, gente culta, jovens imberbes, pais e avós, todos brincando às bonecas... quase que parecia eternecedor!


Espanto-me, muitas vezes com o mundo. Com as pessoas. E espanto-me depois com esse espanto. Esta semana espantei-me com o destaque dado ao Salão Erótico de Lisboa nos orgãos de Comunicação Social nacionais. Com o entusiasmo que gerou nos vários tons dos bloguers deste canto. E ainda veio, depois, a efeméride do Paulo Nobre, como quem brinca...Ocorreu-me então que em muitos segmentos da vida continuamos com dificuldade na passagem à maturidade. Continuamos na idade de brincar...Simone de Beauvoir bem explicou o duplo sentido da palavra "boneca". Pode ser a ligadura com que se envolve um dedo ferido:"um dedo vestido, separado é olhado com alegria e uma espécie de orgulho e a criança esboça nele o processo de alienação". Mas é um boneco com cara humana - espiga de milho ou simples pedaço de pau - que substitui de maneira mais satisfatória esse duplo, o brinquedo natural que é o pénis. A grande diferença está em que, por um lado, a boneca representa um corpo na sua totalidade e, por outro, é uma coisa passiva." (O segundo sexo, 1970).E continuou explicando detalhadamente como é que a boneca, ao contrário do pénis, representava a passividade e a alienação.Tantos anos volvidos, constacto não sem espanto, que continuamos a preferir as bonecas, e a passividade que representam. Homens e mulheres, jornalistas sérios, gente culta, jovens imberbes, pais e avós, todos brincando às bonecas... quase que parecia eternecedor!

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